Política

SUCESSÃO NA CÂMARA

Para viabilizar presidência, Papy faz a mesma promessa para PP e Carlão

O vereador reeleito pelo PSDB ofereceu a Primeira-Secretaria da Casa de Leis aos progressistas e ao atual presidente

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A dualidade do vereador reeleito Epaminondas Vicente Silva Neto (PSDB), o Papy, voltou a transparecer, em razão de seu interesse em ser o novo presidente da Câmara Municipal de Campo Grande no biênio 2025-2027, conforme fontes ouvidas pelo Correio do Estado na tarde de ontem.

Depois do segundo turno das eleições municipais, reportagem publicada do dia 29 de outubro revelou que o vereador estava no palanque da prefeita Adriane Lopes enquanto sua equipe de gabinete trabalhava pela eleição da ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil), agora, a manobra de Papy é outra.

O Correio do Estado apurou que o parlamentar estaria prometendo, tanto para o PP quanto para o atual presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Augusto Borges (PSB), o Carlão, a Primeira-Secretaria da Casa de Leis em troca de apoio para conseguir a presidência.

O interesse do vereador tucano pelo comando da Câmara Municipal surgiu bem antes do fim do segundo turno e ganhou força depois que Adriane Lopes foi reeleita, quando ele chegou a anunciar, publicamente, que já contaria com o apoio de Carlão para ocupar o cargo.

No entanto, dias depois, veio à tona que a aliança com o atual presidente teria lhe custado a promessa de, em caso de vitória, destinar a Primeira-Secretaria da Casa de Leis para Carlão. Contudo, como está enfrentando resistência por parte da prefeita e de outros progressistas para construir uma chapa de consenso, procurou as lideranças do PP e também ofereceu o mesmo cargo, na eventualidade de sagrar-se vencedor.

A articulação de Papy teria sido descoberta por Adriane Lopes e demais lideranças progressistas, que já estavam com um pé atrás depois da matéria publicada pelo Correio do Estado sobre o apoio dele no segundo turno. Agora, tornou-se praticamente impossível que o vereador possa contar com o apoio do PP na briga pela cadeira de presidente da Câmara Municipal de Campo Grande.

Também é considerado um complicador para o vereador tucano o fato de ele ter iniciado as negociações para a sucessão do presidente Carlão sem a inclusão de nenhum parlamentar do PP, praticamente excluindo da nova Mesa Diretora da Casa a segunda maior bancada.

Esse ato falho pegou muito mal para Papy junto aos vereadores eleitos e reeleitos do PP, que se sentiram alijados do processo e trabalham com a linha de pensamento de não apoiar as pretensões do colega do PSDB de ser o novo presidente da Câmara.

DESEJO DA PREFEITA

Ainda contra as pretensões do tucano, temos a intenção da prefeita reeleita Adriane Lopes de que o novo presidente da Casa de Leis seja progressista. Para isso, ela deu prazo para que os três parlamentares do partido interessados no cargo – Beto Avelar, Delei Pinheiro e Professor Riverton – viabilizem seus respectivos nomes.

Em conversa com o Correio do Estado, Adriane explicou que se reuniu na semana passada com os quatro vereadores eleitos e reeleitos pelo PP (Maicon Nogueira, Beto Avelar, Delei Pinheiro e Professor Riverton) e com os dois eleitos do Avante (Wilson Lands e Leinha) para ouvir deles sobre o processo de escolha do novo presidente da Câmara.

Além disso, ela revelou que já tinha se reunido com os dois vereadores eleitos pelo Republicanos (Herculano Borges e Neto Santos), a fim de tratar da mesma questão, e deixou encaminhada uma possível aliança em torno de um nome apoiado por ela para o cargo, totalizando, dessa forma, 8 votos certos de um total de 29.

“O PP tem a segunda maior bancada da Câmara, e seria inadmissível não disputar a presidência da Casa de Leis. Por isso, conversei com os vereadores do partido, e três demonstraram interesse no cargo. Dei a eles um prazo para viabilizarem as próprias candidaturas, e o melhor terá o meu apoio para concorrer”, disse Adriane Lopes.

A gestora municipal complementou que também são considerados cargos-chave para a sua administração as presidências das Comissões Permanentes de Legislação, Justiça e Redação Final e de Finanças e Orçamento.
Sobre a reunião que teve com o governador Eduardo Riedel (PSDB), a prefeita negou que ele tivesse indicado um nome para disputar a presidência da Câmara Municipal.

“Não procede que o governador indicou alguém do PSDB para concorrer ao cargo, pelo contrário, ele reforçou que a eleição da Mesa Diretora só diz respeito ao gestor municipal, e não ao estadual”, assegurou.

Saiba

Vereador diz que ainda não fechou nomes

O vereador Papy disse que ainda não definiu em definitivo os nomes para os cargos na sua chapa. 
“As composições são possíveis. O PP é a segunda maior bancada e tem sua importância. Há interesse em dialogar e compor. Hoje, temos o presidente Carlão para a vaga, o que traz uma estabilidade na chapa. Porém, nenhuma hipótese está descartada, é tempo de construção”, afirmou.

