Política

ENTENDIMENTO

Parlamentares concordam que partidos não cuidam da formação de seus quadros

Parlamentares concordam que partidos não cuidam da formação de seus quadros

AGÊNCIA BRASIL

22/04/2011 - 14h10
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A análise do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, de que os partidos não cuidaram da formação de seus quadros e, por consequência, se afastaram dos anseios da sociedade, é uma preocupação compartilhada por lideranças da base governista e da oposição. Por razões diversas, parlamentares que vão do PT ao PSDB consideram que os partidos políticos se desatualizaram e criaram um fosso entre o que praticam e o que a população almeja.

Em entrevista à Agência Brasil, Carvalho afirmou que os partidos “não cuidaram da formação de seus quadros da mesma forma que os movimentos fizeram”. Por conta disso, ele qualificou o fato como “gravíssimo” e acrescentou que o país tem hoje “uma estrutura política e eleitoral que é quase uma indução à perda de teor ideológico e político. Ela é uma indução, eu diria, até à corrupção, se nós falarmos da eleição”.

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), ressaltou que as legendas partidárias não existem no país e, por isso, “é impossível” falar sobre o assunto. Segundo ele, os partidos são artificiais e cartoriais, servindo apenas como acomodações para candidaturas de ocasião. Neste sentido, o líder tucano destacou que as alianças políticas nos estados e municípios não seguem uma orientação ideológica. “Temos políticos que possuem formação de direita filiados em partidos de esquerda e as coligações são totalmente contraditórias. Sem achincalhar a música [de autoria de Stanislaw Ponte Preta], é um samba do crioulo doido”.

Ele discordou, entretanto, da avaliação feita por Gilberto Carvalho de que os movimentos sociais prepararam melhor quadros no decorrer dos anos e “evoluíram muito”. Para o líder do PSDB, o que houve foi “um aparelhamento e uma relação de promiscuidade” entre os movimentos e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, agora, com o da presidenta Dilma Rousseff.

“Nos últimos oito anos, o Executivo liberou recursos para boa parte desses movimentos sociais para execução de projetos inexistentes ou indevidos sem prestação de contas ou qualquer fiscalização. Organizações não governamentais foram criadas para desviar dinheiro público com a conivência ou cumplicidade de autoridades”, afirmou o líder do PSDB.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou por sua vez que o seu partido já constatou essa discrepância entre a atuação de seus legisladores, seja em cargos majoritários ou no legislativo, e as demandas sociais. Segundo ele, o PT tem tido “uma dificuldade especial” para estabelecer uma relação mais próxima com a sociedade, especialmente a juventude.

“Não temos produzido ideias, apesar de pesquisas internas terem sido feitas, para identificar as vontades da população e, principalmente, dos jovens. Talvez a tarefa de governar tenha tomado mais tempo na necessidade de defender e atuar na execução das políticas públicas estabelecidas pelo Executivo”, ressaltou o petista.

A seu ver, o mesmo ocorreu com os movimentos sociais. O líder do PT afirmou que, após assumir o poder em 2003, o partido passou a ter uma “relação mais fluida” com os representantes dos movimentos sociais. Agora, tanto na reaproximação com a juventude e com os movimentos sociais, o senador julga fundamental que o PT se abra ao diálogo. “Precisamos fortalecer nossos movimentos organizados voltados para os jovens”, defende.

O presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), destacou à Agência Brasil que a reaproximação do partido com a juventude e a qualificação de seus quadros é uma das principais preocupações das lideranças de hoje. Ele ressaltou que deliberação nesse sentido foi tomada na última reunião da Executiva Nacional, no início de abril. “Para ser candidato pelo PMDB, para qualquer cargo, os filiados terão que fazer o curso de gestão pública oferecido pela Fundação Ulysses Guimarães. Isso é pré-requisito”.

Já o senador pelo PDT Cristovam Buarque (DF), fez uma análise mais ampla do raciocínio do ministro. Ele afirmou que os partidos políticos continuam prisioneiros de metas de curto prazo e, por isso, incapazes de tomar decisões que impliquem em uma mudança profunda no modelo industrial vigente.

