Política

ELEIÇÕES 2026

Quatro anos após pedir votos a Contar, Puccinelli omite candidato em propaganda eleitoral

O ex-governador deixou o Capitão fora da peça mesmo após desistência de Nelsinho Trad ao Senado, que era seu nome preferido

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Quatro anos depois de declarar apoio público ao Capitão Contar (PL) no segundo turno da eleição para governador de Mato Grosso do Sul, o ex-governador André Puccinelli (MDB), candidato a deputado estadual, deixou o antigo aliado fora da arte utilizada na gravação para o horário eleitoral gratuito na televisão desta sexta-feira (28).

Na propaganda, Puccinelli pede votos para a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e para o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato ao Senado. Já a foto e o nome de Capitão Contar, que também disputa uma das duas vagas de senador pelo PL, não aparecem na peça eleitoral do emedebista.

A ausência chama atenção não apenas pelo apoio dado por Puccinelli a Contar quatro anos atrás, mas também pela movimentação mais recente do ex-governador na disputa pelo Senado.

Antes da definição das chapas, o senador Nelsinho Trad (PSD), que pretendia disputar a reeleição, era o nome preferido de André para ocupar uma das duas vagas ao Senado. A aproximação era tamanha que o MDB chegou a trabalhar com a possibilidade de indicar o ex-ministro Carlos Marun como primeiro suplente de Nelsinho.

A composição, porém, acabou não avançando. Às vésperas das convenções partidárias, Nelsinho abriu mão de disputar um novo mandato de senador e aceitou ser o primeiro suplente de Reinaldo Azambuja, dentro da articulação montada para manter unificado o grupo político que sustenta a reeleição de Riedel.

Com a desistência de Nelsinho, Capitão Contar permaneceu como o outro candidato ao Senado dentro do grupo governista. Mesmo assim, Puccinelli não transferiu o apoio que pretendia dar ao senador do PSD para o candidato do PL.

Na gravação desta sexta-feira, André optou por destacar somente Reinaldo para o Senado, embora o eleitor de Mato Grosso do Sul possa escolher dois candidatos para o cargo nas eleições de outubro.

A decisão contrasta diretamente com o posicionamento adotado por Puccinelli nas eleições de 2022. Naquele ano, ele disputou o governo pelo MDB, terminou o primeiro turno fora da disputa e, no segundo turno, declarou apoio a Capitão Contar, então candidato ao governo pelo PRTB.

Contar enfrentava justamente Eduardo Riedel, adversário que Puccinelli agora apoia para permanecer no comando do Estado.

Na época, o ex-governador chegou a pedir uma “votação maciça” para Contar e disse ter esperança no programa de governo apresentado pelo então candidato. O MDB estadual também acompanhou politicamente a decisão, embora integrantes do partido tivessem liberdade para adotar posições diferentes.

Quatro anos depois, o cenário mudou completamente. Puccinelli está na campanha pela reeleição de Riedel, adversário de Contar em 2022, e pede votos para Reinaldo Azambuja ao Senado.

Nem mesmo a retirada de Nelsinho Trad da disputa, que deixou Puccinelli sem aquele que era seu nome preferido para uma das vagas, fez o ex-governador voltar a apoiar Contar.

A escolha fica ainda mais evidente porque Reinaldo e Contar pertencem ao mesmo partido e integram o mesmo bloco político estadual. Ainda assim, na propaganda de Puccinelli, apenas Reinaldo ganhou espaço.

A ausência não representa necessariamente um rompimento formal entre Puccinelli e Contar, mas revela a mudança de preferência política do ex-governador. 

Se em 2022 André pediu votos para levar Contar ao governo contra Riedel, em 2026 ele trabalha pela reeleição de Riedel e pela eleição de Reinaldo ao Senado, deixando o antigo aliado fora de sua propaganda eleitoral.
 

Renovação

A cada eleição, MS troca metade de sua bancada no Congresso

Vander Loubet, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende estão entre os deputados federais com maior número de mandatos pelo Estado

27/08/2026 18h15

Loubet, Dagoberto e Geraldo Resende são os recordistas em mandatos

Loubet, Dagoberto e Geraldo Resende são os recordistas em mandatos Fotos; Câmara dos Deputados

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A cada eleição, Mato Grosso do Sul muda praticamente metade dos representantes que envia à Câmara dos Deputados. Nas duas últimas disputas gerais, em 2018 e 2022, ao menos três cadeiras foram renovadas. Se considerarmos a média histórica desde o início do século, a taxa média de reeleição é de 47,5%.  

Neste pleito, apenas Vander Loubet (PT) não disputará a recondução à Câmara. O parlamentar, que está no sexto mandato consecutivo, concorre ao Senado e, independentemente do resultado, deixará o Congresso a partir da próxima legislatura.

Eleito deputado federal pela primeira vez em 2002, o petista é o campeão de mandatos e conquistou sucessivamente as eleições de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. 

Logo atrás aparece Geraldo Resende (União Brasil). O médico chegou ao Congresso em 2003 e foi eleito novamente em 2006, 2010, 2014 e 2022.

