Política

Tecnologia

Entenda regras do TSE para uso de inteligência artificial nas eleições

Professor acredita que haverá muita judicialização no pleito

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou na última terça-feira (27) as 12 resoluções eleitorais com as regras finais para a eleição municipal de outubro. O passo é obrigatório e deve ser realizado até 5 de março, no ano do pleito.

Por meio desses normativos, os ministros do TSE buscam adaptar o processo eleitoral às mudanças na realidade, embora sempre limitados ao que prevê a legislação eleitoral e a Constituição.

Com os avanços tecnológicos cada vez mais rápidos, neste ano foram alvo de preocupação temas que na eleição anterior sequer estavam no radar. Um exemplo é a inteligência artificial (IA) e seu potencial de turbinar problemas já de difícil controle, como as notícias falsas e a desinformação sobre o processo eleitoral.

Diante da inércia do Congresso em regulamentar o tema, a Justiça Eleitoral decidiu colocar balizas ao uso da IA nas eleições, de modo a tentar proteger a decisão bem informada do eleitor.

As medidas foram bem recebidas pela comunidade jurídica, que viu na iniciativa uma tentativa de adequar o tempo mais lento da criação de normas à velocidade acelerada das atualizações tecnológicas.

"É uma corrida contínua, onde a tecnologia, os métodos de manipulação, evoluem exponencialmente, então as estratégias de defesa devem ser igualmente dinâmicas", ressalta o advogado Alexander Coelho, especialista em direito digital e proteção de dados.

Há dúvidas sobre a eficácia das regras ante manipulações cada vez mais realistas, mas a avaliação é que, uma vez havendo normas, fica mais fácil outros atores sociais auxiliarem a Justiça Eleitoral na fiscalização das campanhas.

"Muitos casos vão chegar à Justiça por meio dos advogados dos candidatos e partidos", aposta o professor e advogado Renato Ribeiro de Almeida, coordenador acadêmico da Associação Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep). "Com certeza teremos eleições muito judicializadas, seguindo a tendência de pleitos anteriores", acrescenta.

Confira abaixo as regras aprovadas pelo TSE sobre o uso de inteligência artificial nas eleições: 

  • Exigência de rótulos de identificação de conteúdo multimídia fabricado qualquer material visual feito por meio de inteligência artificial deverá trazer o aviso explícito sobre o uso da tecnologia;
  • Restrição ao uso de chatbots e avatares para intermediar a comunicação da campanha fica proibido simular conversas com o candidato ou outro avatar que aparente ser uma pessoa real; 
  • Vedação absoluta, seja contra ou a favor de candidato, do uso de deep fake conteúdo fabricado em formato de áudio, vídeo ou combinação de ambos e que tenha sido gerado ou manipulado digitalmente para criar, substituir ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia; 
  • Paralelamente, os provedores de aplicações na internet (redes sociais e aplicativos de mensagem, por exemplo) ficam obrigados a retirar do ar, sem a necessidade de ordem judicial, contas e materiais que promovam condutas e atos antidemocráticos e também discursos de ódio, como racismo, homofobia, fascismo e qualquer tipo de preconceito.

Cota de Gênero

Treze candidatas do Estado recebem bolada de R$ 14 milhões dos partidos

As concorrentes à Câmara dos Deputados e à Alems já arrecadaram mais de R$ 500 mil, individualmente, das siglas

04/09/2026 07h45

Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul

Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul Foto: Wagner Guimarães / Alems

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A cota de gênero impulsionou os repasses dos partidos às campanhas femininas em Mato Grosso do Sul. Treze candidatas a deputada federal e deputada estadual já receberam individualmente mais de R$ 500 mil para disputar as eleições deste ano.

Ao todo, elas acumulam R$ 14,15 milhões em receitas e, desse montante, R$ 14 milhões vieram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário, ou seja, aproximadamente 99% do dinheiro recebido pelas candidatas é de origem pública.

