Política

REFORMA PREVIDÊNCIA

Bancada reclama da exclusão de professores e militares em reforma

Texto-base aprovado na Câmara dos Deputados não agradou parlamentares de Mato Grosso do Sul

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O texto aprovado pela Comissão Especial da Reforma da Previdência – após 16 horas de debates e votações - não agradou a maioria dos deputados federais sul-matogrossenses por não  contemplar professores e policiais militares. O colegiado aprovou por 36 a 13 o texto principal na quarta-feira e apreciou 17 destaques até a madrugada de quinta-feira. 

A aposentadoria dos professores fez com que o único integrante da bancada sul-mato-grossense no colegiado, o deputado Beto Pereira (PSDB), não registrasse o voto em um destaque do PL, que manteria as atuais regras da aposentadoria dos docentes.

Por 30 a 18, o colegiado derrubou o destaque. A orientação do PSDB nesse texto era para votar não, ou seja, acompanhar o relatório que endurece as regras para os professores, apresentado pelo deputado Samuel Moreira, que é tucano.

Antes das votações de todos os 17 destaques, Pereira afirmou que “nos destaques vamos seguir a orientação do partido. Não da para seguir a vontade do parlamentar, do cidadão. Sou representante da maioria do pensamento do PSDB”.

Beto explicou que votou a favor do texto base da reforma “por causa da  necessidade que o país tem de cobrir o déficit que assola o Governo nesse momento. O dinheiro deste rombo poderia ser usado para cobrir a falta de recursos para saúde, educação e infraestrutura”, emendando que vai “continuar lutando para inclusão de Estados e Municípios”, referindo-se a inclusão dos servidores públicos estaduais e municipais no texto. 

O deputado federal Fábio Trad (PSD) foi enfático: “Discordo apenas da rejeição aos destaques dos professores e dos policiais. Professores e policiais merecem tratamento diferenciado. No restante, votarei favorável ao texto”, explicando que na questão dos estados e municípios: “aguardo a definição da bancada do PSD para votar com o partido”.

Para Rose Modesto (PSDB), que apresentou uma emenda para manter as atuais regras da aposentadoria dos professores mas foi rejeita pelo relator, que é do mesmo partido, ressaltou que “o texto aprovado não contempla os professores, embora o relator tenha reduzido a idade para aposentadoria de professoras de 60 para 57 anos, manteve em 60 anos para os professores. É muito ainda. Na madrugada de ontem foi barrada a tentativa de manter os critérios de aposentadoria em vigor para os profissionais do sistema de ensino. Agora, temos de construir a possibilidade de apresentar outro destaque para ser apreciado em plenário”.

O deputado Dr. Luiz Ovando (PSL) falou que é a favor do texto inicial apresentado pelo Governo Federal e que não tem “preferência por categoria. Todo mundo quer defender seu quinhão”, citando as manifestações durante a votação dos destaques no texto da Reforma da Previdência na madrugada de quinta-feira, na qual policiais gritaram: “PSL traiu a polícia do Brasil” e “Bolsonaro traidor”.   O parlamentar ressaltou que “não houve um benefício como os professores e policiais queriam”, manifestando, ao ser indagado, que é a favor da inclusão de estados e municípios na reforma porque teriam dificuldades em apreciar esta matéria. 

Contrários

Os deputados federais Dagoberto (PDT) e Vander Loubet (PT) também afirmaram que são contrários às regras que prejudicam a segurança pública, professores e mulheres. 

O pedetista enfatizou que “da forma que esta tem de mudar, o Governo tirou tudo do combinado, é uma estratégia do governo votar tudo no plenário. O texto que saiu da comissão não atende a segurança pública, não atende os professores e nem a mulher”.

Dagoberto ressaltou que é o presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia, que “esta tocando tudo”, referindo-se aos encaminhamentos das votações e acordos para que a reforma seja apreciada. Tanto que no final da  tarde de ontem, Maia convocou para  segunda-feira sessão deliberativa. Normalmente segunda-feira são realizadas sessões solenes, nas quais os parlamentares não precisam estar presentes. 

Já Loubet enfatizou que “sigo contra essa Reforma da Previdência. O texto aprovado na Comissão Especial retirou alguns dos itens que consideramos prejudiciais (como os itens que tratavam do BPC, da aposentadoria rural e da capitalização). Isso amenizou a gravidade do projeto. Porém, há muitos outros pontos problemáticos, o que torna impossível apoiar o projeto”.

Os deputados Bia Cavassa (PSDB) e Loester Trutis (PSL) foram procurados pelo Correio do Estado, mas não atenderam as ligações.

Parecer

STJ decide que planos de saúde não podem limitar sessões de tratamento de pacientes autistas

De acordo com o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, restringir o tratamento é ilegal

12/03/2026 14h00

Foto: Arquivo

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A 2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade na quarta-feira, 11, que planos de saúde não podem limitar o número de sessões para tratamento de pacientes com transtorno do espectro autista (TEA).

A tese confirmada pelo STJ afirma que é abusiva a limitação de sessões de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional prescritas a esses pacientes. De acordo com o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, restringir o tratamento é ilegal.

"Segundo a jurisprudência do STJ, é abusiva a limitação do número de sessões de terapia multidisciplinar aos beneficiários com diagnóstico de transtorno do espectro autista", disse ele.

