Política

Eleições 2026

Azambujismo sai das urnas com controle sobre a direita de MS

Senador eleito emplacou os deputados que levou ao PL, manteve aliados no PSDB e no Republicanos; candidatos do governo ficaram sem se eleger

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O governador Eduardo Riedel (PP) foi reeleito com 67% dos votos, mas quem saiu da eleição com bancada foi Reinaldo Azambuja (PL). O senador eleito, o mais votado da história do estado, viu se elegerem os deputados que levou para o PL, os aliados que deixou em outras siglas, seus afilhados, indicados e quem ele determinou. Foi a assunção absoluta do azambujismo em MS, concretizando 16 anos do grupo político no poder. 

Curiosamente, os nomes ligados diretamente ao governador ficaram pelo caminho.

Dos seis auxiliares de Riedel que deixaram o governo para concorrer, seis perderam. O caso mais simbólico é o de Jaime Verruck (Republicanos), ex-secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento, cargo que também ocupou nos governos de Azambuja. Com 49.585 votos e campanha de R$ 2,3 milhões, ficou como primeiro suplente de deputado federal. Segundo apurou a reportagem, a candidatura era um projeto com afinco do governo.

Também não se elegeram Viviane Luiza (PSDB), com 45.083 votos para federal, Marcelo Miranda (PP), Eduardo Rocha (PSDB) e Dione Hashioka (União), candidatos a estadual. Todos foram secretários do governo. 

A exceção é Hélio Peluffo (PP), eleito com 31.435 votos. Ele, porém, não era indicação pessoal de Riedel quando comandou a Infraestrutura e foi exonerado na metade do mandato.

A senadora Tereza Cristina (PP) também não conseguiu transferir votos. Marco Aurélio Santullo, que foi às urnas como "Santullo da Tereza", teve 14.245 e ficou na suplência. O PP, seu partido, teve eleitos candidatos que têm mais ligação a Azambuja do que com a senadora. 

Três partidos, um comando

No PL, que Azambuja preside no estado, a bancada estadual passou a ser a maior da Assembleia, com 9 das 24 cadeiras. Os três deputados que trocaram o PSDB pelo partido na janela de março se elegeram: Zé Teixeira e Paulo Corrêa, os dois mais votados do estado, e Mara Caseiro, que foi para a Câmara com 120.199 votos. Márcio Fernandes, que deixou o MDB no mesmo movimento, também se reelegeu.

A influência não ficou restrita à sigla. Os três deputados federais eleitos pelo PSDB em 2022 concorreram por partidos diferentes: Beto Pereira pelo Republicanos, Dagoberto Nogueira pelo PP e Geraldo Resende pelo União. A distribuição foi definida por Azambuja, segundo aliados. Beto e Dagoberto se reelegeram.

No Republicanos, Beto Pereira assumiu a presidência estadual em abril, por determinação do senador eleito. A sigla elegeu dois federais e dois estaduais. No PSDB, hoje presidido por Pedro Caravina, os três eleitos para a Assembleia (Caravina, Ângelo Guerreiro e Paulo Duarte) são ligados a ele.

Rose Modesto (União), terceira mais votada para a Câmara, fechou acordo com Azambuja depois da eleição municipal de 2024 para disputar a vaga de federal, de acordo com pessoas próximas às negociações. 

Senado

A segunda vaga do Senado também passou por ele. Azambuja costurou a candidatura de Capitão Contar (PL) e, em momentos da campanha, deixou a própria em segundo plano para garantir a do colega de chapa, relatam aliados. Prefeitos que resistiam a apoiar Contar eram cobrados por Azambuja, e não pelo governo. 

O senador Nelsinho Trad desistiu de tentar a reeleição e entrou na chapa como suplente de Azambuja, após sucessivas reuniões com Reinaldo.

O próprio Riedel é parte dessa história: foi secretário de Azambuja e escolhido por ele para a sucessão em 2022.

