Política

SUCESSÃO NA ALEMS

Presidência da Assembleia abre disputa entre deputados do PL

Reinaldo Azambuja afirma que partido precisará do apoio de outras bancadas para conquistar o comando da Casa em 2027

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O PL vai pleitear a presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), mas precisa primeiro definir um candidato de consenso entre os nove deputados estaduais eleitos pelo partido.
Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, o senador eleito Reinaldo Azambuja, presidente estadual da legenda, apontou três nomes para a disputa: os deputados estaduais reeleitos Zé Teixeira, Paulo Corrêa e Coronel David.

Segundo Azambuja, o tamanho da bancada credencia o partido a buscar o comando da Casa, mas exige articulação com outras legendas. A definição interna, afirmou, deve anteceder as negociações para reunir os votos necessários à eleição.

“Temos de construir um consenso interno para lá na frente chegar com apenas um nome. Depois vamos precisar agregar os votos de outros partidos, pois só nove deputados não elegem ninguém, precisamos de pelo menos 14 votos”, declarou.

O senador eleito ressaltou que a apresentação de mais de uma candidatura do PL pode comprometer as chances da sigla. Para ele, a bancada precisa chegar unida à negociação com os demais parlamentares.

“Quem tem três, não tem ninguém, se você começa dividido dentro de casa, não ganha nada. Primeiro precisamos ter consenso dentro do PL. Porém, acredito que ainda temos tempo para tratar da eleição para a presidência da Assembleia Legislativa”, afirmou.

BUSCA DE APOIO

Depois de escolher seu representante, o PL pretende buscar o apoio da base de Riedel. Azambuja destacou que o chefe do Executivo, o governador reeleito Eduardo Riedel (PP), tem uma bancada forte na Assembleia, o que torna esse diálogo decisivo para as pretensões do partido.

O PP contará com os deputados reeleitos Gerson Claro e Londres Machado, além do ex-prefeito de Ponta Porã, Hélio Peluffo. Pelo PSDB, foram reeleitos Pedro Caravina e Paulo Duarte, enquanto o ex-prefeito de Três Lagoas, Ângelo Guerreiro, conquistou outra cadeira.

A composição mencionada por Azambuja inclui ainda o deputado estadual Rinaldo Modesto, reeleito pelo União Brasil, e os deputados estaduais Pedrossian Neto e Renato Câmara, ambos reeleitos pelo

Republicanos. O ex-governador André Puccinelli, do MDB, e Lidio Lopes, do Avante, também foram citados entre os parlamentares com os quais será necessário construir entendimento.

Apesar de defender que o PL dispute o comando do Legislativo estadual, Azambuja afirmou que a prioridade neste momento é a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. As negociações sobre a Assembleia Legislativa, segundo ele, ficarão para uma etapa posterior.

“Primeiro, como presidente estadual do PL, é ajudar na eleição do Flávio como presidente do Brasil, depois vamos pensar no comando da Assembleia Legislativa, o mais importante agora é a eleição do Flávio no segundo turno, depois vamos discutir as outras eleições”, declarou.

CANDIDATOS

Entre os três nomes mencionados, Coronel David confirmou interesse em disputar o cargo, mas condicionou a candidatura à construção de um entendimento entre os integrantes da legenda.

“Tenho interesse, desde que haja um consenso dentro do partido”, declarou o deputado reeleito.
Paulo Corrêa também confirmou que é pré-candidato à presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e afirmou que trabalhará internamente para ser o escolhido da legenda, respeitando a orientação do presidente estadual do partido.

“Primeiro temos de obedecer à decisão do presidente do partido e, como o Reinaldo falou, o PL, com a maior bancada, é normal que reivindique a presidência da Assembleia Legislativa. Diante disso, posso dizer que, neste momento, sou pré-candidato ao cargo e vou trabalhar dentro da legenda para ser o escolhido e, se Deus quiser, conseguir ser o próximo presidente da Casa de Leis”, declarou.

Já Zé Teixeira defendeu que as conversas envolvam os 24 deputados estaduais, destacando que a bancada do PL, sozinha, não consegue eleger o presidente. Ao tratar do número de votos necessários, o parlamentar mencionou um mínimo de 13, enquanto Azambuja falou em reunir pelo menos 14.

