Política

DITADURA MILITAR

Comissão da Verdade investigará crimes

Comissão da Verdade investigará crimes

AGÊNCIA SENADO

28/10/2011 - 00h01
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Em votação simbólica ontem (26), por unanimidade, o Plenário do Senado aprovou o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 88/2011, que cria a Comissão Nacional da Verdade. De acordo com a proposta, a comissão deverá examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período de 1946 até a data da promulgação da Constituição de 1988, com o objetivo de "garantir o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional". A matéria vai à sanção presidencial.

O relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), proferiu em Plenário parecer também em nome da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). A votação nessas duas comissões foi prejudicada pela aprovação, no dia anterior, de requerimento de urgência para votação da matéria diretamente em Plenário. A proposição foi aprovada na CCJ, também por unanimidade, no último dia 19.

Apesar do prazo elástico, o relator afirmou, na tribuna, que "a Comissão só vai se legitimar se mantiver seu foco nos crimes contra os direitos humanos cometidos durante período da ditadura de 1964", quando "a ação experimental de um grupo de energúmenos violentos acabou assumindo uma escalada, até se transformar em uma política de Estado de extermínio de adversários". O foco temporal, acrescentou, deverá ser o da vigência do Ato Institucional nº 5, entre 1968 e 1979, quando este foi revogado pela Lei da Anistia.

_ A comissão não vai produzir a verdade oficial. Há de trabalhar formulando as boas questões, exercendo o senso crítico, cotejando fontes, numa investigação isenta, objetiva, e não na interpretação, que é sempre sujeita ao anacronismo de quem olha o passado a luz de suas convicções presentes - afirmou Aloysio Nunes.

De acordo com o relator, além de mostrar a autoria de torturas, assassinatos, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres, ainda que tenham sido cometidos no exterior, a comissão terá "uma tarefa mais ampla: identificar e tornar público o funcionamento da estrutura repressiva montada no tempo da ditadura". Mas ele avisou que a comissão irá explorar "uma ferida que não vai se fechar nunca, qualquer que seja o resultado".

_ Ela não dará a última palavra sobre os fatos, porque muitos deles continuarão encobertos, não nos iludamos - afirmou.

Para o senador, o projeto "é ousado, corajoso", pois "cria um instrumento hábil para atingir sua finalidade, de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos cometidas de 1946 para cá".

A Comissão Nacional da Verdade terá prazo de dois anos, contados da data de sua instalação, para a conclusão dos trabalhos. Terá uma equipe e dotação orçamentárias próprias. Poderá pedir informações, dados e documentos de quaisquer órgãos e entidades do poder público, mesmo se classificados com o mais alto grau de sigilo. Poderá também determinar a realização de perícias e diligências para coleta ou recuperação de informações, documentos e dados.

Será composta por sete membros, designados pela Presidência da República, dentre brasileiros de reconhecida idoneidade e conduta ética, identificados com a defesa da democracia e com o respeito aos direitos humanos. Esses membros não poderão ter cargos executivos em agremiações partidárias ou cargo em comissão ou função de confiança em quaisquer esferas do poder público. Receberão remuneração mensal de R$ 11.179,36.

A sessão do Senado foi presenciada pela ministra da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário; e pelo relator da proposta na Câmara dos Deputados, deputado federal Edinho Araújo (PMDB-SP).

Apartes

O senador recebeu uma série de apartes em seu pronunciamento. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) disse que a melhor coisa para a proposição foi a designação de Aloysio Nunes para relatoria. Ele citou a morte do político Davi Capistrano, que teve o corpo esquartejado após morrer em uma sessão de tortura. Para Jarbas Vasconcelos, "a narrativa das atrocidades, por si só, vai contribuir muito para disseminar anticorpos no tecido social do Brasil".

O senador Armando Monteiro (PTB-PE) disse que a aprovação do projeto é "um momento memorável desta legislatura". O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) disse que voltava no passado, revivendo a luta pela redemocratização do país. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse que o Senado teve nesta quarta-feira uma sessão histórica. Ele deixou de apresentar emendas preparadas por seu partido, visando uma rápida aprovação a matéria.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) lembrou os momentos de dificuldade que Aloysio Nunes, que militou no movimento estudantil, viveu durante a ditadura e homenageou a todos que lutaram contra o regime militar. O senador Pedro Taques (PDT-MT) questionou se "existe paz sem justiça" e afirmou seu convencimento da necessidade de aprovação do projeto agora e sem emendas.

