Política

Campo Grande

Confronto foi o caminho escolhido para resolver IPTU, diz Papy

Vereadores votam derrubada sobre o aumento do imposto predial em sessão extraordinária nesta segunda

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Após reunião privada junto ao conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) Osmar Jeronymo na tarde desta segunda-feira (12), o presidente da Câmara dos Vereadores Papy (PSDB) disse que confronto direto com a Prefeitura Municipal foi o caminho escolhido para resolver o imbróglio sobre o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) na Capital. 

Apesar de reconhecer às justificativas postas pela prefeita Adriane Lopes (PP) sobre o aumento provisionado para 2026, o líder do legislativo destacou que essa medida deveria ser comunicada previamente pela administração municipal à população, e não ocorrer no "apagar das luzes", como fez a administração municipal. 

"A sociedade precisa arrecadar mais, e isso é uma tarefa difícil de se fazer, haja vista que os serviços públicos têm sido deficitários em várias frentes, e ela (prefeita) precisa comunicar isso desde janeiro. Ir mostrando as dificuldades financeiras. Onde que foi colocado que a cidade precisa de R$ 130 milhões, R$ 140 milhões para custear o lixo? Aí entre o meio de dezembro e janeiro estamos falando desse assunto", disse em coletiva. 

A reunião com o conselheiro antecede a sessão extraordinária que pretende derrubar o aumento do IPTU deste ano. O encontro parlamentar será transmitido nas redes sociais da Câmara no Youtube às 20h desta segunda-feira, e ocorre em meio a forte reação popular contra os reajustes, especialmente da taxa de lixo.

Conforme apurado pela reportagem, a reunião deve tratar as cobranças que excedem os  5,32%, previsos sobre a inflação. 

"A gente vai para uma sessão extraordinária, e acaba tendo um choque (com a prefeitura) em vários sentidos, não é comum acontecer, mas é o caminho que nós escolhemos, dentro daquilo que tínhamos como possibilidade para a solução dos problemas", falou. 

Conforme Papy, se a população campo-grandense tivesse maior compreensão sobre os aumentos, os acréscimos da Prefeitura seriam mais compreendidos. "Se você gasta comunicação com isso, ir dialogando com os poderes, especialmente com a Câmara, você desmistifica muitas coisas. De forma abrupta, como foram construídos esses aumentos, vai contrário àquilo que a Câmara tem com premissa em defender as pessoas", declarou. 

Reunião

A alta dos valores está ligada à implantação do Programa de Sustentabilidade Econômica dos Imóveis (PSEI), aprovado pela Câmara Municipal no segundo semestre do ano passado.

Apesar do consentimento à época, Papy disse que o programa não obteve o prazo de 90 dias "na
apresentação dos aumentos". "Quando você altera o PSEI para aumento de tributo, precisa passar pela Casa (Câmara), esse é um ponto". 

No mesmo modo, o líder do legislativo destacou que outra incoerência da prefeitura foi repassar os cálculos sobre o IPTU aos  como foi feita aos fiscais de arrecadação, e não dos auditores de urbanismo do município, que classificou como correto. 

"Na avaliação da maioria do corpo jurídico, não só da Câmara, mas a avaliação da OAB
e de outros membros do campo jurídico, o funcionário correto, o servidor correto para analisar potencial construtivo e perfil socioeconômico seriam os auditores do urbanismo e não da tributação", disse. 

Relembre

Depois de a Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) cobrar explicações da prefeitura, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) passou a exigir esclarecimentos formais sobre os critérios adotados no reajuste do imposto e da taxa de coleta de lixo.

Em ofício encaminhado ao Executivo municipal na última semana, o conselheiro Osmar Jeronymo determinou que a administração apresentasse, no prazo de cinco dias úteis, uma série de informações técnicas e legais que embasaram o reajuste aplicado ao IPTU de 2026.

O Tribunal vislumbrava saber qual à base legal utilizada pelo município e quais índices e parâmetros técnicos foram considerados para os aumentos. Além disso, saber se houve atualização da Planta Genérica de Valores (PGV) ou de outros instrumentos de avaliação imobiliária e qual o impacto estimado do aumento na arrecadação do Município.

A Corte também exigiu explicações específicas sobre os critérios e valores definidos para a cobrança da taxa de coleta de lixo, que passou a pesar no bolso dos contribuintes após a aplicação do novo modelo de cálculo.

A tributação e avaliação dos imóveis impactam diretamente a arrecadação municipal e o valor pago pelos contribuintes.

Na prática, isso resultou no aumento da base de cálculo do IPTU e fez com que moradores de diferentes regiões da cidade recebessem carnês com reajustes que, em alguns casos, chegaram a até 400%.

A mudança impactou a taxa de coleta de lixo. Em audiência pública realizada na Câmara, representantes do Município afirmaram que o reajuste da taxa é necessário para cobrir pagamentos de serviços prestados pela concessionária Solurb, incluindo valores atrasados e atuais, que somariam até R$ 160 milhões.

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Sensível

'Sicário' de Vorcaro tentou se matar na sede da PF em Minas

Alerta: a reportagem abaixo trata de temas sensíveis como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao fim do texto onde buscar ajuda.

