Política

Última Ratio

Interceptações revelam laços entre lobista e ministro do STF

Questionado pela reportagem, o STF negou qualquer envolvimento do ministro Nunes Marques com o lobista, considerando o caso como estelionato. A investigação atingiu a alta cúpula de MS, culminando no afastamento de cinco desembargadores do TJMS

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Durante as investigações da Operação Última Ratio, que envolveram cinco desembargadores  do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que foram afastados por supostamente venderem sentenças judiciais, agentes da Polícia Federal (PF) tiveram acesso aos diálogos do lobista Anderson de Oliveira Gonçalves, revelando que o nome do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Kassio Nunes Marques, foi utilizado em negociações de decisões judiciais.

De acordo com as investigações, os agentes da Polícia Federal analisaram mais de 9 mil mensagens trocadas entre Anderson de Oliveira Gonçalves e o advogado Roberto Zampieri, assassinado no final de 2023, em Cuiabá (MT). 

Procurado pelo Portal Uol, o STF informou que o ministro Kassio Nunes Marques não conhece o lobista e que já pediu providências ao relator do caso, o ministro Cristiano Zanin, sobre o uso de seu nome, classificando-o como um crime de estelionato.

Proximidade com ministro do STF 

Nunes Marques, ministro do STF Ministro do STF, Kássio Nunes Marques- Marcelo Camargo/ Agência Brasil 

Conforme as conversas divulgadas pelo Portal UOL, o lobista Anderson Oliveira relatou várias vezes encontros com Nunes Marques em viagens internacionais, cujas situações ainda não foram esclarecidas. De acordo com o portal de notícias, o lobista chegou a enviar capturas de tela de conversas com Nunes Marques, situações que foram refutadas pelo ministro.

Após o imbróglio, as decisões desenvolvidas passaram a ficar sob a responsabilidade da advogada Mirian Ribeiro Gonçalves, esposa de Anderson, que assumiu a liderança dos processos no Supremo Tribunal Federal após Nunes Marques assumir o cargo na Corte. Em todos os casos, o ministro deu votos favoráveis aos clientes dela.

As ações no caso foram movidas por desembargadores de Mato Grosso com o objetivo de anular a seleção de aposentadoria compulsória determinada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), em razão de acusações de desvios de recursos do tribunal para uma loja da maçonaria entre 2003 e 2005.

Ainda de acordo com o Portal UOL, Miriam atuou na defesa desses casos nos últimos dez anos.

De acordo com o inquérito, Anderson teria atuado nos bastidores desses processos, enquanto Mirian se constituiu formalmente nas ações, conseguindo reverter as decisões desfavoráveis, no caso dos desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Em nota de imprensa, o STF respondeu a reportagem do Uol. 

“O ministro Nunes Marques jamais conheceu, viu ou ouviu falar de nenhum dos envolvidos. Jamais falou ou trocou mensagem com nenhum deles. Nunca houve encontro nem no Brasil e nem fora do país. O ministro acredita ter ocorrido uma tentativa falsa de demonstração de prestígio para induzir outrem a crer na proximidade, um caso clássico de estelionato. Trata-se de perfil falso atribuído ao Ministro. Em relação a julgamentos de magistrados do TJ do Mato Grosso, todas as decisões foram tomadas colegiadamente. O ministro Nunes Marques expressa indignação com o envolvimento de seu nome nas conversas dos integrantes do esquema e informa que encaminhou pedido de providências ao relator do caso no STF”, traz nota do STF enviada ao UOL.


Lobista era advogado de empresário executado 

Roberto Zampieri foi morto em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá (MT)
Imagem/ Reprodução

Conforme informações da Polícia Federal, Anderson Oliveira atuou como advogado de Zampieri, que foi executado com 10 tiros em frente ao próprio escritório, em dezembro de 2023.

De acordo com os diálogos interceptados, Anderson participou nos casos julgados por Nunes Marques, e as conversas indicam uma prestação de contas ao advogado sobre os casos. Nas mensagens, há diversas cobranças e pagamentos em aberto ao advogado. Durante as operações, um caderno foi apreendido para análise pela Polícia Federal.

Em outras conversas interceptadas pela Polícia Federal, Anderson compartilha informações e dados sobre o status de Nunes Marques, incluindo detalhes sobre a aprovação de seu nome pelo Senado para a carga de ministro do STF.

Em outras conversas interceptadas pela Polícia Federal, foram encontrados prints de Anderson conversando com Nunes Marques sobre o posicionamento favorável do STF em um dos processos dos desembargadores. Em alguns prints, apareciam os nomes dos interlocutores, como 'Ministro Kássio Nunes Marques'.

A reportagem do UOL questionou o ministro sobre os prints, o que foi negado imediatamente por Nunes Marques, que afirmou que a conversa foi forjada e que nunca teve o perfil de WhatsApp referido.

Operação Ultima Ratio

 A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (24) a "Operação Ultima Ratio", que busca investigar possíveis crimes de corrupção em vendas de decisões judiciais, lavagem de dinheiro, organização criminosa, extorsão e falsificação de escrituras públicas no Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul.

Foram afastados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) cinco desembargadores, um juiz de primeira instância, um procurador do Ministério Público Estadual (MPE) e um conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE).

Além do TJMS, a Polícia Federal tem mais de 200 agentes em 40 outras equipes cumprindo mandados de busca e apreensão em casas, no fórum e em escritórios de advocacia, em Campo Grande, Brasília, São Paulo e Cuiabá.

A ação teve o apoio da Receita Federal e é um desdobramento da Operação Mineração de Ouro, deflagrada em 2021, na qual foram apreendidos materiais com indícios da prática dos referidos crimes.

