Política

prerrogativa constitucional

OAB-MS se posiciona contra STF pelo direito de sustentação oral de advogado

O presidente Bitto Pereira e o conselheiro Mansour Elias Karmouche criticam restrição às sustentações orais nos julgamentos

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Em consonância com o posicionamento do Conselho Federal da OAB, a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS) também saiu em defesa das prerrogativas constitucionais dos operadores do Direito contra recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que já estão sendo classificadas como tentativas de silenciar advogados e prejudicar a atuação da defesa em processos que tramitam na Corte.

O episódio mais recente foi registrado na semana passada, quando o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido do defensor público Esdras Carvalho para fazer a sustentação oral durante o julgamento de um habeas corpus na 1ª Turma do STF.

O defensor argumentou que o plenário virtual, onde o processo começou a ser julgado, garante para defesa dos réus a possibilidade de fazer sustentações orais. Portanto, ele desejava se valer do mesmo direito no plenário físico.

Moraes, por sua vez, citou um trecho do regimento interno do STF que veda a realização de sustentação oral na 1ª Turma. Porém, dois dias depois, a OAB emitiu uma nota dizendo que a decisão fere a Constituição, pois está inserida no direito de defesa e, portanto, não se submete a regimentos internos, até mesmo o da Corte Suprema.

"O Estatuto da Advocacia, Lei Federal nº 8.906/94, garante o direito à sustentação oral. Essa é uma prerrogativa da advocacia que deve ser respeitada por força de lei federal. Uma norma de regimento interno, ainda que do STF, jamais estará acima de uma lei federal como é o Estatuto da Advocacia. Vamos seguir lutando para que essa prerrogativa seja respeitada", disse o presidente da OAB-MS, Bitto Pereira.

Ele complementou que o advogado, quando vai a um tribunal para uma sustentação oral, está na verdade dando voz ao cidadão que representa em juízo.

"Sem advocacia plena não há Justiça, e é exatamente isso que prevê o artigo 133 da Constituição Federal. Tais regimentos regulamentam o funcionamento dos tribunais e não podem corrigir nem suprimir direitos constitucionais regulamentados por leis federais", acrescentou.

Já na avaliação de Mansour Elias Karmouche, conselheiro federal da OAB no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), infelizmente, uma boa parte do direito à ampla defesa e ao contraditório está ficando comprometida com atos que dificultam ou reduzem o espectro defensivo no Código Penal Brasileiro. Segundo ele, isso vem partindo, lamentavelmente, da instância máxima da Justiça brasileira, no caso, o STF, 
o guardião da Constituição.

"Já há algum tempo, o Conselho Federal da OAB vem reagindo contra as limitações que o STF vem adotando, o que claramente dificulta a atuação da defesa. A primeira delas foi se posicionar contra os julgamentos virtuais de ações penais relativas aos casos de 8 de janeiro deste ano, [quando houve] invasão e depredação dos prédios dos Poderes da República. É impossível se admitir que sejam apresentados vídeos com defesas substituindo as sustentações orais, o que é uma flagrante violação ao direito de defesa", argumentou Karmouche.

O conselheiro federal adicionou ainda que agora a situação se agravou com o impedimento de manifestação de um defensor em um agravo regimental dentro de um habeas corpus, um dos principais instrumentos de defesa no ordenamento jurídico brasileiro, sob a alegação do ministro Alexandre de Moraes de que o regimento da Corte estava acima do Estatuto da Advocacia, o que, conforme Karmouche, é uma inverdade.
"Esses atos de cerceamento têm levado a uma escalada de descrédito do Poder Judiciário, especialmente do STF, que é quem interpreta a Constituição Federal, o que redundará em flagrante violação de direitos humanos, o que pode, inclusive, ser reconhecida pela Corte Interamericana [de Direitos Humanos], com a condenação do Estado brasileiro a uma série de sanções, além de obrigar o Senado à abertura de medidas contra esse arbítrio. 

A OAB está atenta e resistindo a esses abusos de forma enérgica e não medirá esforços para o restabelecimento dessa garantia essencial ao Estado Democrático de Direito", finalizou.

O Conselho Federal da OAB já tinha apontado outra tentativa do que chamou de "mordaça" por parte do STF. Na ocasião, apresentou, sem sucesso, pedido para que a então presidente Rosa Weber revertesse 
a decisão de julgar no plenário virtual os réus acusados pelos atos do dia 8 de janeiro.

Para a OAB, as sessões virtuais violam o direito à ampla defesa e ao contraditório e o devido processo legal, mesmos argumentos citados pela entidade para se queixar dos limites impostos às sustentações orais presenciais. A OAB defende o uso do plenário virtual só quando houver concordância entre as partes envolvidas.

ELEIÇÕES 2026

Augusto Cury omitiu empresas nos Estados Unidos e no Brasil em declaração ao TSE

O candidato à presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, além de duas firmas no Brasil

06/09/2026 17h00

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República Foto: Felipe Machado/Correio do Estado

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O presidenciável Augusto Cury (Avante) omitiu empresas das quais é sócio na autodeclaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato a presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, nos Estados Unidos, além de duas firmas no Brasil. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão.

