Política

SOB SUSPEITA

CNI terá 15 dias para dar informações sobre transparência no Sistema Fiems

Para a bancada petista, a instauração de inquérito civil pelo MPMS contra a federação já revela a necessidade de esclarecimentos

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Como parte da mobilização para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) para investigar os contratos da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), a bancada do PT na Alems encaminhou requerimento à Confederação Nacional da Indústria (CNI) para que informe, no prazo de 15 dias, com a respectiva documentação comprobatória, as ações, providências e medidas adotadas para garantir transparência, controle institucional e práticas de governança no âmbito do Sistema Indústria, especialmente em face das recentes denúncias e demandas públicas relacionadas à Fiems no Estado.

Conforme a líder da bancada do PT, deputada estadual Gleice Jane, ao todo foram feitos sete pedidos de esclarecimento à CNI, sendo que o principal deles é se a Confederação já foi formalmente comunicada sobre a instauração de inquérito civil pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para investigar contratos firmados no âmbito da Fiems com empresas que têm o mesmo quadro societário, cujo valor total reportado é de aproximadamente R$ 1,8 milhão.

“Em caso afirmativo, queremos saber sobre as datas, os meios e as cópias das comunicações ou protocolos recebidos”, ressaltou.

Ela informou ainda que foram solicitadas quais medidas institucionais e normativas a CNI tem adotado, ou pretende adotar, para acompanhar, supervisionar e orientar as federações estaduais de indústria acerca da correta aplicação de recursos, critérios de contratação, procedimentos de compliance, pesquisa de preço, justificativa técnica e prevenção de conflitos de interesse, de modo a evitar questionamentos sobre governança e reputação institucional.

Outro questionamento é se existem normas, manuais ou diretrizes de caráter nacional emitidos pela CNI que disciplinam práticas de transparência ativa e de prestação de contas das federações estaduais perante a sociedade, órgãos de controle e partes interessadas. “Caso a resposta seja sim, também pedimos que sejam anexadas cópias”, destacou a parlamentar.

Também foram exigidos quais foram, especificamente, os valores repassados pela CNI para a Fiems no período compreendido entre julho de 2022 e outubro de 2025, bem como a destinação efetiva desses recursos, incluindo relatórios ou comprovantes que demonstrem as aplicações em atividades de desenvolvimento social, qualificação profissional, suporte técnico e inovação, conforme os fins legais atribuídos ao Sistema S.

O quinto pedido de informação feito pela bancada petista é se a CNI realizou, determinou ou recomendou auditorias internas, sindicâncias ou outras formas de verificação acerca dos contratos e repasses em questão ou sobre a atuação da Fiems, sendo que, em caso afirmativo, foi pedido que sejam anexados os resultados ou pareceres técnicos correspondentes.

Já a sexta solicitação é sobre quais medidas de fortalecimento de governança, compliance e transparência a CNI está estimulando ou pretende implementar no âmbito do Sistema Indústria, de modo a assegurar que recursos administrados por federações estaduais sejam aplicados com rigor técnico, legal e ético, em respeito ao interesse público e à confiança social.

O último pedido é se há previsão de atuação corretiva ou recomendatória da CNI diante de questionamentos ou investigações que envolvam federações estaduais e, em caso afirmativo, quais são os instrumentos, prazos e mecanismos previstos para tal intervenção.

RECURSOS

Gleice Jane justificou o pedido de esclarecimento ao presidente da CNI, Ricardo Alvarez Alban, em razão dos questionamentos públicos amplamente divulgados acerca de contratos firmados pela Fiems, que atualmente estão sob investigação preliminar pelo MPMS.

“Ainda que inexista, até o momento, conclusão definitiva ou imputação formal de responsabilidade, a mera instauração de inquérito civil já revela a necessidade de esclarecimentos institucionais, sobretudo quando envolvem recursos oriundos de contribuições compulsórias que alimentam o chamado Sistema S”, ressaltou.

A parlamentar argumentou que as entidades integrantes do Sistema Indústria, financiadas por contribuições incidentes sobre a folha de pagamento das empresas, administram recursos de natureza parafiscal destinados a finalidades específicas de interesse coletivo, tais como formação profissional, qualificação técnica, inovação industrial, apoio tecnológico, segurança no trabalho, inclusão produtiva e desenvolvimento regional.

