Política

pesquisa Ipsos-Ipec

Governo Lula 3 "patina" na economia e na segurança e avaliação cai ainda mais

O cientista político Tércio Albuquerque enxerga falta de habilidade política do presidente neste terceiro mandato no cargo

Continue lendo...

Pesquisa Ipsos-Ipec – realizada entre os dias 7 e 11 e que ouviu 2 mil eleitores de 131 municípios no Brasil, tendo margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95% – apontou um aumento da avaliação negativa da população neste terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a economia e a segurança pública concentrando os maiores índices: 57% e 50%, respectivamente.

Na avaliação feita pelo cientista político Tércio Albuquerque ao Correio do Estado, o que é possível observar nessas pesquisas sobre o governo Lula 3 é uma queda generalizada da avaliação: “Esse desempenho negativo leva muito em conta a falta de habilidade política com que o Lula veio para o terceiro mandato”.

Para ele, nos mandatos anteriores, Lula era uma novidade e uma expectativa no momento em que todos queriam alguma coisa diferente.

“Na reeleição, ele já começou a pender para uma situação não tão favorável e, quando elegeu Dilma Rousseff, aí foi abaixo. Agora, se repete, mas em uma outra situação e em um outro cenário, pois havia uma expectativa positiva e ele até alcançou bons índices”, recordou.

Albuquerque completou que Lula não está com a mesma determinação política dos outros mandatos e está se deixando levar por grupos com interesses pessoais, e não com o bem do Brasil.

“Ele não tem uma posição clara quando assumiu na primeira ou na segunda vez. Essa situação de ficar no meio termo, nem direita nem esquerda, está levando ao descrédito total”, assegurou.

O cientista político ressaltou que Lula caminha para terminar o terceiro mandato como um governo pífio e com muita dificuldade de eleger um substituto, porque é evidente que ele não tem mais condição de concorrer.

“Há um momento em que o político precisa aprender que é hora de parar e o melhor momento, a ciência política fala sobre isso, é quando está no ápice”, disse. 

Na avaliação dele, as pesquisas mostram que estamos vendo a derrocada do governo Lula 3 e aí que se espera um levante de forças políticas que realmente pensem o Brasil. 

“O próximo presidente precisa trazer alguma novidade em termos de reestruturação do País para que a gente não caia em recessão continuada. Seria muito ruim se a gente não conseguisse alcançar um novo patamar em 2026”, falou.

CONTESTAÇÃO

A deputada federal Camila Jara (PT-MS) não vê da mesma forma e, mesmo reconhecendo que a avaliação dos eleitores está negativa em relação à percepção do governo Lula, disse que isso se estende às instituições como um todo. 

“Se você analisar a percepção desde dezembro, a avaliação é negativa para militares e outras instituições, inclusive até para a igreja evangélica. A gente tem uma diminuição na confiança nas instituições, um cenário muito parecido com o de 2013. Então, as insatisfações são generalizadas e é quase como uma crise de identidade da sociedade como um todo”, avaliou.

Ela prossegue, ressaltando que Lula tem de entender como dará as respostas à população, que hoje é um desafio dos Estados Unidos, da Alemanha e das democracias modernas.

“Chegou o momento decisivo, ou se encara os problemas e os resolve para a população ou vai continuar vivendo essas crises de instituições”, finalizou.

Assine o Correio do Estado

RECONHECIMENTO

Conselheiro Jerson Domingos recebe reconhecimento por sua liderança no TCE-MS

Durante seu mandato, o ex-presidente consolidou um modelo de gestão pautado na transparência, responsabilidade e eficiência

27/03/2025 08h49

O conselheiro Jerson Domingos foi presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) até o início deste ano

O conselheiro Jerson Domingos foi presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) até o início deste ano Divulgação

Continue Lendo...

A atuação do conselheiro Jerson Domingos à frente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) recebeu um importante reconhecimento da Associação Nacional dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon). Em ofício encaminhado pela entidade, foi exaltada a gestão eficiente e comprometida de Domingos, que fortaleceu o controle externo e promoveu avanços significativos na fiscalização da administração pública.

Durante seu mandato, Jerson Domingos consolidou um modelo de gestão pautado na transparência, responsabilidade e eficiência, destacando-se pela proximidade com os gestores públicos e pelo compromisso com a orientação técnica. Sua liderança foi fundamental para impulsionar iniciativas que aprimoraram a prestação de contas e estimularam a boa governança no estado.

O documento ressalta que a parceria institucional mantida com a Atricon e outras entidades foi crucial para a modernização e aprimoramento dos tribunais de contas, consolidando boas práticas e fortalecendo a fiscalização dos recursos públicos. E que o legado de Jerson Domingos reflete-se não apenas na gestão pública mais eficiente, mas também na melhoria das condições de vida da população sul-mato-grossense.

Primeira Infância

Dentre os feitos da administração do conselheiro Jerson Domingos, merece destaque especial o trabalho voltado para a primeira infância. Sob sua gestão, o TCE-MS criou o Programa Integrado pela Garantia dos Direitos da Primeira Infância – PPI, intensificou a fiscalização das políticas públicas destinadas às crianças na primeira fase da vida, garantindo que investimentos e programas voltados à educação infantil, saúde e assistência social fossem devidamente aplicados.

O compromisso com a proteção e o desenvolvimento das crianças resultou em ações concretas para assegurar condições mais justas e equitativas para a população infantil do estado. Dentre as ações, destaca-se o trabalho de orientação aos 79 municípios de Mato Grosso do Sul para elaboração do Plano Municipal da Primeira Infância (PMPI), com especial destaque ao portal criado na internet para monitoramento das etapas dos planos.