O caso foi levado ao STJ para questionar uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que limitou a 18 sessões anuais o tratamento de um paciente com autismo.

Ressalva sobre fraudes

Durante a análise do caso, os ministros divergiram em relação à necessidade de citar na ementa, que resume a decisão, uma ressalva quanto à ocorrência de fraudes na prescrição de tratamentos.

A sugestão de incluir esse ponto foi feita pelo ministro Raul Araújo, que destacou que o tema tem preocupado planos de saúde.

A ministra Daniela Teixeira, por sua vez, argumentou que a inclusão da ressalva no resumo da decisão poderia ser usada pelas operadoras para questionar sistematicamente a prescrição de tratamentos, prejudicando os pacientes.

A ministra defendeu que a corte tem de presumir a boa fé dos usuários e que, caso haja alguma fraude, o tema deve ser tratado na esfera criminal. "Vai caber ao plano de saúde comprovar que é uma fraude e não ao usuário", disse.

Por fim, a ementa original, sem a ressalva sobre fraudes, foi aprovada por 5 votos a 3.

Acesso ao cuidado

Famílias de pacientes autistas relatam com frequência batalhas judiciais com planos de saúde em busca de tratamento adequado. Reclamações relacionadas à falha na assistência cresceram significativamente nos últimos anos.

Em 2022, uma lei aprovada no Congresso definiu que os planos de saúde devem oferecer tratamentos fora do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) desde que haja comprovação científica

No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou os requisitos para autorizar tratamentos fora do rol, como prescrição por médico ou dentista e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Reação à decisão do STJ

As principais entidades representativas de operadoras de planos de saúde divulgaram nota sobre a decisão do STJ.

A FenaSaúde destacou que respeita a decisão do tribunal e que não defende a limitação de tratamento, "mas sim o combate a práticas excessivas ou irregulares, bem como a estrita observância de protocolos fundamentados na medicina baseada em evidências".

Já a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) afirmou que aguarda a publicação do acórdão para analisar os parâmetros determinados pela Justiça.

"A entidade reforça que a análise detalhada do conteúdo será fundamental para avaliar os critérios definidos pelo STJ, bem como seus desdobramentos para a aplicação das regras de cobertura no âmbito da saúde suplementar", diz a nota.
 

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BRASIL

Simone Tebet confirma disputa ao Senado por São Paulo

Ministra afirmou que aceitou convite do presidente Lula após conversas políticas e decisão familiar

12/03/2026 10h58

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão Marcelo Victor

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A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, confirmou nesta quinta-feira (12) que pretende disputar uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de 2026. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa concedida no XCVI Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento (Conseplan), realizado no Bioparque Pantanal.

Durante a conversa, a ministra afirmou que a decisão foi tomada após uma série de articulações políticas e conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Segundo Tebet, o convite para que disputasse o Senado pelo maior colégio eleitoral do país surgiu no início do ano.

“Essas conversas foram caminhando e, no dia 27 de janeiro, em uma viagem ao Panamá com o presidente Lula, discutimos política no Brasil…Na semana passada, em um encontro mais reservado em São Paulo, ele pediu claramente que eu pudesse ser candidata ao Senado por São Paulo”, relatou.

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão. Segundo ela, o diálogo ocorreu na quarta-feira (11), quando recebeu o apoio da família para seguir com o projeto político.

“Depois de explicar a situação para minha mãe, ontem eu decidi cumprir a missão. Política é missão. Vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral que considero muito importante para o Brasil”, afirmou.

Tebet também destacou a relação que mantém com São Paulo. De acordo com a ministra, foi no estado onde obteve a maior votação quando disputou a Presidência da República em 2022, além de possuir vínculos familiares e acadêmicos com a região.

“São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte, é onde eu fiz meu mestrado, é onde eu tive uma projeção política, é onde eu vou sempre visitar as minhas filhas, tenho uma relação muito próxima de São Paulo, meu pai e meu marido são nascidos lá, meus avós vieram do Líbano e começaram a sua vida no interior de São Paulo também”.

Apesar da futura candidatura em São Paulo, a ministra ressaltou sua ligação com Mato Grosso do Sul, onde iniciou a trajetória política. Natural de Três Lagoas, ela lembrou que o estado foi responsável por projetar sua carreira em nível nacional.

“Mato Grosso do Sul me deu o privilégio de ser a primeira mulher prefeita da minha cidade, reeleita, deputada estadual, vice-governadora e senadora. É o estado que me levou ao cenário nacional”, disse.

Segundo Tebet, a definição sobre filiação partidária e outros detalhes da candidatura ainda devem ser discutidos nas próximas semanas, dentro do prazo da chamada janela partidária. Ela afirmou que a ida para São Paulo ocorrerá com apoio político de Alckmin.

“Agora começa uma nova etapa. Temos uma janela temos pelo menos até o dia 2 de abril, para tomar todas as outras decisões”, concluiu.

Na oportunidade, a ministra Tebet também anunciou que deixa o comando do Ministério do Planejamento e Orçamento no final deste mês de março.

Já nos bastidores, a movimentação política indica que Tebet pode deixar o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para se filiar ao Partido Social Democrático (PSB). A possível mudança ocorre porque, em São Paulo, o MDB não deve integrar a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026. 

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