Política

OPERAÇÃO CASA DE OURO

Comissão da Assembleia estuda pedir impeachment de Waldir Neves no TCE

O deputado estadual Coronel David também vai reforçar a reclamação formal ao CNJ contra o excesso de prazo no caso

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Em razão da deflagração, na manhã de ontem, da Operação Casa de Ouro pela Polícia Federal (PF), a fim de combater organização criminosa especializada na fraude de certames licitatórios e no desvio de recursos públicos, cujo principal alvo foi o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) Waldir Neves, o deputado estadual Coronel David (PL) estuda pedir o impeachment da vaga dele na Corte de Contas.

Como presidente da comissão temporária criada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) para acompanhar o inquérito e o processo judicial movido contra os conselheiros Ronaldo Chadid e Iran Coelho – além de Waldir Neves – por suspeitas de corrupção, Coronel David ainda pretende reforçar a reclamação formal encaminhada no dia 20 junho ao ministro Luís Felipe Salomão, corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sobre o excesso de prazo nos processos relacionados às operações Mineração de Ouro e Terceirização de Ouro, as quais resultaram no afastamento dos três conselheiros do TCE-MS por decisão judicial.

“Essa nova operação da PF demonstra que é preciso tomar uma providência urgente, e vamos acionar o Departamento Jurídico da Alems para verificar as possibilidades legais cabíveis, pois a vaga do conselheiro Waldir Neves é uma indicação da Casa de Leis. O pedido de impeachment é uma alternativa, e eu já tinha proposto no ano passado”, declarou Coronel David ao Correio do Estado.

O parlamentar ainda complementou que, na época, não era o momento de partir para um caminho tão radical, porém, com a operação de ontem, não tem mais como deixar da forma em que está. 

“No nosso entendimento, chegou o momento de estudar o pedido de impeachment, pois se a Alems foi quem nomeou o conselheiro Waldir Neves, também pode destituí-lo dessa vaga”, explicou.

No ano passado, durante pronunciamento no pequeno expediente da Alems, Coronel David anunciou que tinha determinado que sua assessoria fizesse um estudo para uma possível alteração na Constituição de Mato Grosso do Sul, com o propósito de solicitar o impeachment dos três conselheiros afastados da Corte de Contas pela quebra de decoro.

Na época, o jurídico do deputado estadual fez um estudo aprofundado a respeito da questão para embasar o parlamentar e descobriu que está em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 1.388, que altera a Lei do Impeachment, incluindo os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) e, por simetria, os conselheiros dos TCEs. Uma vez essa proposta sendo aprovada, automaticamente poderá ser aplicada nos estados.

CNJ

Coronel David também pretende reforçar a reclamação formal a Salomão sobre o excesso de prazo nos processos envolvendo os três conselheiros afastados da Corte de Contas.

“A Alems criou a comissão temporária especificamente para acompanhar os inquéritos dos três [conselheiros], pois desde dezembro de 2022 o TCE-MS, que deveria contar com sete conselheiros, está operando com apenas quatro, enquanto os três afastados foram substituídos por auditores fiscais que não têm a competência originária para o exercício da função de conselheiro”, pontuou.

Coronel David ressaltou que, desde o afastamento dos conselheiros, a Casa de Leis tem sofrido uma pressão da população, das prefeituras e da mídia local, as quais exigem respostas e iniciativas para resolver a questão.

“As prefeituras, em particular, têm levantado numerosas queixas sobre os julgamentos de contas realizados pelos auditores fiscais substitutos, gerando grande insegurança jurídica sobre a competência desses profissionais para tais julgamentos”, explicou.

No contexto atual, os inquéritos ainda não foram recebidos oficialmente e o julgamento sobre o recebimento ou não da denúncia de Chadid já foi adiado inúmeras vezes.

“Diante desses fatos, requeri que seja recebida a reclamação por excesso de prazo das ações penais, buscando assim uma resolução mais célere para os processos e a restauração da normalidade no nosso Tribunal de Contas”, alegou o presidente da comissão, que ainda conta com os deputados estaduais Antonio Vaz (Republicanos) e Lia Nogueira (PSDB).