Com uma trajetória marcada pela dedicação e pelo compromisso com o bem comum, Jerson Domingos deixa um exemplo inspirador para as futuras gerações de gestores públicos. Seu trabalho no TCE-MS reafirma a importância de uma gestão transparente e voltada para a promoção de políticas públicas eficazes, especialmente para aqueles que mais necessitam de atenção: as crianças em sua primeira infância.

Assine o Correio do Estado

 

GOLPE DE ESTADO

Decisão histórica do STF põe no banco dos réus 4 generais

Desde a Proclamação da República, em 1889, nenhum oficial general das Forças Armadas foi indiciado nem condenado pelo crime de tentativa de golpe de Estado

27/03/2025 08h00

Primeira Turma do STF durante o julgamento da denúncia contra Bolsonaro e os 4 oficiais generais

Primeira Turma do STF durante o julgamento da denúncia contra Bolsonaro e os 4 oficiais generais Foto: Antonio Augusto/STF

Continue Lendo...

Pela primeira vez na história do Brasil, uma investigação contra quatro oficiais generais das Forças Armadas por tentativa de golpe de Estado avança a ponto de torná-los réus.

Trata-se do almirante de Esquadra Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha do Brasil; o general de Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI); o general de Exército Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ex-ministro da Defesa; e o general de Exército Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.

Eles passarão a responder a um processo penal, o que pode levar à prisão, a depender da pena. A decisão foi proferida ontem pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Desde a Proclamação da República, em 1889, nenhum militar de alta patente foi indiciado nem condenado pelo crime de tentativa de golpe de Estado.

Conforme o professor de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Fico, em 1922, o então presidente Hermes da Fonseca foi preso por supostamente estar envolvido na tentativa de deposição do presidente Epitácio Pessoa.

Segundo o professor, houve somente o “início de um inquérito”, que não foi concluído, uma vez que Fonseca morreu antes disso. Então, apesar da prisão que durou seis meses, ele não foi julgado formalmente.
Também, no caso dos oficiais generais que planejaram a tentativa de golpe de Estado, uma investigação como essa nunca foi tão longe, com a possibilidade de condenar à prisão os responsáveis na esfera penal.

“Em todos os casos de tentativas de golpe e pronunciamentos militares contra presidentes, nunca houve a efetiva punição de militares golpistas. Mesmo nos casos em que houve o início de alguma investigação, uma anistia acabou sendo aprovada”, diz Fico.

O historiador ressalta que, no contexto da última ditadura que o Brasil viveu, de 1964 a 1985, a Lei da Anistia, de 1979, impediu a punição de “qualquer pessoa”, inclusive dos militares.

De acordo com Fico, crimes graves de violação de direitos humanos não foram julgados em função dessa legislação, episódio que ficou conhecido como “perdão aos torturadores”.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV), que funcionou de 2012 a 2014, reconheceu a responsabilidade de diversos militares, mas não tinha poder para julgar nem punir.

DEFESAS DOS RÉUS

As defesas dos quatro oficiais de alta patente das Forças Armadas avaliaram que o acolhimento da denúncia pelo STF era esperado. Os advogados, porém, salientaram que o processo ainda está na fase inicial.

Ao aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o Supremo tornou os denunciados réus. Assim, eles passarão a responder a um processo judicial. 

No fim da ação, eles serão absolvidos ou condenados, com penas a serem definidas pelos magistrados.

O advogado e ex-senador Demóstenes Torres, que representa o ex-comandante Garnier, avaliou que “cumpriu-se a previsão” do julgamento.

“Agora, abre-se o leque para que nós possamos fazer o contraditório e a ampla defesa”, declarou.

Segundo José Luis Oliveira Lima, o Juca, advogado que defende o general Braga Netto, o “jogo está começando”. Ele também reafirmou que durante a instrução provará a inocência do ex-ministro.

“Estamos em uma fase inicial, como todos os ministros fizeram questão de pontuar. É uma fase preliminar em que verificaram indícios de autoria, prova da materialidade. O jogo está começando. Temos ainda uma instrução criminal pela frente, a oitiva das testemunhas de acusação, a oitiva das testemunhas de defesa, ao fim os interrogatórios dos denunciados e toda a prova escrita que as defesas vão apresentar”, afirmou.

A defesa de Garnier indicou que deve questionar ao longo do processo a delação premiada do tenente-coronel do Exército Mauro Cid, que serviu para parte da obtenção de provas da PGR.

SAIBA

Principais argumentos de Alexandre de Moraes

1) “Indícios fortes de autoria”: O ministro Alexandre de Moraes sustentou que há elementos robustos para justificar o recebimento da denúncia e a abertura do processo criminal. Segundo ele, a denúncia apresentada pela PGR é “detalhada, compreensível e coerente” e oferece aos acusados todas as condições necessárias para exercerem 
seu direito de defesa.

2) Ataques do 8 de Janeiro: Moraes exibiu vídeos da invasão às sedes dos Três Poderes, ocorrida em 8/1/2023, para contextualizar a denúncia e reforçar a ligação entre os acusados e os atos violentos. Ele classificou o episódio como uma “guerra campal” e “tentativa de golpe violentíssimo”.

3) Ataques às instituições: Ao longo do voto, o ministro destacou que Bolsonaro 
adotou uma postura sistemática de descredibilização das instituições, em especial 
o STF e o sistema eleitoral.

*Com informações de agências

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail marketing@correiodoestado.com.br na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).