Política

ELEIÇÕES 2026

Sem Simone ao Senado por MS, chapa de Fábio e Vander pode perder a força

Trad é pré-candidato a governador de Mato Grosso do Sul pelo PT, enquanto Loubet concorrerá ao Senado pela sigla

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Com a provável mudança de domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo por parte da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), para concorrer como senadora ou governadora nas eleições gerais deste ano, a chapa do PT formada pelo ex-deputado federal Fábio Trad e pelo deputado federal Vander Loubet para disputar as cadeiras de governador e senador no Estado, respectivamente, deve ficar enfraquecida.

A análise é do cientista político Tercio Albuquerque, explicando que a ministra aparecia bem colocada nas pesquisas.

Ou seja, de acordo com ele, a presença de Simone na chapa dava uma consistência que a dupla não tem, pois ela tem a capacidade de agregar um eleitor que não vota tradicionalmente no partido, além disso, é mulher, tem bom desempenho no debate público e compõe o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um ministério importante.

“Sem dúvida nenhuma que atrapalha bastante os planos do PT no Estado. Mesmo que haja uma predisposição de, na campanha, a própria Simone tentar apoiar diretamente as eleições aqui, não vai conseguir aglutinar no entorno de Fábio e Vander.

Então, vai ficar mais complicada a possibilidade de o PT conseguir uma boa votação, ainda que Lula seja presidente”, argumentou, comentando que “o PT vai perder uma grande oportunidade de ter uma consagração maior de votação caso Simone permaneça dentro do Estado”.

REPERCUSSÃO

Procurado pelo Correio do Estado, o pré-candidato do PT a governador não acredita que a ausência de Simone Tebet possa prejudicar sua campanha eleitoral.

“A se confirmar a candidatura de Simone em São Paulo, penso que o quadro político não se altera em Mato Grosso do Sul para o palanque estadual do PT. Até porque, ela já declarou que apoiaria a reeleição do atual governador Eduardo Riedel [PP], portanto, a nós não prejudica”, assegurou Fábio Trad.

Já Vander Loubet lembrou que, desde o segundo turno das eleições presidenciais de 2022, Simone tem sido uma figura muito importante para Lula e o PT sempre tem feito questão de exaltar o papel dela, tanto na eleição passada quanto como ministra.

“Porém, temos a visão de que o projeto dela para o Senado em nosso Estado enfrenta muitas barreiras e dificuldades. Ela já afirmou publicamente ter dois compromissos eleitorais agora em 2026: apoiar a reeleição do presidente Lula e apoiar a reeleição do governador Riedel”, pontuou.

O deputado federal completou que é aí que começa a primeira dificuldade dela como candidata a senadora por Mato Grosso do Sul, porque o pessoal do Riedel – da direita e extrema-direita – não vai aceitar que ela suba no palanque deles enquanto apoia Lula.

“E, do outro lado, a militância do PT, que seria fundamental para apoiar essa candidatura da ministra, também não vai engolir o apoio ao Riedel. Outro ponto de dificuldade para ela em nosso Estado é que o próprio partido dela torce o nariz para o apoio ao Lula”, falou, referindo-se ao MDB.

Vander recordou que várias lideranças do MDB dizem que não aceitam que ela dispute o Senado apoiando a reeleição do Lula. “Pela envergadura e pela força que tem no MDB nacional, Simone até poderia impor a própria pré-candidatura, mas aí no chão, nas bases, ela não conseguiria o apoio necessário”, alertou.

No entanto, o pré-candidato ao Senado comentou que parte desse cenário pode ter mudado, pois na época em que ela deu a declaração sobre o compromisso com Lula e Riedel o contexto era outro.

“O Fabio sequer estava no PT e não era pré-candidato a governador. E o PT fazia parte do governo Riedel, então, de forma muito transparente e franca, para nós, o apoio a ela estaria condicionado ao apoio dela ao Fabio”, apontou.

De qualquer forma, segundo Vander, hoje, cada vez mais ganha corpo a estratégia da ministra de se lançar na disputa eleitoral deste ano por São Paulo.

“Se não for pelo MDB, pode ser pelo PSB por várias razões. Acho que a principal é que hoje ela desfruta de muito prestígio lá, tanto na opinião pública, pois já foi testada em pesquisas de intenções de voto quanto junto ao grande empresariado”, concluiu.

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PRESÍDIO

Moraes autoriza transferência de condenados no caso Marielle para RJ

Rivaldo Barbosa e Domingos Brazão vão cumprir pena em Gericinó

14/03/2026 22h00

Rivaldo Barbosa e Domingos Brazão, condenados pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018

Rivaldo Barbosa e Domingos Brazão, condenados pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou, neste sábado (14), a transferência de Domingos Brazão e de Rivaldo Barbosa para cumprirem pena no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira (Seappo) no complexo penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro (RJ).

Ambos estão entre os condenados pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018. 

Os dois condenados estão, atualmente, em presídios federais fora do Rio de Janeiro.

Rivaldo Barbosa, condenado a 18 anos pelos crimes de obstrução à Justiça e corrupção passiva, foi para a penitenciária federal de Mossoró (RN). Enquanto que Domingos Brazão, condenado a 76 anos e três meses de reclusão por organização criminosa armada, dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado, cumpre pena em Porto Velho (RR).  

