No dia 7 de março, terá início o prazo para a troca de partido para os vereadores que tentarão a reeleição, a chamada janela partidária, que permite aos candidatos que detêm mandato trocar de legenda sem que sejam punidos por infidelidade partidária, como determina a legislação eleitoral.
Em Campo Grande, conforme apuração do Correio do Estado, dos 29 vereadores, pelo menos 15 já manifestaram o desejo de mudar de legenda e terão até o dia 5 de abril para confirmar ou não a troca, ou seja, mais da metade da Câmara Municipal deve deixar o partido pelo qual foi eleita para tentar
a reeleição por uma outra sigla, demonstrando um alto porcentual de infidelidade partidária.
A reportagem levantou que PSDB e PP devem se tornar as maiores bancadas da Casa de Leis, com sete parlamentares cada um. No caso dos tucanos, o partido deixará de ter apenas três vereadores Ademir Santana, Claudinho Serra e Professor Juari e passará a ter sete, com as chegadas de William Maksoud (PTB), Zé da Farmácia (Podemos), Dr. Victor Rocha (PP), Papy (Solidariedade) e Silvio Pitu (PSD).
No entanto, o PSDB perderá Claudinho Serra, que terá de sair para o retorno de João Rocha (PP), enquanto os progressistas devem perder o Dr. Victor Rocha, mas podem ganhar o reforço dos vereadores Beto Avelar (PSD), Edu Miranda (Patriota), Sandro Benites (Patriota) que retornará ao cargo no lugar de Paulo Lands , Professor Riverton (PSD), Valdir Gomes (PSD) e Delei Pinheiro (PSD).
O MDB deve se tornar a terceira maior bancada, com três vereadores, pois, além de Dr. Jamal e Dr. Loester, pode ganhar o reforço de Junior Coringa (PSD), enquanto o PSB, que hoje conta apenas com o vereador Carlão, pode ganhar o reforço de Marcos Tabosa (PDT) e o Podemos continuará com Ronilço Guerreiro e Clodoilson Pires, perdendo apenas Zé da Farmácia.
Com dois parlamentares deve continuar o PT, com Luiza Ribeiro e Ayrton Araújo, e o União Brasil pode passar de um para dois, já que, além do Coronel Villasanti, deve receber Gilmar da Cruz.
Já o PSD, que atualmente é a maior bancada da Casa de Leis, com oito parlamentares, passará a ter apenas Otávio Trad, assim como o Rede, com o Professor André Luis, o Republicanos, com Betinho, e o PL, que até então não tem nenhum representante, poderá ter Tiago Vargas.

REELEIÇÃO
O enfraquecimento do PSD e o fortalecimento de PSDB e PP são um claro reflexo do resultado das eleições gerais de 2022, quando o ex-prefeito Marquinhos Trad (PSD) foi o grande derrotado na disputa pelo cargo de governador, enquanto seus adversários diretos tucanos e progressistas saíram vitoriosos, um elegendo o governador Eduardo Riedel, e o outro, a senadora Tereza Cristina.
A derrota de Marquinhos Trad acendeu uma luz vermelha para os oito vereadores que o partido tem na Câmara Municipal e, com exceção de Otávio Trad, que é da família do ex-prefeito, todos os outros vão trocar de sigla para tentar garantir a reeleição e, consequentemente, o futuro político.
Obviamente, eles escolheram entre PP e PSDB porque o primeiro conta com Tereza Cristina e, mais recentemente, ganhou o reforço da atual prefeita Adriane Lopes, enquanto o segundo é o partido do atual governador e tem como pré-candidato a prefeito o deputado federal Beto Pereira.
A força dessas duas legendas também seduziu outros vereadores, que enxergam em ambas melhores chances para disputar a eleição municipal e garantir a reeleição, possibilidade que não vislumbram nas atuais siglas.
A exceção ficou por conta do Podemos, que, antes da troca de comando, do empresário Sérgio Murilo pela senadora Soraya Thronicke, poderia perder seus três vereadores, mas, com a chegada da parlamentar federal e a aproximação do partido com o PSDB do governador Eduardo Riedel, que teria costurado a troca de comando com a executiva nacional da legenda, dois vereadores optaram pela continuidade na sigla.
ANÁLISE
Para o cientista político Tércio Albuquerque, a análise que pode ser feita é que praticamente 50% dos titulares do Legislativo municipal em Campo Grande se aproveitaram da janela partidária para migrar para outros partidos.
"A janela foi criada para facilitar esse tipo de situação, evitando o que se tornaria naturalmente difícil de se comprovar, isto é, uma infidelidade partidária, que seria motivação até para a perda de mandato para o partido. Então, para evitar esse tipo de situação e apuração, que é realmente muita complexa, criou-se a janela partidária, normalmente próxima das eleições, e isso acabou por permitir essa dança das cadeiras e esse jogo de interesses", lamentou.
Albuquerque reforçou que, com isso, não há mais fidelidade partidária. "Existe conveniência e interesses pessoais partidários, e isso decorre, inicialmente, pelo grande número de partidos que, em época de eleição, viram tábuas de salvação para candidatos buscarem aqueles que lhes dão mais visibilidade e recursos financeiros, ou seja, que lhes ofereçam uma efetiva oportunidade de reeleição ou até mesmo uma eleição", complementou.
"Mas não podemos esquecer que, sim, não há mais fidelidade partidária, pois dentro de uma situação normal, não se permitiria esse tipo de dança partidária, como nós enxergamos em todas as janelas partidárias abertas em anos eleitorais", pontuou.
O cientista político projetou que essa situação continuará a ser observada, bastando olhar os estatutos de criação dos 30 partidos que hoje têm representatividade.
"Nós vamos verificar que todos têm a mesma dicção, a mesma redação, ou seja, todos proclamam democracia e bem-estar da população, mas nenhum deles efetivamente se presta a isso, mas sim para conveniências pessoais de políticos, seja para efeito financeiro, seja para efeito de status social, seja para efeito de garantia de manutenção do poder em um país que se permite reiteradas eleições", criticou.
Albuquerque adicionou que, infelizmente, estamos diante de uma total infidelidade a qualquer tipo de situação partidária que se possa observar.
"A partir daí, não se pode esperar muito desses políticos. Claro, todos dirão que há uma oportunidade legal para que novas agremiações se apresentem e que eles então migrem para esses lugares. Mas, na verdade, falta mesmo é ética política e interesse pelo eleitor. Cada dia mais, o que vai valer é o interesse pessoal de cada um desses políticos", comentou.





