Política

LEGISLATIVO

Atraso para criar comissão emperra andamento de projetos

Enquanto não é anunciado quem são os integrantes da Comissão, Casa não tem como analisar documentos

Continue lendo...

Sem a composição da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) novos projetos de lei se acumulam na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul (ALEMS) para tramitação dentro da Casa. Até a tarde de ontem, 12 novos projetos de lei foram inseridos no sistema desde o fim dos trabalhos em 2019.  

No fim de 2019 o então presidente da CCJ, Lídio Lopes (Patriota), junto com os demais integrantes, conseguiu “limpar a pauta” da comissão para a última semana de sessão, ficando para trás apenas projetos que foram protocolados após a última reunião  dos parlamentares.  

Com as comissões paradas as sessões de terça-feira e ontem não tiveram a Ordem do Dia, momento em que são votados requerimento de urgência; requerimento de Comissão sujeito à votação;  requerimento de deputados, indicações e moções dependentes de votação imediata;  matéria da Ordem do Dia: em tramitação urgente, prioritária, ordinária.  

Na terça-feira, o presidente  da ALEMS, Paulo Corrêa (PSDB) disse que existe a Ordem do Dia, mas não havia projeto a ser votado. “Em função da falha de produção das comissões, mas não está cancelado, até a próxima terça-feira (18) acho que estamos absolutamente em dia”, disse o parlamentar.  

A CCJ em 2019 era composta pelos deputados Lídio Lopes (presidente), José Carlos Barbosa, o Barbosinha (vice-presidente), João Henrique Catan (PL), Gerson Claro (PP), e Marçal Filho (PSDB).  

Conforme informações de bastidores, o deputado João Henrique não deve continuar porque questões internas do Governo do Estado. Gerson foi escolhido como líder de governo e não deve acumular função e Marçal não deve compor este ano porque pretende concorrer a eleição da Prefeitura Municipal de Dourados, assim como o deputado Barbosinha, que também pediu para deixar a CCJ.

O único que deve permanecer na comissão é o deputado Lídio Lopes. Ele chegou a dizer que não gostaria de continuar, mas o parlamentar Márcio Fernandes, líder do G8 - grupo composto  pelos deputados do MDB, DEM, PT, PDT e Patriota - declarou que Lopes e Eduardo Rocha foram escolhidos para a CCJ.

Segundo o líder, ainda não é possível dizer se Lídio continuará como presidente porque o PSDB e o deputado Londres Machado (PSD), líder do G11 - grupo formado pelos parlamentares do PSD, SD, PP, PTB, Republicanos, PSL, PL e Jamilson Name (sem partido) - ainda não informaram quem irá compor a comissão. “Eles tinham uma reunião na tarde de hoje (ontem) para definir. Oficialmente não foi anunciado, mas será o Lídio e o Rocha, agora tem que esperar o G11 e o PSDB, eu não sei quem eles vão indicar”.  

Segundo informações de bastidores, apuradas pelo Correio do Estado, o líder do PSDB, Rinaldo Modesto, ainda não definiu quem do partido será indicado a CCJ, assim como Londres Machado não tomou sua decisão.  

A previsão é que na terça-feira os blocos anunciou oficialmente seus escolhidos e na quarta-feira (19) tenha a primeira reunião da CCJ em 2020, com uma semana de atraso se comparado com 2019 quando a primeira reunião foi no dia 13 de fevereiro e 13 matérias distribuídas. No dia 6 de fevereiro do ano passado a comissão já havia sido formada e Lídio Lopes escolhido como presidente.  

Apesar dos trabalhos estarem mais lentos este ano, regimentalmente os deputados têm até até a quinta-feira (20) para definir as composições de comissões, conforme o artigo 45 do regimento interno “estabelecida a representação numérica dos partidos e dos blocos parlamentares nas

comissões, os Líderes comunicarão ao Presidente da Assembleia, no prazo de cinco sessões, os nomes dos membros das respectivas bancadas que, como titulares e suplentes, irão integrar cada uma delas”.

Os blocos foram compostos na terça-feira (10) e teve apenas uma mudança, Jamilson Name deixou o então G9 e seguiu para o G10, que se tornou G11.  

FILA

Entre os projetos parados por falta da CCJ estão dois do Poder Judiciário, dois do Capitão Contar (PSL), três do Evander Vendramini (PP), um do Jamilson Name, um do Pedro Kemp (PT), um do Barbosinha (DEM), um do Marçal Filho (PSDB), um do Neno Razuk (PTB), todos procotolados este ano. 

Campo Grande

Ministério Público quer rastrear emendas parlamentares enviadas à Capital

Portaria assinada pelo promotor Humberto Lapa Ferri e publicada no Diário Oficial desta quinta-feira

12/03/2026 18h15

Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu procedimento para rastrear e fiscalizar as emendas parlamentares destinadas ao município de Campo Grande.

A medida foi formalizada por meio de portaria assinada pelo promotor Humberto Lapa Ferri e publicada no Diário Oficial do órgão nesta quinta-feira (12).

No documento, o promotor lotado na 31ª promotoria de Justiça determinou o envio de ofícios à Prefeitura de Campo Grande e à Câmara Municipal e  solicitou uma série de informações sobre como as emendas parlamentares são criadas, aprovadas, executadas e fiscalizadas na Capital. O prazo para esclarecimentos é de 15 dias. 

O objetivo é verificar a origem, a destinação e a execução do dinheiro enviado por deputados e senadores, além de avaliar se existem mecanismos adequados de transparência e controle sobre essa verba.

A portaria foi encaminhada à prefeita Adriane Lopes, ao presidente da Câmara Municipal, vereador Papy (PSDB), e ao controlador-geral do município, Elton Dione de Souza.

