Política

ATRITO

Acuado, Carlão alimenta disputa pela vaga do PSDB de olho em mais espaço

O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande insiste em contrariar posicionamento da defesa de Gian Sandim

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Em uma cidade “sem problemas” como Campo Grande, o presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Augusto Borges (PSB), o “Carlão”, está gastando tempo precioso dos contribuintes com o imbróglio sobre quem será o suplente a assumir a vaga do vereador Claudinho Serra (PSDB), que pediu licença de 120 dias da Casa de Leis.

Ao adotar o comportamento de uma criança pirracenta, Carlão insiste em contrariar a legislação eleitoral ao não empossar o oitavo suplente Gian Sandim (PSDB) por entender que ele não tem os votos necessários para ser vereador.

“Se não pode empossar o quarto suplente, na outra semana eu convoco o quinto, até chegar nesse Gian Sandim, que ‘eles’ querem que assuma. Então, a Câmara não tem problema nenhum de empossar suplente. A Casa vai obedecer às leis e ao regimento interno”, pronunciou-se ontem.

Na verdade, o uso da palavra por parte de Carlão foi uma resposta à decisão do juiz Atílio César de Oliveira Júnior, da 54ª Zona Eleitoral de Campo Grande, que concedeu mandado de segurança suspendendo a posse do quarto suplente de vereador Dr. Lívio (União Brasil), que estava agendada para ontem.

“O Gian Sandim falou que o TRE {Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul} não vai me responder sobre a consulta que fiz para definir quem é o suplente do Claudinho. Ele me respondeu ontem (quarta-feira) no áudio aqui no meu celular. Eu falei, bom, achei que o senhor fosse suplente, mas, parece que o senhor é desembargador ou juiz”, declarou o presidente.

Em um tom claramente contrariado, Carlão sugeriu que o suplente “estaria para frente demais, ou sabendo demais esse Gian Sandim, que eu nem conheço e não tenho nem intenção e nem vontade de conhecer”.

De acordo com fontes ouvidas pelo Correio do Estado, o “estranho” comportamento do presidente da Casa de Leis em relação à suplência de Claudinho Serra seria uma retaliação ao PSDB, pois o ninho tucano não cogita a ideia de convidá-lo para ser o vice na chapa encabeçada pelo deputado federal Beto Pereira para disputar a prefeitura da Capital.

Ao dificultar ao máximo a posse do suplente por direito à vaga de Claudinho e até mesmo provocando uma disputa pela cadeira de vereador, Carlão estaria dando um recado claro ao PSDB de que não está gostando da forma como o partido está conduzindo o caso.

Com esse posicionamento beligerante na questão da suplência, ele espera ser mais prestigiado pelas lideranças tucanas e possa ter mais poder de troca na hora que a campanha eleitoral começar para valer.

Porém, essas mesmas fontes disseram que o vereador estaria dando um tiro no pé e, tal comportamento, poderia prejudicar ainda mais sua imagem com o PSDB.

O MANDADO

No mandado de segurança, o magistrado aceitou os argumentos da defesa de Gian Sandim de que a chamada “janela partidária” - período de 30 dias que antecede o prazo final de filiação exigido em lei para concorrer à eleição - está prevista na Lei dos Partidos Políticos (Artigo 22-A, da Lei Federal nº 9.096/1995) e na Resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nº 22.610/2007.

Em 2018, ao responder à Consulta nº 060015955, formulada por um deputado federal do antigo PFL, o TSE decidiu que “só pode usufruir da janela partidária a pessoa eleita que esteja no término do mandato vigente”.

Ainda conforme os argumentos da defesa de Sandim, os suplentes, como não têm mandato, mas só uma “expectativa de direito”, não podem eventualmente assumir a vaga, pois “não estão albergados por essa regra”.

“Seria até ilógico permitir que um candidato fosse eleito suplente por um determinado partido, depois mudasse de sigla para um partido de oposição e viesse a assumir a vaga em nome do partido oposicionista, fazendo oposição à própria sigla que o elegeu. É uma completa transgressão ao sistema eleitoral”, trouxe a defesa.

Em síntese, a “janela partidária” somente se aplica ao eleito que esteja no término do mandato vigente.

“No mais, o próprio TSE, ao responder à Consulta nº 1398/2007, formulada pelo antigo PFL, já decidiu que o mandato é do partido, não do candidato”, ressaltou a defesa.

Para Carlão, tais argumentos não teriam sentido e são apenas para beneficiar o autor do pedido de mandado de segurança. 

“A Câmara não vai nessa conversa. Eu nunca vi um suplente sem voto. Primeiro, o Gian Sandim tem que ter voto, ele é o oitavo suplente. Para depois vim querer indagar a presidência da Câmara. Não vou ficar a reboque de ninguém. Vou usar o regimento e as leis. Vou obedecer a ordem”, brandou.

Ele disse ainda que entrou em contato com o presidente do TRE-MS, desembargador Paschoal Carmello Leandro, pedindo que a Corte informe quem realmente é o suplente de Claudinho Serra, pois, caso contrário, alegando que não pode ficar parado, dará sequência à convocação, que, no caso, é o Delegado Wellington.

