Política

ELEIÇÕES

Campanha de Dilma teve R$ 5 mi de concessionária

Campanha de Dilma teve R$ 5 mi de concessionária

FOLHA ONLINE

13/01/2011 - 08h13
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A UTC Engenharia, detentora de duas concessões da União para exploração de petróleo, doou R$ 21 milhões a candidatos e partidos nas últimas eleições, dos quais R$ 5 milhões para a campanha de Dilma Rousseff (PT).

Ela foi a quarta maior doadora do comitê, que recolheu R$ 135 milhões. O candidato derrotado José Serra (PSDB) recebeu R$ 750 mil da mesma empresa.

A Procuradoria da República de São Paulo representou anteontem na Justiça Eleitoral contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para pedir a cassação do mandato do político com base numa doação de R$ 700 mil feita pela mesma UTC.

Para o órgão, as doações da empresa são ilegais.

O procurador da República Pedro Barbosa se valeu do artigo 24 da Lei Eleitoral, que veda doações de "concessionário ou permissionário de serviço público".

Barbosa não tratou das campanhas de Dilma e Serra porque a competência para apontar possíveis irregularidades no pleito presidencial não cabe a ele, mas à Procuradoria-Geral da República.

Questionada se haverá um pedido de averiguação sobre os dois casos, a PGR não respondeu até a conclusão desta edição.

A UTC afirmou ontem que, com base em decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), não é prestadora ou concessionária de serviço público. Segundo a empresa, a exploração de petróleo não se encaixa nessa definição (leia texto ao lado).

A reportagem apurou que, caso o assunto seja levado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o centro da discussão será definir se a exploração de petróleo é ou não concessão de serviço público.

Ministros citaram que tribunais regionais eleitorais, nos Estados, têm tomado decisões conflitantes sobre o assunto, mas caso semelhante nunca foi apreciado pelo plenário do TSE.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo) confirmou que a UTC é concessionária de dois blocos exploratórios de petróleo nas bacias Potiguar, perto de Mossoró (RN), e Rio do Peixe (PB).

A UTC foi uma das maiores doadoras das últimas eleições. Candidatos do PT foram os mais bem servidos, com R$ 11,6 milhões, seguidos pelos candidatos do PSDB, com R$ 2,32 milhões.

No total, a UTC doou R$ 17,2 milhões a partidos da base aliada do governo, contra R$ 3,72 milhões de candidatos de partidos da oposição (veja quadro ao lado).

A UTC é também prestadora de serviços da Petrobras. Entre 2005 e 2010, fechou contratos de R$ 1,5 bilhão com a petroleira.

Em maio, a Folha revelou que a UTC pagou, entre junho e dezembro de 2009, uma mesada de R$ 150 mil para o PT-SP, num total de R$ 1,2 milhão.

As últimas eleições representaram um salto das doações da empresa. De R$ 1 milhão, em 2002, para R$ 3 milhões em 2006, a maior parte para o PT, incluindo Lula.

Em 2008, a UTC doou R$ 1,73 milhão para ACM Neto, candidato derrotado à Prefeitura de Salvador (BA).

Outro lado

A UTC afirmou ontem que não está impedida legalmente de fazer doações a campanhas eleitorais.

A empresa cita decisão do STF, de 2007, em julgamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, que considerou a atividade de exploração de petróleo e gás natural "não como uma prestação de serviço público, mas sim uma atividade econômica em sentido estrito".

"Portanto, por não prestar serviço público, não há qualquer impedimento para a UTC Engenharia contribuir com o processo político", informou a empresa, em nota.

A assessoria do Palácio do Planalto não se manifestou sobre a doação à campanha de Dilma, pois não havia recebido questionamento da Procuradoria-Geral da República sobre o assunto.

Em nota, o PSDB-SP disse que as doações ao comitê de Geraldo Alckmin são legais. Disse que a UTC "não é uma concessionária ou permissionária de serviços públicos" e que isso torna suas contribuições "legítimas" e "em consonância com a legislação".

A assessoria de José Serra, procurada, não foi localizada. A assessoria do governo da BA não respondeu até a conclusão da edição.

Eleições 2026

Azambujismo sai das urnas com controle sobre a direita de MS

Senador eleito emplacou os deputados que levou ao PL, manteve aliados no PSDB e no Republicanos; candidatos do governo ficaram sem se eleger

06/10/2026 17h31

Reinaldo Azambuja (PL) foi eleito senador em Mato Grosso do Sul

Reinaldo Azambuja (PL) foi eleito senador em Mato Grosso do Sul Reprodução

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O governador Eduardo Riedel (PP) foi reeleito com 67% dos votos, mas quem saiu da eleição com bancada foi Reinaldo Azambuja (PL). O senador eleito, o mais votado da história do estado, viu se elegerem os deputados que levou para o PL, os aliados que deixou em outras siglas, seus afilhados, indicados e quem ele determinou. Foi a assunção absoluta do azambujismo em MS, concretizando 16 anos do grupo político no poder. 

Curiosamente, os nomes ligados diretamente ao governador ficaram pelo caminho.

Dos seis auxiliares de Riedel que deixaram o governo para concorrer, seis perderam. O caso mais simbólico é o de Jaime Verruck (Republicanos), ex-secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento, cargo que também ocupou nos governos de Azambuja. Com 49.585 votos e campanha de R$ 2,3 milhões, ficou como primeiro suplente de deputado federal. Segundo apurou a reportagem, a candidatura era um projeto com afinco do governo.

