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AQUECIMENTO GLOBAL

Crise climática muda mapa da produção de energia no Brasil

Pesquisadores defendem energia solar e eólica como alternativa quando o combate às mudanças climáticas exige restrição de emissões dos gases de efeito estufa

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Especialistas da área de clima e energia estão somando esforços para mobilizar os órgãos públicos a rever o planejamento da geração elétrica no Brasil considerando as projeções de estresses climáticos.

Os cenários apontam secas mais prolongadas, com muito sol e ventos, no Norte e no Nordeste, e chuva farta no Sul. Seria como viver o fenômeno El Niño por momentos mais prolongados.

As projecoes indicam que o aumento da temp eratura no Brasil será superior a media global. O aumento tende a ser de pelo menos 4°C em média, o que vai comprometer um pilar da geração energética no país, as hidrelétricas.

Os cenários constam no relatório "Vulnerabilidade do setor eletrico brasileiro frente a crise climatica global e propostas de adaptação". O documento foi lançado nesta sexta-feira (26) pelo ClimaInfo, em nome da Coalizão Energia Limpa.

Cerca de metade do abastecimento do Brasil é feito por hidrelétricas, que também garantem potência e estabilidade ao sistema, funcionando como suporte para evitar quedas de energia. Essas usinas já sofrem com variações da temperatura. A seca de 2014 a 2015 fragilizou boa parte dos rios. Em 2021, bacias foram castigadas pela pior crise hídrica dos últimos 90 anos.

"Os registros mostram que evento climáticos extremos estão aumentando, tanto na frequência quanto na magnitude", diz um dos pesquisadores do relatório, Lincoln Muniz Alves, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e que também atuou como autor líder do Sexto Relatório de Avaliação do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima).

Os especialistas, no entanto, afirmam que há resistência do governo e demais planejadores do sistema elétrico em mudar os modelos no setor. Um exemplo é a postura em relação às térmicas.

Desde a histórica crise de abastecimento, em 2000, quando a água mingou nos reservatórios das hidrelétricas, o seguro apagão é feito por térmicas movidas a combustíveis fósseis. A sistemática encareceu a energia brasileira, mas afastou o desabastecimento.

O relatório rejeita essa saída tradicional, inclusive as usinas a gás. Acompanhando a tendência global, recomenda a eliminação dessa fonte até 2050. O governo neste momento faz exatamente o contrário, concentra esforços para aumentar o número de térmicas a gás, construir gasodutos e abrir uma nova fronteira de exploração na margem equatorial.

"O Brasil perdeu a janela do gás e do petróleo e tenta recuperar isso agora, quando o mundo já entrou nas renováveis", diz José Wanderley Marangon, secretário de P&D do Inel (Instituto Nacional de Energia Limpa).

Os especialistas acreditam que investir em solar e eólica é a alternativa mais adequada quando o combate às mudanças climáticas exige restrição de emissões dos gases de efeito estufa, e esperam sensibilizar os reguladores brasileiros neste momento de mudanças.

"Entre 2014 e 2015, após uma ampla pesquisa, fizemos o alerta sobre a dinâmica do clima, que não havia sido considerada no planejamento do setor elétrico nem pelo Ministério de Minas e Energia. Eu diria que, agora, ligaram o sinal amarelo ", afirma Marangon.

Segundo o estudo, o aumento de secas e ventos, no Norte e no Nordeste, naturalmente favorece a expansão das fontes renováveis. Elas já representam quase 25% da geração do país, e os seus projetos estão concentrados nessas áreas. Mas, como nada é tão simples quanto parece, essa vantagem também impõe desafios.

"Se o parque gerador vai crescer ao Norte e Nordeste, então, será preciso ampliar ainda mais os investimentos no sistema de transmissão para transportar essa energia para o resto do país", explica Luiz Eduardo Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, que apoia o relatório.

A radiação solar tende a aumentar, o que vai demandar placas fotovoltaicas cada vez mais resistentes. Os ventos podem ser bem mais fortes, então, também será preciso reforçar as estruturas de suporte dos parques. Ventos inesperadamente mais fortes já arremessaram placas em projetos na região.

Por outro lado, o clima mais árido limita a construção de novas usinas sem reservatórios, as chamadas fio d'água. É o caso do complexo do rio Tapajós, com um conjunto de usinas no Pará, que os especialistas recomendam que seja engavetado.

Nas secas severas durante o verão, essas usinas também tendem a demandar um volume maior de água da chuva para se recomporem e voltarem à plena carga. Belo Monte, Santo Antonio e Girau são usinas a fio d'água que hoje complementam o abastecimento do sistema no meio do ano, quando chove na região Norte, mas é período seco na região central do país e no Sudeste, onde estão os maiores centros consumidores.

Uma sugestão para prolongar o funcionamento de hidrelétricas e centrais de médio e pequeno porte em períodos mais críticos é fazer a conversão para operarem como usinas reversíveis. Grosso modo, elas adotam um sistema interno que devolve a água ao reservatório para aproveitamento contínuo.

No Sul, o prognóstico é de mais chuvas. Mas o futuro de Itaipu e de uma série de 40 usinas no rio Paraná é incerto. A bacia está na Zona de Convergência do Atlântico Sul, onde os modelos climáticos divergem quanto ao aumento ou diminuição das chuvas.

Também não há conclusão fechada sobre o clima no Sudeste, apesar de os pesquisadores identificaram tendência a secas e elevação da temperatura.

"Essa é uma região de transição, sem clima definido, onde podem ocorrer fenômenos com características tanto no Sul quanto de parte do Norte e Nordeste", diz o pesquisador Muniz Alves. ."É uma espécie de zona cinzenta, que apresenta desafios para a ciência quando queremos fazer projeções."

