Política

FRAUDE NO ESPORTE

Governo teve acesso 1 mês antes a provas

Governo teve acesso 1 mês antes a provas

G1

30/10/2011 - 00h00
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A Advocacia-Geral da União (AGU) teve acesso no dia 9 de setembro deste ano às provas que servem de base para o processo que tramita na Justiça Federal sobre desvio de dinheiro público no Ministério do Esporte. Nessa data, de acordo com o andamento processual disponível na internet, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, autorizou o acesso da AGU por 24 horas aos nove volumes e quatro apensos da ação.
Mais de um mês depois, na edição de 15 de outubro da revista “Veja”, o policial militar João Dias Ferreira denunciou o suposto esquema de corrupção, que, segundo ele, envolve o ex-ministro Orlando Silva e a cúpula do ministério. O ex-ministro sempre negou as acusações.

Dois dias após a publicação da reportagem, em 17 de outubro, o então ministro anunciou que o ministério passaria a dar prioridade aos convênios com entidades públicas e não com organizações não-governamentais (ONGs). Segundo a denúncia de João Dias, as ONGs serviam de meio para desviar parte do dinheiro do Programa Segundo Tempo para o PC do B, partido do ministro. O programa tem por finalidade incentivar atividades esportivas com crianças e adolescentes de comunidades carentes.

Mesmo não sendo parte no processo, a Advocacia-Geral da União buscou em setembro as informações sobre o processo – que tramita em segredo de Justiça – com o objetivo, segundo o órgão, de avaliar eventuais elementos capazes de justificar uma ação judicial para recuperação de dinheiro público supostamente desviado.

“O acesso da AGU ao processo, que tramita na 10ª Vara Federal de Brasília, sobre irregularidades na execução de convênios do Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, está dentro dessa linha de atuação e tinha como objetivo averiguar a existência ou não de fatos e provas que pudessem, juntamente com outros dados de órgãos de controle, embasar uma eventual ação judicial de recuperação de créditos”, informou por escrito ao G1 a assessoria do órgão.

As provas
As provas que servem de base ao processo foram colhidas pela Operação Shaolin, da Polícia Civil do Distrito Federal. Na operação, deflagrada no ano passado, policiais apreenderam documentos, computadores e arquivos de áudio e vídeo na casa de João Dias Ferreira. Segundo o policial militar, delator do suposto esquema, o material recolhido pela polícia é capaz de ligar “autoridades” às fraudes que ele diz terem ocorrido no ministério.

As duas ONGs de João Dias mantinham convênios com o ministério e recebiam dinheiro do programa Segundo Tempo. Ele e outras cinco pessoas respondem a ação civil por improbidade administrativa e a uma ação penal, nas quais são acusados de desviar dinheiro público. Na ação civil, que tramita na 1ª Vara de Justiça Federal do Distrito Federal, a Procuradoria da República no DF pede que Ferreira e a mulher, Ana Paula Oliveira de Faria, sejam condenados a devolver R$ 3.176.851,81 aos cofres públicos. Os procuradores chegaram a pedir o bloqueio dos bens, mas a Justiça negou.

Ferreira tenta agora ter acesso a essas provas para formular a própria defesa. “Se a gente conseguir o documento que a Justiça liberou vai se agravar cinco vezes mais a situação. O que tem até aqui vai envolver cinco vezes mais pessoas públicas, com cinco vezes mais gravidade, em todos os sentidos", disse, na última semana.

Procuradoria
Antes das denúncias do policial militar na imprensa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia cobrado do então ministro Orlando Silva explicações sobre as supostas irregularidades no programa Segundo Tempo.

Em ofício do dia 16 de setembro, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, dá prazo de 20 dias para que Orlando Silva apresente informações sobre a execução do programa. Em vez de fornecer o material, Silva pediu, no dia 7 de outubro, a prorrogação do prazo por mais 20 dias, “em razão do elevado volume de trabalho acumulado pela pasta”. Após pouco mais de uma semana, a revista “Veja” publicou a reportagem que deu origem à crise política cujo resultado foi a demissão do ministro, na última quarta (26).

Na última quinta-feira (27), após o pedido de demissão de Orlando Silva, o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, anunciou que o governo estuda medidas mais rigorosas para apertar o cerco contra a corrupção nos convênios entre ministérios e ONGs.

Segundo ele, em setembro, já foram publicadas algumas medidas para tornar mais rígidas as regras de contratos com ONGs. “É preciso fazer o que está sendo feito, ou seja, alterar as regras tornando-as cada vez mais rigorosas, mais públicos e mais transparentes os critérios de escolhas das ONGs, porque não podemos desqualificar todas as organizações sem fins lucrativos. Existem várias outras entidades sérias. Agora, existem outras criadas pouco antes da ação do convênio que não tem a menor condição de ser parceiros do governo”, disse Hage.
 

Relatoria

Fux é sorteado relator de ação que busca acesso a visitas de esposa de Moraes ao Senado

Kilter acionou a Justiça Federal do Paraná, que declarou sua incompetência para julgar o caso.

22/09/2026 13h30

Ministro Luiz Fux

Ministro Luiz Fux FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux foi sorteado relator do mandado de segurança que busca obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a liberar informações sobre as entradas e saídas da mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e do banqueiro Daniel Vorcaro das dependências do Senado.

Moraes havia sido sorteado relator no dia 18, mas, na última segunda-feira, 21, ele se declarou suspeito para julgar o caso.

