Política

SUPOSTA INTERFERÊNCIA

Bolsonaro tem 72 horas para explicar à Justiça troca de comando na PF do Rio

Moro denunciou no sábado que presidente tinha interesse em mudar o comando, que investiga milícias no Rio, e troca ocorreu na segunda

Presidente Jair Bolsonaro tem 72 horas para explicar à Justiça Federal o motivo da troca de comando da Polícia Federal do Rio de Janeiro. Intimação judicial foi publicada nesta terça-feira (6) e atende pedido de ação popular do advogado Rubens Nunes, um dos coordenadores do Movimento Brasil Livre (MBL).

Troca no comando da PF ocorreu na segunda-feira (4), como primeiro ato do novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Souza, nomeado pelo presidente. A PF no Rio é responsável por investigações de mílicias. Carlos Henrique Oliveira foi substituído pelo delegado Tácio Muzzi.

No sábado (2), ex-ministro de Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, prestou depoimento e afirmou que Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal e tinha interesse especificamente no comando do Rio. “Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”, disse Moro na oitiva, atribuindo esta fala ao presidente.  

Além da Justiça Federal, a mudança na chefia também será investigada pela Procuradoria-Geral da República, como desdobramento do inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a suposta interferência política de Bolsonaro na PF, denunciada por Moro.

Conforme denunciado por Moro, a troca de comando foi efetivada e o advogado Rubens Nunes questionou a legalidade da substituição do cargo, que é considerado estratégico em investigações.  

Questionado por jornalistas sobre o motivo da mudança e se ela seria uma "interferência" nas apurações da Polícia Federal, o presidente mandou repórteres calarem a boca.

Sobre a intimação, Advocacia-Geral da União (AGU) informou que não foi notificada e que tomará medidas judiciais cabíveis. 

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