Os senadores Lúcia Vânia (PSDB-GO) e Wilson Santiago (PMDB-PB) elogiaram a forma como as discussões foram conduzidas pelo relator. Para os senadores petistas Jorge Viana (AC) e Eduardo Suplicy (SP), a construção conjunta do projeto - apresentado no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, relatado por um senador oposicionista e que deverá ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff - mostra que o interesse na matéria é suprapartidário.

- A Comissão da Verdade é, de fato, uma comissão do país. Ela é suprapartidária, vai do PSDB ao PT, de quem é governo a quem é oposição. O Senado é a casa que acolhe esse arranjo legítimo, que só acontece quando estamos vivendo a plenitude da democracia - afirmou Jorge Viana.

O senador Sérgio Souza (PMDB-PR) afirmou que a matéria poderia ter sido aprimorada se tivesse sido apreciada pelas outras duas comissões da Casa, cuja análise foi prejudicada pelo pedido de urgência para sua votação em Plenário. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) considerou que a forma de trabalho que deverá ser adotada pela comissão se assemelha ao que fez Nelson Mandela na África do Sul, sem outra motivação que não a busca da verdade.

O senador Wellington Dias (PT-PI) disse não ter dúvidas de que a presidente Dilma Rousseff terá "carinho e responsabilidade" na escolha dos integrantes da comissão. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que a criação da Comissão da Verdade é "um ato que ajuda a virar a página da História".

A senadora Ana Amélia (PP-RS) elogiou o relatório de Aloysio Nunes, que, para ela, foi feito com serenidade e racionalidade. O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) disse considerar que, com a aprovação do projeto, a democracia brasileira se consolidará ainda mais. O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) disse que o Brasil tem avançado em todas as dificuldades que tem enfrentado, principalmente na busca da cidadania para os brasileiros.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse esperar que "o Brasil possa conhecer essa página, ler essa página e virar essa página sem ódio e sem rancor". A senadora Lídice da Mata (PSB-BA), o Congresso está criando "um pilar que fortalece o estado de direito e a democracia no Brasil". Os senadores Walter Pinheiro (PT-BA) e Anibal Diniz (PT-AC) destacaram ainda a competência demonstrada por Aloysio Nunes na confecção do parecer.

ELEIÇÕES 2026

Riedel chega ao fim do mandato em alta e com chances de reeleição no 1º turno

O governador apresenta índices de aprovação de sua administração variando entre 65% e mais de 75%, conforme as pesquisas

18/04/2026 08h05

O governador Eduardo Riedel (PP), durante entrega de casas populares em Três Lagoas

O governador Eduardo Riedel (PP), durante entrega de casas populares em Três Lagoas Saul Schramm/Secom-MS

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O governador Eduardo Riedel (PP) chega ao fim do seu mandato com alto índice de aprovação popular, o que aumenta as chances de reeleição para um segundo mandato ainda no primeiro turno das eleições gerais deste ano.

A análise é do diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, que, a pedido do Correio do Estado, fez uma comparação do fim do primeiro mandato do atual governador com o do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL).

De acordo com Barbosa, na comparação de Riedel com Azambuja no fim de seu primeiro mandato, os dados indicam cenários distintos em momentos equivalentes dos ciclos políticos. 

“Enquanto Azambuja chegou ao fim do primeiro mandato com aprovação na faixa de 50%, Riedel apresenta índices significativamente superiores no meio de sua gestão, variando entre 65% e mais de 75%”, informou.

Além da aprovação mais elevada, conforme Aruaque Barbosa, Riedel também registra níveis mais baixos de rejeição – em torno de 15% a 20% em alguns levantamentos –, o que amplia sua base potencial de apoio. 

“Em termos eleitorais, a diferença é relevante: Azambuja enfrentou uma disputa equilibrada em 2018, vencendo o segundo turno por margem apertada, enquanto o cenário atual aponta maior vantagem estrutural do atual governador”, avaliou.

Apesar disso, o diretor do IPR pondera que aprovação de governo não se traduz automaticamente em votos. 

“O ambiente político é dinâmico e pode ser impactado por fatores econômicos, alianças e acontecimentos ao longo do período eleitoral”, alertou.

Ainda assim, a leitura dos indicadores sugere que, no momento, Riedel se encontra em posição mais confortável do que a de Azambuja em 2018, com menor risco eleitoral e maior margem de vantagem no seu projeto de reeleição.

A comparação entre os cenários eleitorais de Reinaldo Azambuja em 2018 e de Eduardo Riedel no fim do primeiro mandato aponta uma diferença clara de posicionamento político e eleitoral.

