Política

Eleições 2026

Assessor de deputado é preso com R$ 127 mil e santinhos em MS

Ex-vereador Zé Bocão foi abordado em Japorã com dinheiro em espécie e material de campanha; segundo o registro policial, ele ainda teria oferecido R$ 5 mil aos militares

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Uma denúncia sobre um veículo em alta velocidade terminou com R$ 127 mil em dinheiro apreendidos, material de campanha eleitoral e a prisão de José Antônio Pires de Souza, conhecido como Zé Bocão, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Mundo Novo. Ele é assessor parlamentar do deputado estadual e candidato à reeleição Lidio Lopes (Avante).

O flagrante ocorreu às 20h49 desta quarta-feira (30), no Bar do Último Gole, em Japorã, no extremo sul de Mato Grosso do Sul.

Zé Bocão estava em um Volkswagen T-Cross e informou aos policiais que havia saído de Campo Grande e seguia para Mundo Novo, município onde construiu sua trajetória política.

A abordagem ocorreu depois que a Polícia Militar recebeu denúncia de que um T-Cross trafegava em alta velocidade entre Iguatemi e Japorã.

Após localizar o veículo, os militares fizeram a abordagem e relataram que o motorista demonstrava nervosismo durante a fiscalização.

Na vistoria, os policiais encontraram 11 pacotes com dinheiro em espécie, compostos por notas de R$ 50 e R$ 100, além de santinhos e outros materiais da campanha de Lidio Lopes.

Dinheiro apreendido estava dividido em pacotes e foi encontrado junto a materiais da campanha de Lidio Lopes. Foto: Polícia Militar.

A primeira estimativa feita durante a ocorrência indicava aproximadamente R$ 130 mil. Após a conferência do dinheiro apreendido, o montante foi contabilizado em cerca de R$ 127 mil.

A apreensão do dinheiro junto ao material eleitoral deverá ser esclarecida pelas autoridades responsáveis pela investigação.

A presença dos valores e dos santinhos no mesmo veículo, por si só, não comprova compra de votos, e caberá à apuração determinar a origem, a finalidade e o destino do dinheiro.

Oferta de R$ 5 mil aos policiais

O flagrante teve outro desdobramento quando Zé Bocão foi informado de que seria encaminhado à delegacia. Segundo o boletim de ocorrência, o assessor teria oferecido R$ 5 mil aos policiais militares para evitar a condução.

Os militares recusaram a proposta e deram continuidade ao procedimento. A suposta oferta deverá ser analisada pelas autoridades diante da possibilidade de enquadramento por corrupção ativa, além das demais circunstâncias relacionadas ao transporte do dinheiro.

Após os procedimentos iniciais, o caso foi encaminhado para apuração das autoridades competentes, que deverão esclarecer as circunstâncias em que os valores e o material eleitoral estavam sendo transportados.

Assessor de Lidio Lopes

José Antônio Pires de Souza mantém vínculo profissional com Lidio Lopes há pelo menos sete anos. Documento oficial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) mostra que ele foi nomeado em 16 de agosto de 2019 para exercer o cargo em comissão de Assessor de Gabinete Parlamentar XII, diretamente no gabinete do deputado.

A nomeação consta no Ato nº 574/2019-PRES., publicado pela Assembleia Legislativa. No documento, reproduzido pela reportagem, José Antônio Pires de Souza aparece entre os servidores nomeados para trabalhar no gabinete de Lidio Lopes.

Atualmente, Zé Bocão integra o quadro de servidores da Assembleia Legislativa e recebe R$ 2.983,49, conforme informação funcional relacionada ao cargo.

A atuação do assessor também se estende à articulação política do parlamentar no interior.

Em junho deste ano, publicação sobre uma agenda de Lidio Lopes no Cone Sul apontou Zé Bocão como responsável pela articulação do deputado em 13 municípios da região, atuando na interlocução entre lideranças locais e o gabinete.

A relação entre os dois vai além da atividade profissional. Em outubro de 2025, Zé Bocão recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, concedido pela Assembleia Legislativa por indicação de Lidio Lopes.

Na ocasião, ele foi apresentado como ex-vereador de Mundo Novo e assessor parlamentar.

Trajetória política

Antes de assumir o cargo na Assembleia Legislativa, José Antônio Pires de Souza construiu sua trajetória política em Mundo Novo. Ele exerceu mandatos como vereador e chegou à presidência da Câmara Municipal.

As informações disponíveis divergem sobre a quantidade de mandatos. O relato relacionado ao flagrante aponta que Zé Bocão foi vereador por cinco mandatos, enquanto registros referentes à homenagem concedida pela Assembleia Legislativa em 2025 mencionam quatro.

Por isso, o número exato ainda precisa ser confirmado em registros oficiais da Câmara de Mundo Novo.

Natural do Paraná, Zé Bocão mudou-se para Mundo Novo na década de 1970 e posteriormente ingressou na política municipal, antes de passar a trabalhar na estrutura da Assembleia Legislativa.

O Correio do Estado procurou o deputado Lídio Lopes e questionou se Zé Bocão permanece atualmente em seu gabinete, se o assessor estava realizando atividade de campanha no momento da abordagem, se havia conhecimento sobre o transporte dos R$ 127 mil e  qual seria a origem e a destinação dos valores.

Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanecer aberto para manifestação.

Revogado

Relator no TSE derruba decisão de Nunes Marques e mantém canal 'Exército do Lula' no WhatsApp

Nunes Marques havia atendido solicitação da campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)

11/10/2026 15h30

Ministro Kassio Nunes Marques

Ministro Kassio Nunes Marques Foto: Divulgação / X

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O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, e manteve no ar o canal “Exército do Lula” no WhatssApp.

