Política

Troca de cadeiras

Valdemar elogia Lula por escolha de Lewandowski para Ministério da Justiça

O dirigente de oposição classificou Lewandowski como homem de bem e de comportamento firme

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O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, elogiou nesta sexta-feira (12) a escolha do presidente Lula (PT) de indicar o ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski para o Ministério da Justiça.

À Folha de S.Paulo, o dirigente de oposição classificou Lewandowski como homem de bem e de comportamento firme.

"Lewandowski tinha tudo para ir pro Ministério da Justiça. Ele é preparado, homem de bem, homem que sempre teve comportamento firme. [Lula] Acertou, como não. Como no caso do [Crisiano] Zanin, não foi boa indicação?", disse.

O presidente do PL elogiou a escolha do então advogado de Lula para a vaga do STF no ano passado.
"Na segurança, vai ter que investir muito nisso. Os municípios, os estados e o governo federal. A situação tá caminhando muito mal no Brasil", completou.

O presidente anunciou, oficialmente, na quinta-feira (11) a indicação do magistrado aposentado para comandar o Ministério da Justiça.

Valdemar lembrou de quando Lula indicou Lewandowski para o Supremo, em 2006, durante o seu primeiro mandato. À época, o PL ocupava a vice-presidência, com José de Alencar.

Ele disse que à época, José de Alencar quis saber do então indicado ministro, de quem tinha pouco conhecimento. Valdemar, que é de São Paulo assim como Lewandowski, disse que ele era um "homem muito sério". Agora, repete o elogio.

Nos bastidores, outros bolsonaristas também foram elogiosos ao ex-ministro do Supremo. A avaliação é de que ele tem bom trato e pode ser mais aberto ao diálogo com oposição.

O presidente do PL virou alvo nas redes sociais de apoiadores de Bolsonaro por falar bem das gestões passadas de Lula, hoje seu adversário eleitoral. Mas ele se diz mal compreendido e chama de "fake" o conteúdo que circula. Não por negar os elogios, mas porque diz que o trecho da entrevista, concedida em dezembro, foi tirado de contexto.

No vídeo, Valdemar afirma que Lula tem prestígio e é fenômeno por chegar onde chegou. A declaração foi dada ao jornal O Diário, da região de Mogi das Cruzes (SP), e compartilhada nesta sexta-feira (12) até por petistas. Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, reagiram: "Comunista", disse um internauta.

"O que eu falei do Lula, eu falei porque é verdade. Se eu não falar a verdade, perco a credibilidade, que é o que me resta na política. Ninguém pode negar que ele foi bom presidente. Ele elegeu a Dilma [Rousseff]. Só que eu tava fazendo comparação: o Lula tem prestígio, Bolsonaro tem uma coisa que ninguém tem no planeta, carisma", disse.

"Eles [extrema-direita] descem o cacete em mim quando eu falo isso. [Mas] Tivemos o vice do Lula, José de Alencar, que era de direita. Participamos do governo. Como é que vou falar mal do Lula? Se eu falar, não sou um cara sério", completou.

O PL foi vice do presidente Lula nos seus dois primeiros mandatos.

YouTube  Valdemar Costa Neto fala sobre Bolsonaro, Moro, Lula e sucessão em Mogi Presidente nacional do PL é sabatinado pelo jornalista Darwin Valente. Valdemar diz ainda que a repercussão do vídeo, com o trecho editado, foi "coisa do PT", e minimizou o episódio, dizendo que Bolsonaro nem ligou para ele por isso.

Mais ainda, o dirigente afirmou que ele e o ex-presidente torcem pelo sucesso do governo, pelo bem do país, mas criticou medidas econômicas do Lula 3.

"Estamos torcendo para ele acertar, porque estamos querendo ver o Brasil ir bem. [Mas] Acho difícil, temos que fazer economia, poupar, não gastar dinheiro do governo para fazermos o que precisamos fazer, investir em saúde, educação, segurança pública. Segurança está barbaridade", disse.

Nas redes sociais, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) postou o trecho do vídeo em que Valdemar dá a entrevista. Farias afirma que só acreditaria que Valdemar elogiava Lula se visse o vídeo. Depois de compartilhar a entrevista, escreve "Não tem como! O Lula é o cara!".

