Às vésperas da abertura da janela partidária, a presidente estadual do PP, senadora Tereza Cristina, anunciou, na sexta-feira, durante evento político, em Campo Grande, que o partido não terá candidato ao Senado no pleito de outubro deste ano.
O anúncio da parlamentar jogou um balde de água fria na pretensão do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), deputado estadual Gerson Claro (PP), de ser o escolhido pela legenda para concorrer ao cargo de senador da República e, agora, terá de buscar a reeleição.
Segundo Tereza Cristina, a decisão faz parte de um acordo político construído ainda nas tratativas para a filiação do governador Eduardo Riedel ao partido.
“O PP, quando das minhas conversas iniciais com o governador Riedel lá atrás, se ele viesse para o PP, nós não teríamos candidato ao Senado. Por quê? Porque isso é uma construção e a política é muito o hoje, então, hoje é não”, afirmou.
Atualmente, as negociações no campo da direita apontam para uma possível chapa pura do PL, com os nomes do ex-governador Reinaldo Azambuja, que é presidente estadual da legenda, e do ex-deputado estadual Capitão Contar.
Ao justificar a decisão, a senadora destacou a estratégia eleitoral do grupo, que provavelmente será disputada em um cenário polarizado com o PT.
“Nós temos que ser pragmáticos, ou seja, ganhar a eleição. E vocês sabem que o campo em que eu milito é o da direita, conservadora, centro-direita. E o que queremos? Ganhar do PT”, ressaltou.
Para ela, o objetivo é montar um “tabuleiro” capaz de garantir duas vagas ao campo político que representa.
“Então nós temos que ter um tabuleiro muito bem montado para ganhar a eleição para governador e tentar fazer dois candidatos da direita ao Senado. Portanto, sendo muito pragmática, é isso. O PP tem ótimos candidatos a senador, mas isso só vai acontecer se, no fim das contas, for necessário”, argumentou.
Questionada se o candidato a vice-governador seria alguém do PP para manter as alianças, Tereza afirmou que há um acordo em curso com o PL e que o cenário ainda pode mudar até as convenções.
“Hoje o PP não tem candidato ao Senado, porque existe um acordo. Amanhã pode mudar, porque na política é assim. Até a gente chegar às convenções, muita coisa pode acontecer, mas nós temos um projeto para eleger dois senadores do nosso campo”, reforçou.
A senadora mencionou o entendimento atual com Reinaldo Azambuja e a pré-candidatura do Capitão Contar, ponderando que “ainda não está batido o martelo”.
“Na política, dois e dois não são exatamente quatro, pode ser três vírgula oito ou quatro vírgula dois, portanto, nós temos que aguardar. Esse tabuleiro vai ser montado”, projetou.
Com relação à composição majoritária estadual, Tereza Cristina citou que Riedel tem sinalizado que vai manter o atual vice-governador José Carlos Barbosa (PSD), o Barbosinha, em sua chapa.
“O Eduardo tem dito que o Barbosinha é o vice ideal, mas, como o governador é do PP, não cabe um vice do PP. Eu penso que essa vaga terá de acomodar os aliados. É para isso que você faz uma coligação. Senão, você faria chapa pura do começo ao fim”, comentou.
A presidente estadual do PP também destacou que o calendário eleitoral será determinante nas próximas definições e que algumas coisas poderão mudar no meio do caminho.
“A gente tem que ter um pouco de paciência até o dia 4 de abril, quando muita gente vai se desincompatibilizar. Depois temos até julho, começo de julho, com as convenções, quando a coisa vai fervilhar”, concluiu.
O Correio do Estado apurou que a definição sobre a candidatura ao Senado pelo PP seria depois que a janela partidária fosse aberta e, portanto, o anúncio público feito pela senadora pegou todos de surpresa, inclusive Gerson Claro, que ainda tinha esperança de concorrer ao cargo de senador da República.