Alegações 

O promotor de Justiça questiona a base legal para a existência das emendas parlamentares no município, quais regras disciplinam a apresentação e votação dessas emendas e quais critérios são adotados para a aprovação das propostas apresentadas pelos vereadores.

O Ministério Público quer saber quais são os limites de valores por parlamentar, quais áreas podem receber recursos, quais prazos existem para a apresentação das emendas e se há análise técnica prévia para verificar a compatibilidade das propostas com o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o orçamento municipal.

A Câmara deverá informar se há divulgação pública das emendas apresentadas e aprovadas, com identificação do vereador autor, valores, finalidade e beneficiários. O MP também pediu informações sobre os mecanismos de fiscalização da execução dessas emendas por parte da prefeitura. 

Além disso, foram solicitadas cópias de documentos, regras do regimento interno da Câmara sobre emendas ao orçamento, atas de sessões que trataram do tema, relatórios de fiscalização e listas de emendas apresentadas e aprovadas nos anos de 2024 e 2025.

Entre os dados solicitados estão os valores recebidos pelo município em 2024, 2025 e 2026, as áreas beneficiadas, os programas orçamentários vinculados aos recursos e a identificação dos parlamentares responsáveis pelas emendas.

O MP também quer saber quais procedimentos administrativos são adotados pela Prefeitura para registrar, controlar e executar os recursos, se existem planos de trabalho prévios e se há análise técnica para avaliar a viabilidade da execução das emendas.

Rastreio

Outro ponto investigado envolve a rastreabilidade dos recursos, ou seja, a capacidade de identificar todo o caminho do dinheiro público desde o parlamentar que propôs a emenda até o beneficiário final.

O Ministério Público também solicitou informações sobre os mecanismos de transparência ativa adotados pela Prefeitura, incluindo a divulgação em tempo real no Portal da Transparência de dados como valores autorizados, liberados e pagos, finalidade das despesas, beneficiários e contas bancárias utilizadas.

A Prefeitura ainda deverá informar o percentual de execução das emendas nos anos de 2024 e 2025, com detalhamento dos valores empenhados, liquidados e pagos, além de eventuais recursos inscritos em restos a pagar.

No caso de emendas destinadas à saúde, o MP quer saber se as propostas passam por aprovação das instâncias de governança do Sistema Único de Saúde (SUS).

Além de toda a documentação,  uma equipe da Promotoria fará uma pesquisa nos portais de transferência de recursos federais e no Portal da Transparência do Governo do Estado para identificar possíveis repasses ao município por meio de emendas parlamentares ao longo dos dois últimos anos. 

Por fim, o Ministério Público irá analisar as informações e poderá convocar representantes da Prefeitura e da Câmara Municipal para reuniões de orientação e eventuais ajustes nos procedimentos relacionados às emendas. 

Assine o Correio do Estado 

Parecer

STJ decide que planos de saúde não podem limitar sessões de tratamento de pacientes autistas

De acordo com o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, restringir o tratamento é ilegal

12/03/2026 14h00

Foto: Arquivo

Continue Lendo...

A 2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade na quarta-feira, 11, que planos de saúde não podem limitar o número de sessões para tratamento de pacientes com transtorno do espectro autista (TEA).

A tese confirmada pelo STJ afirma que é abusiva a limitação de sessões de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional prescritas a esses pacientes. De acordo com o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, restringir o tratamento é ilegal.

"Segundo a jurisprudência do STJ, é abusiva a limitação do número de sessões de terapia multidisciplinar aos beneficiários com diagnóstico de transtorno do espectro autista", disse ele.

O caso foi levado ao STJ para questionar uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que limitou a 18 sessões anuais o tratamento de um paciente com autismo.

Ressalva sobre fraudes

Durante a análise do caso, os ministros divergiram em relação à necessidade de citar na ementa, que resume a decisão, uma ressalva quanto à ocorrência de fraudes na prescrição de tratamentos.

A sugestão de incluir esse ponto foi feita pelo ministro Raul Araújo, que destacou que o tema tem preocupado planos de saúde.

A ministra Daniela Teixeira, por sua vez, argumentou que a inclusão da ressalva no resumo da decisão poderia ser usada pelas operadoras para questionar sistematicamente a prescrição de tratamentos, prejudicando os pacientes.

A ministra defendeu que a corte tem de presumir a boa fé dos usuários e que, caso haja alguma fraude, o tema deve ser tratado na esfera criminal. "Vai caber ao plano de saúde comprovar que é uma fraude e não ao usuário", disse.

Por fim, a ementa original, sem a ressalva sobre fraudes, foi aprovada por 5 votos a 3.

Acesso ao cuidado

Famílias de pacientes autistas relatam com frequência batalhas judiciais com planos de saúde em busca de tratamento adequado. Reclamações relacionadas à falha na assistência cresceram significativamente nos últimos anos.

Em 2022, uma lei aprovada no Congresso definiu que os planos de saúde devem oferecer tratamentos fora do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) desde que haja comprovação científica

No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou os requisitos para autorizar tratamentos fora do rol, como prescrição por médico ou dentista e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Reação à decisão do STJ

As principais entidades representativas de operadoras de planos de saúde divulgaram nota sobre a decisão do STJ.

A FenaSaúde destacou que respeita a decisão do tribunal e que não defende a limitação de tratamento, "mas sim o combate a práticas excessivas ou irregulares, bem como a estrita observância de protocolos fundamentados na medicina baseada em evidências".

Já a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) afirmou que aguarda a publicação do acórdão para analisar os parâmetros determinados pela Justiça.

"A entidade reforça que a análise detalhada do conteúdo será fundamental para avaliar os critérios definidos pelo STJ, bem como seus desdobramentos para a aplicação das regras de cobertura no âmbito da saúde suplementar", diz a nota.
 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).