“A questão é que os partidos não percebem as limitações desse modelo, que nada tem a ver com opção pelo capitalismo ou socialismo, mas com limitações financeiras e ambientais que precisam ser estabelecidas”, afirmou Cristovam Buarque. Ele defendeu uma total revisão no atual “perfil do PIB [Produto Interno Bruto]” que permita priorizar a execução de políticas como a valorização do transporte público com qualidade, mas ao mesmo tempo desestimulando com campanhas o uso de automóveis. “É uma questão de mudar a cultura estabelecida com o processo de industrialização”, resumiu.

Ele ressaltou que, nesse aspecto, os movimentos sociais também criaram um descompasso com a sociedade no decorrer dos anos. O senador do PDT entende que os movimentos têm, hoje, uma cultura de trabalhar por mais verbas públicas para o seu segmento - “uma visão corporativista” -, da mesma forma que as legendas não se preocuparam em propor mudanças de hábito cultural.

Repercussão Nacional

Presidente do União Brasil aparece de cueca em vídeo e é acusado de agressão

Gravações feitas em quarto de hotel mostram Antônio Rueda durante discussão com influenciadora, que relata violência psicológica e suposta agressão.

21/09/2026 20h17

Antônio Rueda preside nacionalmente o União Brasil e é candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Antônio Rueda preside nacionalmente o União Brasil e é candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Foto: Rede Social.

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O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, aparece de cueca em uma série de vídeos gravados dentro de um quarto de hotel em São Paulo que ganharam repercussão neste domingo (21). Nas imagens, uma mulher identificada como a influenciadora Luana Dellevedove acusa o dirigente partidário de agressão e relata que estaria sofrendo violência psicológica havia mais de um ano.

As gravações teriam sido feitas em junho deste ano e mostram momentos de tensão entre os dois. Rueda aparece inicialmente apenas de roupa íntima e, ao longo do material, veste as roupas enquanto tenta deixar o quarto. Em determinado momento, Luana o segura e ele retorna ao dormitório.

Durante a gravação, a influenciadora aponta manchas avermelhadas em um lençol e afirma que seriam de sangue. Ela associa as marcas a uma suposta agressão e continua fazendo acusações contra o presidente nacional do União Brasil.

As imagens, entretanto, não mostram o que teria ocorrido antes do início da gravação e, por si só, não permitem confirmar que Rueda tenha agredido a mulher. Não há, nas informações divulgadas até o momento, comprovação independente das acusações apresentadas durante os vídeos.

Antônio Rueda preside nacionalmente o União Brasil e é candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Antônio Rueda aparece em trecho de vídeo gravado dentro de um quarto de hotel em São Paulo: Foto: DCM.

Supostas traições são mencionadas no vídeo

A discussão também envolve a vida pessoal do dirigente partidário. Durante a gravação, Luana acusa Rueda de manter relações extraconjugais e afirma que ele estaria "traindo a mulher e traindo a amante". Rueda é casado com Flor Rueda.

Em outro momento do material, Luana afirma que estaria enfrentando havia mais de um ano uma situação de violência psicológica atribuída ao dirigente. Ao final de uma das gravações, também demonstra preocupação com o que poderia acontecer com sua família após a exposição do episódio.

Mulher posteriormente diz que vídeos seriam "montagem"

O caso ganhou uma versão contraditória antes mesmo de alcançar maior repercussão. Após ter acesso às gravações que seriam divulgadas, Luana contestou as informações relacionadas ao episódio e afirmou que os vídeos seriam uma "montagem".

A declaração contrasta com o conteúdo atribuído às próprias gravações, nas quais uma mulher identificada como Luana aparece fazendo as acusações contra Rueda.

O material apresenta cortes, o que impede estabelecer apenas pelos trechos divulgados toda a sequência de acontecimentos dentro do quarto.

Os quatro vídeos foram divulgados inicialmente pelo Diário do Centro do Mundo (DCM) e, posteriormente, o conteúdo passou a circular nas redes sociais e foi repercutido por outros veículos de comunicação.

