Política

POSICIONAMENTO POLÍTICO

Pesquisa revela que 46,31% da população de MS se diz de direita ou centro-direita

Levantamento do Correio do Estado/IPR ocorreu em 17 cidades que representam 68% do total da população sul-mato-grossense

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A maioria da população sul-mato-grossense se considera mais alinhado à direita ou à centro-direita, conforme pesquisa de intenções de votos, registrada sob os números BR-02995/2026 e MS-00334/2026, contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR).

De acordo com o levantamento, 46,31% dos entrevistados se consideram mais alinhados à direita ou à centro-direita – 38,78% da direita e 7,53% de centro-direita –, 14,41% se posicionaram de centro e 18,24% dos entrevistados se declararam de esquerda ou centro-esquerda – 7,53% de centro-esquerda e 10,71% de esquerda –, enquanto 21,05% não sabem ou não quiseram responder.

Nessa escala de posicionamento político, a pesquisa Correio do Estado/IPR também questionou aos entrevistados em qual grupo eles se encaixam e a maioria, ou seja, 27,7%, disse que é independente, enquanto 25,64% não se consideram bolsonaristas, mas gostam mais das ideias da direita.

Além disso, 19,77% dos entrevistados falaram que se consideram bolsonaristas, 13,65% não se declararam lulistas, mas gostam mais das ideias da esquerda e 9,57% se disseram lulistas, enquanto 4,21% não sabem ou não quiseram responder.

ANÁLISE

Segundo o diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, a pesquisa mostra que o ambiente político do Estado continua estruturalmente mais inclinado à direita, mas longe de ser homogêneo quando o tema deixa de ser ideologia abstrata e passa a ser a escolha concreta de um candidato.

“Em termos agregados, isso significa que o bloco de direita e centro-direita soma 46,31%, enquanto esquerda e centro-esquerda reúnem 18,24%, sinalizando um terreno eleitoral mais favorável a candidaturas identificadas com o campo conservador”, analisou o diretor do IPR.

Conforme ele, quando a pesquisa aprofunda a autodefinição ideológica e pede aos entrevistados que se encaixem em uma escala política mais concreta, o quadro fica ainda mais nítido, pois, somados os que se consideram bolsonaristas e os que não se consideram, mas gostam mais das ideias da direita, esses dois segmentos formam um bloco de 45,41%.

Do outro lado, entre os que não se consideram lulistas, mas preferem as ideias da esquerda, e os que se declaram lulistas somam 23,21%, enquanto o grupo dos independentes aparece com 27,17%, a maior fatia isolada da escala.

“Em termos analíticos, isso indica que Mato Grosso do Sul tem uma base ideológica majoritariamente inclinada à direita, mas com uma parcela relevante de eleitores que não quer se comprometer identitariamente com nenhum polo”, comentou.

Em síntese, de acordo com o diretor do IPR, o cenário desenhado pela pesquisa é o seguinte: o Estado é majoritariamente inclinado à direita, enquanto o bolsonarismo, somado ao eleitorado simpático às ideias da direita, forma um bloco robusto.

DADOS

Com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, a pesquisa Correio do Estado/IPR ouviu 784 pessoas com 16 anos ou mais de idade, moradoras de 12 regiões referenciadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que englobam os municípios de Amambai, Aquidauana, Campo Grande, Sidrolândia, São Gabriel do Oeste, Corumbá, Coxim, Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Bonito, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Essas 17 localidades representam 68% do total de 1,8 milhão de eleitores sul-mato-grossense, ou seja, 1,2 milhão de eleitores, e ao ser realizado nesses municípios do Estado, o levantamento cobre onde está a maior parte da capacidade eleitoral de Mato Grosso do Sul, isto é, oferece uma fotografia extremamente fiel do cenário real, já que os pequenos municípios têm baixo peso estatístico.

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CÂMARA MUNICIPAL

Justiça valida nomeação de procurador-geral e nega ação popular

Ação buscava anular nomeação de Luiz Gustavo Lazzari para o cargo de procurador-geral da Câmara Municipal de Campo Grande

17/04/2026 15h00

Nomeação para o cargo de Procurador-Geral da Câmara Municipal foi mantida

Nomeação para o cargo de Procurador-Geral da Câmara Municipal foi mantida Foto: Arquivo/ Correio do Estado

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O juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, julgou improcedente a ação popular que buscava anular a nomeação de Luiz Gustavo Martins Araújo Lazzari para o cargo de Procurador-Geral da Câmara Municipal. A decisão, publicada nesta semana, reafirma a legalidade da livre nomeação para cargos de chefia e assessoramento na administração pública.

A ação foi movida por Orlando Fruguli Moreira e Douglas Barcelo do Prado contra o Município de Campo Grande, o então presidente da Câmara, Carlão Borges, e o próprio nomeado. 

Os autores alegavam que Luiz Gustavo Lazzari ocupava um cargo em comissão "puro", sem vínculo anterior com a carreira de Procurador Municipal, o que supostamente feriria o artigo 37 da Constituição Federal e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).