Abaixo da publicação de Lindbergh, alguns usuários criticam a postura de Valdemar. "Esperrar [sic] o que dele? Você não conhece o pssado [sic] desse senhor? Eles eram amigos no mesmo lado!", afirma um usuário.
Em outra publicação sobre a entrevista, pessoas criticam a atuação de Valdemar com frases como "amizade de presídio é forte mesmo" e "waldemar [sic] comunista".

No trecho da entrevista que viralizou, Valdemar afirma que Lula não tem comparação com Bolsonaro e que o presidente petista é "camarada do povo".

"O Lula é completamente diferente do Bolsonaro", afirma Valdemar. O político afirma que Lula é um "fenômeno" por ter "chegado aonde chegou". Ele também elogia a atuação de Lula em governos anteriores.
Segundo o político, o presidente petista é diferente de Bolsonaro porque tem prestígio, embora não tenha "o carisma que Bolsonaro tem". "O Lula tem prestígio. Popularidade. Ele é conhecido por todos os brasileiros. O Bolsonaro não. O Bolsonaro teve um mandato só".

Valdemar também afirmou que o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) errou no julgamento de Lula na Lava Jato. O hoje senador foi considerado parcial na sua atuação como juiz nos processos envolvendo o ex-presidente, preso em 2018 acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-juiz da Lava Jato deixou a magistratura para se tornar ministro da Justiça no governo Bolsonaro.

Depois, Moro saiu do cargo acusando o ex-presidente de interferir na PF, ensaiou uma candidatura a presidente da República e acabou se elegendo como senador. Agora, enfrenta um processo de cassação, sob a acusação de abuso de poder econômico na campanha eleitoral.

"Se ele [Lula] errou em alguma coisa, ele tinha que ser condenado tudo dentro da lei. O Moro errou. O Moro superou os limites da lei. E ninguém imaginava que o Moro queria ser presidente da República", afirmou Valdemar na entrevista.

" Quando eu falo isso [que Moro ultrapassou os limites da lei], o pessoal da direita fica bravo comigo. Amanhã é um cacete em cima de mim na internet, mas é verdade", afirmou.

Valdemar citou a condução coercitiva de Lula para depor na época da Lava Jato como um exemplo de má conduta do ex-juiz e disse que Moro "passou do limite da lei para aparecer, para ser candidato a presidente". O presidente do PL ainda disse que o ex-juiz "vai pagar caro" pela conduta e que vai ser cassado.
 

Sob suspeita

Emenda de deputado de MS entra na mira da PF no caso "Dark Horse"

Dino afirma que destinação feita por Marcos Pollon para projeto em São Paulo apresenta "aparente desconformidade"

11/09/2026 07h55

O deputado federal Marcos Pollon (PL) foi citado na operação deflagrada pela Polícia Federal

O deputado federal Marcos Pollon (PL) foi citado na operação deflagrada pela Polícia Federal Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

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O deputado federal Marcos Pollon (PL) aparece na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) ontem para investigar suspeitas de desvios de emendas parlamentares.

Ele destinou R$ 1 milhão à Academia Nacional de Cultura (ANC), de São Paulo, para o projeto Heróis Nacionais. A entidade é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, também ligada à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na decisão que autorizou a operação, Dino chama atenção para o fato de Pollon ter sido eleito por Mato Grosso do Sul, enquanto a emenda tinha como destino um projeto em São Paulo. Situação semelhante envolve a deputada Bia Kicis (PL-DF), que destinou R$ 150 mil à mesma entidade.

Segundo o ministro, essa circunstância “revela aparente desconformidade com a exigência de absoluta vinculação federativa” estabelecida em decisões do Supremo sobre a aplicação de emendas parlamentares.

A ANC é uma das entidades investigadas na operação, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal.

Além da Academia Nacional de Cultura, a investigação mira o Instituto Conhecer Brasil (ICB), também presidido por Karina Gama, e a Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel.

Dino também determinou a suspensão das atividades da ANC e proibiu o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo do filme, e outros 28 investigados de deixar o País.

A investigação faz parte do inquérito relatado por Dino que apura possíveis desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares.

