Alvo da Operação Tempus Veritatis, deflagrada na manhã de hoje (8), pela Polícia Federal, captou troca de mensagens entre o tenente-coronel do Exército Sérgio Ricardo Cavaliére de Medeiros, de Mato Grosso do Sul com o então ajudante de ordens de de Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, em outubro de 2022.
Durante a troca de mensagens via aplicativo, o tenente-coronel do Exército temia a fragilidade da acusação de fraude nas urnas perpetrada pelos extremistas de direita para pavimentar um golpe de estado no Brasil.
Divulgação/ PF Conforme informações da Polícia Federal, o ex-presidente do país, Jair Messias Bolsonaro dividiu os aliados para golpe de estado em seis núcleos. O Major de Mato Grosso do Sul, integrava o 'Núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral'.
Conforme o documento oficial de investigação, o coronel de MS nas conversas de WhatsApp, está nomeado como “Cavalo”. Ressabiado, ele acende o alerta com Mauro Cid.
“Espero, sinceramente, que vocês saibam o que estão fazendo. Já o ajudante de ordens de Bolsonaro, Cid responde: “Eu também... senão eu estou preso (sic)”.
Logo mais abaixo, o coronel de Mato Grosso do Sul pergunta sobre o resultado das urnas.
Divulgação/ PF
De acordo com as investigações, as conversas aconteceram no dia 4 de outubro de 2022, após o fechamento das urnas, no primeiro turno das eleições daquele ano.
A reportagem do Correio do Estado buscou contato com o Comando Militar do Oeste (CMO), que em nota, informou que Sérgio Ricardo Cavaliere não faz mais parte e não está vinculado ao comando em Mato Grosso do Sul.
Operação Tempus Veritatis
Agentes da Polícia Federal estiveram nas ruas na manhã de hoje (8), cumprindo 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva. Também foram cumpridos medidas cautelares, como proibição de contatos entre os investigados, retenção de passaportes e de cargos públicos.
Além de Mato Grosso do Sul, os policiais federal cumpriram mandados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Paraná, Goiás e Distrito Federal. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
As ordens foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que determinou que Jair Messias Bolsonaro entregue o passaporte e não fala com os investigados
Ainda na manhã de hoje, a PF encontrou um documento no escritório do ex-presidente na sede do PL, em Brasília.
Alvos da operação
Os mandados de prisão foram enviados para:
- Filipe Martins, ex-assessor especial de Bolsonaro;
- Marcelo Câmara, coronel do Exército citado em investigações como a dos presentes oficiais vendidos pela gestão Bolsonaro e a das supostas fraudes nos cartões de vacina da família Bolsonaro;
- Rafael Martins, major das Forças Especiais do Exército;
- Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel do Exército.
Ainda de acordo com a apuração da GloboNews, há também buscas contra:
- Valdemar Costa Neto, presidente do PL – partido pelo qual Bolsonaro disputou a reeleição;
- Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro em 2022;
- Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
- general Paulo Sérgio Nogueira, ex-comandante do Exército;
- almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante-geral da Marinha;
- general Stevan Teófilo Gaspar de Oliveira, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército;
- Tércio Arnaud Thomaz, ex-assessor de Bolsonaro e considerado um dos pilares do chamado "gabinete do ódio".
A operação foi chamada pela Polícia Federal de "Tempus Veritatis" – "hora da verdade", em latim.
Fonte: IPR/Correio do Estado 