“Trata-se de estrutura essencial ao fortalecimento da competitividade industrial e à geração de oportunidades econômicas no Estado. Qualquer indício de falha de governança, fragilidade nos mecanismos de contratação ou possível malversação de recursos compromete não apenas a integridade administrativa, mas também o próprio desenvolvimento socioeconômico de Mato Grosso do Sul”, comentou Gleice.

Na avaliação da líder da bancada do PT na Alems, recursos que deveriam impulsionar cursos profissionalizantes, programas de aprendizagem, capacitação de jovens e trabalhadores, modernização tecnológica e estímulo à indústria podem deixar de cumprir sua função estratégica caso não haja rigor na gestão e transparência na aplicação.

“O impacto potencial não se restringe ao plano contábil. Ele alcança cadeias produtivas, políticas de empregabilidade, parcerias público-privadas, políticas de inovação e programas de interiorização do desenvolvimento. Em um Estado cuja economia depende significativamente do fortalecimento industrial e da qualificação de mão de obra, a correta destinação dessas contribuições compulsórias é elemento estruturante da política de crescimento sustentável”, alertou a líder da bancada do PT.

Gleice Jane reforçou que a robustez institucional do Sistema Indústria pressupõe mecanismos eficazes de compliance, auditoria, controle interno e transparência ativa.

“Quanto maior a relevância econômica e política da instituição, maior deve ser o grau de escrutínio e responsabilidade pública. Transparência não é fator de fragilidade. É pressuposto de legitimidade”, disse Gleice.

Para ela, o requerimento não antecipa juízo condenatório nem afirma a existência de irregularidades. “Ao contrário, parte da premissa de que investigações são instrumentos legítimos de controle e que a resposta institucional adequada [tempestiva, documentada e transparente] é o que distingue desgaste momentâneo de crise estrutural”, assegurou.

Diante disso, para a líder da bancada do PT, torna-se imprescindível conhecer as providências adotadas pela CNI, enquanto instância nacional de coordenação, para assegurar padrões homogêneos de governança e integridade nas federações estaduais, bem como garantir que os recursos oriundos da contribuição compulsória cumpram integralmente sua finalidade pública de promoção do desenvolvimento industrial, da qualificação profissional e da geração de oportunidades para a população sul-mato-grossense.

*Saiba

A 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande instaurou inquérito civil para apurar eventuais irregularidades envolvendo as empresas Inovaseg Comercial de Equipamentos e Serviços Ltda. e a Souza Alves & Cia Ltda., ambas com os sócios Diogo de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa no comando, ou seja, são do mesmo grupo econômico, o que aumentou as suspeitas do órgão.

O MPMS pretende apurar se houve algum direcionamento no momento da licitação ou até a participação de alguns funcionários ou diretores da Federação para facilitar a concorrência.

No levantamento feito pela reportagem, foi encontrado um contrato firmado entre a Fiems e a empresa Souza Alves & Cia com início em dezembro de 2022 e término em dezembro de 2023, sob valor de R$ 405.736,30.

Foi identificado mais um contrato com a empresa, desta vez no valor de R$ 514.799,95. Curiosamente, a Souza Alves & Cia tem mais dois contratos com o mesmo objeto, sob preço de R$ 352.999,98, enquanto a Inovaseg tem três contratos, que, somados, ultrapassam a casa dos R$ 500 mil.

O maior deles é avaliado em R$ 405 mil e o segundo é de aproximadamente R$ 98 mil, ambos com o mesmo objeto dos contratos firmados com a Souza Alves & Cia. Também foram identificados contratos menores envolvendo as duas empresas, avaliados entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.

Somados, os contratos entre o sistema Fiems e as empresas de Diogo de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa alcançaram o montante de R$ 1,8 milhão.

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DEBATE

Docentes de Direito de MS divergem sobre redução da maioridade penal

O ministro da Justiça, Wellington César Lima, sugeriu a possibilidade de o assunto ser colocado em plebiscito nas eleições deste ano

03/03/2026 16h36

Os professores de Direito André Borges e Sandro de Oliveira comentam sobre a possível redução da maioridade penal no Brasil

Os professores de Direito André Borges e Sandro de Oliveira comentam sobre a possível redução da maioridade penal no Brasil Montagem

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A recente declaração do novo ministro da Justiça, Wellington César Lima, sobre a possibilidade de um plebiscito para debater a redução da maioridade penal desencadeou uma onda de manifestações pelo País, principalmente depois que a Argentina aprovou a redução de 16 para 14 anos de idade.
 
