Política

ASSÉDIO ELEITORAL

Empresário que tentou obrigar 90 funcionários a votar em Bolsonaro é multado em R$ 100 mil

De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a empresa está localizada em Campo Grande e atua no ramo de energia; o empresário ainda terá que se retratar

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O empresário João Roberto Saueia Marques, proprietário da empresa JRSM Consultoria e Prestação de Serviços Elétricos Ltda., com sede no município de Campo Grande, vai ter que desembolsar R$ 100 mil em indenização por assédio eleitoral.

Após atuação do Ministério Público do Trabalho (MPT), o empresário firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). Com a assinatura, o empresário se obriga a não adotar quaisquer condutas que, por meio de assédio moral, discriminação, violação da intimidade ou abuso de poder diretivo, intentem coagir, intimidar, admoestar e influenciar o voto de quaisquer de seus empregados nas eleições para todos os cargos, que ocorrerão no próximo domingo, dia 30 de outubro.

De acordo com o MPT, o empresário tentou intimidar seus colaboradores impondo a obrigação de votar em Bolsonaro. Além da multa de R$ 100 mil, João Roberto Saueia Marques terá que se retratar – diante de todos os seus colaboradores – nas próximas 24 horas.

A assinatura do TAC é resultado de inquérito civil instaurado pelo procurador do Trabalho Paulo Douglas Almeida de Moraes, que constatou prática ilícita após receber denúncias anônimas relatando que o empresário promoveu, no último dia 24 de outubro, uma reunião com a presença de aproximadamente 90 funcionários, quando discursou sobre suas convicções políticas e teria coagido, inclusive com ameaças de demissão em massa, seus trabalhadores a votarem em Bolsonaro para presidente da República.

O TAC também prevê, expressamente, que a empresa deverá se abster de utilizar, em bens móveis e demais instrumentos laborais de seus empregados, propaganda ou imagens com referências político-partidárias, assim como não poderá obrigar, exigir, impor, induzir ou pressionar trabalhadores para a realização de qualquer atividade ou manifestação política em favor ou desfavor de qualquer candidato ou partido político.

Esses impedimentos vinculam todas as unidades do estabelecimento comercial, incluindo sede e filiais, bem como as demais empresas integrantes do mesmo grupo econômico.

O empresário ainda se comprometeu a divulgar, no prazo de até 24 horas e em todos os canais de comunicação de acesso aos públicos interno e externo da empresa, aviso em que declara “o direito de seus empregados livremente escolherem seus candidatos nas eleições, independentemente do partido ou ideologia política, garantindo a todos os seus funcionários que não serão adotadas medidas de caráter retaliatório, como a perda de empregos, caso votem em candidatos diversos daqueles que sejam da preferência do(s) proprietário(s) da empresa, tampouco será realizada campanha pró ou contra determinado candidato, coagindo, intimidando, admoestando e/ou influenciando o voto dos empregados com abuso de poder diretivo”.

Além dessas obrigações, a empresa que atua no ramo de energia deverá conceder garantia provisória no emprego aos atuais trabalhadores, pelo prazo de seis meses, ressalvadas algumas hipóteses fixadas no documento.

O descumprimento dos termos do acordo extrajudicial sujeita a empresa à aplicação de multa no valor de R$ 10 mil, por cláusula e por trabalhador lesado, reversível ao Fundo Estadual de Defesa de Interesses Difusos (FID) ou a órgãos e entidades públicos ou privados, sem finalidade lucrativa, de promoção de direitos sociais relacionados direta ou indiretamente ao trabalho, priorizando o local do dano.

Indenização

Devido à ocorrência de dano moral coletivo, o empregador se comprometeu a efetuar o pagamento do montante de R$ 100 mil, valor que deverá beneficiar entidade pública ou privada, sem fins lucrativos, indicada pelo Ministério Público do Trabalho.

Denúncias

Até esta quinta-feira, 27 de outubro, o Ministério Público do Trabalho recebeu no Brasil 1.850 denúncias em face de 1.440 empresas, noticiando casos de assédio eleitoral no trabalho e tentativas de coagir o voto de empregados.

Em Mato Grosso do Sul, a instituição já contabilizou 20 denúncias, das quais oito foram convertidas em inquérito civil público, sendo firmados três Termos de Ajustamento de Conduta com o objetivo de corrigir irregularidades trabalhistas.

