A promotora Deborah Guerner foi presa pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira em Brasília.
Ela é investigada por suspeita de tráfico de influência na operação Caixa de Pandora, que apura esquema de coleta e distribuição de propina na capital federal
Segundo informou a PF, Deborah e o marido, o empresário Jorge Guerner, foram presos em casa.
A Folha apurou que os dois planejavam fugir para a Itália.
A promotora vai ser levada para a Superintendência da polícia em Brasília e o marido deve seguir para penitenciária da Papuda.
Deborah Guerner e o ex chefe do Ministério Público do DF Leonardo Bandarra são suspeitos de passar informações privilegiadas a integrantes do governo do Distrito Federal e de terem extorquido o ex-governador José Roberto Arruda, investigado por ser o suposto chefe do esquema de corrupção.
Arruda foi preso e perdeu o cargo depois que as denúncias vieram a público.
Em dezembro, ela e Bandarra foram afastados por 120 dias pelo CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). O afastamento terminou na semana passada.
Eles respondem a processo administrativo no conselho. No começo do mês, Luiz Moreira, que é relator do caso no CNMP, pediu a demissão deles.
Na avaliação do relator, eles devem ser demitidos por "violação do sigilo profissional com a solicitação e obtenção de recompensa" e a "exigência de pecúnia".
O julgamento foi paralisado por um pedido de vista do conselheiro Achiles Siquara e deve ser retomado no dia 17 de maio.
O CNMP não tem poderes para demitir os acusados. O pedido será encaminhado para a Procuradoria-Geral da República, que poderá entrar com ação na Justiça para demiti-los.
Durante a sessão, Deborah Guerner criticou aos gritos a apuração.
"Onde estão os políticos? Cadê a denúncia do mensalão do DEM", gritou, de forma audível a quem estava do lado de fora da sala em que a sessão ocorre.
Antes de deixar o conselho, Deborah disse que não há nada contra ela. "Tudo é baseado na palavra de dois bandidos."
Os advogados dos acusados dizem que os depoimentos não foram contemplados na íntegra pelo relator. Eles também negam ter recebido propina do esquema.
O esquema de coleta e distribuição de propinas, descoberto em operação da Polícia Federal em novembro de 2009, derrubou nos meses seguintes deputados distritais, o então governador Arruda e secretários de governo em Brasília.
O caso voltou a ganhar força em março deste ano depois da divulgação do vídeo em que a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN), filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, aparece recebendo dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa.
Fonte: IPR/Correio do Estado 




