Brasil

11 dias de julgamento

Jairinho é condenado a 43 anos pela morte de Henry Borel

A mãe do menino, Monique, que também fora denunciada pelo crime, recebeu perdão judicial e foi libertada

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O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias pela morte de Henry Borel, de 4 anos. A mãe do menino, Monique Medeiros teve o homicídio por omissão desclassificado para homicídio culposo e recebeu o perdão judicial. A juíza Elizabeth Machado Louro determinou a soltura de Monique.

A defesa de Jairinho e o Ministério Público afirmaram que vão recorrer da decisão.

Monique foi responsabilizada pela omissão em um caso de tortura contra o filho em 1 ano e quatro meses, pena já cumprida pela professora. O pai de Henry, Leniel Borel terá direito a uma multa por reparação de danos morais de R$ 400 mil, a ser paga por Jairinho.

"Desde a investigação, Monique não mereceu o benefício da dúvida e ao longo do processo, embora fosse apontada como mãe zelosa, e não ter sido acusada de infligir diretamente agressões físicas a seu filho, a revolta evoluiu rapidamente para franco massacre nas redes sociais, com ataques muito mais virulentos do que aqueles dirigidos ao autor direto", afirmou a magistrada durante a sentença.

A magistrada afirmou que Monique foi alvo de misoginia extrema declarada e que, durante os cinco anos do caso, a mãe de Henry foi alvo de uma perseguição implacável.

"Incomensurável o sofrimento de quem, além de perder seu único filho, para o que, de resto, não contribuiu intencionalmente, viu-se algo durante cinco longos anos de uma perseguição implacável contra a sua honra e sua auto-estima como mãe, para não falar do completo desprezo pela sua dor", afirmou.

O II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro concluiu na madrugada desta quinta-feira, 4, o julgamento do caso - o mais longo da história do Estado - após 11 dias de depoimentos e debates entre acusação e as defesas do ex-vereador e da mãe do menino.

Jairinho foi condenado pela prática de homicídio duplamente qualificado e pelo crime de tortura contra o menino Henry em um dos três episódios citados pela acusação. Ele foi absolvido pela prática de outras duas torturas das quais era acusado.

O julgamento do Caso Henry Borel foi marcado pelo debate sobre a omissão ou não de Monique Medeiros na morte de Henry. De um lado, o Ministério Público sustentou que a professora sabia da tortura que o menino sofria do padrasto e não atuou para protegê-lo. Do outro, a defesa de Monique alega que ela não sabia da violência sofrida pelo filho.

Para o Ministério Público, Jairinho agia de forma sádica e cruel dentro do apartamento do casal na Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio. A causa da morte - laceração hepática - foi, segundo a acusação, com base nos laudos periciais, como resultado direto de violência física sofrida por Henry no dia 8 de março de 2021.

Com uma narrativa consolidada de que Jairinho foi o responsável direto pela morte do menino, a acusação focou em convencer os jurados sobre a omissão de Monique no papel de proteger o filho.

'Um psicopata e uma narcisista'

A acusação refutou de forma veemente a tese de que ela era uma mãe subjugada ou ingênua. O promotor Fábio Vieira descreveu Jairo como "um psicopata" e Monique como "uma narcisista".

"Quando a gente olha e se debruça nesse processo, a gente vê os gritos desse garoto pedindo socorro para a mãe. Os gritos desse garoto para a mãe pedindo para que ele fosse salvo", afirmou o promotor.

A acusação focou em tentar contrapor a narrativa de Monique, de que não teria identificado as agressões de Jairo ao filho. Os promotores sustentaram que a professora, mesmo com sinais de que o então namorado agredia Henry, não teria atuado para impedir a violência.

"Monique soube desde o início quem era o Jairo", afirmou Cristiano Medina, assistente de acusação.

Monique acusou Jairo

Acusada de homicídio por omissão contra o próprio filho, Monique Medeiros acusou em depoimento, pela primeira vez, Jairo pela morte de Henry Borel.

