Política

Entrevista

'Me afastarei de candidaturas, mas não abandonarei a política', diz André Puccinelli

'Me afastarei de candidaturas, mas não abandonarei a política', diz André Puccinelli

Milena Crestani

05/01/2014 - 18h00
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Há 31 anos, André Puccinelli iniciava sua carreira política como secretário Estadual de Saúde, função que ocupou em 1983 depois de anos atuando como médico em Fátima do Sul e Campo Grande. Foi deputado estadual, federal e, depois, por dois mandatos, prefeito de Campo Grande. Em 2014, completa seu oitavo e último ano como governador de Mato Grosso do Sul. Sua meta é a aposentadoria. Mesmo com essa intenção, o nome de Puccinelli é constantemente citado para candidaturas, a exemplo do Senado e até um possível retorno à Prefeitura de Campo Grande, em 2016. Os planos dele demonstram total interesse em encerrar sua vida pública, chegando a fazer um apelo ao PMDB para que o deixem ir para a casa. Nesta entrevista, ele faz uma avaliação do trabalho desenvolvido, mas reconhece que ainda há muito a fazer. Garante deixar todas as contas do governo em dia para seu sucessor e destaca que Mato Grosso do Sul demonstra-se hoje mais pujante e forte. Seu sonho era que cada sul-mato-grossense tivesse uma moradia, mas deixará o governo sem realizá-lo.

CORREIO PERGUNTA Como o senhor avalia esses sete anos à frente do governo estadual?
Nosso governo fez bastante por Mato Grosso do Sul, graças ao trabalho em equipe, conseguindo números positivos, diante de um estado beirando a insolvência. Quando comecei no governo, a dívida era de R$ 6.098.000.000,00 e R$ 1.167.000.000,00 vencidos com a União. Disto, ainda estamos devendo cerca de R$ 480.000.000,00, com a dívida totalizando R$ 7.941.000.000,00. Antes, o montante representava 181% da receita corrente líquida. Com a dívida atual, quando formos entregar o governo em 2014, vai representar 116%, mesmo com os empréstimos novos. Temos 3.662 quilômetros de estradas construídas e recapeadas. Fizemos 64 mil casas entre construídas, em construção e obras contratadas. Pretendemos chegar a 70 mil concluídas e pagas. Fizemos mais de 20 escolas, Vale Renda, além de outras atividades sociais e assistenciais que atendem aproximadamente 100 mil famílias. Na saúde, são quatro hospitais e estamos fazendo mais quatro até o fim do meu mandato.

Esses investimentos na área da saúde têm reduzido a demanda de pacientes para Campo Grande?
Estamos aumentando a resolutividade nos polos, como em Naviraí, Dourados, Ponta Porã. Entregamos o hospital em Coxim, onde recentemente foi feita a primeira cirurgia por videolaparoscopia e também entregamos um tomógrafo. Antes, todos os pacientes tinham que vir para Campo Grande. Estamos fazendo com que as unidades sejam hierarquizadas de maneira que estanquem a vinda de pacientes com todo tipo de patologia para Campo Grande. Apesar disso tudo, ainda falta fazer muito.

O que destaca na área econômica?
O Estado mudou sua base econômica e está se industrializando cada vez mais, num ritmo de industrialização muito maior que o nacional. Enquanto no Brasil, em 2012, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 0,9%, Mato Grosso do Sul teve um PIB perto de 4%. O Estado está se desenvolvendo bem para melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas ainda falta bastante por fazer. A gente sabe que não fez tudo. A infraestrutura e a industrialização melhoraram enormemente. Na parte de ação social, estamos atendendo 100 mil famílias, maior número percentualizado da história em programas de assistência social por parte do governo. Temos o Vale Renda, que atende 60 mil famílias, o Vale Universidade e repasso dinheiro para o cofinanciamento, junto das prefeituras, da assistência social dos municípios, por meio do Fundo de Investimentos à Saúde (FIS). São R$ 9 milhões investidos na saúde e na assistência social. Apesar de nosso governo ter sido considerado mais obreiro, há muitos investimentos na área social: na saúde, educação, assistência social, habitação e geração de emprego. Isso é ação social. Ninguém construiu tantas casas como nós, ninguém fez tantos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), ninguém teve percentual tão alto de famílias na assistência social. Ninguém fez tantos hospitais. A característica social foi muito maior no segundo mandato do que a infraestrutura, que continua, mas foi única no primeiro.

Mesmo assim, no ano passado o senhor lançou mais um pacote de obras para a cidade. Como está o andamento?
Praticamente todas as ações do MS Forte 2 já começaram em 2013. Tudo que se trate de execução física estará pronto até o fim de 2014.

