Política

POLÍTICA

Apoiadores de Contar tentam intimidar Zambelli e evento termina em confusão

Objetivo era unir a direita, mas grupo fiel a Contar não concorda com aproximação de ex-ministra com o PSDB

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O evento que contou com a presença dos deputados federais Carla Zambelli (PL-SP), Daniel Silveira (PTB-RJ) e Major Fabiana (PL-RJ) terminou em confusão no fim da tarde na Câmara Municipal de Campo Grande (MS). 

A confusão teve início quando apoiadores da pré-candidatura do deputado estadual Capitão Contar (PRTB) ao governo de Mato Grosso do Sul tentaram tirar satisfações verbais cara a cara com Carla Zambelli e o deputado federal Loester Trutis (PL-MS), um dos organizadores do evento.

Zambelli, que realizou cirurgia nos pés, estava em uma cadeira de rodas no momento da tentativa de agressão. 

A deputada é conhecida por ser uma das parlamentares mais fiéis ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

O grupo ligado a Contar não concorda com o apoio de parte do bolsonarismo, inclusive da ex-ministra, deputada federal e pré-candidata ao Senado, Tereza Cristina (PP), à pré-candidatura de Eduardo Riedel (PSDB).

Zambelli, Trutis, Silveira e Major Fabiana estavam pregando fidelidade à Bolsonaro, união da direita e fidelidade à Tereza Cristina, a quem Jair Bolsonaro delegou a coordenação de sua campanha em Mato Grosso do Sul.

No momento da confusão, Contar, que apareceu na Câmara, não estava mais no local. Capitão Contar, inclusive, sequer foi convidado para compor a mesa de convidados, e deixou o evento logo após a execução do hino nacional. 

Do mesmo evento ainda participaram outros dois vereadores da Capital, ambos do PSD, Tiago Vargas e Coringa, do partido de outro pré-candidato: Marquinhos Trad.

Como no local havia pelo menos seis guarniçoes da Polícia Militar, elas foram necessárias para acalmar os ânimos. Já distante da Câmara, ao saber das agressões de apoiadores que, em seu nome, teriam sido agressivos com Zambelli e os demais convidados, restou a Contar ir ao Twitter e postar a seguinte mensagem.

“Nao coaduno com as isoladas manifestações desrespeitosas ocorridas hoje no evento Lealdade Acima de Tudo, em Campo Grande. Isso não representa a direita sul-mato-grossense. Minhas considerações e respeito!”.

Na publicação, Contar marcou Carla Zambelli, Daniel Silveira e Major Fabiana, mas não marcou Trutis, que organizou o evento.

Desde o mês passado, os seguidores de Contar passaram, inclusive, a atacar Tereza Cristina nas redes sociais, afirmando que sua aproximação com o PSDB significa a aproximação com um “partido de esquerda”.

O Correio do Estado apurou no mês passado com fontes do PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, que caso a situação não encontre uma solução pacífica, Jair Bolsonaro deve, nas próximas semanas, formalizar seu apoio a Eduardo Riedel em Mato Grosso do Sul. Há duas semanas, Riedel e Tereza estiveram com Bolsonaro em Brasília.

A pré-candidatura de Contar, porém, ainda não teve a “benção” do presidente, nem mesmo a da senadora, que por enquanto, publicamente, resumiu a declarar que o considera um “bom moço, muito fiel a Bolsonaro”.

Na sexta-feira (3), minutos antes do evento, Contar disse que sua pré-candidatura está mantida, e que qualquer especulação além disso, é “pura falácia”.

PRESÍDIO

Moraes autoriza transferência de condenados no caso Marielle para RJ

Rivaldo Barbosa e Domingos Brazão vão cumprir pena em Gericinó

14/03/2026 22h00

Rivaldo Barbosa e Domingos Brazão, condenados pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018

Rivaldo Barbosa e Domingos Brazão, condenados pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou, neste sábado (14), a transferência de Domingos Brazão e de Rivaldo Barbosa para cumprirem pena no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira (Seappo) no complexo penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro (RJ).

Ambos estão entre os condenados pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018. 

Os dois condenados estão, atualmente, em presídios federais fora do Rio de Janeiro.

Rivaldo Barbosa, condenado a 18 anos pelos crimes de obstrução à Justiça e corrupção passiva, foi para a penitenciária federal de Mossoró (RN). Enquanto que Domingos Brazão, condenado a 76 anos e três meses de reclusão por organização criminosa armada, dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado, cumpre pena em Porto Velho (RR).  

Segundo a decisão de Moraes, ambos foram para presídios federais porque “integravam o topo de uma estrutura extremamente violenta” e havia risco de interferência e atuação criminosa. 

O ministro do STF explica, no documento, que o cenário se modificou. Não haveria, então, demonstração concreta de risco atual à segurança pública ou “à integridade da execução penal que imponha o afastamento do sistema prisional ordinário”.

