A agência de publicidade Zimmermann Publicidade e Propaganda (Z3), que tem sede em Cuiabá (MT) e filial em Campo Grande (MS), está entre as empresas investigadas pela Polícia Federal (PF) sobre um suposto esquema de devolução de dinheiro ao Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT).
Conforme apuração do Correio do Estado, a suspeita é de que fornecedores tinham de repassar parte dos valores recebidos para continuar mantendo contratos e recebendo pagamentos da Corte de Contas.
A empresa, que pertencente a dois filhos do empresário sul-mato-grossense Cacildo Lucinei Zimmermann Silveira, dono da Art e Traço, apresentou crescimento de 291% nos pagamentos recebidos durante o período em que contratos administrativos do tribunal estavam suspensos por determinação da própria presidência da Corte.
As informações constam da investigação que resultou na Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal no dia 29 de outubro, com seis mandados de prisão preventiva autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), entre eles o do presidente, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida.
A agência integra um contrato de publicidade no valor global de R$ 16 milhões, firmado com o tribunal por meio da Concorrência nº 01/2022.
O crescimento dos pagamentos chamou a atenção dos investigadores porque ocorreu durante um período em que a administração do TCE-MT alegava dificuldades orçamentárias e havia determinado a suspensão de contratos e pagamentos a fornecedores.
A hipótese investigada é de que a medida tenha servido como instrumento de pressão sobre empresas contratadas, permitindo a manutenção dos repasses àquelas que aceitassem devolver parte dos recursos a pessoas ligadas ao suposto esquema.
LIGAÇÃO COM MS
A Z3 pertence aos irmãos João Pedro Zimmermann e João Vitor Zimmermann, filhos do dono da agência Art e Traço. Documentos societários indicam que Nei já integrou a estrutura da Zimmermann quando a empresa utilizava a denominação TIS Publicidade e Propaganda.
Além dos vínculos familiares, as empresas aparecem cadastradas no mesmo endereço na capital sul-mato-grossense: Rua Nortelândia, nº 512, Bairro Santa Fé.
Outro documento mostra que Nei recebeu, em 2025, procuração para representar a Zimmermann em uma licitação promovida pela Secretaria de Comunicação do governo de São Paulo.
O empresário também mantém participação societária com seus dois filhos em outra empresa, a Regente Locação de Hardwares, Softwares e Serviços de Informática Ltda.
PUNIÇÃO
Caso seja comprovado que representantes da Z3 ofereceram ou prometeram vantagens indevidas a agentes públicos para assegurar a continuidade dos pagamentos do TCE-MT, os responsáveis poderão responder por corrupção ativa, crime previsto no artigo 333 do Código Penal, cuja pena varia de 2 anos a 12 anos de reclusão e multa.
Se a investigação demonstrar que os recursos foram ocultados ou tiveram sua origem criminosa dissimulada por meio de transferências bancárias ou outras operações financeiras, também poderá haver responsabilização por lavagem de dinheiro, prevista na Lei nº 9.613/1998, com pena de 3 anos a 10 anos de reclusão e multa.
A situação jurídica poderá ser diferente caso fique comprovado que os pagamentos foram exigidos pelos próprios agentes públicos, mediante pressão sobre fornecedores.
Nessa hipótese, os servidores poderão responder por concussão, prevista no artigo 316 do Código Penal, cuja pena varia de 2 anos a 12 anos de reclusão e multa.
Além das consequências criminais, a Zimmermann poderá sofrer sanções administrativas e civis.
A Lei Anticorrupção, nº 12.846/2013, prevê multas de 0,1% a 20% do faturamento bruto da empresa, conforme os critérios legais, além da obrigação de reparar os danos causados e da possibilidade de outras sanções judiciais, inclusive a dissolução compulsória em situações específicas.