Desembargadores afastados
Os 5 magistrados da alta cúpula do Judiciário foram afastados de suas atividades por 180 dias. Eles terão que usar tornozeleira eletrônica e estão proibidos de acessar as dependências dos órgãos públicos e de manter contato com outras pessoas investigadas.

Informações preliminares apontam que os desembargadores afastados foram: Marcos Brito; Vladimir Abreu; Sérgio Martins (presidente do TJ), Sideni Pimentel e Alexandre Aguiar Bastos.

Saiba: A operação foi batizada de "Ultima Ratio", uma referência ao fato de a Justiça ser  o último recurso do Poder Público para parar a criminalidade.
 

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Eleições 2026

Bonito dá 63,24% dos votos a Flávio Bolsonaro no segundo turno

Percentual supera média estadual, que registrou 59,60% para o senador

26/10/2026 10h39

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS)

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado

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Em Bonito, município localizado a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande, o candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que perdeu a eleição no domingo (25), recebeu 9.080 votos, o equivalente a 63,24% dos votos válidos.

O resultado segue a tendência registrada em Mato Grosso do Sul, onde Flávio recebeu 927.892 votos (59,60%), enquanto Lula (PT) teve 628.973 votos (40,40%).

O município ganhou repercussão nacional no fim de semana do segundo turno após a morte de Ewerton Rodrigues da Silva, de 35 anos, atingido por disparos de arma de fogo depois de uma briga no fim de uma carreata bolsonarista, no sábado (24).

Apesar de o episódio ter ocorrido durante uma manifestação política, em meio à polarização eleitoral, a discussão não foi motivada por divergências políticas. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), o desentendimento entre os envolvidos ocorreu por motivos pessoais, “sem relação com questões político-partidárias”.

Caso em Bonito

A situação começou após o término da carreata, quando uma discussão de trânsito teria evoluído para xingamentos e agressões físicas generalizadas, com a participação de várias pessoas,  de acordo com informações da Guarda Municipal, divulgadas pelo site Jardim MS News no dia da briga.

Ao perceber que o pai estava sendo agredido, um adolescente de 16 anos teria pegado uma arma que estava no veículo do homem e efetuado diversos disparos contra Ewerton e Alex Machado Leite. Ewerton foi atingido no abdômen, no tórax e na coxa direita. Alex, por sua vez, levou dois tiros na região do tórax, foi transferido para Campo Grande e segue internado. 

Já o pai e o adolescente apontado como autor dos disparos seguem foragidos. O pai e o filho apontados como envolvidos nos disparos seguem foragidos. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o pai tem passagem por crime ambiental, enquanto o adolescente poderá responder por atos infracionais análogos a homicídio e tentativa de homicídio.

Alex, que permanece hospitalizado, tem passagens por lesão corporal dolosa, contrabando, tráfico de drogas e violência doméstica. Já Ewerton não tinha antecedentes criminais e deixa a esposa grávida e dois filhos.

ELEIÇÃO CONTESTADA

Capitão Contar contesta eleição de Lula e critica prorrogação dos votos

Em vídeo, senador lembrou que Zanin foi advogado do presidente reeleito e colocou em dúvida a questão do atraso nos ônibus em Salvador

26/10/2026 10h30

Capitão Contar, eleito senador por Mato Grosso do Sul com 746.580 votos

Capitão Contar, eleito senador por Mato Grosso do Sul com 746.580 votos Divulgação

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Renan Contar, o Capitão Contar (PL), eleito senador por Mato Grosso do Sul, contestou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse, em sua rede social, que esta foi a "eleição mais controversa da história do Brasil". Em vídeo publicado no fim da noite deste domingo (25), o parlamentar disse que as eleições deste ano foram "entupidas de aberrações jurídicas".

A revolta do senador é, principalmente, com a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a eleição até às 19h, nos locais em que a votação não havia sido encerrada às 17h. Contar lembra que Zanin foi advogado de Lula e coloca em dúvida a questão do atraso nos ônibus em Salvador.

Além disso, o senador questiona como que "todos os institutos de pesquisa erraram e Lula aparece com mais 10 milhões no 2º turno".

Após a apuração das urnas se encerrarem e Lula ser declarado, novamente, presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro discursou para a imprensa e não reconheceu a eleição do adversário, alegando que Zanin mudou a "regra do jogo" e passou por cima da Justiça Eleitoral.

"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal. É inexplicável isso ter acontecido. As coisas acontecem do nada, a pedido de um ex-sócio, do próprio Zanin, e ele atende a um pedido e passa por cima da Justiça Eleitoral", disse Flávio Bolsonaro.

TSE reconhece vitória de Lula

Com 64.256.232 votos (51,79% dos votos válidos), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) ficou em segundo lugar, com 59.826.041 votos (48,21%). O resultado foi anunciado neste domingo (25) pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.

Durante o pronunciamento, Kassio Nunes Marques ressaltou a participação popular no processo democrático. O 2º turno contou com mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar, dos quais 128,2 milhões compareceram às urnas. A abstenção ficou em torno de 19,2%, abaixo dos 21,08% registrados no 1º turno. 

O acesso dos eleitores ao transporte coletivo gratuito nos dias de votação também foi abordado pelo ministro. A medida segue parâmetros estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.013 e previstos na Resolução-TSE nº 23.751/2026. 

Segundo Kassio Nunes Marques, os tribunais regionais eleitorais (TREs) foram orientados a fiscalizar a oferta do serviço em suas respectivas regiões. O cumprimento da medida também foi acompanhado pelo TSE e pela Corregedoria-Geral Eleitoral. 

“A eventual insuficiência de transporte sempre será apurada e enfrentada pela Justiça Eleitoral, instituição à qual nossa Constituição atribuiu a competência exclusiva de gerir o processo eleitoral”, afirmou o ministro. 

 

 

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