A direita de Mato Grosso do Sul saiu das urnas neste domingo (4) com o governo, as duas vagas do Senado e sete das oito cadeiras do estado na Câmara dos Deputados. O resultado, porém, não veio de um voto único de cima a baixo na cédula.
Os números são próximos. Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador com 914 mil votos. Reinaldo Azambuja (PL) chegou ao Senado com 904 mil, e Capitão Contar (PL), com 856 mil. Flávio Bolsonaro (PL) teve 873 mil para presidente no estado.
A distribuição desses votos pelo território conta outra história. Nos 79 municípios, o desempenho de Flávio praticamente repete o de Contar: onde um foi bem, o outro também foi. O mesmo ocorre entre Riedel e Azambuja.
Entre os dois pares, a semelhança é fraca. Cidades que deram votação alta a Riedel não foram, necessariamente, as que mais votaram em Flávio. O mesmo vale para Azambuja e Contar, embora estejam no mesmo partido e tenham sido eleitos juntos.
Lula e Riedel na mesma urna
O sinal mais claro de voto dividido está nos seis municípios em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou à frente de Flávio: Japorã, Tacuru, Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Paranhos e Vicentina.
Em todos eles, Riedel venceu com folga, com 64% a 80% dos votos. Em Japorã, Lula teve 67% e o governador, 80%.
No estado, Riedel superou a votação de Flávio em 76 dos 79 municípios. Na média das cidades, a vantagem do governador sobre o candidato do PL foi de 13 pontos percentuais.
Do outro lado, a esquerda encolheu em várias urnas. Lula teve 517 mil votos em Mato Grosso do Sul. Fábio Trad (PT), candidato ao governo, ficou com 323 mil. Quase 200 mil eleitores do presidente não repetiram o voto no nome do partido para o Palácio.
Na disputa para a Câmara, o voto nas chapas de direita acompanhou mais o mapa de Riedel e Azambuja do que o de Flávio e Contar.
Somados, PL, PP, União Brasil, Republicanos e PSDB tiveram 1,11 milhão de votos para deputado federal, 78% do total de votos dos sul-mato-grossenses. Há quatro anos, as mesmas siglas haviam feito 799 mil, o equivalente a 59%.
Para a Assembleia, o grupo ficou com cerca de 72% dos votos. Nesse caso, o resultado não segue nenhum dos candidatos de cima da cédula, o que indica uma escolha mais ligada a nomes locais.
PL, berço do azambujismo
A troca de sigla do ex-governador e senador eleito Reinaldo Azambuja trouxe efeito meramente de nomenclatura e de viés político, refletindo a politizacao atual brasileira. Deixou o partido da social democracia, fundado por intelectuais oriundos do PMDB e outras siglas no final dos anos 1980, e foi para o PL, uma agremiação por anos do Centrão brasileiro e que hoje abriga a família Bolsonaro, ícone da extrema direita.
O PSDB, que liderava a disputa para a Câmara em 2022 com 317 mil votos e três deputados, despencou para 98 mil e ficou sem nenhum.
O PL fez o caminho inverso. Passou de 197 mil para 460 mil votos e elegeu Marcos Pollon, Mara Caseiro e Rodolfo Nogueira.
A legenda dele teve 143 mil votos a mais do que tinha quatro anos atrás, mas o número de cadeiras ficou igual: três.
Tucanos se espalham
Os três deputados federais eleitos pelo PSDB em 2022 disputaram por outros partidos. Beto Pereira foi para o Republicanos e se reelegeu com 77,485 mil votos. Dagoberto Nogueira migrou para o PP e voltou à Câmara com 56 mil. Geraldo Resende, no União Brasil, caiu de 97 mil para 32 mil e ficou como suplente.
O Republicanos saiu de 75 mil votos e nenhuma cadeira para 257 mil e duas. Além de Beto Pereira, elegeu Isa Marcondes, com 76,956 mil votos. Na federação com o PP, o União Brasil elegeu Rose Modesto, com 124 mil.
Por que o PT perdeu a vaga
A federação do PT com PC do B e PV cresceu de 205 mil para 249 mil votos, mas elegeu apenas Camila Jara. Em 2022, havia feito dois deputados.
O “preço” da última cadeira subiu. Naquele ano, ela saiu por uma média de 98 mil votos. Agora, custou 128 mil. A federação chegou a 125 mil e ficou de fora por cerca de 7.300 votos.
Pesou também a concentração. Camila Jara recebeu 154 mil votos, 62% do total da chapa. O segundo nome, Marquinhos Trad (PV), teve 31,4 mil, abaixo dos 35,5 mil exigidos para disputar a sobra.


