Política

FRENTE NACIONAL

Em Brasília, prefeita defende papel estratégico de Campo Grande na Reforma Tributária

A 87ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) prossegue nesta terça-feira

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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), participou, nesta segunda-feira (7), em Brasília (DF), da 87ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP). Durante o encontro, que segue até amanhã, a chefe do Executivo municipal contribuiu com o debate sobre o papel dos municípios na transição para o novo modelo tributário nacional.

Ao lado de gestores das principais capitais do país, Adriane destacou os impactos diretos da Reforma Tributária na rotina das cidades e defendeu a necessidade de apoio técnico aos municípios, como forma de garantir uma gestão pública eficiente, equilibrada e preparada para as mudanças que estão por vir.

Na abertura do evento, a prefeita reforçou a importância do debate sobre os impactos da Reforma Tributária nos municípios e o papel da FNP nesse processo. 

“É um assunto necessário e que precisa ser discutido. A FNP representa 60% da população do Brasil e 72% do PIB nacional, e isso precisa ser levado em consideração. Precisamos avaliar e entender a força da FNP. É uma discussão importante. Campo Grande é uma das capitais do Brasil que será diretamente impactada, já que a maior arrecadação vem dos serviços. Na ponta, as pessoas ainda não compreendem plenamente e não foram impactadas pelas informações sobre essa transição que estamos prestes a iniciar”, declarou.

Em seguida, Adriane reforçou os desafios da transição e defendeu apoio técnico aos municípios. “Nós, que estamos no mandato, seremos os responsáveis por dar início a uma transição que afetará diretamente a gestão das cidades e a vida das pessoas nos municípios. Ressalto a necessidade do suporte técnico que a FNP terá que oferecer aos municípios de grande, médio e pequeno porte. Vamos sentir na pele os impactos da reforma e precisaremos administrar essas mudanças. Para isso, será fundamental o apoio técnico. Coloco-me à disposição para integrar este comitê técnico. Já fomos ao Senado para discutir essa pauta com outros prefeitos”, disse.

Participaram da solenidade ao lado de Adriane Lopes os seguintes prefeitos: o atual presidente da FNP Edvaldo Nogueira; Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro/RJ; Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo/SP; Igor Normando, prefeito de Belém/PA; Sebastião Melo, prefeito de Porto Alegre/RS; Cícero Lucena, prefeito de João Pessoa/PB; Eduardo Pimentel, prefeito de Curitiba/PR; Topázio Neto, prefeito de Florianópolis/SC; Margarida Salomão, prefeita de Juiz de Fora/MG; Eduardo Braide, prefeito de São Luís/MA.

O EVENTO

O evento terá continuidade nesta terça-feira (8), com o lançamento da iniciativa para a construção de um Banco Nacional de Dados de Transporte Público Coletivo, integrado ao Sistema Nacional de Informações em Mobilidade Urbana (SIMU), com a assinatura de protocolos de intenções entre a Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana, a FNP e o Banco Mundial.

O projeto tem como objetivo coletar e disponibilizar informações confiáveis e robustas para a avaliação, formulação e implementação de políticas públicas e investimentos em mobilidade urbana. Além disso, serão anunciados os municípios selecionados para o Grupo de Capacitação em Eletromobilidade, uma iniciativa da FNP, C40, ICCT e Ministério das Cidades, vinculada ao Novo PAC.

Confira os temas debatidos:

O comitê gestor do IBS - Debate sobre o papel do Comitê Gestor do IBS (CG-IBS) na arrecadação e distribuição de receitas entre estados e municípios, destacando suas atribuições e a eleição dos representantes municipais para o Conselho Superior do Comitê. Participam também os representes da FNP na Comissão Eleitoral do Conselho Superior.

Riscos fiscais para as cidades - A PEC 66/23 aborda pontos importantes que impactam a pauta das cidades. Em relação ao regime de pagamento de precatórios, a proposta estabelece um limite para os pagamentos. Outra medida prevista é o aumento do percentual de desvinculação de receitas municipais (DREM), de 30% para 50%. Além disso, será debatido o PL 1087/2025 que trata da isenção do Imposto de Renda (IR). Segundo estimativas da FNP, o impacto da medida nas contas municipais será de R$ 4,8 bilhões/ano, tornando necessária a garantia de compensação para os municípios.

Oportunidades do Banco do Brasil e Caixa para as cidades - Apresentação de oportunidades para financiamento e parcerias com os municípios

Parceria FNP e Rede Mercocidades - Formalização de parceria entre FNP e Mercocidades (rede de prefeitos da América do Sul) com o objetivo de promover a articulação entre as redes e fomentar a cooperação técnica entre cidades e o convite para missões internacionais 2025 da FNP.