04/03/2026 19h00

Divulgação

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Preso nesta quarta-feira, 4, pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário" de Daniel Vorcaro, tentou se suicidar enquanto estava sob custódia dos federais na Superintendência Regional do órgão em Minas Gerais. A informação foi divulgada pela própria corporação, que não detalhou como "Sicário" tentou tirar a própria vida.

"Ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local, e o custodiado será encaminhado a rede hospitalar para avaliação e para atendimento médico", disse a PF em nota.

Do latim "Sicarius", homem da adaga, o apelido "Sicário" não era apenas simbólico para Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses de Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo o relatório, Vorcaro teria solicitado a "Sicário" que o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, fosse agredido e tivesse "todos os dentes quebrados" em um assalto forjado.

Nesta quarta, no momento da prisão de Vorcaro, o banqueiro afirmou que jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que as mensagens atribuídas a ele foram retiradas de contexto. (Leia a íntegra abaixo.)

De acordo com a PF, o "Sicário" teria acessado indevidamente sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol, para monitorar adversários e desafetos do banqueiro.

Para os investigadores, mensagens interceptadas indicam que Vorcaro acionava Luiz Phillipi para monitorar e intimidar funcionários que se opunham às suas ordens e vontades.

Em um dos diálogos, o banqueiro relata que estaria sendo ameaçado por uma funcionária e ordenou que Sicário "moesse essa vagabunda".

Em outro bate-papo no WhatsApp, Mourão se oferece para mobilizar "A Turma", estrutura usada para coleta de informações, a fim de constranger um empregado que teria feito uma gravação indesejada de Vorcaro.

As conversas incluem ainda troca de dados pessoais e pedidos para "levantar tudo" sobre dois funcionários, incluindo um chef de cozinha.

Para a Polícia Federal, há fortes indícios de que Mourão recebia R$ 1 milhão de Daniel Vorcaro por intermédio do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, que se apresentou aos federais nesta quarta após não ser localizado nos endereços alvo de busca.

Nas mensagens de WhatsApp trocadas entre "Sicário" e Vorcaro, o operador pede que Zettel deposite o dinheiro prometido.

"Bom dia. O Fabiano não mandou este mês e 'A Turma' está perguntando. Dá uma olhada com ele por favor. Obrigado", disse "Sicário".

Ao ser indagado por Vorcaro sobre os dados para o pagamento e sobre o valor exato, Mourão respondeu: "Ele (Zettel) manda o mensal e eu divido entre a turma. Mando pra eles. 400 divido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada, o meu. O DCM e mais dois editores. É este o mensal. Ele manda 1 e quando você manda bônus eu divido entre os meninos e a turma", explicou "Sicário".

Em outro diálogo, dessa vez entre Ana Cláudia - funcionária do banqueiro - e Vorcaro, a secretária pergunta:

"Vai ser 1 mm como normalmente?"

"Sim."

Em seguida, Ana Cláudia faz a transferência bancária e junta o comprovante de pagamento de R$ 1 milhão na conta indicada por Mourão.

As investigações indicam que Vorcaro "manteve relação contratual com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, responsável pela coordenação de atividades voltadas à obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo".

"Nesse contexto, foram identificadas tratativas relativas à execução dessas atividades e à mobilização de equipes responsáveis pela extração e coleta dos dados de interesse do grupo criminoso", diz o relatório da Polícia Federal.

Sobre a tentativa de suicídio de "Sicário", a Polícia Federal informou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, e entregará os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido.

A corporação afirmou que será aberto "procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do fato".

NOTA DA REDAÇÃO: Suicídios são um problema de saúde pública. Antes, o Estadão, assim como boa parte da mídia profissional, evitava publicar reportagens sobre o tema pelo receio de que isso servisse de incentivo. Mas, diante da alta de mortes e tentativas de suicídio nos últimos anos, inclusive de crianças e adolescentes, o Estadão passa a discutir mais o assunto. Segundo especialistas, é preciso colocar a pauta em debate, mas de modo cuidadoso, para auxiliar na prevenção. O trabalho jornalístico sobre suicídios pode oferecer esperança a pessoas em risco, assim como para suas famílias, além de reduzir estigmas e inspirar diálogos abertos e positivos. O Estadão segue as recomendações de manuais e especialistas ao relatar os casos e as explicações para o fenômeno.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE DANIEL VORCARO

A assessoria de imprensa de Daniel Vorcaro esclarece que o empresário informou, no momento de sua prisão, que jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto.

Afirmou textualmente que "sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência."

Vorcaro segue colaborando com as autoridades competentes e confia que a análise completa das informações esclarecerá definitivamente as interpretações equivocadas que vêm sendo divulgadas.
 

Aliança

Flávio Bolsonaro diz que "unidade está mantida" com Riedel e Azambuja em MS

Senador se reuniu com governador e ex-governador de MS em Brasília e reafirmou aliança entre o trio

04/03/2026 17h34

Flávio Bolsonaro se reuniu com Azambuja e Riedel em Brasília

Flávio Bolsonaro se reuniu com Azambuja e Riedel em Brasília Foto: Reprodução

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu nesta quarta-feira (4) com o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), com o ex-governador Reinaldo Azambuja e com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto e afirmou que a unidade "está mantida", reforçando a aliança entre o grupo. O encontro aconteceu em Brasília.