Em nota, a campanha de Cury informou que as participações omitidas são "inexpressivas" no patrimônio do candidato, que foi construído "de forma lícita". A equipe do empresário também disse que "eventuais inconsistências" serão corrigidas. O pedido de retificação não havia sido enviado até a manhã deste domingo, 6.

Ao TSE, Cury declarou ter participações societárias de sete empresas, entre firmas sediadas no Brasil e no exterior. Segundo a Folha, cinco companhias das quais ele é sócio ficaram de fora da declaração. Três delas estão sediadas na Flórida: a Cury Academia Comportamental, a Contemplare Investments e a Free Mind Publish.

No Brasil, Cury não declarou a sociedade na Contemplare e na Academia de Pensar e Brincar, ambas sediadas em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Escritor de livros de autoajuda, Cury aparece em terceiro lugar na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 2. Com 10% das intenções de voto nos dois cenários avaliados pelo levantamento, o candidato cresceu oito pontos em relação à rodada anterior da pesquisa. Apesar da guinada, ele ainda está distante dos candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que polarizam a disputa.

Cury tem tido um reforço em suas redes sociais: o apoio de um exército de microinfluenciadores que não costumam publicar conteúdo sobre política nem demonstrar interesse pelo tema, além de profissionais ligados ao coach Pablo Marçal, também presidenciável pelo PRTB.

Postura

Senado não pode se omitir diante dos fatos que envolvem STF, diz Tereza Cristina

Ex-ministra de Bolsonaro é tida como uma das principais líderes da oposição no Legislativo

06/09/2026 13h45

Tereza Cristina

Tereza Cristina Andressa Anholete/Agência Senado

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Líder do PP, a senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina defendeu que o Senado não se omita diante do fatos que envolvem o Supremo Tribunal Federal.

"O Senado Federal tem responsabilidades constitucionais e não pode se omitir. A ampla defesa deve ser garantida a todos, mas não podemos ignorar suspeitas gravíssimas. Temos de buscar a verdade. Sempre com independência, transparência e respeito à Constituição", escreveu a senadora em publicação no Instagram.

Sem mencionar diretamente as revelações da última semana em que a Polícia Federal (PF) mostrou diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes, Tereza Cristina disse que a população está "estarrecida".

"A população brasileira está estarrecida com os fatos que envolvem hoje o STF. E com razão. A sociedade não pode perder a confiança nas nossas instituições. Nenhuma autoridade está acima da lei", continuou a senadora que também é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Senado.

Após a revelação da PF, senadores protocolaram novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e pressionam a presidência da Casa pela abertura dos processos.

Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), há 109 solicitações no Congresso de impeachment dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal. O Senado tem a competência constitucional de processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade.

Lider da oposição

Tereza Cristina foi contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que põe fim à escala 6x1, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última quarta-feira (2).

Além dela, os senadores Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Rogerio Marinho (PL-RN) também foram contrários ao texto aprovado. 

Em sua justificativa, destacou não ser contrária à redução trabalhista e sim a pressa sobre a aprovação do texto sem a construção do debate necessário por parte dos senadores. 

"Eu acho muito complicada a definição de um texto constitucional de uma escala fixa, para que todos os tipos de atividades, sem considerar as diversas realidades do mercado de trabalho. Seria preciso uma nova Pec. O tema é de extrema importancia, mas a pressa da votação é o que me traz preocupação, ninguem pode fazer uma lei para um pais tão continental quanto o nosso, tão diverso quanto o nosso, tantas cadeias produtivas quanto o nosso sem uma discussão aprofundada", declarou a senadora. 

Na sequência, destacou que o papel dos senadores acerca da proposta não deveria ser somente de "carimbar" proposições advindas da Câmara dos Deputados. O nome da senadora é especulado para presidir o Senado no próximo ciclo, substituindo Davi Alcolumbre (União-AP)

Encaminhamento

Caso o texto seja aprovado pelos senadores sem alterações, poderá seguir para promulgação. Se houver mudanças no conteúdo aprovado pela Câmara, a proposta terá de retornar aos deputados para nova análise.

Se a PEC for aprovada pelo Plenário e posteriormente promulgada, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 40 horas, mantido o limite de oito horas diárias.

A Constituição também passará a garantir dois dias de repouso semanal remunerado, com preferência para que um deles seja aos domingos.

A redução da jornada não poderá resultar em diminuição dos salários, o que inclui os pisos das categorias.

A mudança será implantada em duas etapas. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Um ano depois do encerramento dessa primeira etapa, o limite passará para 40 horas.

A negociação coletiva continuará permitida para definir mecanismos de compensação de horários e regimes de descanso, desde que sejam respeitados os novos limites constitucionais.

Com informações de Estadão Conteúdo 

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