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TRAGÉDIA

Chuvas fortes já deixaram 64 mortos em Juiz de Fora e Ubá

Segundo a prefeitura de Juiz de Fora, há cerca de 4,2 mil desabrigados e desalojados e foram registradas 1.696 ocorrências pela Defesa Civil desde segunda-feira

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Os deslizamentos e enchentes causados pelas fortes chuvas que atingem a Zona da Mata Mineira desde segunda-feira (23) já deixaram 64 mortos, dos quais 58 em Juiz de Fora e seis em Ubá, informou o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMG) na manhã desta sexta-feira (27).

Ainda existem três desaparecidos em Juiz de Fora e dois em Ubá.

Em Juiz de Fora, os bombeiros estão mobilizados em três frentes de trabalho: bairros Paineiras, JK (Comunidade Parque Burnier) e Linhares. Nesta quinta-feira (26), houve um novo deslizamento, que atingiu três casas, no Bairro Bom Clima, em Juiz de Fora, com o registro de uma vítima desaparecida.

Segundo a prefeitura de Juiz de Fora, há cerca de 4,2 mil desabrigados e desalojados e foram registradas 1.696 ocorrências pela Defesa Civil desde a última segunda-feira.

 O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém o alerta de perigo para chuvas intensas até às 23h59 desta sexta-feira na zona da mata, com chuva entre 30 e 60 milímetros por hora ou 50 e 100 mm/dia e ventos intensos (60-100 km/h). Permanece o risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Os temporais que deixaram pelo 64 mortos na Zona da Mata mineira são reflexo de negligência com as mudanças climáticas. A avaliação é de especialistas ouvidos pela Agência Brasil que consideram os fatores climáticos e humanos responsáveis pelas fortes chuvas em Juiz de Fora e Ubá, com enxurradas, deslizamentos de terra e cheias de rios acima do normal.

“Quando estamos falando de extremos, de riscos ambientais, estamos falando de mudanças climáticas”, afirmou o geógrafo Miguel Felippe, professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

De acordo com ele, a prevenção passa pela adoção de uma agenda de políticas públicas para o meio ambiente, tema que tem sido negligenciado nos últimos anos. “Toda essa onda negacionista relacionada às mudanças climáticas, obviamente, reverbera agora em desastres como esses."

Para Felippe, especialista em hidrologia, geografia física e riscos socioambientais, as chuvas extremas e os eventos extremos tendem a ficar mais comuns daqui para a frente.

A negligência ocorre em todos os níveis de governo no Brasil e no mundo, onde a pauta climática, da qual faz parte o planejamento urbano, é apresentada por políticos como um entrave ao desenvolvimento econômico, analisou o geógrafo. “Essa falsa contraposição continua sendo usada como ativo na disputa eleitoral”, analisou.

Mesmo assim, explica, é na política que é preciso buscar soluções. O professor da UFJF  sugere começar pelo ordenamento urbano das cidades. Segundo ele, o Poder Público perdeu o controle dos terrenos para o capital imobiliário que, na prática, define qual o valor dos imóveis e, logo, o perfil socioeconômico dos moradores. O resultado é que as pessoas pobres são empurradas para áreas de menor valor econômico, que são as de maior risco de desastre ambiental.

“O discurso de que as pessoas pobres não devem ocupar áreas de risco despreza o elemento mais importante: é o capital imobiliário que define quem vai morar aonde”, destacou.

Dessa forma, segundo Felippe, as áreas com maiores perdas de vidas e materiais, em Juiz de Fora, são os bairros pobres. “Esta é a população com menor capacidade de resiliência e que vai ter mais dificuldade de se reconstituir.”

O professor lembrou que as áreas de risco são conhecidas. No entanto, ações de mitigação, parte da política ambiental, esbarram na falta de recursos. “Pelo que li nos jornais, em Minas Gerais, verbas destinadas ao enfrentamento de chuvas sofreram cortes expressivos entre 2023 e 2025”, afirmou.