Em Mato Grosso do Sul, o Correio do Estado ouviu o professor-doutor da Faculdade de Direito (Fadir), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Sandro de Oliveira, e o professor de Direito Constitucional da Faculdade Insted, André Borges, que divergem sobre a redução da maioridade penal no território brasileiro.
 
Favorável à redução da maioridade penal, o professor André Borges disse que os jovens de hoje são mais informados e nem se compara com o que existia no passado. “Chegou a hora de responsabilizar mais aqueles que, tendo praticado um crime, escondem-se debaixo da idade”, declarou.
 
Ele completou que a República é regime de responsabilidade. “Se alguém é livre para violar as leis do país, deve ser responsável direto pelos resultados. Plebiscito também é uma boa ideia: entregar ao povo a decisão é algo democrático e eficiente”, analisou.
 
Já o professor Sandro de Oliveira ressaltou que a proposta de redução da maioridade penal no Brasil reaparece ciclicamente como resposta simbólica ao aumento da violência. “Contudo, sob o prisma jurídico-constitucional e dos tratados internacionais, trata-se de iniciativa incompatível com o sistema de proteção integral inaugurado pela Constituição de 1988 e consolidado pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos”, citou. 
 
Ele completou que a Constituição, ao estabelecer a inimputabilidade penal aos menores de dezoito anos (art. 228), não o fez como concessão política, mas como cláusula estruturante de um modelo que reconhece adolescentes como sujeitos de direitos em condição peculiar de desenvolvimento.
 
“No plano internacional, o Brasil é parte da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), que impõe aos Estados o dever de adotar medidas especiais de proteção à infância (art. 19)”, lembrou.
 
Esse dispositivo, de acordo com o professor, deve ser interpretado sistematicamente com a Convenção sobre os Direitos da Criança, que consagra a doutrina da proteção integral e exige que qualquer responsabilização juvenil observe a primazia de medidas socioeducativas, a excepcionalidade da privação de liberdade e a finalidade eminentemente pedagógica do sistema. 
 
“Reduzir a maioridade penal significa deslocar adolescentes para o sistema penal comum, rompendo com esse paradigma protetivo”, reforçou, lembrando que a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos é clara ao afirmar que crianças e adolescentes demandam um regime jurídico diferenciado, orientado pela dignidade, pelo desenvolvimento progressivo e pelo princípio do melhor interesse. 

Favorável

Conforme Sandro de Oliveira, em precedentes que se tornaram modelos, como o caso “Instituto de Reeducación del Menor vs. Paraguai”, a Corte condenou a submissão de adolescentes a condições prisionais incompatíveis com sua condição peculiar, reforçando que o sistema penal ordinário (aplicável aos maiores de idade) não é ambiente legítimo para a responsabilização juvenil. “A redução da maioridade penal, portanto, expõe o Brasil a risco concreto de responsabilização internacional”, comentou.
 
No âmbito interno, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem reconhecido a centralidade dos tratados internacionais de direitos humanos na conformação do controle de convencionalidade, inclusive atribuindo-lhes status supralegal, acima das leis brasileiras, e quando aprovados sob o rito do art. 5º, §3º, status constitucional, como se fosse norma constitucional. 
 
“A Corte também já afirmou a força normativa do princípio da proteção integral e a necessidade de interpretação conforme os compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro. Qualquer emenda constitucional que fragilize esse núcleo protetivo pode incorrer em violação às chamadas cláusulas pétreas, por atingir direitos e garantias individuais”, apontou.
 
A inconstitucionalidade da redução da maioridade penal decorre, ainda, da vedação ao retrocesso em matéria de direitos fundamentais. “O sistema inaugurado pela Constituição de 1988 substituiu o paradigma tutelar-repressivo por um modelo garantista e socioeducativo. Retroceder para equiparar adolescentes a adultos no âmbito penal comum significa esvaziar a proteção diferenciada assegurada pelo constituinte originário. Não se trata de opção política neutra, mas de alteração que atinge o núcleo essencial da dignidade da pessoa humana e da prioridade absoluta conferida à infância”, disse.
 