O Sudeste é estratégico no caso das hidrelétricas. Lá estão, por exemplo, as usinas do Rio Grande, Furnas, Água Vermelha, Mascarenhas de Moraes e Maribondo, consideradas a parte vital da caixa d'água do Brasil. Sem chuva nesse conjunto, o abastecimento fica incerto.

Nas secas, acreditam o especialistas, é preciso fortalecer o fornecimento vindo de outras regiões, mas também reforçar e fazer uma gestão mais fina da chamada GD (geração distribuída). Basicamente, corresponde no Brasil ao abastecimento via placas solares instaladas em telhados de residências ou empresas, ou em fazendas em áreas no interior.

Os especialistas também afirmam que é preciso investir na formação de estoques de energia solar com a adoção em escala de baterias, que são uma raridade atualmente, bem como reforçar investimentos no hidrogênio, particularmente no verde.

Barata, um dos mais experientes técnicos do setor de energia, destaca que não é uma tarefa fácil coordenar o sistema elétrico com tantas novas variáveis, mas o desafio está posto e precisa ser enfrentado.

"O operador do sistema pode gerenciar e coordenar a operação de hidrelétricas e térmicas, mas não consegue fazer o mesmo, com o modelo atual, para solares e eólicas", afirma ele. "A complexidade do setor aumentou, e temos de debater novas saídas."

A avaliação das entidades é que, como neste momento há chuva abundante, há tempo para planejar essas e outras mudanças.
"É o momento ideal para repensar o que queremos para o setor de energia e rever o seu arcabouço, e, como sociedade civil, acreditamos que podemos contribuir nesse debate e buscamos diálogo com o poder público", diz Carolina Marçal, analista do Instituto ClimaInfo.

Além da entidade, fazem parte da Coalizão Energia Limpa IED (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente), Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), Instituto Internacional Arayara e Instituto Pólis.
 

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SOBERANIA

Lula conversa com Trump e reabre negociação sofre tarifaço

Conforme o Palácio do Planalto, a conversa foi "em tom amistoso e cordial" e durou uma hora e 20 minutos nesta sexta-feira

21/08/2026 13h10

A conversa entre Lula e Trump aconteceu pela manhã e combate ao crime organizado também foi tema

A conversa entre Lula e Trump aconteceu pela manhã e combate ao crime organizado também foi tema

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou nesta sexta-feira, 21, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula reiterou pedido para que Brasil e Estados Unidos insistam na negociação para retirar o tarifaço imposto a produtos brasileiros e Trump, segundo o governo brasileiro, "concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível".

As informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) nesta sexta-feira. O Palácio do Planalto informou que a conversa foi "em tom amistoso e cordial" e durou uma hora e 20 minutos.

"Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas. Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil", relatou o governo brasileiro na nota.

O comunicado foi divulgado pela Secom no início da tarde desta sexta. A conversa entre Lula e Trump aconteceu pela manhã. O combate ao crime organizado também foi assunto, assim como em outras conversas entre os dois chefes de Estado.

De acordo com a Secom, Lula "reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado" e "argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas". Também disse que o Brasil "tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las".

A Secom pouco falou sobre as reações de Trump às falas de Lula. Sobre a questão envolvendo o combate ao crime organizado e à decisão dos Estados Unidos de ter classificado facções criminosas do Brasil como terroristas, a Secom limitou-se a dizer que Trump "se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área".

A conversa entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos também passou pela Organização das Nações Unidas (ONU). Assim como fez com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, Lula reclamou a Trump sobre o conselho de segurança da ONU.

"O presidente Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos Presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. O presidente Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos", informou a Secom.

soberania

Navio-plataforma da Petrobras atinge produção máxima no pré-sal

A 180 km da costa do estado do Rio ded Janeiro, o navio Alexandre de Gusmão chegou à extração de 180 mil barris por dia

21/08/2026 07h20

navios-plataformas são usados para extrair, processar, guardar e escoar o petróleo e gás de um poço

navios-plataformas são usados para extrair, processar, guardar e escoar o petróleo e gás de um poço

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O navio-plataforma Alexandre de Gusmão, instalado no Campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, atingiu seu patamar máximo de produção, com a extração de 180 mil barris de óleo por dia (bpd).

O Campo de Mero, a 180 km da costa do estado do Rio de Janeiro, é o terceiro maior produtor do Brasil, depois de Búzios e Tupi, que também ficam na Bacia de Santos. O campo de produção de óleo e gás é considerado de águas ultraprofundas, com profundidade de 2,1 mil metros. 

Também chamados de FPSO, os navios-plataformas são usados em alto-mar para extrair, processar, guardar e escoar a produção de petróleo e gás de um poço. 

Em texto divulgado pela Petrobras, a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, destaca que “cada unidade que atinge o patamar máximo de produção previsto em projeto, além de contribuir para o resultado da empresa, confirma a superação de grandes desafios técnicos e o acerto das estratégias adotadas".
  
Além do Alexandre de Gusmão, operam no campo de Mero os navios-plataforma Pioneiro de Libra, Guanabara, Sepetiba e Marechal Duque de Caxias.
 
A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, descreve que o ativo de Mero teve uma produção média de cerca de 740 mil barris de petróleo por dia (mbpd) no segundo trimestre de 2026, ainda sem o topo do Alexandre de Gusmão.

"O topo da unidade mostra que seguimos uma trajetória firme de aumento da eficiência operacional dos nossos ativos", analisa.

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