A terceira matéria da série de reportagens do Correio do Estado abordando as principais incógnitas para o pleito municipal deste ano discorre sobre os temas que devem ser mais pautados durante a campanha eleitoral nos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.
Na análise do diretor e coordenador do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, os assuntos vão depender das particularidades de cada município, porém, logicamente, temos as questões que são centrais, como saúde pública, segurança pública, educação pública, habitação popular e transporte coletivo urbano.
De acordo com ele, no caso de Campo Grande, conforme pesquisa feita pelo IPR no fim do ano passado, a saúde é apontada como prioridade para 85,29% dos eleitores, e a questão vai desde falta de médicos e de medicamentos até ausência de unidades de atendimento e de leitos nos hospitais.
Já a falta de segurança é prioridade para 65,09% da população, mesmo não sendo responsabilidade da prefeitura municipal e, por isso, o tema terá de ser debatido pelos candidatos.
Outro assunto que ganhou importância é a habitação popular, em razão do aumento do número de favelas na cidade. A educação foi apontada por 57,86% dos entrevistados, e a maior reclamação das pessoas é a falta de vagas nas creches.
Sobre o transporte coletivo urbano, Aruaque Barbosa pontuou que é uma questão que também ganhou relevância nos últimos anos, por conta da precarização do serviço prestado, com poucos ônibus circulando pelos bairros de Campo Grande, e muitos deles velhos.
"Portanto, as particularidades de cada cidade alinhadas com as questões da saúde, da segurança, da educação, da habitação e do transporte urbano vão nortear a construção dos planos de governo de cada candidato", analisou Barbosa.
Em Campo Grande e em Dourados, por exemplo, "o grande desafio dos postulantes ao cargo de prefeito das duas cidades será apresentar propostas capazes de resolver essas deficiências do serviço público".
Para o diretor do IPR, nessas duas cidades, foi possível perceber, por meio das pesquisas, que os moradores são mais conservadores, porém, não querem radicalismo, nem da direita e muito menos da esquerda. "Por isso, quem for por esse caminho vai se afastar dos eleitores", garantiu.
QUESTÕES LOCAIS
Aruaque Barbosa reforçou que as campanhas eleitorais municipais deste ano vão se basear mais nas questões locais.
"A legitimação do voto por candidato A ou B vai depender da capacidade de apresentar a solução para os serviços públicos que estão deixando a desejar", detalhou.
O diretor do IPR frisou que um tema pouco citado nas pesquisas, mas imprescindível, é a questão da infraestrutura urbana, que abrange desde alagamentos até ruas esburacadas, iluminação pública e limpeza pública urbana.
"Então, o candidato que conseguir convencer que tem as melhores propostas e realmente tiver como comprovar sua capacidade de resolver as demandas da população será eleito ou reeleito", assegurou.
Ele apontou esse fato como um dos pontos-chave para conseguir conquistar a confiança do eleitor, "que ainda não está antenado sobre a eleição deste ano, mas sempre reclama dos serviços públicos".
A desinformação dos eleitores é um outro ponto citado pelo especialista. "A desinformação no cenário das eleições, às vezes, faz com que a população não saiba a diferença entre competência municipal, estadual e federal, enfim, e aí cabe ao candidato mostrar isso", completou.





