A decisão do prefeito Nelsinho Trad (PMDB) de antecipar a saída de comissionados pertencentes a partidos que terão candidatura própria em 2012 desagradou tradicionais aliados, como o PSDB, PPS e PP. Eles consideraram apressada a decisão do prefeito, porque a aliança foi feita por período de quatro anos e não de três como deseja Nelsinho. Os cargos ocupados são usados pelos aliados para fazerem política. E Nelsinho não quer mais deixar a sua administração ser usada por futuros adversários em 2012.
Por isto, o prefeito está determinado a “limpar a área” para afastar os correligionários dos partidos que pretendem enfrentar o PMDB nas eleições municipais em Campo Grande.
Na avaliação do presidente regional do PSDB, Carlos Alberto Assis, o momento adequado para o partido se desligar da administração municipal seria em março do próximo ano, quando teria o resultado das pesquisas sobre a aceitação de seu pré-candidato, deputado federal Reinaldo Azambuja (PSDB), e o PMDB também já tivesse definido quem será seu candidato.
Segundo o dirigente, havia inclusive sido combinado com Nelsinho que a saída dos cargos seria definida em reunião neste mês. “Com um pouquinho de calma a gente poderia resolver isso sem atropelo, mas ele se antecipou. Ontem (anteontem) fizemos reunião e o Azambuja é da mesma opinião, se o prefeito quer os cargos a gente entrega”, afirmou.
A reclamação do PPS foi a mesma dos tucanos. “Nós ajudamos ele a ganhar a eleição por quatro anos. O correto são os quatro anos”, afirmou o presidente municipal da legenda, Aldo Donizete. Ele garantiu, entretanto, que não haverá problema para o partido em entregar os poucos cargos que ocupa na administração municipal.
Apoio forçado
A postura de Nelsinho foi vista pelos aliados como uma maneira de pressionar as legendas em busca de apoio à candidatura peemedebista na disputa pela prefeitura da Capital.
“Não sei se ele quer obrigar as pessoas a estarem do lado do Giroto (deputado federal Edson Giroto, tido como favorito do PMDB para a sucessão de Nelsinho). Talvez seja uma forma de obrigar os partidos a permanecerem aliados aos interesses do PMDB”, afirmou o deputado estadual Alcides Bernal (PP), pré-candidato do partido.
“Não condicionamos nem ele (Nelsinho) condicionou que teríamos que apoiar a sucessão de 2012 sendo candidato do PMDB. Nós não fizemos esse acordo, esse acordo é novo”, afirmou o pré-candidato do PPS, vereador Athayde Nery, referindo-se à aliança firmada na última eleição municipal. Ele declarou ainda que, na postura de aliado, o PPS nunca reclamou de o PMDB lançar candidatura própria. “Agora se a nossa pré-candidatura está incomodando eles, nós entregamos os cargos sem problemas”, concluiu.
Apesar das críticas e queixas, os partidos aliados garantiram que a postura de Nelsinho não irá atrapalhar seu relacionamento com o PMDB. “Não vamos brigar agora por qualquer coisa não, são mais de vinte anos nessa parceria”, afirmou Carlos Alberto Assis, presidente regional do PSDB.
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