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COMBATE AO CORONAVÍRUS

A dignidade do homem está acima dos cargos, diz deputado, primo de Mandetta

Discurso de Jair Bolsonaro foi contrário a orientações do Ministério da Saúde
25/03/2020 10:48 - Eduardo Miranda


O deputado federal Fábio Trad (PSD-MS), primo do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o aconselhou a escolher o lado da ciência, mesmo que isso lhe custe o ministério. “Permita-me um conselho de quem tem seu sangue nas v eias; a dignidade do homem está acima dos cargos”, disse o deputado.

“Não fuja do juramento que fez na sua formatura. Fique com a ciência”, complementou Fábio Trad. O deputado faz referência ao discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro, na noite de terça-feira (24) voltou a criticar o isolamento social, recomendado por várias autoridades, inclusive o ministro da Saúde.  

O presidente falou que algumas das ações para conter a propagação do coronavírus, geram pânico e histeria. Na semana passada, as autoridades do Ministério da Saúde seguiram as orientações da Organização Mundial de Saúde, no mundo todo, de recomendar à população que fique em casa.  

O mandatário criticou também algumas autoridades estaduais e municipais que “devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transporte, o fechamento dos comércios e o confinamento em massa”. Segundo ele, não há motivo para fechar escolas, uma vez que o grupo de risco é composto por, também, pessoas com mais de 60 anos. “São raros os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos”, disse.

Em Campo Grande, o prefeito Marcos Trad (PSD), irmão de Fábio e, claro, também primo de Mandetta, disse que manterá todos os decretos que restringem a circulação de pessoas, cujos efeitos foram criticados ontem por Bolsonaro.  

Depois das declarações de Bolsonaro, Fábio Trad apelou ao primo e ao ministro: “eu o conheço há mais de 40 anos (...) sangue não vira água”.

 

Felpuda


Alguns políticos estão se aproveitando deste momento preocupante de pandemia para sugerir projetos oportunistas que, em alguns casos, são de resultados extremamente duvidosos. O mais interessante – para não dizer outra coisa – é que se for analisado o desempenho normal dessas figuras, verifica-se que essa preocupação toda nunca esteve no topo das suas prioridades. Ano eleitoral é assim mesmo. Lamentável!