Próximo teste

A disputa pela presidência da Assembleia tem três nomes, todos do PL. Azambuja cobra unidade. "Quem tem três não tem ninguém. Se você começa dividido dentro de casa, não ganha nada", disse ao Correio do Estado. 

No plano nacional, Azambuja seria o escolhido do PL para o Ministério da Agricultura. Ele tem proximidade com Rogério Marinho, senador que articulou as chapas do PL pelo Brasil e sai fortalecido para presidir a Casa. Sua saída abriria caminho para Nelsinho nem deixar a cadeira, já assume como suplente. 

Também falam, nos bastidores, que a sucessão municipal em Campo Grande está sendo planilhada por Azambuja. É a única eleição onde ele nunca conseguiu emplacar, tendo ele mesmo sido derrotado em 2012. Uma das cláusulas do acordo com Nelsinho Trad seria de apoiar sua candidatura ainda em 2027. Resta saber se a informação que circula desde o início da semana, com o fim da eleição estadual, tem erro de data ou se estão falando, realmente, de 2027. 

Falha?

TSE computa falta para eleitores que votaram no 1° turno

Nas redes sociais, eleitores cobram explicações junto à Justiça Eleitoral

06/10/2026 16h45

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira Foto: Reprodução / X

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Por meio das redes sociais, eleitores relataram nesta terça-feira (6) que embora tenham comparecido às urnas e recebido comprovantes de votação, o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os registra como “faltou” no 1º turno das eleições, realizado no domingo (4). Até o momento, não há indicação de que o registro de ausência signifique que o voto não foi computado. 

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira

Uma das publicações mostra um eleitor questionando o TSE após consultar sua situação eleitoral. “Fui conferir meu voto e mostra que eu não fui votar?? Eu fui votar e tenho o comprovante que fui até as urnas”, escreveu. A postagem foi feita nesta terça-feira. 

Nas redes sociais, diversos eleitores compartilharam suas experiências. Uma das postagens tem 12 mil curtidas e mais de 400 comentários. 

A reportagem entrou em contato com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) a fim de identificar eventuais casos em Mato Grosso do Sul, contudo, até o fechamento desta matéria, nenhum caso havia sido informado pela pasta. 

Ao Correio do Estado, a pasta destacou que a situação ocorre "em razão do processamento dos registros de votação, que estao sendo realizado em todo o país". Todos os votos foram computados normalmente.

Segundo a STI, em breve os registros deverão aparecer como “em processamento” no sistema. A atualização completa dos dados pode levar até 20 dias.

Atualizado às 17h30

Assembleia legislativa

Bancada petista será a maior dos últimos 15 anos em MS

Tiago Botelho, Pedro Kemp, Gleice Jane e Zeca do PT farão oposição no Legislativo em 2027

06/10/2026 16h15

Tiago Botelho, Pedro Kemp, Gleice Jane e Zeca do PT serão oposição no legislativo

Tiago Botelho, Pedro Kemp, Gleice Jane e Zeca do PT serão oposição no legislativo Fotos: Reprodução / Redes Sociais e Marcelo Victor (Correio do Estado)

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Com a eleição de Zeca do PT, Tiago Botelho, Gleice Jane e Pedro Kemp, a ala petista será a maior dos últimos 15 anos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul em 2027. Atualmente o partido conta com três cadeiras, ocupadas justamente por Kemp, Zeca do PT e Gleice Jane. 

Se por um lado as urnas confirmaram a predileção do sul-mato-grossense por Flávio Bolsonaro (PL), preferido em 73 das 79 cidades do Estado no último domingo, por outro, trouxeram alento aos petistas, que ocuparão quatro cadeiras no legislativo estadual no próximo ano. 

A última vez que o partido de esquerda fez uma oposição tão numerosa na Assembleia Legislativa foi em 2012, com cinco nomes. Na ocasião, Cabo Almi, Laerte Tetila, Paulo Duarte e Pedro Kemp foram os escolhidos pelo voto popular. Além dos quatro, Amarildo Cruz, então suplente, assumiu a vaga deixada por Alcides Bernal, que se licenciou para disputar e vencer a corrida pela prefeitura da Capital. 