"Eu acho que foi, eu creio que foi. Hoje, assim pelo modus operandi dele, pelas ex-namoradas, pelos filhos, sim, eu acredito que pode ter sido ele", afirmou Monique em depoimento.

A defesa de Monique refutou a ideia de que a professora teria se omitido em relação às agressões de Jairo ao filho "para manter uma vida de luxo".

Outro ponto rebatido pela advogada Florence Rosa é o padrão de maternidade esperado de uma mãe para acusar Monique. A acusação cita diversas vezes as idas de Monique à academia e a vaidade dela para sustentar um suposto padrão narcisista da professora.

"A minha maternidade seria criticada por essas pessoas também. Ninguém veio falar que ela maltratava o filho, ninguém falou que o filho ficava jogado, que o filho ficava sujo, que o filho não recebia cuidado intelectual e material devido, pelo contrário. Tudo que eles vem aqui falar para os senhores é sobre a roupa que ela usava, sobre o fato dela ter ido à academia", afirmou.

A acusação destacou que, mesmo após a morte de Henry, Monique manteve planos de casamento com Jairinho, foi ao salão de beleza dias após o enterro e manteve um comportamento frio e calculista, escolhendo o status social e o conforto financeiro proporcionados pelo político em detrimento da vida do próprio filho.

Já a defesa de Monique cita que a acusação não relata, no entanto, que Leniel Borel foi à barbearia três dias após a morte do filho e teria participado de churrascos apenas uma semana após o crime. Para os advogados dela, isso apenas reforça a tese de culpabilização da mãe e violência de gênero.

Babá avisou sobre as agressões?

Uma troca de mensagens entre a babá Thayná de Oliveira Ferreira e Monique Medeiros, no dia 12 de fevereiro de 2021, menos de um mês antes da morte de Henry, esteve no centro do debate da acusação e dos advogados da professora.

Para a acusação, o diálogo provava que Monique sabia das agressões e se omitiu. Já a defesa de Monique, sustentou que as mensagens não deixam claro de que Henry estava sendo agredido pelo padrasto.

Na tarde do dia 12, a babá narrou a Monique, que estava em um shopping, em tempo real via WhatsApp, que Jairinho havia chegado mais cedo, se trancado no quarto com Henry e aumentado o som da televisão.

Thayná avisou que Henry saiu do quarto chorando, mancando e com um "galo" na cabeça. Monique, que estava em um salão de beleza, demonstrou aparente preocupação, dizendo que voltaria correndo para casa.

Jairinho nega agressões a Henry

Em depoimento na noite de terça-feira, 2, Jairinho contestou o depoimento da babá Thayná Ferreira, que o acusou de ter torturado o filho de Monique e Leniel em três ocasiões.

"Eu não fiz isso com o Henry. A Monique sabe, o pai, a mãe, o irmão da Monique sabem. O pai do Henry sabe que eu não fiz nada com o menino. Ele dormia quatro vezes por semana na casa do avô. A avó, dona Rosangela, dormia na nossa casa. Todos tomavam conta do Henry. E a investigação contra mim tem como base a percepção abstrata da Thayná sobre agressões contra o Henry que nunca aconteceram. Minha vida está destruída por causa de prints que pegaram da babá", afirmou.

superfaturamento

Operação policial contra fraude e desvio atinge produtora do filme de Bolsonaro

Inicialmente o contrato para instalar pontos de WI-FI foi de R$ 108 milhões. Mas, após os aditivos, chega a R$ 157 milhões com a ONG

01/06/2026 07h30

Polícia faz buscas sobre fraude da Prefeitura de São Paulo em prédio da Secretaria de Inovação Tecnológica

Polícia faz buscas sobre fraude da Prefeitura de São Paulo em prédio da Secretaria de Inovação Tecnológica

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A Polícia Civil de São Paulo desencadeou nesta segunda-feira, dia 1.º, a Operação WI-FI para investigar a suspeita de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB). O instituto é uma ONG de propriedade de Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP Entertainment Ltd, responsável pelo filme Dark Horse (Azarão, na tradução do inglês), sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Além do contrato original, a Prefeitura fez aditivos que elevaram para R$ 157,1 milhões os repasses para a ONG. Pelo menos R$ 26 milhões teriam sido pagos “sem a efetiva prestação do serviço”, segundo as autoridades. A polícia investiga fraude na licitação, fraude na execução do contrato e possível desvio de recursos públicos.

