Política

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Lula elogia irmãos Batista na JBS e diz que, se pudesse, faria decreto para prender quem mentir

Presidente esteve em Campo Grande nesta manhã para acompanhar o primeiro embarque de carne para a China a partir de uma das fábricas da JBS na Capital

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O presidente Lula (PT) visitou uma indústria de processamento de carne da JBS nesta sexta-feira (12), fez afagos aos empresários e irmãos Joesley e Wesley Batista e afirmou em que o Brasil não pode viver subordinado a mentira, maldade e intriga.

A visita aconteceu em uma unidade da empresa em Campo Grande (MS), onde o presidente acompanhou o primeiro embarque de carne para a China a partir de uma das fábricas da JBS que foram habilitadas para exportar ao país asiático. Ele foi recebido por Wesley e Joesley e pelo patriarca da família, José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro.

Em discurso para uma plateia de cerca de 3.000 pessoas, Lula fez acenos à China, ao agronegócio e disse que o país precisa de tranquilidade e verdade para avançar política e economicamente.

"Eu, se pudesse, ia fazer um decreto, 'é proibido mentir. Quem mentir, quem mentir vai ser preso'. Porque a gente não pode viver subordinado a mentira, a gente não pode viver subordinado a maldade, a gente não pode viver subordinado a intriga", afirmou.

Ao cumprimentar as autoridades presentes, Lula elogiou o empresário Zé Mineiro, fundador da JBS, e disse que fica "sempre muito orgulhoso quando alguém consegue vencer na vida". Na sequência, afirmou que o patriarca criou uma família predestinada a ter sucesso.

"Ele criou uma família, que é uma família que todas elas estão predestinadas a ter sucesso, e eu quero cumprimentar o Joesley, o Wesley aqui, que são os herdeiros primeiros deles, responsáveis por que essa empresa se transformasse na maior empresa produtora de proteína animal do mundo", disse.

Depois, ao citar projeções de crescimento para a indústria automobilística no país, o presidente brincou com o empresário: "Até você vai poder comprar carro novo, Joesley."

Lula destacou ainda que os chineses fizeram vistoria naquele frigorífico em 2018, no governo Michel Temer (MDB), mas na época as exportações não foram autorizadas. E lembrou que naquele ano estava na cadeia: "Eu estava preso na Polícia Federal, eu estava preso por conta da maior mentira já contada nesse país, que a história se encarregará de provar."

Também disse que ser preciso construir um Brasil sem fake news, da mentira e acusações. Sem citar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), destacou que "as pessoas precisam saber que quem é eleito presidente da República não tem o direito de falar bobagem."

O evento foi mais um ato da reaparição dos irmãos Batista no centro da vida empresarial e política do país. Ambos estavam afastados do conselho de administração da JBS desde maio de 2017, quando renunciaram aos cargos por pressão do mercado em meio a investigações da Operação Lava Jato.

Ambos firmaram um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, validado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2017. 

Na época, Joesley disse em depoimento ter depositado aproximadamente US$ 150 milhões em contas no exterior, a pedido do ex-ministro petista Guido Mantega. Essas contas teriam sido usadas em benefício de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff, ambos do PT, e foi gasto, segundo ele, "tudo em campanha".

Ele não afirmou ter tratado desse assunto diretamente com Lula ou com Dilma, apenas com Mantega, e disse que inicialmente nem sabia que o dinheiro tinha alguma vinculação com os dois. As defesas de Lula e Dilma sempre afirmaram que eles jamais solicitaram pagamentos ilegais.

Em março deste ano, os nomes de Wesley e Joesley foram apresentados para retornar ao conselho da empresa. No ano passado, os dois integraram comitiva do presidente Lula em viagem à China.

Uma estrutura para 3.000 pessoas foi montada na fábrica para receber o presidente. Do lado de fora, trabalhadores da indústria estenderam faixas em duas carretas com a frase "primeiro embarque para a China. Novos mercados".

Ao todo, 38 fábricas brasileiras foram habilitadas para exportação, incluindo 24 de processamento de bovinos, 8 de frangos, uma de termoprocessamento e cinco entrepostos, segundo o Ministério da Agricultura.

