Carlos Eduardo Contar destacou participação dos eleitores e afirmou que votação ocorreu sem interrupção
Mesmo com chuva forte em diversas regiões de Mato Grosso do Sul, falta de energia, problemas pontuais em urnas eletrônicas e demora na conclusão da apuração, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), desembargador Carlos Eduardo Contar, fez um balanço positivo do primeiro turno das Eleições 2026. Durante a apuração na sede do tribunal, em Campo Grande, ele destacou a participação dos eleitores e classificou o comparecimento às urnas como uma demonstração de maturidade da população.
A chuva foi um dos principais desafios enfrentados ao longo deste domingo (4). Segundo Contar, a intensidade e a duração da precipitação chegaram a preocupar a Justiça Eleitoral diante da possibilidade de redução no comparecimento. Apesar disso, ele afirmou ter constatado movimento nos locais de votação que visitou, com situações distintas entre sessões vazias e pontos com filas. “Lamentava, até então, uma expectativa, uma previsão, que a população não ia comparecer. E a população compareceu. Isso foi fantástico”, afirmou.
O presidente do TRE-MS disse ter visitado locais de votação na região do bairro Parque do Lageado, apontado por ele como uma das maiores concentrações eleitorais, além da região central de Campo Grande. Segundo Contar, a votação transcorria normalmente nos pontos visitados, mesmo diante das condições climáticas.
Para ele, o comparecimento dos eleitores demonstrou uma espécie de maturidade da sociedade sul-mato-grossense diante das dificuldades enfrentadas durante o dia.
A avaliação positiva ocorreu apesar de a chuva ter provocado transtornos em diferentes regiões do Estado. O próprio presidente do TRE-MS afirmou que as precipitações dificultaram o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.
A falta de energia também atingiu municípios das regiões sul e sudeste. Entre as cidades citadas por Contar estão Ponta Porã, Antônio João, Aral Moreira, Paranhos, Amambai, Nova Alvorada do Sul, Fátima do Sul, Juti e Bonito.
O problema, no entanto, não interrompeu a votação. Segundo o presidente do TRE-MS, as urnas eletrônicas continuaram funcionando graças às baterias internas dos equipamentos.
Durante a manhã, o Correio do Estado mostrou que regiões de nove municípios haviam amanhecido sem energia, mas a votação começou normalmente justamente por causa da autonomia das urnas.
A chuva também reduziu o movimento em alguns locais nas primeiras horas da manhã. Na Capital, mais de 30 milímetros foram registrados em menos de duas horas na região central.
Problemas nas urnas
As condições climáticas não foram o único desafio. As urnas eletrônicas apresentaram problemas técnicos ao longo do dia em diferentes municípios.
O último balanço parcial divulgado pelo TRE-MS antes do encerramento da votação contabilizou 95 ocorrências envolvendo urnas eletrônicas. Entre os problemas estavam falhas de energia, bateria, teclado, visor, impressão e funcionamento dos equipamentos. Em 22 casos, foi necessária a substituição da urna.
Na avaliação feita durante a apuração, entretanto, Contar ressaltou que as intercorrências não comprometeram a continuidade da votaçã, destacando que não houve interrupção dos trabalhos.
Ocorrências eleitorais ilícitas
Outro ponto destacado por Contar foi o baixo número de ocorrências classificadas por ele como ilícitas eleitorais.
Segundo o presidente do TRE-MS, foram registradas apenas quatro ocorrências desse tipo durante o primeiro turno. Para ele, o número demonstra o comprometimento dos eleitores com o processo eleitoral.
A avaliação é diferente do balanço das urnas: as ocorrências envolvendo equipamentos não significam, necessariamente, irregularidades praticadas por eleitores ou candidatos.
Abstenções
Durante a avaliação inicial, Contar estimava que a abstenção ficaria entre 23% e 25%, faixa que, segundo ele, estaria próxima da média histórica.
O resultado final, porém, mostrou uma taxa ade 23,87% do eleitorado sul-mato-grossense não compareceu às urnas, o equivalente a 483.210 eleitores. O índice também superou o registrado nas eleições de 2022, quando a abstenção havia sido de 22,08%.
A chuva pode ter contribuído para o resultado, já que o mau tempo atingiu diferentes regiões do Estado e dificultou o deslocamento da população, mas não é possível atribuir exclusivamente ao clima o aumento da abstenção.