O pedido foi feito pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), candidato a deputado federal, após ter um pedido com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) negado pelo Senado.

O argumento da negativa foi que os dados de acesso de pessoas às dependências do Senado são informações de caráter pessoal.

Após a negativa do Senado, Kilter acionou a Justiça Federal do Paraná, que declarou sua incompetência para julgar o caso. A juíza Thais Sampaio da Silva Machado entendeu que apenas o Supremo pode julgar um mandado de segurança contra ação do presidente do Senado.

Eleições 2026

Eduardo Riedel deve vencer eleições a governador no 1.º turno

A 12 dias da eleição para governador, pesquisa mostra Eduardo Riedel com 64,15% e Fábio Trad com 18,70% dos votos válidos

22/09/2026 07h45

Marcelo Victor

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A 12 dias do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, o governador Eduardo Riedel (PP) aparece com 64,15% dos votos válidos na disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul e seria reeleito sem necessidade de segundo turno, aponta a nova rodada da pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Resultado (IPR) e Correio do Estado.

Ainda nesse recorte, que exclui eleitores indecisos e aqueles que declararam voto branco ou nulo, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) tem 18,70%, portanto, Riedel está acima dos 50% necessários para eliminar do pleito a realização de um segundo turno. Pelas regras eleitorais, só há segundo turno para governador quando nenhum candidato alcança maioria absoluta dos votos válidos. 

A conversão para votos válidos considera 583 das 784 entrevistas realizadas pelo instituto. Foram retiradas da conta as 143 respostas de indecisos e as 58 respostas de branco ou nulo, que juntas representam 25,64% da amostra. No resultado original da pesquisa estimulada, Riedel tem 47,70% das intenções de voto e Fábio Trad, 13,90%. 

Depois dos dois primeiros, aparecem o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD), com 6,86% dos votos válidos, o deputado estadual João Henrique Catan (Novo), com 3,43%, e Lucien Rezende (Psol), com 3,09%. O indígena Daniel Lemes (PCO) e o Economista Renato Gomes (DC) têm 1,37% cada, enquanto o jornalista Jeferson Bezerra (Agir) registra 1,03%.

No resultado sobre o total de entrevistados, antes da exclusão dos indecisos, brancos e nulos, Delcídio soma 5,10%, Catan aparece com 2,55% e Lucien tem 2,30%. Daniel Lemes e Renato Gomes registram 1,02% cada, e Jeferson Bezerra, 0,77%.

A distância entre Riedel e Fábio Trad no cálculo dos votos válidos é de 45,45 pontos porcentuais. O recorte, porém, representa uma conversão matemática das respostas da pesquisa e não uma projeção do resultado das urnas.

Na comparação com a rodada de agosto, considerando os porcentuais sobre o total da amostra, Riedel passou de 44,77% para 47,70%, uma variação de 2,93 pontos porcentuais. Fábio Trad oscilou de 13,78% para 13,90%. Catan passou de 4,85% para 2,55%. 

ESPONTÂNEA

O domínio de Riedel também aparece quando são calculados os votos válidos da pesquisa espontânea, modalidade em que o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos.

Fonte: IPR/Correio do Estado 

Nesse cenário, foram contabilizadas 224 respostas válidas entre os 784 entrevistados. Riedel concentra 77,68% dos votos válidos, seguido por Fábio Trad, com 12,95%, e Catan, com 4,02%.

Delcídio aparece com 1,79%, Renato Gomes com 1,34% e Lucien Rezende com 0,89%. Reinaldo Azambuja, Jeferson Bezerra e Tiago Botelho ficam com 0,45% cada.

A diferença entre o número de votos válidos e o total da amostra é explicada principalmente pelo elevado número de eleitores que ainda não citaram espontaneamente um candidato. Na pesquisa original, 69,64% se declararam indecisos e 1,79% responderam branco ou nulo. Riedel foi citado espontaneamente por 22,19% do total de entrevistados e Fábio Trad, por 3,70%.

REJEIÇÃO

A pesquisa também perguntou em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum para governador. Fábio Trad é citado por 15,18%, seguido por Delcídio do Amaral, com 7,27%, e Eduardo Riedel, com 5,61%. 

João Henrique Catan aparece com 1,66%. Jeferson Bezerra e Lucien Rezende têm 1,28% cada, Daniel Lemes registra 0,64% e Renato Gomes, 0,38%.

Ao mesmo tempo, 50,13% afirmaram não rejeitar nenhum candidato. Outros 9,44% disseram rejeitar todos, 4,97% não souberam responder e 2,17% optaram por branco ou nulo.

DADOS

O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 19 de setembro de 2026 e ouviu 784 eleitores com 16 anos ou mais em Mato Grosso do Sul. A margem de erro é de 3,5 pontos porcentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. 

A pesquisa IPR/Correio do Estado está registrada na Justiça Eleitoral sob os números BR-05239/2026 e MS-06794/2026.

O primeiro turno das eleições deste ano será realizado no dia 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno para governador está previsto para o dia 25 de outubro.

ANÁLISE

Para o diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, a sequência de pesquisas mostra que Eduardo Riedel chega aos últimos dias de campanha mantendo praticamente o mesmo patamar registrado no início do ano, enquanto os adversários não conseguiram avançar de forma consistente.

“Riedel chega à reta final com um eleitorado bastante estável. Nas cinco pesquisas, as oscilações ficaram dentro da margem de erro e, agora, ele volta praticamente ao mesmo porcentual registrado no começo da série”, afirmou Aruaque Barbosa.

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