Recentemente, uma carta divulgada pela ex-primeira-dama, Michele Bolsonaro, supostamente escrita à mão pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, poderia causar reviravolta nas candidaturas ao Senado do PL em MS, ao afirmar que o candidato dele ao Senado seria o deputado Marcos Pollon.

A publicação ocorreu após o vazamento de anotações de Flávio Bolsonaro indicando Capitão Contar e Reinaldo Azambuja como os escolhidos para disputar o cargo de senador pelo Partido Liberal no Estado.

Na reunião de hoje, Flávio Bolsonaro reafirmou que a aliança é com Azambuja e Riedel. Pollon não participou do encontro.

"Grande honra estar aqui com esse quadro dentro do PL tão qualificado, presidente Valdemar, governador Riedel, Reinaldo Azambuja, Rogério Marinho, eu estou muito feliz nesse momento porque a cada dia que passa a gente vai conversando sobre a nossa estratégia nacional e tenho certeza que no Mato Grosso do Sul essa unidade aqui está mantida, eu confio muito nos quatro, no governador que faz um trabalho excepcional no Mato Grosso do Sul, no Azambuja que é um craque que está aqui para reforçar o nosso time, o presidente do partido", disse.

"Eu quero falar a todos vocês, estamos muito confiantes que Mato Grosso do Sul vai ser um estado que vai nos ajudar muito na reconstrução, na retomada do nosso Brasil, com um time unido, pronto para o combate. A gente não vai titubar, vamos estar aqui juntos, unidos, porque Mato Grosso do Sul não tem espaço para a esquerda", concluiu Bolsonaro.

O ex-governador Reinaldo Azambuja já havia dito ao Correio do Estado que, mesmo com a carta do ex-presidente apontando Pollon como seu pré-candidato, os nomes dos dois candidatos a senadores serão definidos na convenção de julho.

Azambuja argumentou que os escolhidos serão aqueles com mais viabilidade política para ganhar a eleição.

“Ter o apoio do presidente Bolsonaro é muito bom, mas precisa ter resultado, ter votos e, portanto, só em julho sairá a definição dos candidatos do PL ao Senado Federal no Estado”, avisou, lembrando que os nomes de Pollon e da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, continuam no páreo, assim como os dele e do ex-deputado estadual Capitão Contar.

Carta

A carta atribuída a Bolsonaro foi divulgada pela ex-primeira-dama no dia 28 de fevereiro, nas redes sociais.

"A pedido dele, faço esta postagem sobre os últimos acontecimentos. Sempre tive um carinho e respeito muito especiais pela família do meu amigo Marcos Pollon. Sua esposa, Nay, @naiane_bittencourt24 é uma mulher cristã, íntegra e dedicada, que esteve ao meu lado na construção do PL Mulher, um trabalho sério e muito bem organizado. Sou grata por conhecer essa família de perto e testemunhar seus valores. O Deputado Marcos Pollon é o nosso candidato ao Senado Federal por Mato Grosso do Sul", disse a ex-primeira-dama na publicação.

Flávio Bolsonaro se reuniu com Azambuja e Riedel em Brasília

Movimentação

No final de janeiro, o Correio do Estado já havia noticiado a movimentação dos grupos de extrema direita de Mato Grosso do Sul, indicando a tendência do “voto casado” na eleição para o Senado. Nesse cenário, a aposta seria nos candidatos Capitão Contar (PL) e Marcos Pollon (PL), classificados como dois “puros-sangue” dessa ala considerada mais radical, mas que tem demonstrado bom desempenho nas duas últimas eleições gerais, em 2018 e 2022.

A articulação entre Pollon e Contar estaria sendo feita via Brasília e até fora do País, e passa por políticos influentes no campo da extrema-direita, como o deputado federal do Novo pelo Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem, e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está há quase um ano nos Estados Unidos.

O Correio do Estado apurou que a possibilidade já foi tratada entre os dois possíveis candidatos ao Senado e também com outros dois caciques da extrema-direita.

Pollon teria sido orientado por Eduardo Bolsonaro – seu padrinho político – a apostar na candidatura ao Senado e deixar de lado uma possível disputa ao governo. O deputado federal, de fato, tem feito menos movimentos nessa possível pré-candidatura pelo Novo, partido que pretende se filiar em março, deixando espaço aberto para outros nomes que devem se juntar ao grupo, como o deputado estadual João Henrique Catan, que, assim como Pollon, tem encontrado portas fechadas no PL e deve mudar de legenda, e o empresário Jaime Valler.

Já Capitão Contar é pré-candidato ao Senado pelo PL em MS, assim como o ex-governador do Estado Reinaldo Azambuja, que no ano passado assumiu o comando regional da sigla.

Tanto Contar quanto Azambuja têm a “bênção” do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para disputar o Senado pelo partido.

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