Segundo a decisão de Moraes, ambos foram para presídios federais porque “integravam o topo de uma estrutura extremamente violenta” e havia risco de interferência e atuação criminosa. 

O ministro do STF explica, no documento, que o cenário se modificou. Não haveria, então, demonstração concreta de risco atual à segurança pública ou “à integridade da execução penal que imponha o afastamento do sistema prisional ordinário”.

“Isso porque as razões que embasavam a custódia preventiva, notadamente a necessidade de estancar a atuação da organização criminosa, preservar a colheita probatória e impedir interferências externas, perderam sua força, uma vez encerrada a fase instrutória e estabilizadas as provas”. 

Penas

No mês passado, a Primeira Turma do STF definiu as penas dos condenados pela participação no crime. 

Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, foram condenados a 76 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, duplo homicídio e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle, que sobreviveu ao atentado. 

Eles estão presos preventivamente há dois anos.

Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, recebeu pena de 18 anos de prisão pelos crimes de obstrução de Justiça e corrupção. Apesar de ter sido denunciado pelos homicídios de Marielle e Anderson, Barbosa foi absolvido dessa acusação.

Ronald Alves de Paula, major da Policia Militar, recebeu pena de 56 anos de prisão. Robson Calixto, ex-policial militar, foi condenado a 9 anos. 

Os acusados também devem perder os cargos públicos após o trânsito em julgado da condenação (fim da possibilidade de recursos).

POSICIONAMENTO POLÍTICO

Pesquisa revela que 46,31% da população de MS se diz de direita ou centro-direita

Levantamento do Correio do Estado/IPR ocorreu em 17 cidades que representam 68% do total da população sul-mato-grossense

14/03/2026 08h00

Gerson Oliveira

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A maioria da população sul-mato-grossense se considera mais alinhado à direita ou à centro-direita, conforme pesquisa de intenções de votos, registrada sob os números BR-02995/2026 e MS-00334/2026, contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR).

De acordo com o levantamento, 46,31% dos entrevistados se consideram mais alinhados à direita ou à centro-direita – 38,78% da direita e 7,53% de centro-direita –, 14,41% se posicionaram de centro e 18,24% dos entrevistados se declararam de esquerda ou centro-esquerda – 7,53% de centro-esquerda e 10,71% de esquerda –, enquanto 21,05% não sabem ou não quiseram responder.

Nessa escala de posicionamento político, a pesquisa Correio do Estado/IPR também questionou aos entrevistados em qual grupo eles se encaixam e a maioria, ou seja, 27,7%, disse que é independente, enquanto 25,64% não se consideram bolsonaristas, mas gostam mais das ideias da direita.

Além disso, 19,77% dos entrevistados falaram que se consideram bolsonaristas, 13,65% não se declararam lulistas, mas gostam mais das ideias da esquerda e 9,57% se disseram lulistas, enquanto 4,21% não sabem ou não quiseram responder.

ANÁLISE

Segundo o diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, a pesquisa mostra que o ambiente político do Estado continua estruturalmente mais inclinado à direita, mas longe de ser homogêneo quando o tema deixa de ser ideologia abstrata e passa a ser a escolha concreta de um candidato.

“Em termos agregados, isso significa que o bloco de direita e centro-direita soma 46,31%, enquanto esquerda e centro-esquerda reúnem 18,24%, sinalizando um terreno eleitoral mais favorável a candidaturas identificadas com o campo conservador”, analisou o diretor do IPR.

Conforme ele, quando a pesquisa aprofunda a autodefinição ideológica e pede aos entrevistados que se encaixem em uma escala política mais concreta, o quadro fica ainda mais nítido, pois, somados os que se consideram bolsonaristas e os que não se consideram, mas gostam mais das ideias da direita, esses dois segmentos formam um bloco de 45,41%.

Do outro lado, entre os que não se consideram lulistas, mas preferem as ideias da esquerda, e os que se declaram lulistas somam 23,21%, enquanto o grupo dos independentes aparece com 27,17%, a maior fatia isolada da escala.

“Em termos analíticos, isso indica que Mato Grosso do Sul tem uma base ideológica majoritariamente inclinada à direita, mas com uma parcela relevante de eleitores que não quer se comprometer identitariamente com nenhum polo”, comentou.

Em síntese, de acordo com o diretor do IPR, o cenário desenhado pela pesquisa é o seguinte: o Estado é majoritariamente inclinado à direita, enquanto o bolsonarismo, somado ao eleitorado simpático às ideias da direita, forma um bloco robusto.

DADOS

Com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, a pesquisa Correio do Estado/IPR ouviu 784 pessoas com 16 anos ou mais de idade, moradoras de 12 regiões referenciadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que englobam os municípios de Amambai, Aquidauana, Campo Grande, Sidrolândia, São Gabriel do Oeste, Corumbá, Coxim, Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Bonito, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Essas 17 localidades representam 68% do total de 1,8 milhão de eleitores sul-mato-grossense, ou seja, 1,2 milhão de eleitores, e ao ser realizado nesses municípios do Estado, o levantamento cobre onde está a maior parte da capacidade eleitoral de Mato Grosso do Sul, isto é, oferece uma fotografia extremamente fiel do cenário real, já que os pequenos municípios têm baixo peso estatístico.

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