O papel dos municípios na segurança pública - Debate sobre o crescimento das responsabilidades e dos gastos municipais com segurança pública e a defesa da constitucionalização das guardas municipais e a participação dos municípios na governança federativa e na partilha dos recursos destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública e Política Penitenciária.

Inclusão socioprodutiva - Contrata Brasil e a nova parceria entre FNP, Sebrae Nacional, Ambev. 

Eleição da diretoria da FNP para o biênio 2025/2027 - Apreciação de documentos administrativos da FNP, previamente enviados à consideração de prefeitas e prefeitos. Apreciação do balanço financeiro 2024 da entidade e definição das contribuições dos associados para 2026. Apresentação e eleição da Diretoria e do Conselho Fiscal para o período abril/2025 – abril/2027.

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Detalhes

Carros camuflados, jatos, ajuda dos EUA: Clarín detalha fuga de Flávio Bolsonaro

Fuga de senador para os Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial lembra o enredo de filmes de espionagem, conforme o relato publicado no jornal argentino Clarín

31/10/2026 14h15

Flávio Bolsonaro durante discurso logo após a derrota no 2° turno

Flávio Bolsonaro durante discurso logo após a derrota no 2° turno Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

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A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial lembra o enredo de filmes de espionagem, conforme o relato publicado no jornal argentino Clarín na noite desta sexta-feira, 30. De acordo com uma reportagem assinada por Nicolás Wiñazki, a fuga envolveu a ajuda americana tanto em território argentino quanto no brasileiro e o aluguel de pelo menos três jatos diferentes, para ter alternativas caso o plano original falhasse.

Segundo o texto, na terça-feira, 27, quase à meia-noite, as câmeras de TV filmaram uma van branca com vidros escurecidos chegando ao aeroporto de Puerto Iguazú, e todos acreditaram que lá dentro estariam o candidato derrotado e sua família. A decolagem quase imediata do jato particular Gulfstream IV, matrícula LV-JQW, com destino a Miami, nos Estados Unidos, acabaria reforçando isso.

Mas, segundo o Clarín, a realidade era diferente. A família Bolsonaro havia chegado ao aeroporto de Puerto Iguazú uma hora antes, em um veículo cujos movimentos teriam sido organizados por agentes dos Estados Unidos. Esse veículo teria entrado na pista de pouso e decolagem por uma entrada secreta à qual ninguém havia prestado atenção.

Os membros da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), assim como os funcionários da Imigração e da Alfândega da Argentina, haviam sido afastados pelos enviados ou representantes do exterior, que coordenaram os trâmites necessários para a partida dos Bolsonaro e garantiram que eles embarcassem no jato particular LV-JQW sem contratempos. A família aguardou mais quarenta minutos até que a aeronave fosse autorizada a decolar, segundo o jornal.

Até aquele momento, desde o governo de Donald Trump até o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva haviam afirmado, em declarações públicas, que os Bolsonaro já haviam fugido para os Estados Unidos. Mas isso não era verdade: a fuga só aconteceria naquele momento. De acordo com o Clarín, essa foi a principal manobra de distração entre várias outras que foram divulgadas ou plantadas propositalmente para evitar complicações no plano real, conhecido por um número reduzido de coordenadores ou organizadores.

O Clarín aponta que a fuga de Flávio Bolsonaro contou com uma intervenção dos Estados Unidos em território argentino mais significativa do que se imaginava. Agentes ou representantes daquele país atuaram no território, assumiram o controle por um período de tempo de boa parte do aeroporto de Iguazú e contrataram pelo menos três jatos particulares para ter alternativas caso surgissem problemas com o plano original.

Além disso, o presidente argentino Javier Milei ordenou que seu principal assessor, Santiago Caputo, viajasse para Misiones de forma confidencial para garantir tudo o que fosse necessário para que o plano de fuga fosse bem-sucedido.

O plano de fuga incluiu, diz a reportagem, a contratação de pelo menos três, talvez quatro jatos particulares de alto custo operacional que sobrevoaram a região, pousaram em Misiones ou foram posicionados como opções de saída alternativas - uma delas no Paraguai -, caso o Plano A para retirar os Bolsonaro da região fosse frustrado. Esses jatos chegaram a voar ao mesmo tempo para os Estados Unidos, de forma que fosse muito difícil identificar em qual deles, realmente, a família viajava.

Também foram mobilizadas caminhonetes e carros com placas capazes de evitar bloqueios no Brasil e na Argentina.

Como os Bolsonaro chegaram a Puerto Iguazú?