Ele completou que “não existe oferecer cargos, as bancadas demandam e expõem seus interesses”. “Porque senão fica parecendo que há um leilão”, finalizou.

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DEMOCRACIA

PT inicia ofensiva contra André Mendonça e pede apoio de militantes

Mobilização começou após o presidente dizer que "se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral"

10/09/2026 07h08

"Ou o STF abre o sigilo sobre Flávio Bolsonaro ou a integridade da eleição está comprometida", disse Lula

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou, nesta quarta-feira, 9, uma campanha nas redes sociais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Banco Master.

Depois de Lula dar uma declaração pública pedindo a quebra integral do sigilo da investigação, petistas vieram a público criticar o juiz e iniciaram uma campanha de mobilização da militância em oposição a Mendonça.

"Na minha opinião, ou o STF abre o sigilo e mostra ao Brasil os segredos ocultos sobre Flávio Bolsonaro ou a integridade da eleição está comprometida. É preciso revelar toda a verdade sobre o candidato suspeito", disse Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT.

Poucos minutos antes, Lula pediu "explicações e medidas imediatas" para enfrentar a "crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário" em seu perfil nas redes sociais.

"Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral", afirmou o presidente e candidato à reeleição. "Por isso é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja a quem for, doa a quem doer."

Nos bastidores, alguns dos principais conselheiros de Lula veem André Mendonça como o responsável pelo momento ruim do presidente nas pesquisas de intenção de voto. Eles apontavam o entorno do ministro do STF como responsável pelos vazamentos da investigação da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - a situação piorou após a queda do sigilo de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A gota d’água ocorreu após a divulgação de pesquisas que apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, o que mergulhou a campanha de vez numa crise.

Para alguns desses conselheiros, a situação envolvendo Moraes complicou ainda mais a situação de Lula. Para esse grupo, é inevitável que parte do eleitorado brasileiro não associe Moraes a Lula. Além disso, dizem eles, ainda existe gratidão do Planalto ao que ministro fez no julgamento da tentativa de golpe de Estado, que levou, entre outros, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão.

A campanha pediu apoio da militância nos grupos de WhatsApp. "Faltam só 25 dias para as eleições, gente! Não tem para onde correr: a missão de hoje é para agora, hein? Precisamos falar sobre as atitudes do ministro André Mendonça no caso envolvendo a blindagem de Flávio Bolsonaro e defender que as instituições cumpram o seu papel com independência", disse um dos textos divulgados no grupo de WhatsApp "Lulaverso", criado pela campanha de Lula em 2022 e ativo até hoje.

Essa publicação foi feita antes da declaração pública de Lula. "Bora botar a boca no trombone! Cada compartilhamento, postagem e conversa importam muito. Está proibido deixar a tarefa para depois."

Éden Valadares defendeu em publicação nas redes que o momento pede reação imediata. "A situação política no Brasil é muito grave. O que eram suspeitas se confirmam em evidências, e precisamos denunciar e reagir agora. A crise institucional que se instalou no Supremo Tribunal Federal está sendo transformada em instrumento eleitoral pelo ministro relator do caso do Banco Master ao barrar as investigações sobre Flávio Bolsonaro, ao ser parcial nas apurações do banqueiro Daniel Vorcaro, ao negar ao Brasil a verdade sobre o escândalo Dark Horse", afirmou.

"A condução do processo claramente tenta influenciar as eleições brasileiras ao proteger o candidato bolsonarista à Presidência da República."

Na semana passada, o Estadão revelou que Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro trocaram 51 mensagens ao longo de 21 dias. A investigação mostrou que Vorcaro pedia auxílio e orientações ao ministro do Supremo sobre as investigações do Master. Também aparecem conversas com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, intermediadas por um advogado.

Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 7, aponta Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 41% no segundo turno. O cenário não era registrado desde março, quando ambos também apareciam no mesmo patamar numérico.

Política

Fachin decide tirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news

Relator havia incluído acusações contra André Mendonça no processo

09/09/2026 19h10

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes Divulgação/STF

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (9) e ficam preservadas todas as decisões tomadas por Moraes no processo até a data de hoje.

O inquérito foi aberto pela Corte em março de 2019 e continua em andamento. Na época, o então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, defendeu a medida como forma de combater a veiculação de notícias que atingiam a honorabilidade e a segurança do STF, de seus membros e parentes. O ministro também nomeou Moraes como relator.

A decisão de Fachin ocorre durante uma crise protagonizada por Moraes e o ministro André Mendonça. Na semana passada, Moraes incluiu acusações contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News. O relatório dizia que Mendonça teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas como improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos políticos.

Dias antes, Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da PF que trazia mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Vorcaro é alvo central da Operação Compliance Zero, que trata da suspeita de fraudes financeiras bilionárias no Master, e está preso atualmente.

Nesta quarta, Fachin determinou a retirada da investigação contra Mendonça do inquérito das fake news. Todo seu conteúdo foi remetido ao próprio presidente da Corte.

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