Integrantes do governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), estão avaliando que a saída do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil representa mais uma possibilidade de o Planalto se aproximar da sigla, buscando a neutralidade do partido na disputa pela Presidência da República nas eleições deste ano.
No entanto, em Mato Grosso do Sul, o posicionamento do diretório estadual é de que a decisão de continuar caminhando com o PP para a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) está ratificada, enquanto nacionalmente também deve predominar a mesma linha, ou seja, a federação partidária formada pelas duas legendas vai continuar ao lado da direita, buscando uma vaga para lançar um pré-candidato a vice-presidente.
“O União Brasil decidiu, nosso diretório estadual e também o nacional, apoiar a reeleição do governador Eduardo Riedel, entendendo que ele está pronto para continuar fazendo com que Mato Grosso do Sul siga se desenvolvendo e o nosso partido, também”, declarou ao Correio do Estado a presidente estadual do União Brasil, Rose Modesto, que é pré-candidata a deputada federal nas eleições deste ano.
Nacionalmente, conforme as últimas resoluções repassadas para a ex-deputada federal, as articulações são para que a Federação União Progressista, cujo processo está sendo analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fique com a vaga de pré-candidato a vice-presidente da República na chapa da direita ou da centro-direita.
Na prática, apesar de a presidente estadual não revelar, PP e União Brasil devem ficar lado a lado, ou com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ou com o candidato que o PSD lançar, afinal, desde a filiação de Ronaldo Caiado, a legenda conta com três presidenciáveis, incluindo os governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
Rose Modesto acrescentou ainda que a Federação União Progressista já está se preparando no Estado para fazer uma chapa para eleger pelo menos quatro deputados estaduais e até três deputados federais. “Então, a gente decidiu por esse apoio à candidatura de reeleição do Riedel e, aqui, o martelo já está batido neste sentido”, assegurou.
SONDAGEM PETISTA
Entretanto, em nível nacional, o PT deseja uma reaproximação, afinal, a relação do União Brasil com o governo de Lula foi marcada por altos e baixos nos últimos três anos, apesar de a legenda ter três representantes na Esplanada: Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), Frederico de Siqueira Filho (Comunicações) e Gustavo Feliciano (Turismo).
Os dois primeiros foram indicados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o terceiro foi endossado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), já que são aliados locais na Paraíba.
Criado a partir da fusão do DEM e do PSL, o União Brasil tem uma ala mais ligada à oposição ao petista e outra mais governista, sendo atualmente presidido pelo empresário Antonio Rueda.
O partido aguarda para os próximos dias a oficialização do TSE para a formação de uma “superfederação” com o PP, estabelecendo a maior bancada na Câmara dos Deputados e uma das maiores no Senado.
Integrantes do governo federal admitem que não terão apoio da federação à campanha do presidente Lula à reeleição, mas dizem trabalhar com o cenário em que as duas siglas não formalizem uma coligação com a candidatura bolsonarista e busquem a neutralidade do grupo em nível nacional, com a liberação de seus filiados.
Há uma avaliação entre governistas que a saída de Caiado abre possibilidades para uma aproximação com o União Brasil, visto que o governador de Goiás é um político que faz dura oposição a Lula, mas dizem que esse é um processo que já vinha acontecendo desde o fim do ano passado.
Nas palavras de um auxiliar presidencial, esse movimento de Caiado não muda o jogo político da eleição, mas representa mais um sinal para a melhoria na relação.
Após um momento considerado mais sensível da relação do partido com o governo federal, quando Rueda antecipou a obrigatoriedade de seus filiados deixarem o Executivo, após ter sido alvo de críticas de Lula em reunião ministerial do petista, interlocutores dos dois campos políticos passaram a atuar para distensionar a relação.
No fim do ano passado, Rueda se reuniu com a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) em encontro que selou a indicação de Feliciano para o Ministério do Turismo no lugar de Celso Sabino (União Brasil-PA).
Deputado federal licenciado, Sabino foi expulso do partido após ter contrariado determinação da sigla e permanecido na gestão petista.
Com a mudança no comando da Pasta, governistas dizem esperar o apoio de cerca de 25 dos 59 deputados da legenda no projeto de reeleição de Lula neste ano. Além disso, com a recuperação da popularidade de Lula, políticos do Centrão que antes defendiam um maior afastamento do Planalto passaram a rever essa posição.
Também pesou nesse cenário a candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Planalto, que contrariou partidos do Centrão que buscavam unir apoio em torno de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Integrantes do PT e do Planalto dizem que essa aproximação com as siglas do Centrão não significa apoio a Lula nem ao governo como um todo, mas dizem ser possível atrair segmentos desses partidos a partir da formação dos palanques estaduais, para já garantir alianças locais e impedir uma aproximação desses partidos com o bolsonarismo.
No Ceará, por exemplo, petistas defendem abrir uma vaga na chapa majoritária para um indicado do União Brasil. Nesse cenário, é citado como exemplo o deputado Moses Rodrigues (União Brasil-CE) para uma possível vaga ao Senado.
Uma ala do União Brasil no Ceará, no entanto, defende aliança com Ciro Gomes (PSDB), que deve ser candidato ao governo contra a candidatura do PT.
Um governista afirma, sob reserva, que uma outra possibilidade dessa aproximação pode passar pelo estabelecimento de um pacto de não agressão, com redução de críticas de integrantes do União Brasil ao governo e vice-versa.
Ainda no ano passado, Lula ficou irritado com críticas feitas por Rueda e outros integrantes do partido à sua gestão.
Dois dirigentes da federação dizem, também sob reserva, que a saída de Caiado não muda o cenário eleitoral que vinha sendo traçado pelo grupo, já que não levavam a sério que a candidatura do governador seria oficializada.
Um deles diz ainda que a federação não trata do cenário nacional neste momento, numa sinalização de que ainda não há definições se o bloco apoiará algum candidato ou se manterá neutro.