“Para se eleger um presidente da Assembleia Legislativa precisa de no mínimo 13 votos. Não adianta conversar entre nove, pois nove não elegem um presidente”, afirmou Zé Teixeira.

O deputado também ressaltou o peso do governador reeleito Eduardo Riedel na definição do comando da Casa. Na avaliação dele, o apoio do chefe do Executivo é indispensável para viabilizar uma candidatura.

“Outra coisa é que essa eleição depende muito do governador Eduardo Riedel, sem o apoio dele não será possível”, declarou.

Zé Teixeira acrescentou que a disputa exige disposição para conquistar apoio entre todos os parlamentares, sem impor uma candidatura aos demais.

“Por isso, não discuto eleição para a presidência da Assembleia Legislativa com nove deputados estaduais, eu discuto com 24. Não existe você exigir ser candidato, você tem de colocar o nome à disposição e conquistar os votos necessários”, disse.

Ao comentar suas condições para participar dessa articulação, o parlamentar destacou a experiência na primeira-secretaria da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e afirmou compreender a proposta de Azambuja de construir uma indicação consensual do PL.

“Tenho a experiência de oito anos atuando como primeiro-secretário da Casa, período em que acredito ter realizado um excelente trabalho. Entendo perfeitamente a ideia defendida pelo senador Reinaldo Azambuja, considerando que o PL tem a maior bancada eleita”, afirmou.

Ele também se colocou à disposição para construir os apoios necessários, tanto dentro da legenda quanto entre os demais integrantes da Casa.

“Acho que o primeiro passo é conversarmos para chegar a um consenso da bancada dentro de Casa de Leis. Depois, o desafio é buscar o apoio dos demais deputados, pois sei que ninguém é escolhido presidente ou primeiro-secretário sozinho. Da minha parte, estou pronto para construir esses apoios”, declarou.

Eleições 2026

Agora é segundo turno, ao lado de Flávio Bolsonaro, diz Tereza Cristina

A senadora e ex-ministra da Agricultura destacou o desempenho do candidato em Mato Grosso do Sul

05/10/2026 22h00

Tereza Cristina e Flávio Bolsonaro

Tereza Cristina e Flávio Bolsonaro Foto: Divulgação

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A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) convocou apoiadores para a disputa de segundo turno ao lado do candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) Em publicação na rede social X nesta segunda-feira, 5, a parlamentar destacou o desempenho do candidato em Mato Grosso do Sul.

"Obrigada, Mato Grosso do Sul, por mostrar a força da direita! O presidenciável Flávio Bolsonaro obteve quase 60% dos votos do nosso Estado", escreveu a senadora. "Agora é segundo turno, ao lado do Flávio Bolsonaro."

Ainda na publicação, Tereza Cristina afirmou que o resultado das urnas impôs ao Senado Federal a tarefa de pautar o controle de órgãos judiciais. "As urnas deram um recado claro: o Senado Federal precisa discutir os mecanismos de fiscalização e controle do Poder Judiciário.

Todos nós, políticos, devemos ser avaliados pela sociedade brasileira - e fomos ontem, pelo voto", disse a senadora. "Nenhuma autoridade está acima da lei. Esse é um debate necessário, maduro e que o Senado não pode mais adiar", declarou.

No âmbito regional, a ex-ministra comemorou o resultado do pleito em seu Estado natal, agradecendo ao eleitorado sul-mato-grossense pela renovação do mandato do governador Eduardo Riedel (PP) e pela eleição dos senadores eleitos Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL). "Quero agradecer a todos que renovaram ontem o mandato do nosso competente governador Eduardo Riedel, e aos que confiaram em Reinaldo Azambuja e no Capitão Contar", afirmou.

Tereza Cristina concluiu a mensagem afirmando estar "muito animada" e prometeu seguir mobilizada para a etapa decisiva da eleição presidencial.

 

PÓS-ELEIÇÃO 2026

Marquinhos Trad, Picarelli e outros veteranos são derrotados nas urnas em MS

Ex-prefeito da Capital, ex-deputados e nomes com décadas de vida pública não conseguiram conquistar os cargos disputados nas Eleições 2026 em Mato Grosso do Sul.

05/10/2026 16h41

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, Marquinhos Trad, Maurício Picarelli, Delcídio do Amaral, Eduardo Rocha e Geraldo Resende, nomes conhecidos da política de Mato Grosso do Sul.