Os números fazem parte de levantamento realizado pelo Correio do Estado ontem, com base nas informações atualizadas do DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A maior arrecadação entre as mulheres de Mato Grosso do Sul é da deputada federal Camila Jara (PT), candidata à reeleição. Ela declarou R$ 2,35 milhões. Destes, R$ 2,34 milhões são provenientes do fundo eleitoral e R$ 10 mil de outras fontes.

Na sequência aparece a deputada estadual Mara Caseiro (PL), que concorre à Câmara dos Deputados e já recebeu R$ 1,52 milhão. 

O PL destinou R$ 1,5 milhão do Fundo Eleitoral à campanha, enquanto outros R$ 20 mil vieram de recursos privados.

Rose Modesto (União Brasil), também candidata a deputada federal, aparece em terceiro lugar, com R$ 1,5 milhão. Todo o valor saiu do Fundo Eleitoral.

A candidata dra. Clediane (PP) recebeu R$ 1,2 milhão, também integralmente do FEFC. Luana Ruiz (PL) soma R$ 1,08 milhão, dos quais R$ 1 milhão foi repassado pelo partido por meio do Fundo Eleitoral.

Keliana Fernandes (PP) recebeu R$ 1 milhão. Giselle Marques (PT) aparece com R$ 945,5 mil, enquanto Isa Marcondes (Republicanos) acumula R$ 882,5 mil. 
No caso de Isa, foram R$ 832,5 mil do FEFC e outros R$ 50 mil do Fundo Partidário.

Completando a relação das candidatas à Câmara está Cassy Monteiro (PL), com R$ 500,2 mil. Desse total,R$ 500 mil vieram do Fundo Eleitoral. 
As nove candidatas a deputada federal incluídas no levantamento somam R$ 10,98 milhões em receitas de campanha.

Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul

ALEMS

Entre as candidatas a deputada estadual, Dione Hashioka (União Brasil) lidera a arrecadação, com 
R$ 986,6 mil. 

O partido repassou R$ 966,6 mil do Fundo Eleitoral, e outros R$ 20 mil vieram de recursos privados.

Bárbara Resende (União Brasil) recebeu R$ 966,6 mil, integralmente provenientes do FEFC. 
Ana Portela e Gianni Nogueira, ambas do PL, aparecem com R$ 605 mil cada.

Nas duas campanhas, R$ 600 mil foram destinados pelo partido por meio do Fundo Eleitoral. 
As quatro candidatas à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) acumulam R$ 3,16 milhões.

AS REGRAS

Os repasses ajudam os partidos a cumprir a cota de gênero prevista na legislação eleitoral. 
Para as campanhas femininas, a parcela do FEFC e do Fundo Partidário deve acompanhar a proporção de mulheres entre as candidaturas apresentadas nacionalmente por cada legenda, nunca ficando abaixo de 30%.

Os critérios para dividir o dinheiro entre as candidatas, entretanto, são definidos pelos partidos. 
Isso significa que a regra não obriga uma distribuição igualitária e permite que as siglas concentrem valores maiores nas candidaturas consideradas mais competitivas.

A Portaria nº 541 do TSE determina ainda que os recursos reservados às mulheres sejam efetivamente utilizados no financiamento de campanhas femininas. 
Os valores declarados continuam sujeitos a atualizações durante a campanha.
 

Crise no STF

Veja a repercussão política após Moraes pedir investigação contra Mendonça

Pedido de Moraes por providências contra André Mendonça provocou reação de parlamentares da oposição e da base governista nesta quinta-feira

04/09/2026 07h13

Alexandre de Moraes pediu para investigar o coleda André Mensonça um dia após divulgação de mensagens mostrando elo com Daniel Vorcaro

Alexandre de Moraes pediu para investigar o coleda André Mensonça um dia após divulgação de mensagens mostrando elo com Daniel Vorcaro

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O pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por providências contra André Mendonça, provocou reação de parlamentares da oposição e da base governista nesta quinta-feira, 3.

