O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito, neste domingo, para um quarto e inédito mandato como presidente da República. O presidente derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcando a primeira virada em uma disputa presidencial na história entre o primeiro e o segundo turno.
Com 100% das urnas apuradas, Lula tem 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos) contra 48,21% de Flávio (59.826.041 votos).

Lula ampliará o período de poder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil pós-redemocratização. Esta é a sexta eleição presidencial vencida pelo PT desde o fim da ditadura militar e volta do voto direto para presidente.
A sigla perdeu uma vez para Fernando Collor (então no PRN, em 1989), duas vezes para Fernando Henrique Cardoso (PSDB, em 1994 e 1998) e uma vez para Jair Bolsonaro (então no PSL, em 2018).
Lula, aos 80 anos, aumentará a marca de presidente mais velho a tomar posse. Ele completará 81 anos amanhã. Michel Temer, aos 75 anos, e Getúlio Vargas, aos 68 anos, são o segundo e o terceiro lugar nesse ranking.
Lula é o líder democraticamente eleito a ocupar a Presidência do País por mais tempo e estenderá esse período por mais quatro anos. Serão 16 anos no posto mais alto do Poder Executivo do País. Getúlio Vargas ocupou o cargo por 18 anos e meio, mas a maior parte foi durante a ditadura do Estado Novo.
DESAFIOS
O presidente reeleito terá o desafio de liderar, nos próximos quatro anos, uma agenda de ajuste fiscal, diante da deterioração da trajetória da dívida pública ao Produto Interno Bruto (PIB). Os integrantes da campanha responsáveis pela pauta econômica já anunciaram que será necessário conter gastos para evitar uma bomba fiscal nos próximos anos.
Lula também terá de lidar com um país ainda mais dividido do que em 2022 e com um Congresso mais hostil, com o fortalecimento da direita bolsonarista e o achatamento do centro liberal e do Centrão. Tem a seu favor, se souber utilizar, as numerosas mobilizações que tomaram as ruas após o primeiro turno.
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e um possível impeachment de ministros da Corte, em especial o ministro Alexandre de Moraes, também representarão um desafio para Lula neste quarto mandato.
O presidente reeleito contou, em seu terceiro mandato, com o apoio do STF para garantir sua governabilidade. Neste quarto mandato, terá de rever essa correlação de forças políticas para aprovar sua agenda.
LULA 3
Lula iniciou o terceiro e inédito mandato de um presidente da República tendo de lidar, logo de cara, com os atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023. A união causada pelo episódio, somada pelo resultado eleitoral e a campanha de “frente ampla” do petista, deu ao presidente da República uma aprovação grande no início do mandato.
Pouco antes disso, logo antes de assumir, teve de trabalhar com o Congresso de 2022 para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para abarcar gastos prometidos durante a campanha, como o aumento do Bolsa Família.
Depois, já na Presidência da República, Lula aprovou uma reforma tributária e uma nova regra fiscal – chamada pela sua equipe econômica, liderada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, de “novo arcabouço fiscal” – logo em seu primeiro ano de mandato. Usou seu capital político para compensar políticas como o aumento de taxação sobre os mais ricos. Foram instituídos impostos sobre fundos exclusivos e fundos offshores, por exemplo.
CAMPANHA
O presidente e seu entorno adotaram como estratégia evitar ataques muito contundentes a Flávio Bolsonaro logo após ele se anunciar candidato à Presidência. O objetivo era evitar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deixasse o cargo e se candidatasse ao Planalto. Os petistas consideravam Tarcísio um candidato mais forte que o filho de Jair Bolsonaro.
A última campanha de Lula como presidente começou oficialmente com um ato em São Bernardo do Campo, no estádio da Vila Euclides, local onde foram realizados atos históricos das greves do ABC na década de 1970. Foi uma ideia de dar à campanha um tom de despedida e de defesa do legado do político mais longevo do País em atividade. Essa linha foi seguida ao longo de todo o primeiro turno.
Após o resultado decepcionante no primeiro turno, quando ficou atrás de Flávio Bolsonaro, a campanha fez uma correção de rotas. Lula e seus aliados passaram alguns dias discutindo os erros e como mudar o rumo da disputa.