Em outras ocasiões, a bancada petista também foi bastante expressiva. Entre 1999 e 2023, Laerte Tetila, Anilson Prego, Pedro Teruel e Pedro Kemp exerceram mandato. Entre 2007 e 2011, Amarildo Cruz, Paulo Duarte, Pedro Kemp e Pedro Teruel foram os escolhidos. 

Oposição forte

Questionada sobre a ampliação da bancada, Gleice Jane, reconduzida ao cargo pela primeira vez através do voto popular (em 2023, assumiu em razão da morte do deputado Amarildo Cruz) falou sobre a importância de manter a representatividade para diversas minorias que acreditaram no projeto do partido.

"Ser reconduzida para mais quatro anos de mandato aumenta ainda mais a nossa responsabilidade. Chegamos ao primeiro mandato em um momento de muitos desafios e também de muito aprendizado, conhecendo o Parlamento e, principalmente, aprofundando nosso conhecimento sobre as diferentes realidades de Mato Grosso do Sul, agora voltamos com mais experiência, com um diagnóstico mais claro das demandas do Estado e com condições de aprofundar as lutas que já iniciamos", declarou a deputada, eleita com 29.844 votos. 

Segundo Gleice Jane, o salto do partido é uma oportunidade para que a sigla siga firme na defesa de pautas importantes como a educação.

"A ampliação da bancada fortalece nossa atuação, a capacidade de fazer um debate político conectado com a vida das pessoas. Seguiremos firmes na defesa da educação, da saúde pública, do meio ambiente, das mulheres, dos servidores e servidoras públicas, dos trabalhadores e trabalhadoras e dos movimentos sociais que constroem conosco esse mandato", destacou ao Correio do Estado. 

Ex-superintendente de patrimônio da União (SPU) em Mato Grosso do Sul, Tiago Botelho estreia no legislativo estadual no próximo ano. Segundo mais votado entre os eleitos petistas (39.387 votos), destacou a importância de levar à Assembleia a representatividade de ser o primeiro deputado assumidamente gay do Estado, além de lutar pela reforma agrária, saúde e povos originários.  

"Mais importante de tudo é termos, pela primeira vez na história do Mato Grosso do Sul, um deputado estadual assumidamente LGBT. Essa representatividade é muito importante, ainda mais considerando as diversas candidaturas problemáticas que foram eleitas ao redor do país. A Assembleia terá um professor para lutar pela educação, pela UEMS, pelos povos originários, pela saúde e pela reforma agrária", frisou o professor e advogado. 

Além de Tiago Botelho e Gleice Jane, Pedro Kemp (28.397 votos) e Zeca do PT (42.714 votos) darão sequência aos respectivos mandatos. 

Votações expressivas

Próximo do presidente Lula, Zeca foi o mais votado entre os petistas. Há 12 anos, recebeu 160.556 votos na disputa para deputado federal, recorde ligeiramente superior aos números de Camila Jara, que conquistou 154.157 votos no último domingo (4).

Em um dado comparativo, a petista recebeu 14 mil votos a mai do que Marcos Pollon (PL), votado por 140 mil eleitores. 

Derrotado na disputa pelo Governo do Estado, Fábio Trad teve 322.807 votos, e destacou a importância dos números, frisando o crescimento da sigla em MS. Com exclusividade ao Correio do Estado, Trad falou sobre a campanha. 

Segundo ele, seu grupo enfrentou uma estrutura política e econômica muito superior, formada por diferentes segmentos da classe política estadual, administrações municipais e setores empresariais.

“Considerando que nós tivemos mais de 300 mil votos num contexto francamente desfavorável a nós, porque eu e a dona Gilda, sozinhos, enfrentamos as forças políticas mais poderosas do Estado”, afirmou.

Trad citou, entre os grupos que, segundo ele, atuaram em favor da candidatura adversária, setores do agronegócio e da indústria, além de deputados estaduais, vereadores e prefeitos.