As fontes consultadas pelo Clarín afirmaram que eles foram por terra. Ou seja, teriam viajado cerca de 1,6 mil km, de Brasília a Foz do Iguaçu, na fronteira com Puerto Iguazú. Segundo o jornal, Flávio havia alugado um jato particular para viajar de avião da capital do Brasil até a região da tríplice fronteira. Mas o proprietário da aeronave se recusou a cumprir o contrato porque foi divulgado na mídia que Bolsonaro tinha a obrigação de não sair do Brasil.

Ainda de acordo com o Clarín, a viagem de carro incluiu "iscas" para despistar eventuais perseguidores: seis veículos diferentes partiram, um atrás do outro, da residência da família em Brasília.

O jornal diz, porém, que ainda há muitas perguntas a serem respondidas, principalmente em relação aos papéis dos governos argentino e americano nessa fuga.

A falta de transparência na operação e a polêmica que envolve a interferência de uma potência estrangeira em territórios do Brasil e da Argentina - tudo para ajudar na fuga para a Flórida de um líder político acusado de lavagem de dinheiro e com restrições para deixar seu país - levaram deputados do Partido Democrata a enviar uma série de perguntas sobre o caso ao secretário do Departamento de Estado, Marco Rubio.

Houve ajuda da Casa Branca para Bolsonaro? Funcionários dos Estados Unidos atuaram no caso tanto no Brasil, na Argentina ou no Equador - país onde o avião com a família do líder brasileiro fez escala, já a caminho de Miami? Essas são apenas algumas das perguntas que Rubio deverá responder até 13 de novembro, conforme estipulado por seus oponentes na Congresso.

Política

Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança Pública para terça-feira

Proposta cria regras mais duras de prisão para chefes de facções

31/10/2026 12h20

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) Arquivo

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para próxima terça-feira (3) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18 de 2025, conhecida como PEC da Segurança Pública.

De autoria do Executivo, a proposta estabelece penas mais duras e regimes de prisão mais restritos para chefes de facções e milícias e cria um novo pacto federativo entre União, estados e municípios para o enfrentamento ao crime no Brasil.

Além da medida ser a principal aposta do governo para combater as organizações criminosas no país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu criar um ministério da segurança pública com a promulgação da emenda.

Aprovada na Câmara em março deste ano, a PEC da Segurança Pública teve a análise concluída na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no último dia 14 de outubro.

A PEC

Entre outras medidas, a PEC propõe a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), alterando o Artigo 144 da Carta Magna, que trata da segurança pública.

A proposta inclui que a segurança deve ser exercida “em regime de cooperação federativa” e “por meio da atuação integrada e descentralizada” das diferentes instituições que trabalham com o tema.

“Art. 144-A. Os órgãos de segurança pública articular-se-ão em regime de cooperação federativa, por meio do Sistema Único de Segurança Pública, destinado a assegurar a eficiência da prevenção, da persecução e da execução penal”, define o texto.

Facções e milícias

Além de penas mais duras para chefes de facções e milícias, a PEC restringe ou veda a progressão de regime, do aberto para o semiaberto, por exemplo, para lideranças dessas organizações, que terão que cumprir penas em unidades de segurança máxima. 

Também são previstas medidas patrimoniais contra o produto do crime, a responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas e a proteção a denunciantes e seus familiares.

Outra novidade da PEC é a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil, submetidas ao controle externo do Ministério Público, com a atribuição de realizar policiamento ostensivo e comunitário no âmbito das cidades onde atuarão.

A PEC ainda amplia atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), prevê a criação de polícias municipais e aumenta a vinculação do orçamento público para segurança pública.

A proposta também prevê a criação do Sistema de Políticas Penais, responsável pelo sistema prisional brasileiro, e autoriza União, estados e municípios a atuarem conjuntamente na legislação sobre segurança pública, organização de polícias, guardas municipais e sistema socioeducativo.

Fundos de financiamento

Segundo a PEC, 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) serão repassados pela União para os estados e municípios, excluídas despesas de custeio e investimento da polícia penitenciária nacional do Funpen.

“As regras de financiamento fortalecem o FNSP e o Funpen, criam vinculações e blindagens orçamentárias e garantem repasses obrigatórios. Essas medidas aumentam a previsibilidade financeira, garantindo a perenidade das ações policiais”, escreveu o relator da PEC na CCJ, senador Rogério Carvalho (PT-SE).

A PEC ainda prevê que 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, ligado ao pré-sal, sejam destinados aos fundos da segurança, "reforçando o financiamento contínuo das políticas nacionais de segurança pública e execução penal".

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