Rogério Marinho (PL), Sóstenes Cavalcante (PL), Eduardo Girão (NOVO) e Carlos Viana (PSD) saíram em defesa de Mendonça e fizeram críticas a Moraes.

Do lado governista, as manifestações se concentraram nas relações do Banco Master com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sem citar diretamente a iniciativa de Moraes contra o colega de Corte.

Moraes usou o inquérito das Fake News para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Relator do caso Banco Master, Mendonça levantou na terça-feira, 1º, o sigilo de um relatório da Polícia Federal que compilou 51 mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, após o conteúdo ser revelado pelo Estadão

Oposição 

O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha do candidato a presidente da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, afirmou que Moraes voltou a transformar o Inquérito 4.781, aberto há sete anos, em "instrumento de poder pessoal".

"É uma inversão intolerável de valores: quem deveria prestar esclarecimentos às instituições e ao povo brasileiro utiliza poderes investigativos excepcionais sob seu comando para constranger quem supervisiona uma investigação séria", afirmou Marinho em nota.

O senador também acusou Moraes de utilizar o Inquérito das Fake News como "escudo e instrumento de intimidação".

O deputado Sóstenes Cavalcante também manifestou apoio a Mendonça. "Eu apoio André Mendonça. Eu não apoio criminoso", escreveu. Para o parlamentar, há uma tentativa de acabar com uma "investigação séria e imparcial" sobre o Banco Master porque "tem muita gente poderosa envolvida".

O senador Eduardo Girão classificou a iniciativa de Moraes como o "grau máximo de falta de noção da realidade".

Já o senador Carlos Viana afirmou ter acionado Fachin sobre a conduta de Moraes contra Mendonça. Ele disse ter pedido a preservação de documentos, registros de acesso e comunicações para esclarecer se houve uma possível retaliação.

"Depois que vieram a público elementos do caso Master envolvendo Moraes, ele adotou uma iniciativa contra o ministro que conduziu essas providências", escreveu. Viana questionou se Moraes estaria usando as prerrogativas do cargo para reagir contra Mendonça. "Se houve uso do cargo para constranger ou retaliar um ministro pelo exercício de suas funções, é gravíssimo", afirmou

Governistas

Enquanto integrantes da oposição concentraram as manifestações no embate entre Moraes e Mendonça, publicações de governistas abordaram o caso Master sem mencionar o pedido de Moraes contra o ministro.

O deputado Rogério Correia compartilhou um vídeo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e relacionou o banco ao governo de Jair Bolsonaro. José Guimarães também compartilhou a publicação de Correia.

"O banco Master é de 2019, autorizado a funcionar pelo governo Bolsonaro e a partir de 2020 foi que passou a explorar com crédito consignado, aposentados do INSS, permitido pelo governo de Jair Bolsonaro", escreveu Correia.

O deputado afirmou ainda que, no governo Lula, o banco foi liquidado, a corrupção denunciada e o banqueiro preso. Correia disse esperar estar na Câmara para comandar uma nova CPMI.

A deputada federal Gleisi Hoffmann também se manifestou sobre o caso Master, mas não citou a iniciativa de Moraes contra Mendonça. Ela repercutiu informações envolvendo Vorcaro e recursos destinados às campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio em 2022.

"Quer dizer então que o dinheiro para as campanhas do Bolsonaro e do Tarcísio em 2022 eram propina? É isso que tá dizendo o próprio Vorcaro! É gravíssimo!", escreveu.

Gleisi afirmou ainda que o caso mostraria uma tentativa de interferência nas eleições presidenciais contra Lula e voltou suas críticas a Bolsonaro, ao senador Flávio Bolsonaro e ao deputado Filipe Barros.

Lula gravou nesta quinta-feira um vídeo sobre a crise que atingiu o Supremo após as revelações das mensagens entre Moraes e Vorcaro.
 

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