Filosofia

Immanuel Kant: "Quanto mais ocupados estamos, mais intensamente sentimos que estamos vivos"

Filósofo prussiano do século XVIII é autor de múltiplas citações.

Immanuel Kant, filósofo prussiano do século XVIII, é autor de múltiplas citações que circulam até hoje. Entre elas estão uma sobre inteligência e incerteza e outra sobre castigo infantil. Mas a que ganha força renovada entre estudiosos é a que relaciona a ocupação intensa à percepção de estar vivo.

A frase "Quanto mais ocupados estamos, mais agudamente sentimos que estamos vivos" relaciona o nível de atividade de uma pessoa à intensidade de sua consciência sobre a existência. A ideia ganha relevância diante do ritmo acelerado da vida moderna e distingue o tempo estruturado com propósito das horas que passam sem objetivo claro.

Quando a mente se concentra em ocupações específicas, a experiência cotidiana ganha definição. A atenção contínua transforma o simples passar do tempo em sinal de vitalidade. Nessa perspectiva, projetos, tarefas e metas diárias não apenas ocupam o calendário, e também tornam o presente mais nítido e consciente.

O contraste entre tempo estruturado e pausa desconectada

Kant contrapõe o tempo que intensifica a percepção de estar vivo às pausas sem foco ou direção. Essa noção contraria a ideia de que o descanso absoluto é a única forma de alcançar bem-estar.

Para o pensador, a percepção mais profunda da própria realidade ocorre durante o envolvimento com uma atividade concreta, seja uma investigação profissional, uma produção criativa ou um passatempo que exija dedicação.

A afirmação de Kant não prescreve quantas horas dedicar ao trabalho diário. Ela analisa como experimentamos o tempo, e o dilema contemporâneo não está em manter uma rotina frenética. Mas em discernir se as responsabilidades assumidas contribuem para uma presença ativa ou se apenas respondemos à inércia e ao sobrestímulo digital que limita a atenção.

Vida e legado intelectual de Kant

Nascido em 22 de abril de 1724 em Königsberg (antiga Prússia Oriental, atual Kaliningrado), Kant foi uma figura central da Ilustração europeia. Ele passou quatro décadas na Universidade de Königsberg e conquistou a cátedra de lógica e metafísica em 1770, após quinze anos como docente sem posto fixo.

Sua obra incluiu Crítica da Razão Pura (1781), Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785), Crítica da Razão Prática (1788) e Crítica do Discernimento (1790).

Falecido em 12 de fevereiro de 1804, Kant deixou um legado que ligou o empirismo ao racionalismo e estabeleceu bases conceituais da filosofia ocidental. Seu pensamento sobre tempo e consciência permanece ligado a questões da sociedade contemporânea, marcada por teletrabalho, redes sociais e conexão constante.

O filósofo prussiano convida a discernir o sentido do tempo investido em cada ocupação: se ele permite vivenciar plenamente a existência ou apenas preencher espaços vazios com atividade sem propósito.

Ciência

Egito transforma deserto em terras agrícolas com água reciclada

A transformação responde a um desafio prático do país.

08/10/2026 18h33

Foto: David Vives/Pexels

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Regiões áridas do Egito estão se tornando campos de cultivo por meio de um sistema que reaproveita água de drenagem agrícola e instala redes sofisticadas de irrigação. A transformação responde a um desafio prático do país: aumentar a produção de alimentos onde o deserto cobre a maior parte do território e a água doce é um recurso limitado.

O projeto Nova Delta representa a maior aposta nessa estratégia e foi planejado para ocupar cerca de 2,2 milhões de feddans — medida de área comum no país. Trigo, milho, leguminosas, hortaliças e frutas devem crescer nessas terras, expandindo a atividade agrícola para além das margens tradicionais do Nilo.

Infraestrutura que permite o cultivo

Levar água a uma região desértica exige muito mais do que abrir canais. É preciso preparar o solo, fazer os sistemas de bombeamento vencerem a inclinação do terreno e integrar redes de energia, rodovias e silos de armazenamento.

As estruturas de tratamento da Nova Delta têm capacidade para tratar milhões de metros cúbicos de água por dia. Estações de bombeamento distribuem a água tratada ao longo do percurso. Parte dele passa por estruturas subterrâneas ou fechadas para reduzir perdas por evaporação antes de a água chegar às lavouras.