Rueda foi procurado sobre o episódio

Antes da publicação original das gravações, Antônio Rueda foi procurado pelo Diário do Centro do Mundo (DCM) para comentar as acusações.

O dirigente informou que estava em um avião e pediu que os questionamentos fossem encaminhados por escrito. Segundo o veículo responsável pela divulgação inicial, as perguntas foram enviadas, mas não houve nova resposta até a publicação.

Até o momento, não há manifestação pública de Rueda apresentada nas fontes consultadas que esclareça especificamente as acusações feitas durante as gravações.

Além de comandar nacionalmente o União Brasil, Antônio Rueda é candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026. O episódio, portanto, ganha repercussão em pleno período eleitoral.

No cenário eleitoral, Rueda mantém proximidade política com Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.

Apesar de o União Brasil ter declarado neutralidade no primeiro turno, o dirigente vinha sendo apontado como um dos articuladores de uma ala da legenda favorável à candidatura do senador.

Nesta segunda-feira (21), a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, marcou para 6 de outubro, após o primeiro turno, uma reunião para rediscutir a neutralidade na disputa presidencial.

 

Eleições 2026

Eleitor tem até 3 de outubro para ativar e-Título antes das eleições

Aplicativo permite consultar local de votação e pode ser usado para identificação, mas primeiro acesso

21/09/2026 17h00

Antônio Cruz/Agência Brasil

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Quem pretende utilizar o e-Título nas Eleições 2026 precisa concluir o primeiro acesso e a validação do aplicativo até sábado (3), véspera do primeiro turno, marcado para domingo (4). A orientação é especialmente importante para quem ainda não acessou o aplicativo, já que o download e o primeiro acesso ficam indisponíveis no dia da votação.

Segundo o advogado especialista em Direito Eleitoral Newton Lins, o eleitor deve verificar antecipadamente se o aplicativo está funcionando e se os dados estão atualizados para evitar problemas no dia da eleição.

“O eleitor precisa entender que baixar o e-Título não significa que ele já estará pronto para ser utilizado. É necessário fazer o primeiro acesso e concluir a validação das informações. Deixar esse procedimento para o dia da eleição pode gerar uma dificuldade desnecessária justamente no momento em que o eleitor precisa estar com sua documentação regularizada”, afirma.

O e-Título também permite consultar o local de votação, a zona e a seção eleitoral. O serviço pode ser acessado pelo aplicativo e pelo Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A ferramenta pode ser utilizado como documento de identificação no momento da votação quando o aplicativo apresenta a fotografia do eleitor. Nesse caso, basta apresentar a tela do celular ou tablet com o documento digital.

Já quem possui e-Título sem fotografia precisa levar também um documento oficial de identificação com foto. Capturas de tela não substituem o aplicativo como documento de identificação.

Newton Lins orienta que essa conferência seja feita antes da eleição. “O uso do e-Título traz praticidade, mas também exige atenção às condições estabelecidas pela Justiça Eleitoral. O eleitor deve conferir previamente se a fotografia aparece no aplicativo e se os dados estão corretos. Caso não haja fotografia, é necessário levar um documento oficial com foto. O print também não substitui o aplicativo”, explica.

Além da identificação, o aplicativo reúne outros serviços eleitorais e permite consultar informações relacionadas à votação. A ferramenta utiliza mecanismos de segurança para validar a identidade do eleitor, incluindo recursos de validação facial.

Para o especialista, a conferência antecipada também deve incluir outras informações necessárias para o dia da votação. “A tecnologia facilita o acesso do cidadão aos serviços eleitorais, mas não elimina a necessidade de planejamento. Conferir o aplicativo, o local de votação e a documentação antes da eleição é uma forma de evitar imprevistos no dia do voto”, afirma.

O e-Título é gratuito e está disponível para celulares e tablets com sistemas Android e iOS. Para quem pretende utilizar a versão digital do título no primeiro turno, a recomendação é fazer o download, o primeiro acesso e a validação até 3 de outubro.

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