Levantamento realizado pelo jornal O Globo, com dados oficiais do Portal da Transparência, mostra que os recursos para a Defesa Civil estadual caíram de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões, coincidindo com o segundo governo de Romeu Zema. Procurado pela reportagem, o governo estadual não comentou.

As políticas de resiliência precisam incluir também a conscientização da população, de acordo com Felippe. Em muitos casos, moradores de áreas de risco não sabem o que fazer em casos de alertas geológicos. “É preciso ir a campo, conversar com as pessoas, instruir, ter um plano de contingência muito claro”, recomendou.

A maioria das vítimas dos temporais de segunda-feira (23) é de Juiz de Fora, cidade que tem uma das maiores proporções de pessoas morando em áreas de risco, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). De acordo com o órgão, o município recebeu, em um dia, quase toda a chuva esperada para fevereiro, com impactos concentrados nos bairros Morro do Imperador, Paineiras e Parque Burnier, onde a Agência Brasil relatou um resgate.

As políticas de resiliência precisam incluir também a conscientização da população, de acordo com Felippe. Em muitos casos, moradores de áreas de risco não sabem o que fazer em casos de alertas geológicos. “É preciso ir a campo, conversar com as pessoas, instruir, ter um plano de contingência muito claro”, recomendou.

A maioria das vítimas dos temporais de segunda-feira (23) é de Juiz de Fora, cidade que tem uma das maiores proporções de pessoas morando em áreas de risco, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). De acordo com o órgão, o município recebeu, em um dia, quase toda a chuva esperada para fevereiro, com impactos concentrados nos bairros Morro do Imperador, Paineiras e Parque Burnier, onde a Agência Brasil relatou um resgate.

COMBINAÇÃO DE RISCOS

A topografia da cidade, em área de montanha, com suscetibilidade natural a deslizamentos e inundações, ajuda a explicar porque o município é um dos que mais recebem alertas do Cemaden.  A posição geográfica faz com que Juiz de Fora receba umidade vinda direta do mar. E, como o mar está mais quente, há mais evaporação de água que, ao subir e encontrar as montanhas, deságua em chuvas, explicou Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagem do Cemaden.

De acordo com o meteorologista, o aquecimento global está por trás desse efeito. “O Oceano Atlântico está muito mais quente do que o normal. Na costa, a temperatura está 3 graus Celsius (°C) acima do normal e isso é muito para o oceano”, avaliou.

Seluchi explicou que o ar que transita em cima do mar carrega mais umidade. “Nos últimos anos, temos mais umidade do que costumamos ter nesta época e isso é uma consequência do aquecimento global”, afirmou.

“Esse é um preço que pagamos pelas decisões tomadas no passado”, avaliou, criticando o descumprimento de acordos internacionais para conter os impactos no clima.

“O que nos resta? Nos adaptarmos. Tornar as cidades mais resilientes a esses desastres, o que é muito mais difícil”, analisou. Como conter inundações e deslizamentos é mais difícil, ele considera que o certo é retirar as pessoas sempre que houver um alerta, além de controlar a expansão de áreas de risco.

Seluchi cita como exemplo a experiência do Japão, país frequentemente afetado por grandes desastres, que treina os moradores para escapar nesses casos. “A Defesa Civil não evacua um por um. Ali, as pessoas já sabem a rota de fuga”.

 

mercado aquecido

Produção de veículos cresce 4,9% em 2026, acima do previsto

Qundo o tema é emplacamentos, foi o melhor abril dos últimos 12 anos. Isso dá uma média de 12,4 mil unidades emplacadas por dia

09/05/2026 07h15

Enquanto o consumo interno segue em alta, as exportações caíram 16,9%. Crise argentina é a explicação

Enquanto o consumo interno segue em alta, as exportações caíram 16,9%. Crise argentina é a explicação

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Com dois dias úteis a menos devido a feriados, a produção de veículos no Brasil no mês de abril não repetiu os bons números de março. Mesmo assim, a produção apresentou crescimento na comparação anual, o que demonstra, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que o mercado está em recuperação contínua.