Também não se elegeram Viviane Luiza (PSDB), com 45.083 votos para federal, Marcelo Miranda (PP), Eduardo Rocha (PSDB) e Dione Hashioka (União), candidatos a estadual. Todos foram secretários do governo. 

A exceção é Hélio Peluffo (PP), eleito com 31.435 votos. Ele, porém, não era indicação pessoal de Riedel quando comandou a Infraestrutura e foi exonerado na metade do mandato.

A senadora Tereza Cristina (PP) também não conseguiu transferir votos. Marco Aurélio Santullo, que foi às urnas como "Santullo da Tereza", teve 14.245 e ficou na suplência. O PP, seu partido, teve eleitos candidatos que têm mais ligação a Azambuja do que com a senadora. 

Três partidos, um comando

No PL, que Azambuja preside no estado, a bancada estadual passou a ser a maior da Assembleia, com 9 das 24 cadeiras. Os três deputados que trocaram o PSDB pelo partido na janela de março se elegeram: Zé Teixeira e Paulo Corrêa, os dois mais votados do estado, e Mara Caseiro, que foi para a Câmara com 120.199 votos. Márcio Fernandes, que deixou o MDB no mesmo movimento, também se reelegeu.

A influência não ficou restrita à sigla. Os três deputados federais eleitos pelo PSDB em 2022 concorreram por partidos diferentes: Beto Pereira pelo Republicanos, Dagoberto Nogueira pelo PP e Geraldo Resende pelo União. A distribuição foi definida por Azambuja, segundo aliados. Beto e Dagoberto se reelegeram.

No Republicanos, Beto Pereira assumiu a presidência estadual em abril, por determinação do senador eleito. A sigla elegeu dois federais e dois estaduais. No PSDB, hoje presidido por Pedro Caravina, os três eleitos para a Assembleia (Caravina, Ângelo Guerreiro e Paulo Duarte) são ligados a ele.

Rose Modesto (União), terceira mais votada para a Câmara, fechou acordo com Azambuja depois da eleição municipal de 2024 para disputar a vaga de federal, de acordo com pessoas próximas às negociações. 

Senado

A segunda vaga do Senado também passou por ele. Azambuja costurou a candidatura de Capitão Contar (PL) e, em momentos da campanha, deixou a própria em segundo plano para garantir a do colega de chapa, relatam aliados. Prefeitos que resistiam a apoiar Contar eram cobrados por Azambuja, e não pelo governo. 

O senador Nelsinho Trad desistiu de tentar a reeleição e entrou na chapa como suplente de Azambuja, após sucessivas reuniões com Reinaldo.

O próprio Riedel é parte dessa história: foi secretário de Azambuja e escolhido por ele para a sucessão em 2022.

Próximo teste

A disputa pela presidência da Assembleia tem três nomes, todos do PL. Azambuja cobra unidade. "Quem tem três não tem ninguém. Se você começa dividido dentro de casa, não ganha nada", disse ao Correio do Estado. 

No plano nacional, Azambuja seria o escolhido do PL para o Ministério da Agricultura. Ele tem proximidade com Rogério Marinho, senador que articulou as chapas do PL pelo Brasil e sai fortalecido para presidir a Casa. Sua saída abriria caminho para Nelsinho nem deixar a cadeira, já assume como suplente. 

Também falam, nos bastidores, que a sucessão municipal em Campo Grande está sendo planilhada por Azambuja. É a única eleição onde ele nunca conseguiu emplacar, tendo ele mesmo sido derrotado em 2012. Uma das cláusulas do acordo com Nelsinho Trad seria de apoiar sua candidatura ainda em 2027. Resta saber se a informação que circula desde o início da semana, com o fim da eleição estadual, tem erro de data ou se estão falando, realmente, de 2027. 

Falha?

TSE computa falta para eleitores que votaram no 1° turno

Nas redes sociais, eleitores cobram explicações junto à Justiça Eleitoral

06/10/2026 16h45

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira Foto: Reprodução / X

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Por meio das redes sociais, eleitores relataram nesta terça-feira (6) que embora tenham comparecido às urnas e recebido comprovantes de votação, o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os registra como “faltou” no 1º turno das eleições, realizado no domingo (4). Até o momento, não há indicação de que o registro de ausência signifique que o voto não foi computado. 

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira

Uma das publicações mostra um eleitor questionando o TSE após consultar sua situação eleitoral. “Fui conferir meu voto e mostra que eu não fui votar?? Eu fui votar e tenho o comprovante que fui até as urnas”, escreveu. A postagem foi feita nesta terça-feira. 

Nas redes sociais, diversos eleitores compartilharam suas experiências. Uma das postagens tem 12 mil curtidas e mais de 400 comentários. 

A reportagem entrou em contato com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) a fim de identificar eventuais casos em Mato Grosso do Sul, contudo, até o fechamento desta matéria, nenhum caso havia sido informado pela pasta. 

Ao Correio do Estado, a pasta destacou que a situação ocorre "em razão do processamento dos registros de votação, que estao sendo realizado em todo o país". Todos os votos foram computados normalmente.

Segundo a STI, em breve os registros deverão aparecer como “em processamento” no sistema. A atualização completa dos dados pode levar até 20 dias.

Atualizado às 17h30

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