O evento também teve a participação do governador Eduardo Riedel (PSDB), que em 2022 apoiou Jair Bolsonaro para a presidência desde o primeiro turno. Em discurso nesta sexta-feira, ele elogiou o presidente Lula.

"O presidente sempre foi um homem que respeita as diferenças, que em momento algum colocou oposição política acima da relação federativa da União com o Mato Grosso do Sul, e aqui no nosso estado não haverá nunca qualquer tipo de discussão que ponha a democracia em segundo plano", disse.

A visita a Mato Grosso do Sul marca uma ofensiva de Lula para retomar pontes com o agronegócio. O setor está mais ligado ideologicamente ao ex-presidente Bolsonaro e a maioria de seus representantes no Congresso faz oposição à gestão petista.

Desde que assumiu a Presidência para seu terceiro mandato, Lula tem dado sinais trocados em relação ao agronegócio. De um lado, evitou referendar pautas de interesse do setor, como a lei aprovada pelo Congresso que instituída um marco temporal para demarcação de terras indígenas.

A tese do marco, defendida pela FPA (Frente Parlamentar Agropecuária), determina que as terras indígenas devem se restringir à área ocupada pelos povos na data da promulgação da Constituição Federal de 1988

Por outro lado, Lula lançou no ano passado aquele que foi considerado Plano Safra da história, com liberação de até R$ 430 bilhões em crédito para o período entre 2023 e 2024.

Esta foi a primeira vez que o presidente faz uma visita oficial a um dos três estados do Centro-oeste no atual mandato. Com a economia ancorada no agronegócio, a região deu ampla maioria a Bolsonaro nas últimas duas eleições presidenciais.

Em junho do ano passado, o presidente participou de uma feira agropecuária em Luís Eduardo Magalhães (BA), ocasião em que defendeu uma conciliação entre pequenos e grandes agricultores e incentivou que os brasileiros joguem o "ódio na lata do lixo".
 

Relatoria

Fux é sorteado relator de ação que busca acesso a visitas de esposa de Moraes ao Senado

Kilter acionou a Justiça Federal do Paraná, que declarou sua incompetência para julgar o caso.

22/09/2026 13h30

Ministro Luiz Fux

Ministro Luiz Fux FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux foi sorteado relator do mandado de segurança que busca obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a liberar informações sobre as entradas e saídas da mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e do banqueiro Daniel Vorcaro das dependências do Senado.

Moraes havia sido sorteado relator no dia 18, mas, na última segunda-feira, 21, ele se declarou suspeito para julgar o caso.

O pedido foi feito pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), candidato a deputado federal, após ter um pedido com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) negado pelo Senado.

O argumento da negativa foi que os dados de acesso de pessoas às dependências do Senado são informações de caráter pessoal.

Após a negativa do Senado, Kilter acionou a Justiça Federal do Paraná, que declarou sua incompetência para julgar o caso. A juíza Thais Sampaio da Silva Machado entendeu que apenas o Supremo pode julgar um mandado de segurança contra ação do presidente do Senado.

Eleições 2026

Eduardo Riedel deve vencer eleições a governador no 1.º turno

A 12 dias da eleição para governador, pesquisa mostra Eduardo Riedel com 64,15% e Fábio Trad com 18,70% dos votos válidos

22/09/2026 07h45

Marcelo Victor

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A 12 dias do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, o governador Eduardo Riedel (PP) aparece com 64,15% dos votos válidos na disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul e seria reeleito sem necessidade de segundo turno, aponta a nova rodada da pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Resultado (IPR) e Correio do Estado.

Ainda nesse recorte, que exclui eleitores indecisos e aqueles que declararam voto branco ou nulo, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) tem 18,70%, portanto, Riedel está acima dos 50% necessários para eliminar do pleito a realização de um segundo turno. Pelas regras eleitorais, só há segundo turno para governador quando nenhum candidato alcança maioria absoluta dos votos válidos. 

