Brasil

NOVO TARIFAÇO

Itamaraty vê decisão política em proposta dos EUA de impor nova tarifa de 25%

Conclusão de apuração pelo USTR não aguardou prazo acordado entre Lula e Trump e pode passar a valer a partir de julho

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Integrantes do governo brasileiro avaliam que o esforço de negociações e esclarecimentos aos Estados Unidos no âmbito da Seção 301 foi desconsiderado pelo Escritório do Representante Comercial (USTR), que anunciou nesta terça-feira, 2, uma nova taxa de 25% sobre exportações brasileiras, que passaria a vigorar a partir de 15 de julho.

Evitar um novo tarifaço era um dos principais objetivos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O assunto foi central na reunião de trabalho que ele manteve em Washington, na Casa Branca, em 7 de maio, com o presidente Donald Trump.

Embora estivesse ciente da iminência da conclusão da investigação da Seção 301, com base na Lei de Comércio dos EUA, o governo brasileiro esperava que o governo Trump anunciasse uma decisão apenas após o fim do prazo de 30 dias acordado entre os presidentes. Esse prazo terminaria no fim desta semana e interlocutores de Lula chegaram a pensar numa extensão.

Houve reuniões técnicas e políticas entre autoridades, e o ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) chegou a falar num possível acordo parcial.

Na prática, o embaixador Jamieson Greer, chefe do USTR, anunciou antes suas conclusões, após 12 meses de investigação, ouvindo setores interessados da iniciativa privada e o governo brasileiro. A proposta de 25% de tarifas, feita por Greer, foi colocada em “consulta pública” enquanto os dois lados seguem em tratativas. Haverá uma audiência pública no dia 6 de julho.

“Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas”, afirmou Jamieson Greer.

“Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Aguardo com expectativa a continuação do diálogo com o governo brasileiro, antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas.”

Para um diplomata que acompanhou as conversas, foi “como se ninguém tivesse falado nada com eles”, porque as acusações do USTR, consideradas pelo Brasil como “descabidas”, se reproduziram na nota que comunicou a conclusão da investigação. O governo brasileiro se insurge, sobretudo, nas acusações envolvendo o pix e o desmatamento.

EFEITO BOLSONARO

Um embaixador citou que a argumentação foi toda desconsiderada porque a decisão do governo Trump é mesmo “política” e tem a ver com o lobby da oposição e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato presidencial, feito na semana passada, em Washington.

Embora os bolsonaristas tentam se desvincular previamente do tarifaço, por causa da rejeição popular à medida de Trump no Brasil, no ano passado, diplomatas da gestão petista destacam que eles “cavaram mais uma medida contra o País”.

O comunicado do USTR reproduz a mesma argumentação dos assuntos centrais da apuração: comércio digital e serviços de pagamento, tarifas preferenciais injustas, combate à corrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Para integrantes do Itamaraty, o governo Trump reproduziu a mesma “retórica e inconsistência” e parece não ter agido de boa-fé, ao não esperar o fim do prazo de 30 dias.

Como o Estadão registrou, Greer foi o mais crítico e o integrante do governo Trump que mais se queixou do Brasil e de tarifas altas brasileiras, de forma genérica, na reunião entre Lula e Trump na Casa Branca.

O representante comercial dos EUA também voltou a reclamar da posição brasileira que bloqueou, ao lado da Turquia, na Organização Mundial do Comércio (OMC) a extensão da moratória sobre transmissões eletrônicas, que isenta de tarifas bens e serviços digitais.

Foi uma derrota política para Greer, que viajou à reunião e discursou na plenária de forma ameaçadora, segundo testemunhas, prometendo que haveria consequências se a moratória não fosse mais uma vez renovada.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua vez, afirmou  na manhão desta terça-feira ter solicitado diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não aplicase taxas sobre empresas brasileiras.

O pedido, segundo o parlamentar, foi feito nas reuniões que contaram com a presença do vice-presidente, JD Vance, e do secretário de Estado, Marco Rubio. As declarações de Flávio foram dadas à rádio Itatiaia, de Minas Gerais.

casa própria

Governo anuncia construção de 85 mil moradias do Minha Casa,Minha Vida

Cinquenta mil imóveis terão destinação rural e 35 mil atenderão a quem reside em zona urbana. O número de moradias é 66% acima da previsão inicial

13/06/2026 08h05

O programa atende famílias com renda bruta de até R$ 3,2 mil. Trabalhadores rurais podem ter renda anual de R$ 50 mil

O programa atende famílias com renda bruta de até R$ 3,2 mil. Trabalhadores rurais podem ter renda anual de R$ 50 mil

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O governo federal anunciou na tarde desta sexta-feira (12) as propostas selecionadas para a construção de 85 mil novos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) nas modalidades Rural e Entidades (moradias urbanas).