No entanto, o Delegado Wellington também não pode assumir porque, embora se encontre atualmente  no PSDB, trocou o partido pelo PL para se candidatar a deputado federal nas eleições de 2022, ostentando atualmente a posição de 4º suplente de deputado federal pela legenda.

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DEMOCRACIA

PT inicia ofensiva contra André Mendonça e pede apoio de militantes

Mobilização começou após o presidente dizer que "se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral"

10/09/2026 07h08

"Ou o STF abre o sigilo sobre Flávio Bolsonaro ou a integridade da eleição está comprometida", disse Lula

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou, nesta quarta-feira, 9, uma campanha nas redes sociais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Banco Master.

Depois de Lula dar uma declaração pública pedindo a quebra integral do sigilo da investigação, petistas vieram a público criticar o juiz e iniciaram uma campanha de mobilização da militância em oposição a Mendonça.

"Na minha opinião, ou o STF abre o sigilo e mostra ao Brasil os segredos ocultos sobre Flávio Bolsonaro ou a integridade da eleição está comprometida. É preciso revelar toda a verdade sobre o candidato suspeito", disse Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT.

Poucos minutos antes, Lula pediu "explicações e medidas imediatas" para enfrentar a "crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário" em seu perfil nas redes sociais.

"Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral", afirmou o presidente e candidato à reeleição. "Por isso é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja a quem for, doa a quem doer."

Nos bastidores, alguns dos principais conselheiros de Lula veem André Mendonça como o responsável pelo momento ruim do presidente nas pesquisas de intenção de voto. Eles apontavam o entorno do ministro do STF como responsável pelos vazamentos da investigação da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - a situação piorou após a queda do sigilo de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A gota d’água ocorreu após a divulgação de pesquisas que apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, o que mergulhou a campanha de vez numa crise.

Para alguns desses conselheiros, a situação envolvendo Moraes complicou ainda mais a situação de Lula. Para esse grupo, é inevitável que parte do eleitorado brasileiro não associe Moraes a Lula. Além disso, dizem eles, ainda existe gratidão do Planalto ao que ministro fez no julgamento da tentativa de golpe de Estado, que levou, entre outros, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão.

A campanha pediu apoio da militância nos grupos de WhatsApp. "Faltam só 25 dias para as eleições, gente! Não tem para onde correr: a missão de hoje é para agora, hein? Precisamos falar sobre as atitudes do ministro André Mendonça no caso envolvendo a blindagem de Flávio Bolsonaro e defender que as instituições cumpram o seu papel com independência", disse um dos textos divulgados no grupo de WhatsApp "Lulaverso", criado pela campanha de Lula em 2022 e ativo até hoje.

Essa publicação foi feita antes da declaração pública de Lula. "Bora botar a boca no trombone! Cada compartilhamento, postagem e conversa importam muito. Está proibido deixar a tarefa para depois."

Éden Valadares defendeu em publicação nas redes que o momento pede reação imediata. "A situação política no Brasil é muito grave. O que eram suspeitas se confirmam em evidências, e precisamos denunciar e reagir agora. A crise institucional que se instalou no Supremo Tribunal Federal está sendo transformada em instrumento eleitoral pelo ministro relator do caso do Banco Master ao barrar as investigações sobre Flávio Bolsonaro, ao ser parcial nas apurações do banqueiro Daniel Vorcaro, ao negar ao Brasil a verdade sobre o escândalo Dark Horse", afirmou.

"A condução do processo claramente tenta influenciar as eleições brasileiras ao proteger o candidato bolsonarista à Presidência da República."

Na semana passada, o Estadão revelou que Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro trocaram 51 mensagens ao longo de 21 dias. A investigação mostrou que Vorcaro pedia auxílio e orientações ao ministro do Supremo sobre as investigações do Master. Também aparecem conversas com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, intermediadas por um advogado.

Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 7, aponta Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 41% no segundo turno. O cenário não era registrado desde março, quando ambos também apareciam no mesmo patamar numérico.

Política

Fachin decide tirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news

Relator havia incluído acusações contra André Mendonça no processo

09/09/2026 19h10

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes Divulgação/STF

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (9) e ficam preservadas todas as decisões tomadas por Moraes no processo até a data de hoje.

O inquérito foi aberto pela Corte em março de 2019 e continua em andamento. Na época, o então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, defendeu a medida como forma de combater a veiculação de notícias que atingiam a honorabilidade e a segurança do STF, de seus membros e parentes. O ministro também nomeou Moraes como relator.

A decisão de Fachin ocorre durante uma crise protagonizada por Moraes e o ministro André Mendonça. Na semana passada, Moraes incluiu acusações contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News. O relatório dizia que Mendonça teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas como improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos políticos.

Dias antes, Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da PF que trazia mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Vorcaro é alvo central da Operação Compliance Zero, que trata da suspeita de fraudes financeiras bilionárias no Master, e está preso atualmente.

Nesta quarta, Fachin determinou a retirada da investigação contra Mendonça do inquérito das fake news. Todo seu conteúdo foi remetido ao próprio presidente da Corte.

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