A conversão para votos válidos considera 583 das 784 entrevistas realizadas pelo instituto. Foram retiradas da conta as 143 respostas de indecisos e as 58 respostas de branco ou nulo, que juntas representam 25,64% da amostra. No resultado original da pesquisa estimulada, Riedel tem 47,70% das intenções de voto e Fábio Trad, 13,90%. 

Depois dos dois primeiros, aparecem o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD), com 6,86% dos votos válidos, o deputado estadual João Henrique Catan (Novo), com 3,43%, e Lucien Rezende (Psol), com 3,09%. O indígena Daniel Lemes (PCO) e o Economista Renato Gomes (DC) têm 1,37% cada, enquanto o jornalista Jeferson Bezerra (Agir) registra 1,03%.

No resultado sobre o total de entrevistados, antes da exclusão dos indecisos, brancos e nulos, Delcídio soma 5,10%, Catan aparece com 2,55% e Lucien tem 2,30%. Daniel Lemes e Renato Gomes registram 1,02% cada, e Jeferson Bezerra, 0,77%.

A distância entre Riedel e Fábio Trad no cálculo dos votos válidos é de 45,45 pontos porcentuais. O recorte, porém, representa uma conversão matemática das respostas da pesquisa e não uma projeção do resultado das urnas.

Na comparação com a rodada de agosto, considerando os porcentuais sobre o total da amostra, Riedel passou de 44,77% para 47,70%, uma variação de 2,93 pontos porcentuais. Fábio Trad oscilou de 13,78% para 13,90%. Catan passou de 4,85% para 2,55%. 

ESPONTÂNEA

O domínio de Riedel também aparece quando são calculados os votos válidos da pesquisa espontânea, modalidade em que o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos.

Fonte: IPR/Correio do Estado 

Nesse cenário, foram contabilizadas 224 respostas válidas entre os 784 entrevistados. Riedel concentra 77,68% dos votos válidos, seguido por Fábio Trad, com 12,95%, e Catan, com 4,02%.

Delcídio aparece com 1,79%, Renato Gomes com 1,34% e Lucien Rezende com 0,89%. Reinaldo Azambuja, Jeferson Bezerra e Tiago Botelho ficam com 0,45% cada.

A diferença entre o número de votos válidos e o total da amostra é explicada principalmente pelo elevado número de eleitores que ainda não citaram espontaneamente um candidato. Na pesquisa original, 69,64% se declararam indecisos e 1,79% responderam branco ou nulo. Riedel foi citado espontaneamente por 22,19% do total de entrevistados e Fábio Trad, por 3,70%.

REJEIÇÃO

A pesquisa também perguntou em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum para governador. Fábio Trad é citado por 15,18%, seguido por Delcídio do Amaral, com 7,27%, e Eduardo Riedel, com 5,61%. 

João Henrique Catan aparece com 1,66%. Jeferson Bezerra e Lucien Rezende têm 1,28% cada, Daniel Lemes registra 0,64% e Renato Gomes, 0,38%.

Ao mesmo tempo, 50,13% afirmaram não rejeitar nenhum candidato. Outros 9,44% disseram rejeitar todos, 4,97% não souberam responder e 2,17% optaram por branco ou nulo.

DADOS

O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 19 de setembro de 2026 e ouviu 784 eleitores com 16 anos ou mais em Mato Grosso do Sul. A margem de erro é de 3,5 pontos porcentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. 

A pesquisa IPR/Correio do Estado está registrada na Justiça Eleitoral sob os números BR-05239/2026 e MS-06794/2026.

O primeiro turno das eleições deste ano será realizado no dia 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno para governador está previsto para o dia 25 de outubro.

ANÁLISE

Para o diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, a sequência de pesquisas mostra que Eduardo Riedel chega aos últimos dias de campanha mantendo praticamente o mesmo patamar registrado no início do ano, enquanto os adversários não conseguiram avançar de forma consistente.

“Riedel chega à reta final com um eleitorado bastante estável. Nas cinco pesquisas, as oscilações ficaram dentro da margem de erro e, agora, ele volta praticamente ao mesmo porcentual registrado no começo da série”, afirmou Aruaque Barbosa.

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