O que gostaria de ter feito diferente em seu governo?
Não tivemos recursos suficientes para fazer mais na área da educação, da saúde e habitação. As metas sempre devem ser 100%. Diminuímos pela metade a fila de pessoas à espera de casas, apesar de ter crescido em Mato Grosso do Sul o número de casais. O ideal seria ter uma casa para todos. Ter uma escola que não tivesse 30 alunos por sala de aula, mas conseguimos melhorar. Hoje nenhuma tem excedente, como era antigamente quando havia de 35 a 40 alunos por sala.

Dentre essas metas, qual gostaria de ter alcançado?
Um teto para cada família sul-mato-grossense. Que todas as famílias tivessem uma casa sua. É o que mais me marcaria. Tanto que temos 64 mil residências entregues e chegaremos a, no mínimo, 70 mil até o fim de 2014. Essa seria a coisa mais gratificante.

Como deixará o caixa do governo para seu sucessor?
No dia 1 de dezembro de 2014, pagarei o mês trabalhado de novembro. No dia 19 de dezembro de 2014, pago o 13º salário. No dia 29 de dezembro de 2014, pago o mês de dezembro trabalhado. Apesar da dívida em número ser maior, ela comia 181% do orçamento e hoje chega a 116%. Com toda infraestrutura de estradas e casas, melhorou a qualidade de vida. O Estado é mais solvente, mais pujante, mais forte, mais sólido.

A que atribui a mudança da matriz econômica?
Aumentei os incentivos fiscais e tributários para o Estado ser mais ousado e agressivo em busca de captação de indústrias. Por isso, tivemos uma enxurrada de empresas que vieram para cá. Cheguei a oferecer até 90% de isenção, através dos incentivos fiscais, para propiciar que (as empresas) saíssem de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e até da China.

Há muitas dúvidas sobre seu futuro político. O senhor declara que tem a intenção de se aposentar, mas recentemente afirmou ainda haver a possibilidade de disputar algum cargo em 2014. O que vai fazer?
Vou para casa... essa dúvida será esclarecida no dia 6 de abril. Se eu não sair do governo, é sinal que estava falando a verdade. Você nunca pode dizer 100%, mas é.

A vontade do senhor é essa...
Acho que está na hora de renovar. Não é que estou abandonando a política. Estou me afastando de candidaturas, vou continuar na política. Acho que está na hora de renovar. Tem gente nova no pedaço.

O que destaca e como avalia sua carreira política até agora?
As conquistas aconteceram depois de muito trabalho, sempre no mesmo partido, crescendo e apoiando companheiros, não querendo dar cotovelada em todo mundo. Em apoio a candidatos a prefeito, deputados estaduais, federais, senadores e prefeitos. Há uma linha partidária e espírito de união com companheiros.

Chegou a ser cogitado que voltasse a se candidatar como prefeito de Campo Grande. Qual análise o senhor faz deste mandato e também do tempo à frente do governo e da prefeitura?
A análise do governo somente pode ser feita depois que terminarmos. Na prefeitura, durante o segundo mandato, fizemos uma revolução em Campo Grande. Já tínhamos experiência absoluta e tínhamos solidificado a Prefeitura de Campo Grande. Por dois anos seguidos, em 2003 e 2004, fui considerado o melhor prefeito das capitais brasileiras. Atribuo isso a trabalho em equipe. Uma equipe desapaixonada, em que cada secretário não se sente acima dos outros. Uma equipe uniforme, coesa, competente e trabalhadora. 

ex-deputado

ICE prende Alexandre Ramagem nos Estados Unidos

Nome de ex-deputado aparece na lista de pessoas "sob custódia"

13/04/2026 15h30

Alexandre Ramagem fugiu para os EUA após condenação pelo STF

Alexandre Ramagem fugiu para os EUA após condenação pelo STF Divulgação

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O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) está sob custódia do serviço de imigração e alfândega dos EUA, conhecido pela sigla ICE (ICE U.S. Immigration and Customs Enforcement).

O nome de Ramagem aparece no site do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos com a situação "sob custódia do ICE". O local de detenção não foi informado. 

Em setembro do ano passado, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito.

Proibido de sair do país, o ex-deputado saiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.

O nome de Ramagem consta na lista de foragidos procurados da Interpol. O governo brasileiro solicitou aos Estados Unidos a extradição de Alexandre Ramagem. O pedido de extradição foi entregue pela Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado no final de dezembro de 2025.

Depoimento

Em fevereiro, Ramagem prestou depoimento, por videoconferência, ao STF na ação penal da trama golpista que estava suspensa e voltou a tramitar após ele perder o mandato.