Cinquenta mil imóveis terão destinação rural e 35 mil atenderão a quem reside em zona urbana. O número de moradias é 66% acima da previsão inicial. As residências serão financiadas pelo Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). O valor total do investimento é R$ 10 bilhões.

A modalidade MCMV Entidades atende famílias com renda total de até R$ 3,2 mil (valor bruto). O acesso ao benefício se dá por meio de associações de moradores, cooperativas habitacionais e sindicatos que submetem a proposta de construção de casas e apartamentos à Caixa Econômica Federal.

Para a coordenadora do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), Ângela Cristina Ferreira, a modalidade Entidades do MCMV desburocratiza a construção de residências e consegue estabelecer diálogo “na ponta” com pessoas em “extrema de vulnerabilidade”, possibilitando o acesso a “casas com boa qualidade”.

Para quem abastece a mesa

No caso do MCMV Rural, há recursos para construção ou reforma de moradias de agricultores com renda familiar bruta anual de até R$ 50 mil. O programa – que também atende comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas – viabiliza que os agricultores construam casas em terrenos onde moram.

A presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais e Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Vânia Marques, ressalta que a modalidade Rural do MCMV é extremamente impactante. Segundo a representante da Contag, ainda é comum nessas regiões a falta de eletricidade, de estradas asfaltadas e de políticas públicas mais acessíveis.

Para a liderança, a iniciativa faz justiça social. “Porque somos nós que carregamos diariamente uma missão estratégica para a nação. Somos nós que produzimos alimentos saudáveis. Somos nós que abastecemos a mesa do povo brasileiro.”

Alma do programa

As entidades representativas de movimentos rurais e de movimentos de moradia participaram de solenidade para o anúncio do financiamento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, em Brasília.
 
“Vocês que estão aqui hoje são a alma desse programa. São os verdadeiros protagonistas que fazem com que essas casas cheguem à população e às famílias que mais precisam”, disse Lula.

O presidente da República assinalou que o anúncio da construção de novos imóveis atende à demanda dos movimentos sociais, e pediu que esses sejam atuantes na execução do programa. “O que vocês cobram não é injusto. Vocês sabem que fomos eleitos para cumprir o que programamos.”

presidente do senado

Delação de Vorcaro aponta propina de US$ 30 mi a Alcolumbre, diz revista

Conforme a Veja, os cerca de R$ 153,5 milhões foram depositados numa conta secreta e repassada a Alcolumbre em troca de apoio aos interesses do Master

12/06/2026 07h23

A delação contra Alcolumbre está na versão que já foi rejeitada pela Polícia Federal e agora está sendo analisada pela PGR

A delação contra Alcolumbre está na versão que já foi rejeitada pela Polícia Federal e agora está sendo analisada pela PGR

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A segunda proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro teria, segundo relato da revista Veja, uma acusação de pagamento de propina ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Um dos temas que o dono do Banco Master teria oferecido aos investigadores para fechar o acordo menciona uso de conta no exterior para repassar recursos ao senador do Amapá.

De acordo com a revista, o banqueiro teria feito um pagamento de US$ 30 milhões, o equivalente hoje a cerca de R$ 153,5 milhões. A cifra fora depositada numa conta secreta e repassada a Alcolumbre em troca de apoio para assuntos de interesse de Vorcaro. A revista Veja diz que a operação financeira foi feita por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

Nesta quinta-feira, 11, a Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal manifestação informando ter rejeitado a proposta de delação de Vorcaro. O conteúdo da proposta de acordo do banqueiro ainda está em análise na Procuradoria Geral da República. O procurador-geral, Paulo Gonet, orientou à sua equipe analisar o material com cautela e não tem um prazo definido para finalizar essa análise.

Outro capítulo do acordo de delação, conforme divulgado pela revista, seria destinado a falar sobre negócios do Master com integrantes do governo da Bahia. O citado é o ex-ministro e ex-governador baiano Rui Costa.

Não há referência sobre pagamento de propina, mas haveria promessa de relato do banqueiro sobre como ele manteve em funcionamento um sistema de empréstimo consignado vinculado à folha de pagamento dos servidores estaduais.

A primeira proposta apresentada por Vorcaro havia sido rejeitada em 20 de maio. Na ocasião, a PF rejeitou o material, mas a PGR demonstrou disposição em dar prosseguimento às negociações e receber complementos.

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