O ICB, a Go UP, dois endereços residencial de Karina e a sede da Secretaria Municipal Inovação e Tecnologia estão entre os alvos da operação, que cumpre oito mandados de busca e apreensão determinados pela 1.ª Vara Regional da Garantias (1.ª RAJ). A reportagem não conseguiu ainda contato com a defesa de Karina, de sua ONG e da produtora, bem como com a assessoria da secretaria. 

A operação é o primeiro resultado do inquérito aberto pela 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), para investigar o contrato mantido pela Prefeitura com o ICL.

O inquérito foi aberto por requisição do Ministério Público estadual após uma denúncia apresentada por Leonardo Carvalho Bastos, membro do conselho de ética do PT de Sapucaia do Sul (RS) ao Ministério Público Federal.

O ICB fechou com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia o contrato 01/SMIT/2024. O objetivo era a implantação, operação e manutenção de 5 mil pontos públicos de acesso a Wi-Fi em comunidades da periferia de São Paulo, parte do programa WiFi Livre SP, da Prefeitura de São Paulo.

Ainda segundo as investigações, foram encontrados graves indícios de direcionamento e fraude no procedimento de seleção da entidade parceira da Prefeitura.

Isso teria ocorrido especialmente porque o chamamento público teria contado exclusivamente com a participação do ICB, entidade sem experiência técnica prévia no setor de comunicações, atuando tradicionalmente em feiras e eventos literários e religiosos.

O Tribunal de Contas do Município (TCM) apontou ainda 20 irregularidades no edital do chamamento do contrato, recomendando a sua suspensão em “razão da fragilidade dos critérios de seleção adotados”. A secretaria, no entanto, manteve o contrato.

A Justiça considerou ainda haver indícios de “expressiva discrepância econômica” entre os valores anteriormente praticados pela Prefeitura e os que foram fechados com o ICB. Em contratos anteriores da secretaria com a Prodam, empresa de processamento de dados da Prefeitura, o custo para a implantação de cada ponto de Wi-Fi era de R$ 230 e o de sua manutenção era de R$ 306.

Já o ICB estipulou em R$ 1,8 mil mensais por ponto instalado, sem oferecer, de acordo com a denúncia, justificativa técnica ou econômica plausível, o que indicaria a prática de sobrepreço e lesão ao erário.

Ao analisar a execução do contrato, a Justiça verificou que só 3,2 mil dos pontos de Wi-Fi foram executados. Três aditivos foram celebrados em sequência e em curto espaço de tempo para prorrogar as obrigações contratuais e “justificar os atrasos na execução”. Os aditivos levaram a Prefeitura a concordar em pagar mais R$ 49,1 milhões à ONG ligada à produtora do filme Dark Horse.

A polícia recebeu um relatório da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social da Capital que demonstrou que foram antecipados pagamentos de R$ 26 milhões sem a efetivação do serviço, sendo que, apenas nos meses de julho e agosto de 2024, o ICB recebeu R$ 11 milhões relativos aos 3,2 mil pontos supostamente instalados na periferia paulistana – há a suspeita de que boa parte dos pontos sequer tenha sido instalada.

Até a assinatura do último aditivo, em dezembro de 2025, a Prefeitura já havia pago R$ 83 milhões ao ICB e reservou outros R$ 53 milhões no orçamento deste ano – até agora já foram liquidados R$ 12,2 milhões.


Análise do COAF

A Polícia Civil também requisitou à Justiça acesso às análises do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações financeiras feitas pelo ICL, pela Go Up e por Karina. É que entre as hipóteses investigadas está a de que parte dos recursos possa ter ido parar nos cofres da Go Up durante o tempo em que o filme Dark Horse foi produzido.