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, Marquinhos Trad, Maurício Picarelli, Delcídio do Amaral, Eduardo Rocha e Geraldo Resende, nomes conhecidos da política de Mato Grosso do Sul. Fotos: Reprodução/Alems, Instagram e Câmara dos Deputados. Montagem: Correio do Estado

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As urnas deste domingo (4) não significaram apenas a chegada de novos nomes e a permanência de lideranças tradicionais no poder em Mato Grosso do Sul. O resultado das Eleições 2026 também impôs derrotas a políticos conhecidos há décadas pelo eleitorado sul-mato-grossense e que buscavam ampliar, recuperar ou preservar espaço na vida pública.

Entre os nomes que ficaram fora dos cargos disputados estão o ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PV), o ex-deputado estadual Maurício Picarelli (PRD), o ex-secretário estadual e ex-deputado Eduardo Rocha (PSDB) e os deputados federais Geraldo Resende (União Brasil) e Dr. Luiz Ovando (PP).

Também entra nesse grupo o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD), que tentou retornar ao primeiro plano da política estadual concorrendo ao Governo de Mato Grosso do Sul, mas terminou distante dos primeiros colocados.

São trajetórias diferentes, mas que têm um ponto em comum: todos chegaram às urnas de 2026 carregando um histórico de participação relevante na política estadual e não conseguiram transformar o peso acumulado ao longo dos anos em vitória eleitoral.

Marquinhos tenta chegar a Brasília

Um dos nomes de maior projeção entre os derrotados foi Marquinhos Trad, que concorreu a uma das oito vagas de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados.

O ex-prefeito recebeu 31.382 votos, equivalentes a 2,21% dos votos válidos para deputado federal, terminou na 14ª posição da votação nominal e ficou como suplente.

A derrota interrompe, pelo menos neste momento, o projeto de Marquinhos de retornar a um cargo de maior projeção estadual e nacional.

Ela, porém, não deixa o político sem mandato. Ele permanece vereador de Campo Grande, cargo para o qual foi eleito em 2024 como o candidato mais votado da Capital.

A trajetória de Marquinhos atravessa diferentes espaços da política sul-mato-grossense. Advogado, iniciou sua carreira eleitoral na Câmara Municipal, posteriormente cumpriu três mandatos como deputado estadual e chegou à Prefeitura de Campo Grande, onde foi eleito em 2016 e reeleito em 2020. Deixou o Executivo em 2022 para disputar o Governo do Estado.

Na eleição estadual daquele ano, não conseguiu chegar ao segundo turno. Dois anos depois, voltou às origens ao disputar uma vaga de vereador e conquistou novamente espaço na Câmara Municipal. Em 2026, a tentativa era dar um novo salto, desta vez para Brasília.

As urnas, entretanto, mantiveram Marquinhos no Legislativo municipal.

Picarelli e o peso de oito mandatos

Se Marquinhos representa um dos nomes mais conhecidos da política recente de Campo Grande, Maurício Picarelli carrega uma das trajetórias legislativas mais longevas de Mato Grosso do Sul.

Picarelli ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa durante oito mandatos consecutivos, somando aproximadamente 32 anos no Parlamento estadual. Ele foi eleito pela primeira vez na década de 1980 e permaneceu na Casa até 2019.

Neste ano, tentou chegar à Câmara dos Deputados, mas o resultado ficou muito distante das votações que marcaram o auge de sua carreira política.

Picarelli recebeu 1.475 votos, ou 0,10% dos válidos para deputado federal, e terminou na 47ª posição da disputa. Não foi eleito.

O desempenho chama atenção justamente pelo contraste com seu passado eleitoral. Picarelli chegou a ser o deputado estadual mais votado de Mato Grosso do Sul em eleições anteriores e construiu sua imagem pública paralelamente à carreira como apresentador de rádio e televisão.

Em 2026, no entanto, a popularidade acumulada durante décadas não foi suficiente para recolocá-lo em um mandato eletivo.

A derrota prolonga o período de Picarelli fora de cargos conquistados pelo voto, situação que começou após o fim de seu último mandato na Assembleia, em 2019.

Eduardo Rocha tenta voltar à Assembleia

Outro nome conhecido que não conseguiu retornar ao Legislativo estadual foi Eduardo Rocha. Ex-deputado estadual por três mandatos, Rocha também ocupou posições estratégicas no Governo de Mato Grosso do Sul, entre elas a Secretaria de Governo durante a administração de Reinaldo Azambuja e, posteriormente, a Casa Civil.