“Quando Azambuja chegou à disputa pela reeleição, em 2018, carregava uma aprovação considerada suficiente, mas limitada, na faixa de 50% a 55%. O índice refletia uma recuperação após um início de governo difícil, marcado por ajustes fiscais e desgaste político”, afirmou. 

Ainda assim, ele reforçou que o cenário era competitivo, pois a rejeição permanecia relativamente elevada e a disputa acabou sendo definida apenas no segundo turno, com vitória apertada do ex-governador. 

No caso de Riedel, o quadro é mais favorável. “O atual governador caminha para o fim do primeiro mandato com índices de aprovação significativamente maiores. Além disso, apresenta níveis mais baixos de rejeição, o que amplia sua margem de segurança eleitoral”, pontuou.

Na prática, conforme Aruaque Barbosa, isso significa que Riedel chega ao mesmo ponto do ciclo político – a reta final do primeiro mandato – com mais chances de reeleição do que Azambuja tinha em 2018. 

“Enquanto o ex-governador entrou na disputa em um cenário equilibrado e sujeito a riscos, o atual governador, até o momento, se posiciona em uma zona mais confortável, com vantagem nas intenções de voto e menor resistência do eleitorado”, assegurou.

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Anistia

Hugo Motta diz que espera que veto de Lula ao PL da Dosimetria seja derrubado

Caso isso ocorra, as penas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a outros réus condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 serão reduzidas

17/04/2026 21h00

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta Foto: Câmara dos Deputados

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta sexta-feira, 17, que espera que o Congresso Nacional derrube o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto conhecido como "PL da Dosimetria". Caso isso ocorra, as penas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a outros réus condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 serão reduzidas.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para o dia 30 deste mês a votação do veto. Para Hugo Motta, a proposta pode "distensionar" a relação entre os Poderes, especialmente entre o Legislativo e o Supremo Tribunal Federal (STF), ao permitir a revisão de punições consideradas "excessivas" pelos parlamentares.

"Nós concordamos com a mudança no nosso Código Penal para possibilitar que o próprio STF possa fazer a revisão das penas. Na minha avaliação, nós poderíamos já ter resolvido esse problema se não fosse o veto do presidente da República que será agora analisado pelo Congresso. Eu espero que esse veto venha a ser derrubado", afirmou Motta em entrevista à Globonews.

O projeto de lei da Dosimetria altera a forma como serão calculadas as penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Pelo texto, quando a tentativa de abolição do Estado Democrático e o crime de golpe de Estado forem praticados dentro do mesmo contexto, deixa de haver a soma das penas. Nessa situação, passa a prevalecer apenas a punição mais severa.

A proposta tem como eixo central a revisão da dosimetria penal, com mudanças nos patamares mínimo e máximo previstos para cada tipo penal e na metodologia geral de cálculo das penas. O texto também encurta os prazos para a progressão do regime de cumprimento da pena, facilitando a passagem do regime fechado para o semiaberto ou aberto.

Para Motta, o tema se prolongou além do necessário e dominou o debate político ao longo de 2025, especialmente em torno da discussão sobre anistia aos condenados por golpe de Estado e pelo 8 de janeiro, que acabou não avançando no Congresso.

Caso o veto ao PL da Dosimetria seja derrubado, Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, teria a pena reduzida para 20 anos, com diminuição do tempo de regime fechado para dois anos e quatro meses. O texto foi aprovado pelo Congresso, mas em 8 de janeiro deste ano, três anos após os atos de vandalismo em Brasília, Lula assinou um veto integral ao projeto

Segundo um parecer formulado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, a medida beneficiaria Jair Bolsonaro e os demais condenados pelo 8 de janeiro, mas ao mesmo tempo, reduziria o tempo de cadeia de presos condenados por crimes hediondos, como tráfico de drogas, estupro e feminicídio.

O parecer conclui que a derrubada do veto manteria as regras atuais para crimes menos graves, mas tornaria mais rápida a progressão de regime para condenados por tráfico, estupro, homicídio qualificado e feminicídio, além de líderes de organizações criminosas e milícias. Na prática, a queda do veto reverteria o endurecimento das penas promovido pela "Lei Antifacção".

Como mostrou o Estadão, caso o veto seja derrubado, o projeto da dosimetria poderia beneficiar, junto com Bolsonaro, bandidos como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e André de Oliveira Macedo, o André do Rap. Isso porque ele reduz o tempo que esse tipo de criminoso deve permanecer na cadeia, em regime fechado, antes de passar para o regime semiaberto.

 

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