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Camila reforça que frente parlamentar vai "barrar" ações nocivas ao Pantanal

A parlamentar alertou que, nos últimos anos, o avanço da atividade agropecuária tem alterado o ciclo das águas

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Durante o lançamento, na manhã de ontem, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), da Frente Parlamentar em Defesa do Pantanal, a deputada federal Camila Jara (PT) disse ao Correio do Estado que a iniciativa será mais uma ferramenta para coibir ameaças ao bioma, como as obras de implantação de revestimento primário da MS-228, a Rodovia Transpantaneira, que fica próximo de Corumbá e também leva o nome de Estrada Parque.

“Toda e qualquer obra ou interferência que vá causar impactos ambientais precisa ser tratada com muita seriedade e cautela, porque pode causar prejuízos inestimáveis no futuro. Vimos nos últimos anos o avanço da atividade agropecuária dentro do Pantanal, alterando alguns ciclos de águas, por exemplo”, alertou a parlamentar sul-mato-grossense.

Camila Jara reforçou a iniciativa de criar a Frente Parlamentar em Defesa do Pantanal, “para pensar legislações federais específicas de proteção ao bioma, para que não fiquem dúvidas de como o Pantanal deve ser tratado ou brechas do que pode e do que não pode, para que possamos encontrar o equilíbrio entre o desenvolvimento e a conservação ambiental com segurança”.

A deputada federal lembrou que, apesar da importância do Pantanal e das constantes ameaças, as iniciativas para protegê-lo são escassas e geralmente coordenadas pela iniciativa privada ou pelo terceiro setor, que tem poucos recursos.

“Além disso, a ausência de uma lei específica para o Pantanal vem causando conflitos entre normas estaduais e a judicialização de diversos temas, abrindo brechas para que os oportunistas interpretem a legislação existente como melhor lhes convêm”, defendeu.

Já o vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Pantanal, deputado federal Dagoberto Nogueira (PSDB), disse ao Correio do Estado que “barrar” obras em execução dentro do bioma vai depender muito da legislação.

“A frente parlamentar, lógico, tem o objetivo de cuidar do Pantanal, mas nós também temos de criar uma fórmula que consiga manter a preservação sem impedir o desenvolvimento”, pontuou.

O parlamentar reforçou que o desenvolvimento da região pantaneira também é muito importante, pois é necessário gerar emprego e renda para a população local.

“Logicamente, com os cuidados necessários na questão ambiental, porque a grande indústria daquela região geradora de emprego e renda tem de ser o turismo. É nisso que nós estamos apostando”, reforçou.

Dagoberto Nogueira acrescentou ainda que o embargo de obras vai depender do impacto ambiental que elas possam causar ao Pantanal.

“É aquilo que eu falei, nós temos de conciliar. Não adianta a gente também querer proibir tudo, pois aí não vamos conseguir desenvolver a região”, afirmou.

No entanto, de acordo com o deputado federal, se o estudo de impacto ambiental demonstrar que o projeto não vai causar prejuízo ao meio ambiente, ele não tem absolutamente nada contra a continuidade da obra.

“Muito pelo contrário, isso aí vai ajudar as fazendas que estão explorando o ecoturismo. Isso vai ajudar as pessoas a conhecerem o Pantanal, e é isso que as pessoas querem”, disse.

Na avaliação do deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP), que é membro da Frente Parlamentar em Defesa do Pantanal, a iniciativa não foi criada para ser um estorvo no avanço da presença do homem consciente e que zela pelo meio ambiente.

“Basta que use o seu conhecimento técnico e que verdadeiramente possa fazer a diferença preservando a vida no Pantanal. Qualquer obra que provoque danos à região será adequada e corrigida, sem dúvida, com a expertise que tem a engenharia civil do governo estadual e, principalmente, no Pantanal, ou seja, pelo departamento específico que cuida de qualquer problema ambiental na região”, assegurou.

Com relação à questão do embargo da obra na MS-228 pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), Luiz Ovando disse que lhe causa certa surpresa, pois não crê que a engenharia, a infraestrutura e o planejamento do Estado tenham falhado tanto, sendo portador de conhecimento técnico aprimorado sobre o Pantanal.

