Política

ELEIÇÕES 2026

Nelsinho oficializa desistência da reeleição e confirma vaga de suplente na chapa de Azambuja

Senador afirma que atendeu orientação da direção nacional do PSD e diz que decisão prioriza a unidade política em Mato Grosso do Sul

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O senador Nelsinho Trad (PSD) oficializou, no fim da noite de ontem (31), a desistência da candidatura à reeleição ao Senado Federal e confirmou que disputará as eleições de 4 de outubro como primeiro suplente na chapa encabeçada pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato a uma das duas vagas ao Senado por Mato Grosso do Sul.

Em nota oficial, o parlamentar afirmou que a decisão foi tomada em atendimento à orientação da direção nacional do PSD, presidida por Gilberto Kassab, e que a mudança faz parte da estratégia de fortalecimento da aliança política formada em torno do governador Eduardo Riedel (PP).

Segundo Nelsinho, a escolha representa um gesto de unidade e compromisso com os interesses do Estado. "A verdadeira política não se faz com vaidades individuais, mas com espírito coletivo e amor pela nossa gente", afirmou.

O senador reconheceu que abrir mão da tentativa de conquistar um novo mandato não foi uma decisão fácil, destacando o trabalho realizado durante sua atuação no Senado em favor dos 79 municípios sul-mato-grossenses. Apesar disso, afirmou que, em momentos decisivos, cabe às lideranças colocar os interesses do grupo político acima dos projetos pessoais.

Na manifestação, Nelsinho ressaltou que não considera a mudança um recuo político, mas uma forma de fortalecer a aliança. "Não dou um passo atrás; dou um passo ao lado para somar forças", declarou.

O parlamentar também elogiou o ex-governador Reinaldo Azambuja, afirmando que sua candidatura representa a continuidade de um projeto administrativo para Mato Grosso do Sul. Segundo ele, sua participação como suplente garantirá que a experiência e a articulação política do PSD permaneçam representadas nas decisões do grupo.

Ao encerrar a nota, Nelsinho Trad reafirmou fidelidade ao PSD e disse que continuará atuando em favor da população sul-mato-grossense. "Sigo de pé, jogando pelo time, fiel ao meu partido e, acima de tudo, dedicado a servir à população sul-mato-grossense até o último dia da minha vida pública", concluiu.

Nos bastidores, o entendimento firmado entre as lideranças da aliança governista também prevê a filiação de Nelsinho ao PL. A legenda passará a concentrar as principais lideranças do grupo político liderado por Reinaldo Azambuja e pelo governador Eduardo Riedel, que busca a reeleição neste ano.

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, a decisão foi consolidada após um dia de intensas negociações envolvendo dirigentes partidários e integrantes da base aliada. Com a mudança, Nelsinho abre mão de disputar um mandato de oito anos no Senado para reforçar uma chapa considerada estratégica e preservar protagonismo no cenário político estadual.

A definição reorganiza completamente a disputa pelas duas vagas ao Senado. Reinaldo Azambuja permanece como um dos candidatos da coligação, enquanto a segunda vaga continua sendo ocupada pelo ex-deputado estadual Capitão Contar (PL). A entrada de Nelsinho como primeiro suplente é interpretada por aliados como um movimento para ampliar a competitividade da chapa e evitar a dispersão de votos entre candidaturas do mesmo grupo político.

O acordo também produz reflexos no planejamento eleitoral de médio prazo. Nos bastidores, a composição é tratada como o primeiro grande movimento para a sucessão da Prefeitura de Campo Grande, em 2028. A avaliação de integrantes da aliança é que, ao garantir desde agora apoio político a Nelsinho, o grupo reduz o risco de disputas internas e pavimenta a construção de uma candidatura única para a Capital.

A saída de Nelsinho da disputa direta pelo Senado também altera o cenário eleitoral da eleição proporcional. Se antes a disputa envolvia diretamente o senador, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, sua desistência abre espaço para que outros postulantes ampliem suas chances durante a campanha. Entre eles está o deputado federal Vander Loubet (PT), que poderá ganhar espaço na corrida por uma das vagas.

Outro efeito imediato do acordo é a reorganização das estratégias dos partidos adversários. Sem Nelsinho na disputa direta, a tendência é de uma campanha mais polarizada entre a chapa governista e os demais candidatos ao Senado, aumentando o peso das alianças regionais, da transferência de votos e da mobilização política durante o período eleitoral.

A composição também evidencia uma mudança de estratégia do grupo liderado por Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel. Em vez de estimular uma disputa interna entre aliados, a prioridade passou a ser a construção de um projeto político de longo prazo, voltado não apenas às eleições de 2026, mas também às disputas estaduais e municipais dos próximos anos.

Nova casa

Depois de anos no PSD, Nelsinho deverá se filiar ao PL, partido que pretende ampliar sua influência em Mato Grosso do Sul reunindo algumas das principais lideranças da aliança governista.

Outro aspecto considerado estratégico é a posição de primeiro suplente. Caso Reinaldo Azambuja venha a deixar o Senado para assumir um cargo no Poder Executivo ou disputar outra eleição durante o mandato, Nelsinho poderá assumir a cadeira no Congresso Nacional.