Ramagem foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) e perdeu o mandato parlamentar em dezembro de 2025, por ato da Mesa Câmara em razão de condenação no Supremo Tribunal Federal.

Alexandre Ramagem era delegado de carreira da Polícia Federal, e foi demitido após a condenação.

ELEIÇÕES 2026

Ex-secretários e vice-prefeita disputam suplência de Azambuja

Três nomes estariam no páreo para a vaga na chapa que será encabeçada pelo ex-governador de Mato Grosso do Sul

13/04/2026 08h00

O ex-secretário Felipe Mattos, a vice-prefeita Gianni Nogueira e o ex-secretário Jaime Verruck

O ex-secretário Felipe Mattos, a vice-prefeita Gianni Nogueira e o ex-secretário Jaime Verruck Montagem

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A disputa pela primeira-suplência na chapa ao Senado encabeçada pelo ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente do PL em Mato Grosso do Sul, já movimenta os bastidores da política sul-mato-grossense a seis meses das eleições do dia 4 de outubro. 

De acordo com apurações do Correio do Estado, com a pré-candidatura de Azambuja ainda em articulação, mas praticamente com uma das duas vagas já assegurada pelas lideranças nacionais do PL, três nomes despontam como postulantes ao posto estratégico na composição eleitoral.

Trata-se do ex-secretário de Estado de Fazenda Felipe Mattos, apontado como favorito, da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), vista como a “azarona” do trio, e do ex-secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação Jaime Verruck (Republicanos), tido como o preferido pelo governador Eduardo Riedel (PP).

Favorito para ficar com a vaga, Felipe Mattos tem como trunfos para garantir espaço na chapa a experiência administrativa e a proximidade com a gestão do ex-governador, afinal, ele esteve na administração Azambuja desde o primeiro mandato. 

Ele começou como consultor jurídico e, em janeiro de 2019, assumiu a Secretária de Estado de Fazenda (Sefaz), onde era o homem de confiança do então governador, sendo o responsável por azeitar a máquina econômica sul-mato-grossense. 

Quando Felipe Mattos chegou ao governo, o Estado arrecadava em torno de R$ 10 bilhões anuais e, quando deixou o cargo, em março de 2022, a arrecadação estava em R$ 18 bilhões ao ano, sendo investidos R$ 3 bilhões em obras só na parte viária.

Outro nome na disputa, Jaime Verruck também carrega bagagem técnica e trânsito político dentro da gestão do ex-governador e do atual governador, pois esteve à frente da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) desde 2015.

Ou seja, ao longo dos últimos 11 anos, ele esteve no comando da secretaria, o que lhe deu o título de “supersecretário”, tanto na administração de Azambuja quanto na de Riedel. Verruck, que tem trajetória na indústria, assumiu o cargo de secretário em janeiro de 2015, no primeiro mandato de Azambuja, e se consolidou como o secretário mais longevo do Estado. 

Por ter perfil técnico, esteve no comando de negociações e reestruturações estaduais, como incentivos fiscais e atração de investimentos. Fechando a lista de interessados, aparece a vice-prefeita Gianni Nogueira, que fortalece sua candidatura com base política na segunda maior cidade do Estado e pelo vínculo com o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), o Gordinho do Bolsonaro, de quem é esposa.

A definição do nome que ocupará a primeira-suplência é considerada peça-chave na estratégia eleitoral, já que o posto pode ampliar alianças regionais, fortalecer a capilaridade da campanha e garantir sustentação política ao projeto do PL em Mato Grosso do Sul. 

Nos bastidores, lideranças partidárias avaliam não apenas o peso político de cada pré-candidato, mas também critérios como densidade eleitoral, capacidade de articulação e equilíbrio regional. A expectativa é de que a escolha seja feita nas próximas semanas, à medida que avançam as negociações para a formação completa da chapa.

Questionado pelo Correio do Estado sobre qual dos três nomes deve ser escolhido, Reinaldo Azambuja desconversou, dizendo que ainda está muito cedo para isso, porém, não negou que Felipe Mattos, Jaime Verruck e Gianni Nogueira estejam no páreo.

“Para ser bem sincero, ainda não me decidi. Vou analisar as alternativas para tomar essa decisão mais adiante, pois o primeiro-suplente terá um papel estratégico dentro da minha campanha eleitoral”, declarou.

Embora não seja eleito diretamente pelo voto, o primeiro-suplente pode acabar exercendo mandato por longos períodos, afinal, ele tem de assumir o cargo sempre que o senador se afasta, seja por licença, doença, viagem ou para ocupar outro cargo (como ministro, secretário ou governador).

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