Para o candidato derrotado, conseguir uma votação superior a 300 mil votos diante desse cenário demonstra que existe uma parcela expressiva do eleitorado disposta a apoiar uma alternativa política no Estado.

“Evidentemente que eu e ela, sozinhos, tendo 300 mil votos, quase que 25%, nesse universo de hostilidade francamente contrário ao nosso projeto, eu penso que nós tivemos uma grande vitória política em Mato Grosso do Sul”, disse.

Trad voltou a citar a esposa durante a entrevista e afirmou que ambos participaram diretamente da campanha com apoio da militância e de grupos que, segundo ele, se opõem ao atual modelo político estadual.

Ilhas petistas

Expressivamente mais votado entre os sul-mato-grossenses, Flávio Bolsonaro conquistou 873.351 votos (58,60%) enquanto Lula foi representado por 516.855 votos (34,68%) do eleitorado. O petista foi o 'eleito' apenas para os moradores de seis cidades: Dois Irmãos do Buriti, Japorã, Miranda, Vicentina, Paranhos e Tacuru. 

Dois Irmãos do Buriti

  • Lula: 56,40% – 3.579 votos
  • Flávio: 39,54% – 2.509 votos

Japorã

  • Lula: 67,26% – 3.273 votos
  • Flávio: 29,84% – 1.452 votos

Miranda

  • Lula: 54% – 7.626 votos
  • Flávio: 42,04% – 5.937 votos

Vicentina

  • Lula: 47,86% – 2.237 votos
  • Flávio: 46,30% – 2.164 votos

Paranhos

  • Lula: 53,65% – 3.192 votos
  • Flávio: 43,70% – 2.600 votos

Tacuru

  • Lula: 57,82% – 2.596 votos
  • Flávio: 37,75% – 1.695 votos

Composição geral 

Dos 24 deputados eleitos, 16 já integram a Assembleia Legislativa, enquanto oito chegam de fora da composição atual, o equivalente a 33,3% das cadeiras.

Entre os nomes que estreiam na Assembleia estão Daverson Matos (PL), André Salineiro (PL), Gianni Nogueira (PL) e Tiago Botelho (PT). Além disso, retornam à Casa de Leis nomes que já tiveram passagem pelo Legislativo, como André Puccinelli (MDB), Hélio Peluffo (PP) e Paulo Duarte (PSDB). 

Ao todo, PL terá 9 cadeiras, seguido pelo Partido dos Tarbalhadores (4),  PP e PSDB com 3 cada, Republicanos e MDB (2), União Brasil e Avante (1). 

Confira os eleitos:

Zé Teixeira (PL) - 54.080
Paulo Corrêa (PL) - 44.541 votos
Pedro Caravina (PSDB) - 43.845 votos
Zeca do PT - 42.714 votos
Coronel David (PL) - 41.492 votos
André Puccinelli (MDB) - 40.602 votos
Tiago Botelho (PT) - 39.387 votos
Ângelo Guerreiro  (PSDB) - 37.704 votos
Gianni Nogueira (PL) - 36.108 votos 
Odilon Ribeiro (PL) - 35.905 votos
Gerson Claro (PP) - 35.767 votos
Londres Machado (PP) - 33.581 votos
Hélio Peluffo Filho (PP) - 31.435 votos
Daverson Munhoz de Matos (PL) - 30.604 votos
Gleice Jane (PT) - 29.844 votos 
André Salineiro (PL) - 28.437 votos
Pedro Kemp (PT) - 28.397 votos
Lucas de Lima (PL) - 26.204 votos
Professor Rinaldo Modesto (União Brasil) - 23.763 votos
Márcio Fernandes (PL) - 23.122 votos
Renato Câmara (Republicanos) - 20.976 votos
Lídio Lopes (Avante) - 20.801 votos
Paulo Duarte (PSDB) - 20.029 votos
Pedro Pedrossian Neto (Republicanos) - 19.516 votos

*Saiba

Procurado pela reportagem, Zeca do PT não quis se pronunciar, enquanto Pedro Kemp não retornou contato. O espaço segue aberto. 

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