Segundo os elementos apresentados na decisão, recursos públicos teriam percorrido diferentes empresas e organizações ligadas a Karina Gama. 

A apuração busca esclarecer se havia uma estrutura articulada para direcionar e desviar dinheiro público.

Entre os casos citados está uma emenda individual de Mário Frias destinada à Editora e Distribuidora de Livros HD Cultural. A empresa recebeu R$ 1.368.528,20 no dia 24 de março deste ano, tendo o Fundo Municipal de Saúde de Piracicaba, em São Paulo, como pagador.

A mesma empresa também recebeu R$ 1.298.694,38 no dia 30 de dezembro de 2025, por meio de recursos do Fundeb repassados pelo Fundo Municipal de Educação de Icó, no Ceará.

A investigação aponta ainda para a circulação de recursos originados de diferentes estados e do Distrito Federal em direção a projetos e empresas situados principalmente em São Paulo.

Outro ponto destacado na investigação envolve o Instituto Conhecer Brasil. De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), houve “atipicidade” no fato de o instituto, sediado em São Paulo, ter solicitado orçamento à Cometa Livraria, cuja sede fica em Fortaleza, no Ceará.

A CGU ressalta que a escolha ocorreu “a despeito da ampla oferta de editoras e fornecedores do setor editorial existentes no estado de São Paulo”.

A Cometa Livraria, segundo os documentos da investigação, funciona no mesmo endereço da HD Cultural, empresa beneficiada pela emenda de Mário Frias.

Para os investigadores, vínculos entre empresas, endereços coincidentes e a movimentação de recursos entre diferentes estados estão entre os elementos que precisam ser esclarecidos.

A Operação Make Up busca agora aprofundar a apuração sobre o destino das emendas e a relação entre parlamentares, entidades e empresas envolvidas.

A citação de Pollon na decisão decorre da destinação da emenda de R$ 1 milhão ao projeto paulista; o documento aponta possível irregularidade na vinculação territorial do recurso, mas não significa, por si só, comprovação de participação dele em eventual desvio.

* Saiba 

Deputado diz que ONG não recebeu emenda

O deputado federal Marcos Pollon (PL) afirmou que nenhum valor da emenda de R$ 1 milhão indicada por ele para o projeto Heróis Nacionais foi repassado à entidade investigada pela Polícia Federal e disse ter solicitado ao governo de São Paulo o redirecionamento do dinheiro ao Hospital de Amor de Barretos.

A manifestação foi divulgada ontem, após o nome do parlamentar voltar a ser associado a reportagens sobre a investigação envolvendo emendas parlamentares e o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pollon afirmou que indicou a emenda em 2023, com previsão de pagamento no início de 2024, para financiar, por meio do governo de São Paulo, o projeto Heróis Nacionais.

Segundo ele, a proposta tinha alcance nacional e previa uma série documental destinada a contar a história de personagens ligados à formação do Brasil, com episódios sobre nomes como Padre José de Anchieta e Dom Pedro I.

O parlamentar também defendeu a participação da direita em projetos culturais. Para Pollon, o setor não pode ficar restrito a uma única visão política e deve ser utilizado para preservar valores, memória e personagens históricos.

De acordo com o deputado, porém, o projeto não saiu do papel. Pollon destacou que documentos da investigação registrariam que nenhum valor de sua emenda foi efetivamente transferido à entidade investigada.

“Como o projeto não saiu do papel, solicitei ao governo do estado de São Paulo que o recurso separado para esse projeto fosse realocado e destinado ao Hospital de Amor de Barretos”, afirmou.

Segundo ele, a instituição atende anualmente milhares de pacientes de Mato Grosso do Sul em tratamento contra o câncer.

O deputado também rebateu questionamentos sobre ter destinado uma emenda, apesar de ter sido eleito por Mato Grosso do Sul, para execução por meio do governo paulista.

Pollon argumentou que a indicação ocorreu em 2023 e que a restrição estabelecida no âmbito da ADPF 854 para a destinação de determinadas emendas a outros estados só veio posteriormente, em agosto de 2024.

Para o parlamentar, portanto, não seria possível aplicar retroativamente uma regra criada depois da indicação do recurso.