“Isso porque as razões que embasavam a custódia preventiva, notadamente a necessidade de estancar a atuação da organização criminosa, preservar a colheita probatória e impedir interferências externas, perderam sua força, uma vez encerrada a fase instrutória e estabilizadas as provas”. 

Penas

No mês passado, a Primeira Turma do STF definiu as penas dos condenados pela participação no crime. 

Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, foram condenados a 76 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, duplo homicídio e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle, que sobreviveu ao atentado. 

Eles estão presos preventivamente há dois anos.

Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, recebeu pena de 18 anos de prisão pelos crimes de obstrução de Justiça e corrupção. Apesar de ter sido denunciado pelos homicídios de Marielle e Anderson, Barbosa foi absolvido dessa acusação.

Ronald Alves de Paula, major da Policia Militar, recebeu pena de 56 anos de prisão. Robson Calixto, ex-policial militar, foi condenado a 9 anos. 

Os acusados também devem perder os cargos públicos após o trânsito em julgado da condenação (fim da possibilidade de recursos).

POSICIONAMENTO POLÍTICO

Pesquisa revela que 46,31% da população de MS se diz de direita ou centro-direita

Levantamento do Correio do Estado/IPR ocorreu em 17 cidades que representam 68% do total da população sul-mato-grossense

14/03/2026 08h00

Gerson Oliveira

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A maioria da população sul-mato-grossense se considera mais alinhado à direita ou à centro-direita, conforme pesquisa de intenções de votos, registrada sob os números BR-02995/2026 e MS-00334/2026, contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR).

De acordo com o levantamento, 46,31% dos entrevistados se consideram mais alinhados à direita ou à centro-direita – 38,78% da direita e 7,53% de centro-direita –, 14,41% se posicionaram de centro e 18,24% dos entrevistados se declararam de esquerda ou centro-esquerda – 7,53% de centro-esquerda e 10,71% de esquerda –, enquanto 21,05% não sabem ou não quiseram responder.

Nessa escala de posicionamento político, a pesquisa Correio do Estado/IPR também questionou aos entrevistados em qual grupo eles se encaixam e a maioria, ou seja, 27,7%, disse que é independente, enquanto 25,64% não se consideram bolsonaristas, mas gostam mais das ideias da direita.

Além disso, 19,77% dos entrevistados falaram que se consideram bolsonaristas, 13,65% não se declararam lulistas, mas gostam mais das ideias da esquerda e 9,57% se disseram lulistas, enquanto 4,21% não sabem ou não quiseram responder.

ANÁLISE

Segundo o diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, a pesquisa mostra que o ambiente político do Estado continua estruturalmente mais inclinado à direita, mas longe de ser homogêneo quando o tema deixa de ser ideologia abstrata e passa a ser a escolha concreta de um candidato.

“Em termos agregados, isso significa que o bloco de direita e centro-direita soma 46,31%, enquanto esquerda e centro-esquerda reúnem 18,24%, sinalizando um terreno eleitoral mais favorável a candidaturas identificadas com o campo conservador”, analisou o diretor do IPR.

Conforme ele, quando a pesquisa aprofunda a autodefinição ideológica e pede aos entrevistados que se encaixem em uma escala política mais concreta, o quadro fica ainda mais nítido, pois, somados os que se consideram bolsonaristas e os que não se consideram, mas gostam mais das ideias da direita, esses dois segmentos formam um bloco de 45,41%.

Do outro lado, entre os que não se consideram lulistas, mas preferem as ideias da esquerda, e os que se declaram lulistas somam 23,21%, enquanto o grupo dos independentes aparece com 27,17%, a maior fatia isolada da escala.

“Em termos analíticos, isso indica que Mato Grosso do Sul tem uma base ideológica majoritariamente inclinada à direita, mas com uma parcela relevante de eleitores que não quer se comprometer identitariamente com nenhum polo”, comentou.

Em síntese, de acordo com o diretor do IPR, o cenário desenhado pela pesquisa é o seguinte: o Estado é majoritariamente inclinado à direita, enquanto o bolsonarismo, somado ao eleitorado simpático às ideias da direita, forma um bloco robusto.

DADOS

Com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, a pesquisa Correio do Estado/IPR ouviu 784 pessoas com 16 anos ou mais de idade, moradoras de 12 regiões referenciadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que englobam os municípios de Amambai, Aquidauana, Campo Grande, Sidrolândia, São Gabriel do Oeste, Corumbá, Coxim, Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Bonito, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Essas 17 localidades representam 68% do total de 1,8 milhão de eleitores sul-mato-grossense, ou seja, 1,2 milhão de eleitores, e ao ser realizado nesses municípios do Estado, o levantamento cobre onde está a maior parte da capacidade eleitoral de Mato Grosso do Sul, isto é, oferece uma fotografia extremamente fiel do cenário real, já que os pequenos municípios têm baixo peso estatístico.

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