Qualquer pessoa que presenciar direta ou indiretamente episódios capazes de configurar assédio ou coação eleitoral, em um ambiente de trabalho, deve denunciar imediatamente ao MPT-MS. Para isso, basta acessar o link prt24.mpt.mp.br/servicos/denuncias ou baixar o aplicativo MPT Pardal, disponível nos sistemas Android e IOS. O serviço on-line de denúncias funciona 24 horas.

racha na direita

Caiado eleva o tom e diz que candidatura de Flávio está 'afundando'

"O barco está afundando e os aliados já começaram a pular fora!", escreveu Caiado no X depois de a federação entre PP e União Brasil recuar do apoio à candidatura de Flávio

11/07/2026 07h34

Pré-candidado pelo PSD, Ronaldo Caiado tenta conquistar eleitores que até aqui preferem Flávio Bolsonaro

Pré-candidado pelo PSD, Ronaldo Caiado tenta conquistar eleitores que até aqui preferem Flávio Bolsonaro

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Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência, comentou nesta sexta-feira, 10, sobre o enfraquecimento político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). "O barco está afundando e os aliados já começaram a pular fora!", escreveu Caiado no X, ao compartilhar reportagem do G1 sobre a decisão da federação entre PP e União Brasil de recuar do apoio à candidatura de Flávio.

A federação entre PP e União Brasil deve adotar neutralidade na disputa presidencial, liberando diretórios estaduais para negociar alianças conforme interesses regionais. A orientação ganhou força após desgastes entre Flávio e dirigentes, incluindo a insatisfação de Ciro Nogueira (PP) com a ausência de apoio público do senador durante investigação sobre o Banco Master, e o desconforto do União Brasil após a prisão do aliado Márcio Canella no Rio.

Caiado endureceu às críticas ao adversário nos últimos dias. Ainda na manhã desta sexta-feira, afirmou que Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são "farinha do mesmo saco".

"Quando o assunto é tarifaço, Lula não faz nada porque quer se beneficiar com a briga e Flávio Bolsonaro só pensa na própria eleição. Os interesses do Brasil não podem ficar em segundo plano!", afirmou Caiado em outra publicação do X.

Na quinta-feira, 9, Caiado disse que a disputa entre os nomes de Flávio e Lula configura uma "candidatura dos rejeitados", em referência aos altos índices de rejeição de ambos. Ele questionou se a eleição de 2026 se resume a um "jogo de revanche" entre bolsonaristas e petistas.

Na quarta-feira, 8, após o evento "Agenda dos Presidenciáveis", Caiado já havia dito que um voto em Flávio equivale a um voto pela reeleição de Lula. "Diante do cenário atual, muitos não querem confessar, mas se você votar no Flávio vai reeleger o Lula", afirmou.

0 pré-candidato também classificou de "inaceitável" o pedido do senador ao governo dos Estados Unidos para adiar para depois das eleições brasileiras a cobrança de tarifas de 25% sobre produtos do País.

Política

Flávio Bolsonaro defende Valdemar Costa Neto e critica atuação 'de forma seletiva' da PF

Valdemar teve R$ 119 milhões de bens bloqueados por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino

10/07/2026 22h00

Flávio Bolsonaro concorrerá à presidência do Brasil este ano

Flávio Bolsonaro concorrerá à presidência do Brasil este ano Divulgação

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O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e disse que a Polícia Federal vem "atuando de forma seletiva". A declaração foi publicada em rede social nesta sexta-feira, 10.

Valdemar teve R$ 119 milhões de bens bloqueados por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.

Segundo a investigação da Polícia Federal, o dirigente teria utilizado servidores da Câmara dos Deputados para direcionar a ele mesmo recursos herdados do orçamento secreto - caso revelado pelo Estadão em maio de 2021. Para Flávio, a atuação de Valdemar, que não tem mandato como deputado ou senador, é "natural".

"Tenho certeza que o presidente Valdemar saberá dar todas as respostas aos pontos levantados. Como presidente do maior partido do Brasil, é natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, em especial os do próprio PL. Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo. A Polícia Federal, que diz não ter efetivo, nem recursos para investigar as denúncias contra Lulinha, filho do presidente Lula, mais uma vez mobiliza recursos para atacar adversários do presidente. Essa perseguição precisa parar", escreveu.

A investigação da Polícia Federal na Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, aponta que Valdemar "contava com autonomia para direcionar recursos de emendas conforme sua cota pessoal e particular, atribuída a partir de sua condição de presidente da sigla".

O direcionamento das emendas, segundo a PF, era operado por Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Ela trabalhou no gabinete de Lira entre março de 2021 e o início de 2025, quando passou a atuar na liderança do Progressistas (PP) na Casa, partido do ex-presidente da Câmara.

Principal alvo da Operação Transparência, Mariângela Fialek teve seu aparelho celular analisado pela Polícia Federal, que constatou um "arranjo decisório paralelo" para a destinação de verbas públicas, no qual Valdemar aparece como responsável pela definição e pelo remanejamento de emendas.

Os advogados de Valdemar, Marcelo Bessa e Thiago Fleury, afirmaram que a decisão de Dino se baseia em "premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária", e que é "natural e legítima" a atuação do presidente do PL junto à bancada do partido.

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