A obra teve mais de 90% de seu orçamento bancado com dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. O financiamento secreto foi tratado entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro mesmo depois da prisão de Vorcaro por fraudes bilionárias, em novembro de 2025, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) em um dos celulares do banqueiro.

“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo”, escreveu o delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, titular da 2.ª DICCA, em ofício encaminhado à 1ª RAJ.

O roteiro do filme Dark Horse é assinado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que, em 2024, destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares para a ONG do filme. A relação entre o filme e o dinheiro de Vorcaro foi revelado pelo site Intercept Brasil, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro negociando o financiamento do longa-metragem com o banqueiro. As mensagens indicam que o dono do Banco Master se comprometeu em repassar US$ 24 milhões — R$ 134 milhões, na cotação da época — para financiar o filme.

ALÍVIO NO BOLSO

Receita paga nesta sexta maior lote de restituição do IR da história

Dos R$ 16 bilhões desse lote, R$ 8,64 bilhões vão para contribuintes com prioridade legal no reembolso

29/05/2026 07h28

Neste primeiro lote estão sendo contemplados mais de 8,7 milhões de contribuintes que fizeram a declaração no início do prazo legal

Neste primeiro lote estão sendo contemplados mais de 8,7 milhões de contribuintes que fizeram a declaração no início do prazo legal

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Quase 9 milhões de contribuintes recebem nesta sexta-feira (29) o maior lote de restituição do Imposto de Renda da história. Ao longo do dia, a Receita Federal pagará R$ 16 bilhões a 8.749.992 pessoas. O pagamento contempla o primeiro lote da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2026 e restituições residuais de anos anteriores.

Em nota, a Receita informou que o lote recorde se deve à agilidade no processamento das declarações e do avanço das ferramentas de modernização e automação adotadas pelo órgão. O primeiro lote de 2026, informou o órgão, representa 40% das restituições previstas para serem pagas este ano, tanto em valores quanto em número de contribuintes.

Dos R$ 16 bilhões desse lote, R$ 8,64 bilhões vão para contribuintes com prioridade legal no reembolso.

As restituições estão distribuídas da seguinte forma:

-4.959.431 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e/ou optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix (prioridade não determinada por lei)

-2.256.975 contribuintes de 60 a 79 anos (prioridade legal)

-1.054.789 contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério (prioridade legal)

-256.697 contribuintes acima de 80 anos (prioridade legal);

-222.100 contribuintes com deficiência física ou mental ou doença grave (prioridade legal).
Neste lote, que coincide com o último dia de entrega da Declaração do Imposto de Renda deste ano, não há o pagamento a contribuintes sem prioridade.

A consulta pode ser feita desde o último dia 22, na página da Receita Federal na internet. Basta o contribuinte clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no botão “Consultar a Restituição”. Também é possível fazer a consulta no aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones.

O recorde anterior tinha sido registrado no primeiro lote de 2025, que contemplou créditos de R$ 11 bilhões para 6,2 milhões de contribuintes. Neste ano, a Receita reduziu de cinco para quatro o número de lotes regulares de restituições da declaração, com pagamentos no fim de maio, de junho, de julho e de agosto.

Pagamento

O pagamento será feito ao longo do dia na conta ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração do Imposto de Renda. Caso o contribuinte não esteja na lista, deverá entrar no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e tirar o extrato da declaração. Se verificar uma pendência, pode enviar uma declaração retificadora e esperar os próximos lotes.

Se, por algum motivo, a restituição não for depositada na conta informada na declaração, como no caso de conta desativada, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil. Nesse caso, o cidadão poderá agendar o crédito em qualquer conta bancária em seu nome, por meio do Portal BB ou ligando para a Central de Relacionamento do banco, nos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos).

Caso o contribuinte não resgate o valor da restituição depois de um ano, deverá requerer o valor no Portal e-CAC. Ao entrar na página, o cidadão deve acessando o menu “Declarações e Demonstrativos”, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no campo "Solicitar restituição não resgatada na rede bancária".

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