Em abril, a produção registrou crescimento de 2,4% em comparação ao mesmo mês de 2025 e teve uma queda de 9,5% ante março deste ano, com a produção de 238,5 mil unidades.

Com o desempenho, o setor fechou o primeiro quadrimestre com a fabricação de 872,6 mil veículos, avanço de 4,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Isso está acima das projeções da Anfavea. No final do ano projetávamos 3,7% de [crescimento na] produção”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (8).

Já em relação aos emplacamentos, o crescimento foi de 19% em relação a abril do ano passado, com 248,3 mil unidades comercializadas.

“Esse é o melhor abril dos últimos 12 anos”, comemorou o presidente da Anfavea. Ele destacou que isso dá uma média de 12,4 mil unidades emplacadas por dia, melhor marca do ano e melhor média diária para um mês de abril desde 2014.

Quando se considera o acumulado do ano, o volume total de emplacamentos somou 873,5 mil autoveículos, com aumento significativo de 14,9% sobre os quatro primeiros meses do ano anterior.

Exportações

Entre janeiro e abril deste ano, 142,4 mil veículos foram enviados ao exterior, o que significou um recuo de 16,9% ante o mesmo período do ano passado. Segundo a Anfavea, embora os embarques tenham crescido 8,2% em abril em relação ao mês de março, eles caíram 11,7% na comparação com o ano passado.

Isso se deve principalmente porque o mercado argentino já não vem absorvendo um grande volume de produtos brasileiros.

“O mercado argentino caiu 6% no primeiro quadrimestre de 2026”, informou Calvet.

Veículos pesados

A venda de caminhões continua em queda, no entanto, ressaltou a Anfavea, essa queda vem se reduzindo nos últimos meses. Isso é resultado do programa federal Move Brasil, que oferece juros reduzidos na troca de caminhões mais antigos.

“O Move Brasil continua ajudando, mas ainda não foi capaz de reverter a queda nas vendas. Essa segunda etapa do programa, que foi recentemente anunciada, vem sim em um bom momento e a gente espera que agora nós consigamos reverter essa queda nas vendas”, disse o presidente da Anfavea.

Em abril, foram emplacados 8,8 mil caminhões, crescimento de 0,1% em relação a março e queda de 5,8% ante abril de 2025. No acumulado do ano, os emplacamentos de caminhões somaram 30,7 mil unidades, queda de 17,2% sobre igual período.

Já os ônibus tiveram crescimento de 4,6% nos emplacamentos em relação a março, com 2.049 unidades vendidas, o que representou queda de 6,9% em relação a abril de 2025.

Elétricos

Os veículos eletrificados apresentaram um novo recorde de participação, alcançando a marca de 18,3% do total de vendas do país.

“Temos um total de 48,7 mil unidades de veículos eletrificados emplacados no Brasil no mês de abril. Nesse ritmo a Anfavea já está prevendo em torno de 420 mil a 450 mil veículos eletrificados emplacados nesse ano, o que seria um número bastante robusto”, informou Calvet.

OPERADORES

Estrangeiros operam 90% dos aeroportos em capitais e Infraero encolhe

, grupos de sete países atuam em 25 dos 29 aeroportos com maior movimentação anual de passageiros nas capitais do País

03/05/2026 21h00

O Aeroporto de Campo Grande é administrado pela concessionária espanhola Aena

O Aeroporto de Campo Grande é administrado pela concessionária espanhola Aena Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A presença de operadores estrangeiros em aeroportos brasileiros supera a observada em outros setores de infraestrutura e já domina os principais terminais do País. Hoje, empresas internacionais controlam cerca de 90% dos aeroportos localizados em capitais, segundo levantamento do Broadcast (sistema de noticiais em tempo real do Grupo Estado) com dados da Aeroportos do Brasil (ABR).

Em um cenário marcado pela redução da presença da estatal Infraero, grupos de sete países atuam em 25 dos 29 aeroportos com maior movimentação anual de passageiros nas capitais do País. A predominância estrangeira reflete fatores regulatórios e operacionais, além do histórico de concessões, segundo especialistas.

O diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, relaciona a forte presença estrangeira ao processo de concessões que classifica como "bem-sucedido", iniciado em 2011. "Não havia empresas brasileiras desenvolvidas para gerir esses ativos. As concessões abriram espaço para grupos estrangeiros com expertise", afirmou à Broadcast.

A maior padronização do setor também favorece a atuação de operadores globais, segundo a sócia do BMA Advogados, Ana Cândida. "A regulação do transporte aéreo tem forte coordenação internacional, o que traz maior uniformidade e reduz incertezas para o investidor. Isso não acontece em outros setores de infraestrutura, como saneamento e rodovias, que têm características mais locais", explicou.

Apenas quatro aeroportos em capitais não são controlados por operadores estrangeiros: Santos Dumont (RJ), Belém (PA), Cuiabá (MT) e Macapá (AP). O terminal no Rio de Janeiro é o único sob gestão exclusiva da estatal Infraero, enquanto os demais são operados por grupos privados brasileiros, como a Norte da Amazônia Airports (NOA) e a Centro-Oeste Airports (COA).

Por outro lado, a espanhola Aena lidera o mercado, com sete aeroportos, incluindo Congonhas (SP) e o Galeão (RJ), segundo e terceiro mais movimentados do Brasil. Controlada pelo governo da Espanha, a concessionária ampliou presença no País nos últimos anos e, recentemente, venceu a relicitação do terminal fluminense, em disputa com a suíça Zurich Airport e a concessionária anterior, Changi Airports International, de Cingapura.

Já o grupo mexicano Asur controla seis terminais em capitais brasileiras após adquirir parte dos ativos da Motiva no País, incluindo os aeroportos de Palmas, São Luís, Teresina, Goiânia, Belo Horizonte e Curitiba. A francesa Vinci Airports, por sua vez, administra cinco terminais e ocupa a sétima posição no ranking por movimentação.

Infraero

O avanço dos operadores estrangeiros ocorreu em paralelo à redução da Infraero. Em 2010, a estatal gerenciava 67 aeroportos no País. Com o início das concessões, perdeu representatividade e hoje controla 23 aeroportos, sendo apenas 10 com voos regulares.

Nas primeiras rodadas, a estatal compartilhava as concessões com construtoras nacionais, que atuavam como parceiras dos operadores estrangeiros. Com a saída desses grupos, em meio aos impactos da Operação Lava Jato e à reestruturação das empresas, a presença nacional nos consórcios foi reduzida.

Esse movimento ganhou novo impulso com a saída da estatal da concessão do Galeão (RJ), na qual detinha 49% de participação, após a relicitação do ativo. Na avaliação do sócio do VLR Advogados, Luís Felipe Valerim, a tendência é de continuidade desse encolhimento. "A Infraero caminha para um papel cada vez mais residual no setor", disse.

A estatal ainda mantém participação em concessões relevantes, como na concessionária GRU Airport (Guarulhos) e no Aeroporto de Brasília. No entanto, a relicitação em andamento para o terminal da capital federal prevê a saída da estatal do ativo. Com isso, o Santos Dumont deve se manter como último ativo mais relevante no portfólio da Infraero.

Perspectivas

No início de abril, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o processo de solução consensual para a concessão do Aeroporto de Brasília e determinou a inclusão de 10 aeroportos regionais do programa AmpliAR no novo contrato. A expectativa é que o leilão ocorra ainda neste ano.

O modelo tende a reforçar a presença dos operadores já estabelecidos, segundo Valerim. "Ao incorporar aeroportos regionais a contratos existentes, o programa amplia a escala das concessões e favorece grupos já instalados, o que pode concentrar ainda mais a operação", afirmou.

Apesar do número limitado de ativos, há espaço para novos entrantes, segundo Ana Cândida, que cita como exemplo a venda de ativos da Motiva. "Ainda há oportunidades no mercado secundário, mas os grandes grupos tendem a concentrar os ativos", reforçou.

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