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brasil

Mendonça autorizou bloqueio de R$ 2 bilhões em bens ligados a Vorcaro

Entre os objetos listados, estão obras de arte, mansões nos Estados Unidos, embarcações e automóveis de luxo

13/09/2026 19h00

Foto: Reprodução Instagram @oficial.andremendonca

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o bloqueio de mais de R$ 1,9 bilhão em bens no exterior de propriedade do Banco Master e de empresas pertencentes ao grupo. Entre os objetos listados, estão obras de arte, mansões nos Estados Unidos, embarcações e automóveis de luxo. Também foram alvo da medida R$ 21,4 bilhões em ativos das instituições financeiras liquidadas e imóveis ligados às empresas.

Foram listados no processo 18 bens no exterior que, somados, foram avaliados em R$ 1,9 bilhão. Quatro itens não foram avaliados, o que eleva a estimativa total dos bens para mais de R$ 2 bilhões. Nem todos os bens e ativos foram localizados pelos investigadores.

O rol de bens inclui um apartamento duplex na Florida, uma casa de veraneio com residência para visitas no mesmo Estado dos EUA, uma fazenda de luxo com residência no Colorado, um iate, outras embarcações de luxo, uma Mercedes-Benz e um Ford Bronco. Também está na lista R$ 280 milhões decorrente da venda de uma aeronave

No campo das artes, o grupo de Daniel Vorcaro é dono de duas pinturas de Jean-Michel Basquiat avaliadas em R$ 25 milhões e R$ 27,5 milhões, respectivamente. Há ainda um Picasso avaliado em R$ 40 milhões e pinturas de Andy Warhol, Yayoi Kusama e Frederic Anderson de valores não estimados.

A decisão foi tomada em 24 de julho a partir de um pedido feito pela Procuradoria-Geral da República em 19 de junho. Segundo a PGR, "o sequestro de todos os ativos acessados pelas liquidações extrajudiciais é a única medida capaz de garantir a correta destinação do patrimônio em sua ordem legal e o valor de mercado dos bens arrecadados". Ainda de acordo com o pedido, a medida "servirá apenas para impedir a dispersão precoce do patrimônio levantado".

A PGR explicou que, "além de danos diretos e evidentes à Fazenda Pública, o expressivo prejuízo suportado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deve ser considerado". E que, "embora seja entidade privada, o FGC é custeado, em grande parte, por bancos e instituições públicas, que foram indiretamente (e significativamente) lesadas pelos delitos, sendo cabível e necessária a imposição da medida".

Na decisão, Mendonça determinou o sequestro sobre os ativos das seguintes instituições: Banco Master; Banco Master de Investimento; Banco Letsbank; Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários; Will Financeira Crédito, Financiamento e Investimento; Banco Pleno; Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários; e Banco Master Múltiplo.

A decisão foi tornada pública a partir da determinação do presidente do STF, Edson Fachin, para que Mendonça levantasse o sigilo das investigações sobre as fraudes do Banco Master.

JUSTIÇA

Presidente do STF assume relatoria de processo sobre Moraes e Vorcaro

Fachin também remeteu à presidência processos do Master e INSS

13/09/2026 08h10

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, é agora o relator do caso sobre a suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. No mesmo despacho deste sábado (12), Fachin remeteu à Presidência da Corte processos relacionados ao Banco Master e a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).Presidente do STF, Edson FachinPresidente do STF, Edson Fachin

Na decisão, Fachin faz referência a despacho do ministro André Mendonça, também deste sábado, que remeteu a investigação contra Alexandre de Moraes (Petição 16.662) ao presidente do STF, com base no regimento interno do Supremo, que atribui ao plenário da Corte a responsabilidade por processar e julgar crimes cometidos pelos ministros da casa.

O presidente do Supremo também já havia suspendido qualquer procedimento sobre investigação de integrantes da Corte em decisão do dia 9 de setembro, e ordenado que qualquer caso fosse remetido a ele. Mendonça, então, cumpre essa determinação.

Na próxima terça-feira (15), uma sessão plenária extraordinária analisa a Pet 16.662 e decide sobre possível investigação a respeito de supostas relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Master e INSS

No documento, Fachin envia à Presidência as Pets 15.041 e 15.556 e “todos os processos a elas relacionados”. A primeira trata dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões concedidas pelo INSS. A outra é uma das investigações relacionadas ao Master.

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