“Não acredito que tenha ocorrido um erro crasso de não ter avaliado, inclusive, uma barreira evitando o escoamento dessas águas. Eu quero crer que isso é de fácil resolução, basta que você acrescente, coloque uma tubulação entre os ambientes, permitindo o escoamento das águas de um lado para outro, na semelhança de uma ponte, isso não causará maior transtorno”, sugeriu.

Ele acredita que daqui para frente os cuidados deverão ser redobrados, principalmente na região do Pantanal, “que é um verdadeiro viveiro, um berçário de todas as vidas, com um número gigantesco de espécies, animais e vegetais, em que nós teremos que ter um cuidado aprimorado e zelar”.

Brasília

Fachin diz que gravidade dos fatos não autoriza atalhos

Lula critica vazamentos seletivos e alerta para riscos à democracia

04/09/2026 21h00

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, garantiu, nesta sexta-feira (4), em Brasília, que será dentro da legalidade a resposta do Judiciário brasileiro aos fatos relacionados a supostas irregularidades na condução do caso do Banco Master e ao vazamento de trocas de mensagens entre o também ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

“A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário! Quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo [legal] e as garantias constitucionais”, afirmou o ministro Edson Fachin.

Diante da crise no Poder Judiciário acentuada nesta semana, o presidente da Suprema Corte prometeu que a apuração dos fatos seguirá os procedimentos estabelecidos pela Constituição Federal e pelo ordenamento jurídico.

“Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige”, declarou o presidente do STF.

O ministro Edson Fachin também reiterou a necessidade de as instituições da República serem preservadas, sobretudo em momentos de maior tensão. Ele frisou que nenhuma autoridade e nenhum Poder da República estão acima da Constituição Federal, pois “nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado Democrático de Direito”.

As declarações foram dadas no Palácio do Planalto, durante o evento de sanção de leis que criam fundos para aperfeiçoamento da Justiça Federal, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público da União (MPU), para aumentar as fontes de recursos, com o objetivo de modernizar as instituições e ampliar o acesso da população à Justiça.

Igualdade

No mesmo evento no Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que a aplicação da legislação brasileira deve ser a mesma para todos os cidadãos.

“Ninguém, em nome da Democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém! Isso vale para o presidente da República, vale para um catador de material reciclável, vale para uma parteira, vale para uma médica”, afirmou o presidente Lula. 

Para Lula, todos devem estar subordinados aos mesmos trâmites da legislação. "Afinal de contas, ela [a lei] vale para todos”, afirmou.

Vazamentos seletivos

Dirigindo-se ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o presidente da República cobrou transparência para contornar a crise, sob pena de o Poder Judiciário perder a credibilidade da opinião pública. 

“O que nós não podemos, neste país, é oficializar a indústria da fake news, a indústria dos vazamentos seletivos por interesses políticos e econômicos. Não é possível”, lamentou Lula.

O presidente Lula apontou que esses vazamentos colocam em risco a democracia brasileira. 

“Estamos vivendo uma época muito perigosa. O denuncismo, as fake news, os vazamentos [de dados de investigações] não contribuem com a democracia”.

Entenda a crise

Nesta semana, o ministro do STF André Mendonça enviou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o pedido de abertura de inquérito contra o ministro do Supremo Alexandre Moraes, após relatório da Polícia Federal apontar indícios de relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso por fraudes no Banco Master.

Em resposta, nesta quarta-feira (3), Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação contra a atuação do Mendonça na relatoria de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero, da Polícia Federal.

Horas antes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação da investigação sobre conversas de Moraes e Vorcaro.

Nesta sexta-feira, o presidente do Supremo estabeleceu o prazo de cinco dias para que o ministro André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestem sobre o caso.

Eleições 2026

Prefeito de Paranaíba, 'Maycol Doido' declara apoio a Vander no Senado

Prefeito é quarto líder municipal a apoiar Loubet na corrida eleitoral deste ano

04/09/2026 14h45

Vander e Maycol Doido

Vander e Maycol Doido Foto: Divulgação

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O prefeito de Paranaíba, Maycol Henrique Queiroz Andrade (PP), conhecido como 'Maycol Doido', declarou apoio ao deputado federal Vander Loubet (PT) na disputa por uma das duas vagas de Mato Grosso do Sul ao Senado nas eleições deste ano.