Na manhã deste domingo, 11, Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e determinou a derrubada do canal, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

Nunes Marques havia afirmado que o canal transmitia “a milhões de pessoas, sob comando único” conteúdos que o TSE já reconheceu como “inverídicos.” “A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral”, dizia de decisão.

A campanha de Flávio alegou que o canal foi criado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) para disseminar desinformação sobre o cancelamento do Programa Bolsa Família, redução do valor de aposentadorias, entre outros casos.

No entendimento de Kassio, o canal é responsável pela replicação de conteúdos que já foram considerados “inverídicos” pelo tribunal, como a afirmação de que Flávio seria favorável à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida de padroeira do Brasil, além de afirmar que o candidato reduzirá aposentadorias se for eleito.

“Quando essa mesma potência é posta a serviço da replicação de fatos que esta Corte já reconheceu como inverídicos, o dano ao equilíbrio do pleito é imediato e de difícil reversão”, afirmou.

O presidente do TSE também afirmou que a "paridade de armas" deve ser garantida entre os candidatos.

“A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral, e a paridade de armas entre os candidatos não sobrevive à conversão de uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas do pleito”, completou.

Competência

Kassio ressaltou ainda que sua decisão foi tomada em função da proximidade do segundo turno das eleições.

“O perigo na demora também está presente. O segundo turno das eleições realizar-se-á em 25 de outubro de 2026, e cada hora de funcionamento do canal amplia a exposição do eleitorado, com repercussão imediata e de difícil reversão”, justificou.

A legalidade do canal “Exército do Lula” já estava judicializada no TSE antes da decisão do presidente da Corte.

A campanha de Flávio ajuizou uma ação para cassar o mandato de Janones, além de solicitar a suspensão do canal.

Neste sábado (10), o ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, relator do processo, pediu que o presidenciável apresente informações complementares.

Em suas redes, Janones rebateu a acusação de que utiliza o canal para disseminar notícias falsas. Segundo ele, o objetivo do canal é mobilizar e orientar eleitores durante o segundo turno das eleições presidenciais, que será disputado no dia 25, último domingo do mês, entre Flávio e Lula.

Janones também enfatizou que não divulgou nenhuma notícia no canal.

“A gente estava só mobilizando, crescendo páginas, trazendo pessoas, explicando como que iria funcionar”, complementou.

Janones disse que o pedido da candidatura do PL é motivado por “medo”.

“Eles pedem que eu seja proibido de criar outros canais. Sabe o nome disso? Medo. Eles estão com medo”, disse.

Com informações de Estadão Conteúdo e Agência Brasil 

MARCHA PELA DEMOCRACIA

Movimento pró Lula reúne 1 milhão de apoiadores na Avenida Paulista

Entre as autoridades que participaram do movimento, estiveram presentes: Simone Tebet (PSB), Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (REDE)

11/10/2026 14h45

Movimento na Avenida Paulista reuniu cerca de 1 milhão de apoiadores de Lula, neste domingo (11)

Movimento na Avenida Paulista reuniu cerca de 1 milhão de apoiadores de Lula, neste domingo (11) Reprodução: rede social / Lula

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um ato na Avenida Paulista, na manhã deste domingo (11). Segundo o perfil oficial do candidato à reeleição, cerca de 1 milhão de apoiadores se reuniram nas ruas de São Paulo para o ato, o qual teve o objetivo de reverter o cenário das eleições no segundo turno, diante da desvantagem na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), que ficou à frente no primeiro turno da eleição.

Entre as autoridades que participaram do movimento, estiveram presentes: Simone Tebet (PSB), Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (REDE).

O ato, batizado de Marcha pela Democracia, foi convocado por estudantes, comunidades de fãs, movimentos sociais e partidos de esquerda. A concentração começou às 11h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e seguiu até a praça Roosevelt, no centro da capital paulista.

Em discurso durante a marcha, Lula criticou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Nunes Marques de derrubar um canal do Whatsapp com mais de 3 milhões de apoiadores do petista, a pedido da campanha de Flávio, ao dizer que dissemina desinformação. Além disso, Lula disse desconfiar do comportamento da Justiça Eleitoral.

"Não é possível que um presidente [de tribunal] eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano", afirmou Lula a jornalistas, em referência a Kassio Nunes Marques.

O petista disse ainda estar "desconfiado do comportamento da corte eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa".

"Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral", afirmou. "Acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral, porque já há alguns dias estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura", completou Lula.

Novo canal

Logo após a ordem de derrubada, Janones gravou vídeo criticando a decisão e convocando seus seguidores a entrarem em um novo canal no Instagram. No material, ele pede que os eleitores de Lula denunciem a decisão de Kassio e diz que a medida será um tiro no pé na campanha de Flávio.

"Não é que se Flávio Bolsonaro for eleito, a censura vai ser instalada. A censura já começou", afirmou. "Só que eles vão sentir a força de 3,3 milhões de pessoas unidas. Nós não vamos nos calar. Nós vamos continuar."

"Vocês venceram a batalha, mas a guerra vocês não venceram", disse. "Eu vou criar um canal dentro do Instagram, que aí eles não terão como derrubar", seguiu Janones.

Na última quarta, Lula disse que sua campanha de primeiro turno neste ano foi a menos organizada de suas disputas presidenciais. Ele deu a declaração a aliados ao lado do coordenador da campanha, Edinho Silva, que foi criticado por petistas pela forma como conduziu o esforço de reeleição de Lula.

"Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta", declarou Lula.

*Com informações do Folha de S. Paulo

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