Para o professor, sob a perspectiva da inconvencionalidade, a redução viola o dever estatal de adotar medidas progressivas de ampliação — e não de restrição — da proteção aos direitos humanos. 

“O controle de convencionalidade impõe que todas as autoridades públicas, inclusive o legislador constituinte derivado, atuem em conformidade com os tratados ratificados pelo Brasil e com a interpretação dada pelos órgãos internacionais competentes. Ignorar essa obrigação compromete a credibilidade internacional do país e fragiliza o sistema interamericano de proteção”, declarou.
 
O docente da Fadir da UFMS acrescentou que é igualmente equivocado invocar a maioridade eleitoral como argumento para a redução da maioridade penal. “O fato de o adolescente poder exercer o voto facultativo aos dezesseis anos não autoriza sua equiparação plena ao adulto para fins penais”, afirmou. 
 
No entendimento dele, os direitos políticos e responsabilidade criminal pertencem a esferas normativas distintas, com fundamentos e finalidades diversas. “A ampliação da participação democrática juvenil não implica reconhecimento de maturidade penal plena, nem afasta a necessidade de proteção especial assegurada constitucional e convencionalmente”, assegurou.
 
Para concluir, Sandro de Oliveira pontuou que a resposta à violência juvenil não está no recrudescimento penal, mas no fortalecimento das políticas públicas de educação, inclusão social e efetividade das medidas socioeducativas previstas no ordenamento. 
 
“A redução da maioridade penal, além de ineficaz sob o ponto de vista empírico, afronta a Constituição e os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Defender sua rejeição não é ato de complacência com o crime, mas de fidelidade ao Estado Democrático de Direito e ao sistema de direitos humanos que escolhemos construir”, finalizou.

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ATENÇÃO, ELEITORES!

Eleições 2026: TRE-MS atende eleitores no bairro Lageado para regularizar situação

O atendimento acontecerá na Escola Estadual Thereza Noronha de Carvalho, das 8h às 15h, neste sábado (7)

03/03/2026 16h00

A proposta reduz o período em que um político condenado fica impedido de disputar uma eleição

A proposta reduz o período em que um político condenado fica impedido de disputar uma eleição Arquivo

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O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) realizará, neste sábado (07), uma edição do atendimento itinerante em Campo Grande. A ação acontecerá das 8h às 15h, na Escola Estadual Thereza Noronha de Carvalho, localizada na Rua João Selingarde, 770, no bairro Parque Lageado.

A iniciativa serve para facilitar o acesso da população aos principais serviços relacionados ao título de eleitor. Na ocasião, serão oferecidos: emissão do primeiro título, transferência de domicílio eleitoral, regularização da situação eleitoral e atualização de dados cadastrais.

A ação integra o cronograma de atendimentos itinerantes realizados pelo TRE-MS, que tem percorrido diversas regiões do Estado e da Capital, estreitando a relação entre os serviços oferecidos pela Justiça Eleitoral às comunidades.

O eleitor pode consultar sua situação eleitoral no site do TSE, acessando a aba “Autoatendimento Eleitoral”. No portal, é possível verificar pendências, emitir certidões, atualizar dados e acompanhar informações sobre o título.

Prazo

O atendimento para regularização do título eleitoral segue até 6 de maio, das 8h às 18h, em todas as unidades da Justiça Eleitoral do Estado. Na Capital, o atendimento acontece na Rua Delegado José Alfredo Hardman, nº 180.

O cadastro será encerrado 150 dias antes do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para 4 de outubro, onde o eleitorado definirá os ocupantes dos cargos de presidente da República, governador de estado, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.

Até essa data-limite, os eleitores podem solicitar alistamento, revisão eleitoral, regularização do título, cadastro biométrico, atualização de dados, transferência de local de votação e esclarecer dúvidas sobre o processo eleitoral em qualquer unidade da Justiça Eleitoral.

Além do atendimento presencial, os serviços também estarão disponíveis pelo aplicativo e-Título e pelo sistema de autoatendimento eleitoral, acessível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

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