Na eleição deste domingo, concorreu novamente a deputado estadual pelo PSDB. Recebeu 15.782 votos, equivalentes a 1,11% dos válidos, terminou na 33ª colocação e ficou na condição de suplente.

A tentativa de retorno à Assembleia ocorreu depois de anos de atuação tanto no Legislativo quanto no núcleo político do Executivo estadual. Rocha apostava justamente nessa experiência como uma de suas principais credenciais na campanha.

O resultado, porém, mostrou que o histórico de três mandatos e a passagem por secretarias importantes não foram suficientes para colocá-lo entre os 24 eleitos para a próxima legislatura.

Dois deputados federais perdem a cadeira

As urnas também produziram baixas entre parlamentares que atualmente representam Mato Grosso do Sul em Brasília.

Dr. Luiz Ovando e Geraldo Resende, ambos candidatos à reeleição, não conseguiram permanecer entre os oito deputados federais escolhidos pelo eleitorado sul-mato-grossense.

Ovando recebeu 34.679 votos, enquanto Geraldo Resende terminou com 31.714 votos. Apesar das votações superiores às registradas por Marquinhos Trad, nenhum dos dois obteve cadeira na distribuição das vagas da Câmara Federal.

No caso de Ovando, a derrota encerra uma sequência iniciada em 2018, quando foi eleito deputado federal pela primeira vez. Ele conseguiu renovar o mandato em 2022, mas não repetiu o resultado quatro anos depois.

Geraldo Resende, por sua vez, é um dos políticos com maior tempo de atuação federal entre os nomes derrotados neste ano.

Antes de chegar à Câmara dos Deputados, passou pela Câmara Municipal de Dourados, Assembleia Legislativa e Secretaria Estadual de Saúde. Ao longo da carreira, acumulou 16 anos de mandatos como deputado federal e também comandou a Saúde estadual em diferentes períodos.

A partir de 2027, portanto, a bancada sul-mato-grossense em Brasília terá renovação também provocada pela saída de dois parlamentares que atualmente ocupam cadeiras.

Delcídio tem votação distante dos líderes

A lista de figuras tradicionais que não tiveram sucesso nas urnas chega também à disputa pelo cargo mais importante do Estado.

Ex-senador e personagem de destaque da política sul-mato-grossense durante anos, Delcídio do Amaral tentou voltar ao protagonismo concorrendo ao Governo pelo PRD.

Terminou, contudo, apenas na quarta colocação, com 14.431 votos, equivalentes a 1,06% dos votos válidos.

O resultado ficou distante do governador reeleito Eduardo Riedel (PP), que resolveu a eleição no primeiro turno, e também de Fábio Trad (PT) e João Henrique Catan (Novo), segundo e terceiro colocados, respectivamente.

Para Delcídio, a votação de 2026 também contrasta com o espaço que ocupou no passado. O político já representou Mato Grosso do Sul no Senado e disputou anteriormente o próprio Governo do Estado.

Urnas redesenham espaço dos veteranos

As derrotas não significam necessariamente o fim das carreiras políticas desses nomes. Marquinhos Trad, por exemplo, segue com mandato na Câmara Municipal de Campo Grande, enquanto outros derrotados podem permanecer em posições partidárias, assumir suplências ou voltar às urnas nos próximos pleitos.

O resultado, no entanto, revela uma das faces das Eleições 2026 em Mato Grosso do Sul: o reconhecimento acumulado durante anos ou mesmo décadas de vida pública não garantiu passagem automática para um novo mandato.

Enquanto nomes como Zeca do PT, André Puccinelli, Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel mostraram força para continuar ocupando espaços de poder, outros personagens conhecidos encontraram nas urnas uma barreira para os projetos apresentados neste ano.

Entre oito mandatos estaduais de Picarelli, dois períodos de Marquinhos Trad na Prefeitura de Campo Grande, três legislaturas de Eduardo Rocha na Assembleia e anos de Geraldo Resende e Luiz Ovando em Brasília, a eleição deste domingo deixou um recado que atravessa gerações da política sul-mato-grossense: trajetória e lembrança do eleitor ajudam a chegar competitivo à disputa, mas não são suficientes, por si só, para garantir uma cadeira.

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