Ele acrescentou que a decisão teria estabelecido ressalvas para projetos de alcance nacional, categoria na qual, segundo sua interpretação, estaria enquadrado o Heróis Nacionais.

Na manifestação, Pollon fez duras críticas à cobertura do caso e acusou parte da imprensa de construir uma narrativa política contra parlamentares ligados ao bolsonarismo.

Ele afirmou que informações estariam sendo apresentadas fora de contexto, com mistura de datas, projetos e decisões judiciais diferentes.

O deputado também relacionou a repercussão do caso ao período eleitoral e citou que parlamentares envolvidos nas notícias são figuras com expressiva votação e candidatos nas eleições deste ano.

“Querem investigar? Investiguem. Querem apurar? Apurem. Eu não tenho problema algum com isso”, declarou.

Queda

Júlio Casares é expulso do São Paulo após votação do Conselho Deliberativo

Votação terminou em 224 votos a 2, além de cinco abstenções

10/09/2026 23h00

Júlio Casares, ex-presidente do São Paulo

Júlio Casares, ex-presidente do São Paulo Foto: Divulgação

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Júlio Casares foi expulso do São Paulo após votação do Conselho Deliberativo, encerrada no fim da tarde desta quinta-feira. O ex-presidente, que renunciou no começo do ano após ter sido afastado, havia sido acusado de gestão temerária.

A acusação tem como base o artigo 34 do estatuto social são-paulino. A Comissão de Ética do São Paulo sugeriu, em relatório, a expulsão e o ressarcimento ao clube. A votação terminou em 224 votos a 2, além de cinco abstenções.

Em nota, a defesa de Júlio afirmou estar espantada com o "abusivo desfecho" do processo e que a medida "se pautou em cunho eminentemente político, com ares de perseguição".

O valor é definido pelo departamento financeiro do time paulista e ainda será validado pelo Conselho Fiscal. A comissão considerou R$ 7 milhões em saques feitos por Casares, quantia que é alvo de investigação de uma Força-Tarefa da Polícia Civil e Ministério Público. Ele aponta que os valores foram gastos com despesas do futebol.

O uso do cartão corporativo chegou a cerca de R$ 1 milhão, dos quais somente pouco mais da metade foi reembolsada para o clube. A ação se enquadra no artigo 11 do estatuto, que fala sobre "dano ou prejuízo material".

Casares sequer compareceu à reunião da Comissão de Ética em que teria a oportunidade de apresentar sua defesa. Representantes do ex-presidente dizem que ele sofre um "processo de exceção" e teve o direito de defesa "cerceado" por não conseguir documentos para compor sua representação.

O relatório final rebate essa ideia. "Os autos registram o fornecimento de grande quantidade de material, entre o qual documentos financeiros, relatórios de auditoria, respostas de Compliance, protocolos de jogos e shows, política de utilização de cartão corporativo e faturas referentes a diversos exercícios A própria defesa reconheceu posteriormente ter recebido documentação anteriormente requisitada, passando a formular novos pedidos", diz um trecho.

A Comissão de Ética é composta por Luiz Augusto Lia Braga, Mario Celso da Silva Braga, Milton José Neves Júnior, José Edgard Galvão Machado e Fábio Cesar de Souza Azambuja.

CONFIRA A NOTA OFICIAL DA DEFESA DE JÚLIO CASARES NA ÍNTEGRA

"A defesa de Julio Casares, exercida pelos advogados Daniel Bialski, Bruno Borragine, André Bialski e Bruna Luppi, externa sua perplexidade e espanto com o abusivo desfecho do procedimento do São Paulo Futebol Clube, que para além de cercear o exercício defensivo, mediante a inviabilização da disponibilização e produção dos elementos probatórios que desmistificam as ilações atribuídas a Julio Casares, se pautou em cunho eminentemente político, com ares de perseguição, cenário escancarado com o próprio prosseguimento de procedimento já esvaziado ante a anterior desassociação de Julio Casares dos quadros do Clube. A defesa reitera a lisura e regularidade da atuação de Julio Casares junto ao São Paulo Futebol Clube e sua confiança de que, no momento oportuno, será reconhecida pelas Autoridades Judiciárias."

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