Por que a água reciclada é decisiva

O Egito não pode depender exclusivamente de novas captações de água doce. A pressão sobre o Nilo já é extrema. Por isso, o país trata a água que drena das áreas cultivadas e a devolve ao ciclo de irrigação, reduzindo o consumo de fontes primárias.

Essa água passa por estações de tratamento de grande porte antes de retornar aos canais de distribuição, onde sensores monitoram continuamente a disponibilidade hídrica e as características do solo. Sistemas modernos de irrigação reduzem o desperdício durante a aplicação nas plantas.

Obstáculos além da água

Garantir fluxo hídrico constante não resolve todas as dificuldades da expansão agrícola no deserto. O solo da Nova Delta precisa ser analisado para verificar a salinidade, a textura e a aptidão para o cultivo de cada espécie ao longo do tempo.

A escolha de plantas adequadas ao clima árido, a eficiência dos sistemas de irrigação e os custos de bombeamento e transporte afetam diretamente a viabilidade de cada área. Além disso, manter toda essa infraestrutura em condições de extrema aridez exige investimento contínuo e acompanhamento técnico.

A aposta egípcia em segurança alimentar

O Egito concentra historicamente sua população e produção agrícola numa faixa estreita ao longo do Nilo. Levar o cultivo para o deserto reduz a dependência de uma única região e cria novas áreas para alimentos considerados estratégicos para o país.

O projeto Futuro do Egito faz parte dessa expansão. Autoridades egípcias estudam ainda centenas de milhares de feddans adicionais para possível cultivo. A transformação do deserto em lavoura é um elemento central da política de reduzir importações e consolidar a autossuficiência alimentar nos próximos anos.

Oportunidade

Espanha procura pedreiros, encanadores e zeladores para viver entre montanhas e reformar casas

A localidade fica a 630 metros de altitude.

08/10/2026 17h49

Foto: David Antonio Cruz Naira/Pexels

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La Vall d'Alcalà, um município com 160 habitantes na província de Alicante, procura profissionais dispostos a se mudar para a região. A prefeitura busca pedreiros, encanadores, pessoal de manutenção, cuidadores de idosos, motoristas, garçons e trabalhadores ligados à agricultura — profissões que desapareceram à medida que a população envelheceu e deixou a região.

O prefeito Pablo Martínez, no cargo há 12 anos, afirma que o obstáculo não é a falta de emprego, mas a escassez de casas em condições para os novos moradores. A localidade fica a 630 metros de altitude, cercada por montanhas, cerezeiros e povoados mouriscos antigos, e está a apenas 25 minutos de carro da praia.

O que falta nas casas do município

O núcleo urbano reúne construções antigas que precisam de reformas profundas. Muitas têm infiltrações e não possuem sistemas modernos de aquecimento ou ar-condicionado. Também há poucas opções de aluguel permanente. A falta de um plano urbanístico dificulta a construção de novas residências e a recuperação de terrenos e imóveis em ruínas.

Martínez disse ao TN que, por se tratar de um município antigo, La Vall d'Alcalà não dispõe de um plano urbanístico que permita a expansão mínima necessária e a oferta de moradias em condições, públicas ou privadas. O esvaziamento populacional agravou o problema: profissionais que trabalhavam na região se aposentaram e não foram substituídos.

Como funciona a vida no dia a dia

Com poucos habitantes, os serviços disponíveis são limitados. Não há uma loja de alimentos aberta permanentemente, e os moradores dependem de vendedores ambulantes que circulam regularmente pela região.

Um padeiro passa diariamente e também leva leite e ovos. Um vendedor de verduras visita a região uma ou duas vezes por semana. Aos sábados, chega um caminhão de suprimentos.

Para compras maiores, consultas médicas ou determinados serviços, os vizinhos precisam se deslocar para municípios próximos, como Planes, Pego ou Alcoy. Na região, o médico da rede pública atende apenas um dia por semana. A prefeitura acredita que recuperar as casas deterioradas e liberar novas áreas para construção são medidas centrais para conter o esvaziamento populacional.

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