A avaliação entre integrantes da base aliada é de que o entendimento beneficia todos os envolvidos. Reinaldo amplia o alcance político de sua candidatura, Eduardo Riedel preserva a unidade do bloco governista e Nelsinho mantém protagonismo no cenário estadual enquanto direciona seu projeto político para uma futura disputa pela Prefeitura de Campo Grande.

Até então, o senador mantinha sua pré-candidatura à reeleição e participava das negociações para definir os nomes que ocupariam suas suplências. A mudança de estratégia altera significativamente o tabuleiro político às vésperas do encerramento das convenções partidárias e redesenha o planejamento eleitoral do grupo para os próximos anos.

A nova composição deverá ser oficializada durante a convenção da coligação, ocasião em que também serão homologadas as candidaturas ao Governo do Estado, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Segundo suplente

A principal mudança na chapa de Reinaldo Azambuja ocorreu justamente na composição das suplências. O ex-secretário estadual de Fazenda Felipe Mattos, apontado até então como favorito para ocupar a primeira suplência, deverá ser confirmado como segundo suplente após o acordo que levou Nelsinho Trad a retirar sua candidatura à reeleição.

Integrante da equipe de Reinaldo desde o início de sua gestão, Felipe Mattos começou sua trajetória no governo como consultor jurídico e, em janeiro de 2019, assumiu o comando da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz). Durante sua gestão, a arrecadação anual de Mato Grosso do Sul passou de aproximadamente R$ 10 bilhões para cerca de R$ 18 bilhões, período em que o Estado ampliou investimentos em infraestrutura, especialmente na malha rodoviária.

Com a nova configuração, Nelsinho ocupará a primeira suplência e Felipe Mattos deverá assumir a segunda suplência, preservando espaço na chapa e fortalecendo o acordo político firmado entre Reinaldo Azambuja, Eduardo Riedel e o senador para as eleições deste ano.

stf

Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino sobre comando da Polícia Federal

Presidente do STF considerou que decisões conflitantes de dois ministros da Corte obrigavam uma correção imediata

09/09/2026 16h18

Ministro Luiz Edson Fachin, do STF

Ministro Luiz Edson Fachin, do STF Foto: Gerson Oliveira

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu as decisões mais recentes dos ministros André Mendonça e Flávio Dino. O primeiro havia determinado o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O segundo, restituído o delegado ao posto. Com a nova decisão de Fachin, Rodrigues é mantido no comando da PF até que a decisão final sobre o caso seja tomada pelo presidente do Supremo.

Na decisão, repreende publicamente Mendonça e Dino pela guerra de liminares. "É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência."

Também diz que decisões monocráticas em sentidos opostos, comprometem a integridade do tribunal e a ordem pública.

"Delineia-se, assim, quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal: decisões monocráticas sucessivas, proferidas por integrantes desta Corte em incidentes distintos, mas entrelaçados pelos mesmos fatos e autoridades", diz a decisão.

Fachin ressalta que havia avocado para si os processos que envolviam decisões de Mendonça e de Alexandre de Moraes sobre desdobramentos do caso Master. Mendonça tornou público relatório de 218 páginas com várias citações a Moraes e conversas que o magistrado manteve com Daniel Vorcaro. Em reação, Moraes usou relatórios de inteligência da PF apócrifos para pedir investigação de Mendonça.

Na sequência, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, o que provocou reação de Dino determinando a restrituição do delegado ao cargo na manhã desta quarta-feira.

Crise

Edson Fachin cancela sessão do STF em meio à crise entre Moraes e Mendonça

Nos bastidores da Corte, há expectativa que Fachin convoque reunião entre ministros

09/09/2026 13h15

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cancelou a sessão plenária que estava prevista para esta quarta-feira, 9. Não houve justificativa para a atitude. A decisão foi tomada logo depois que o ministro Flávio Dino revogou a decisão do colega André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.

Nos bastidores da Corte, há expectativa que Fachin convoque reunião entre ministros, ou que tome alguma decisão relativa à guerra instalada no tribunal nos últimos dias.

A crise começou quando Mendonça divulgou um relatório da Polícia Federal (PF) com trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Na sequência, Moraes pediu a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news como investigado.

Fachin, por sua vez, abriu prazo para todos os envolvidos se manifestarem. Enquanto os prazos corriam, Mendonça determinou na terça (8) a retirada de Rodrigues do cargo e, nesta quarta, Dino revogou a medida.

Havia expectativa que a sessão desta quarta fosse palco para a manifestação de ministros sobre a crise. Na terça, na Segunda Turma, que Mendonça integra, havia o mesmo risco. A sessão no colegiado também foi cancelada.

Entre os processos pautados para julgamento no plenário nesta quarta estava um que discute os poderes investigativos da Polícia Federal. Seria analisada a condução de investigações criminais por delegados de polícia, incluindo a possibilidade de requisição direta de perícias, informações, documentos e dados para a instrução de inquéritos.

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