Além da Polícia Federal, o TCU (Tribunal de Contas da União) também avisou o gabinete do ministro Pedro Novais (Turismo) há quatro meses sobre suspeitas de fraude em convênio no Amapá.
Em 7 de abril, o TCU enviou ofício ao ministério pedindo esclarecimentos sobre um contrato para treinamento de mão de obra firmado com o Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável).
No dia 12 de maio, o Turismo respondeu ao TCU negando qualquer irregularidade na contratação da ONG.
Como a Folha noticiou ontem, a PF informou ao ministro Pedro Novais que investigava o caso e solicitou que ele mandasse, "com urgência", cópia integral do processo que resultou no convênio. O ofício com o pedido foi assinado por um delegado da PF e enviado em 13 de abril.
Na época, o ministro Pedro Novais não anunciou qualquer medida para sanear o convênio ou interromper a liberação de verbas.
Na terça-feira passada, a PF desencadeou a Operação Voucher, com a prisão de 36 pessoas, entre funcionários da pasta e de empresas ligadas ao convênio.
Elas são investigadas por envolvimento em um esquema que teria desviado recursos R$ 4 milhões do convênio entre o Ibrasi e o Turismo.
Anteontem, três dias depois da operação, o ministério publicou uma portaria endurecendo as regras para convênios do Turismo.
Outro Lado
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Ministério do Turismo negou inicialmente que o ministro e a cúpula da pasta soubessem que o convênio do Amapá estava sendo investigado pela PF.
Posteriormente, confrontada com o documento, o ministério informou que o pedido da PF foi enviado diretamente ao chefe da assessoria especial de Controle Interno.
O setor é responsável pela prestação de informações aos órgãos de fiscalização do governo, e não teria ligação direta com o ministro.
Ainda de acordo com a assessoria, pedidos de informações sobre diversos assuntos do Turismo são comuns.
O ministério não soube informar por que este ofício, que informava que um inquérito da PF estava em andamento, não foi levado ao ministro. A Folha não conseguiu contato com o chefe do departamento que recebeu o pedido do delegado.
(Fonte: FolhaOnline)