Na esteira da campanha, a movimentação do deputado federal tem como objetivo reunir apoio ou simpatia de cerca de 65 prefeitos de Mato Grosso do Sul. 

A manifestação chama atenção pelo histórico de confronto entre os dois políticos e pelo fato de Maycol integrar a ampla aliança de partidos que apoia a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).

O prefeito chegou a protagonizar um episódio de forte tensão com Vander em agosto de 2023, em um restaurante de Campo Grande. Na ocasião, os dois discutiram e Maycol teria xingado o deputado, com a situação quase terminando em uma briga física.

O posicionamento do prefeito representa uma aproximação política que pode favorecer a estratégia de Vander de ampliar sua presença entre lideranças municipais e conquistar o chamado segundo voto dos eleitores que já possuem preferência por outro candidato ao Senado.

A estratégia busca atingir um eleitorado que, em parte, também está no radar do ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), candidato ao Senado e integrante da aliança que apoia Riedel.

A declaração de Maycol ocorre em um cenário no qual Vander tenta avançar sobre setores políticos que não integram o campo tradicional do PT.

O parlamentar evita divulgar nominalmente toda a relação de prefeitos que estariam dispostos a trabalhar por sua candidatura, justamente para não criar constrangimentos entre gestores que mantêm compromissos com diferentes candidatos da aliança governista.

A estratégia é permitir que o apoio seja manifestado principalmente nas bases eleitorais, por meio de vereadores, lideranças municipais e apoiadores.

Além de Maycol Doido, outros prefeitos de partidos que integram a aliança de Riedel já declararam apoio a Vander. Entre eles estão Nelson Cintra (PSDB), de Porto Murtinho; Juliano Ferro (PL), de Ivinhema; e Julio Buguelo (PSD), de Glória de Dourados.

Os três também apoiam o ex-governador Reinaldo Azambuja para uma das vagas ao Senado, mas optaram por Vander para a segunda cadeira, deixando Capitão Contar fora da composição de votos.

Em Porto Murtinho, a adesão de Nelson Cintra ganhou destaque por ocorrer mesmo diante de antigas divergências políticas. A participação do PSDB na aliança governista e a histórica rivalidade com o grupo ligado ao ex-governador Zeca do PT não impediram a aproximação entre o prefeito e Vander.

A ofensiva de Vander junto aos prefeitos teve novo capítulo no último sábado (29), durante uma reunião realizada em Tacuru, que contou com a participação do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, e prefeitos de 12 municípios.

A agenda reforça a estratégia do deputado de ampliar a interlocução com gestores municipais e consolidar apoios fora de seu reduto político tradicional.

Participaram da agenda gestores Elaine Aparecida Soligo (MDB), de Aral Moreira, Maria Lurdes Portugal (PL), de Caarapó, Niágara Kraievski (PP), de Coronel Sapucaia, Fabiana Maria Lorenci (PP), de Eldorado, Lídio Ledesma (PSDB), de Iguatemi, Thalles Henrique Tomazelli (PL), de Itaquiraí, Vitor da Cunha Rosa (PSDB), de Japorã, Gilson Marcos da Cruz (PSD), de Juti, Rosária de Fátima Ivantes Lucca Andrade (PSDB), de Mundo Novo, Heliomar Klabunde (MDB), de Paranhos, Erlon Fernando Possa Daneluz (PSDB), de Sete Quedas, Rogério de Souza Torquetti (PSDB), de Tacuru, Sérgio Diozebio Barbosa (MDB), de Amambai, e Rodrigo Massuo Sacuno (PL), de Naviraí.

Por meio de nota enviada à reportagem, a Prefeitura de Naviraí contestou a inclusão do prefeito Rodrigo Sacuno entre os gestores que teriam participado da agenda realizada em Tacuru. Segundo a assessoria, o prefeito não foi ao evento, contudo mandou representantes ao encontro. 

Colaborou Daniel Pedra 

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