Eles sustentavam que a representação judicial da Câmara deveria ser exercida exclusivamente por servidores de carreira, argumentando que a manutenção de um comissionado na chefia jurídica configuraria uma irregularidade administrativa.

O magistrado rejeitou os argumentos dos autores e destacou que a legislação que estabelece o Plano de Carreira e o Plano de Cargos da Câmara já classificam o cargo de Procurador-Geral como de "direção superior".

Segundo a sentença, a Constituição Federal permite que cargos de direção, chefia e assessoramento sejam preenchidos por comissão, baseando-se na "relação especial de confiança" entre o nomeado e a autoridade. 

O magistrado também citou o Tema 1.010 do STF, que valida a criação de cargos comissionados desde que suas atribuições sejam descritas de forma clara e guardem proporcionalidade com a necessidade do órgão.

"O cargo de procurador-geral, seja do município ou da câmara legislativa municipal, exige 'relação especial de confiança', o que justifica a nomeação de comissionados pelos prefeitos ou presidentes da câmara legislativa", pontuou o juiz na decisão.

Outro ponto foi a ausência de demonstração de prejuízo financeiro aos cofres públicos. O juiz ressaltou que os autores não apontaram provas, limitando-se a alegar uma suposta imoralidade sem indicar lesão concreta ao patrimônio público.

ELEIÇÕES 2026

Parlamentares de MS iniciam corrida silenciosa pelo eleitorado evangélico

Na última década, os evangélicos cresceram muito no Estado e já representam quase um em cada três moradores

17/04/2026 08h05

Arquivo

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O crescimento acelerado da população evangélica em Mato Grosso do Sul na última década tem provocado mudanças no cenário político e intensificado a disputa por esse segmento. 

Dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que cerca de 32,5% dos sul-mato-grossenses se declaram evangélicos, um salto em relação a 2010, quando representavam aproximadamente 25,9% da população.

Em termos absolutos, isso significa um contingente entre 755 mil e 763 mil pessoas, consolidando os evangélicos como o segundo maior grupo religioso do Estado. 

Os católicos ainda são a maioria, com cerca de 51% a 52%, enquanto pessoas sem religião somam entre 9% e 10% e outras crenças representam aproximadamente 7%.

No campo eleitoral, esse avanço se reflete diretamente nas urnas. Considerando o total de 2.032.487 eleitores em MS, conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) referentes às eleições de 2024, estima-se que cerca de 710 mil sejam evangélicos, um universo expressivo e cada vez mais decisivo.

Na Capital, o peso desse segmento também chama atenção. Aproximadamente 35% dos 646.198 eleitores de Campo Grande se identificam como evangélicos, o que corresponde a cerca de 226 mil pessoas. Já os católicos representam cerca de 48%, indicando um cenário de maior equilíbrio religioso, sobretudo nos centros urbanos.

Diante desse panorama, cresce nos bastidores uma movimentação estratégica por parte de parlamentares e pré-candidatos. Sem grande exposição pública ou discursos mais incisivos nas tribunas, políticos têm intensificado a aproximação a lideranças e comunidades evangélicas.

A atuação tem ocorrido principalmente fora do ambiente formal do Legislativo. Cultos, encontros religiosos e eventos comunitários se tornaram espaços frequentes na agenda de políticos, que buscam estabelecer uma comunicação direta com esse público, baseada em valores comuns e maior identificação.

Essa estratégia responde a uma lógica prática: enquanto campanhas tradicionais exigem altos investimentos e enfrentam maior resistência do eleitorado, o contato em ambientes religiosos permite alcançar grandes grupos de forma segmentada e com maior potencial de engajamento.

Nesse contexto, lideranças evangélicas ganham protagonismo como articuladoras de apoio político, enquanto parlamentares ajustam discursos e pautas para dialogar com temas valorizados por esse segmento, como família, costumes e liberdade religiosa.

A influência desse eleitorado já se reflete na composição das casas legislativas. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputados como Professor Rinaldo Modesto (União Brasil), Antonio Vaz (Republicanos), Lidio Lopes (Avante) e Londres Machado (PP) mantêm vínculos com o meio evangélico.

Na Câmara dos Deputados, representantes do Estado como Dr. Luiz Ovando (PP), Rodolfo Nogueira (PL) e Camila Jara (PT) também dialogam com esse público, seja por identificação religiosa, seja por alinhamento com pautas defendidas por lideranças do segmento.

No âmbito municipal, vereadores de Campo Grande como Silvio Pitu (PSDB), Herculano Borges (Republicanos), Neto Santos (Republicanos) e Marquinhos Trad (PV) também integram esse campo religioso.

O avanço dos evangélicos em Mato Grosso do Sul acompanha uma tendência nacional. Segundo o Censo 2022, esse grupo já representa cerca de 31,6% da população brasileira, porcentual próximo ao registrado no Estado, que aparece acima da média do País.

Com crescimento contínuo, especialmente nas áreas urbanas, a presença evangélica tende a influenciar cada vez mais o cenário político.

A expectativa é de que a disputa por esse eleitorado se intensifique nos próximos ciclos eleitorais, consolidando o segmento como um dos principais vetores de mobilização política no Estado.

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