Dagoberto Nogueira (PP) também integra o grupo de parlamentares de longa trajetória. Ele foi eleito deputado federal em 2006 e voltou à Câmara nas eleições de 2014, 2018 e 2022. 

Quem foi reeleito em cada transição?

2002 → 2006: Moka, Geraldo Resende, Nelsinho Trad, Vander Loubet, Dr. Antônio Cruz e Biffi.
2006 → 2010: Geraldo Resende, Vander Loubet e Biffi.
2010 → 2014: Vander Loubet, Geraldo Resende e Mandetta 
2014 → 2018: Tereza Cristina, Vander Loubet e Dagoberto.
2018 → 2022: Beto Pereira, Vander Loubet, Dr. Luiz Ovando e Dagoberto.

Em 2006, seis dos oito nomes eleitos em 2002 se mantiveram no cargo: Moka, Geraldo Resende, Nelsinho Trad, Vander Loubet, Dr. Antônio Cruz e Biffi seguiram no Congresso, ao passo que Murilo e João Grandão não foram reconduzidos dando lugar a Dagoberto Nogueira, Waldir Neves. 

Em 2010, Geraldo Resende, Vander Loubet e Biffi seguiram na Câmara, ao passo que cinco cadeiras foram renovadas: Giroto, Reinaldo Azambuja, Fabio Trad, Mandetta e Marçal Filho. 

Em 2014, permaneceram apenas: Geraldo Resende, Mandetta e Vander Loubet. Entraram: Zeca do PT, Carlos Marun, Tereza Cristina, Marcio Monteiro e Dagoberto Nogueira. 

Em 2018, apenas três dos oito deputados que haviam sido eleitos em 2014 conseguiram permanecer na Câmara: Tereza Cristina, Vander Loubet e Dagoberto Nogueira. Os outros cinco lugares foram ocupados por Rose Modesto, Beto Pereira, Loester Trutis, Luiz Ovando e Fábio Trad.

No último ciclo: Beto Pereira, Dagoberto, Dr. Luiz Ovando e Vander Loubet foram reeleitos, acompanhados por Marcos Pollon, Dr. Geraldo Resende, Camila Jara e Rodolfo Nogueira. 

Cadeiras

A troca, porém, não ocorreu apenas por derrotas nas urnas. Alguns dos deputados que deixaram a Câmara mudaram de rota política ou assumiram outras funções.

Zeca do PT, eleito deputado federal em 2014, tentou uma vaga no Senado em 2018, mas não foi eleito. Quatro anos depois, voltou à disputa eleitoral para a Assembleia Legislativa e se elegeu. 

Luiz Henrique Mandetta, que também havia sido eleito deputado federal em 2014, não disputou a reeleição em 2018. Posteriormente, assumiu o Ministério da Saúde no governo Jair Bolsonaro. 

Carlos Marun, eleito em 2014, também não permaneceu na Câmara. Antes do fim da legislatura, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria de Governo da Presidência da República no governo Michel Temer. Em 31 de dezembro de 2018, renunciou ao mandato de deputado.

Já Márcio Monteiro, que havia sido eleito em 2014, deixou a Câmara antes do fim da legislatura para assumir funções no governo estadual e, posteriormente, uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul. Seu suplente, Elizeu Dionizio, chegou a assumir o mandato.

 

Relatoria

Relator da PEC da escala 6x1 no Senado mantém texto aprovado na Câmara

Proposta de emenda à Constituição que dá fim à escala 6x1 foi aprovada na Câmara em maio

27/08/2026 15h00

Jefferson Rudy/Agência Senado

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O senador Omar Aziz (PSD-AM) protocolou o seu parecer sobre a proposta de fim da escala 6x1 e manteve, nesta quinta-feira, 27, o texto aprovado na Câmara dos Deputados. Aziz é o relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado O parlamentar rejeitou todas as emendas apresentadas.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que dá fim à escala 6x1 foi aprovada na Câmara em maio. Desde então, ficou parada no Senado, em meio ao afastamento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Neste mês, eles se reaproximaram, e a proposta começou a andar.

De acordo com Alcolumbre, o relator vai apresentar o seu relatório na CCJ na semana que vem. Após passar pelo colegiado, o texto deve ser submetido ao plenário. Para que a PEC não retorne à Câmara, é preciso que a aprovação dos senadores ocorra sem alterações.

A PEC reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, com limite de oito horas diárias, e assegura dois dias de repouso semanal remunerado, um dos quais preferencialmente aos domingos. A proposta também estabelece que a implementação da medida nos contratos ocorrerá sem redução salarial.

A matéria permite que uma lei complementar institua medidas transitórias de mitigação de impactos em favor dos microempreendedores individuais, das micro empresas, e das empresas de pequeno porte, condicionadas à manutenção dos níveis de emprego.

Segundo a PEC, após dois meses da publicação da emenda, a duração do trabalho normal não poderá exceder 42 horas. Após um ano, a jornada cai para 40 horas.

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