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Planalto vê Prates fragilizado na Petrobras, mas descarta saída em 2023

Um dos pontos em debate seria a conclusão das obras da fábrica de fertilizantes de MS, que a Petrobras previa para 2028 -depois, portanto, da próxima eleição presidencial (2026)

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Integrantes do Palácio do Planalto veem o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, fragilizado à frente da companhia, mas descartam a possibilidade de ele deixar o posto neste ano.

De acordo com interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), há insatisfação com a gestão do ex-senador na empresa pela falta de clareza na política de preços e também por discordâncias sobre o plano de investimentos da estatal.

Segundo integrantes da Petrobras, Lula quer ampliar o número de obras a serem inauguradas antes da eleição de 2026 e que gerem grande quantidade de empregos.

Um dos pontos em debate seria a conclusão das obras da fábrica de fertilizantes de Mato Grosso do Sul, que a Petrobras previa para 2028 -depois, portanto, da próxima eleição presidencial (2026).

Há ainda a perspectiva de entrega de menos navios do que os 25 anunciados no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O presidente da Petrobras foi duas vezes ao Palácio do Planalto nesta semana, na terça-feira (21) e nesta quarta (22), para explicar o plano estratégico prestes a ser fechado. A divulgação da proposta está prevista para até sexta (24).

Nos dois encontros, estiveram presentes Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do próprio Lula.

Os valores praticados pela estatal também alimentam os embates. De um lado, há a ala do governo que quer baixar o preço dos combustíveis --incluindo Silveira e os ministros Celso Sabino (Turismo) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), preocupados com o impacto do querosene nas passagens aéreas.

De outro lado, Prates é defendido pela equipe de Haddad, que diz que o país não está vivendo um momento para justificar ajuste ou redução no preço dos combustíveis, e que isso não pode ser feito sob pressão política.

Um interlocutor chegou a comparar com a discussão sobre a meta fiscal. Ele diz que forçar a barra para reduzir os preços neste momento pode tirar a credibilidade da companhia.

A expectativa de integrantes do Planalto é que Lula aproveite o final do ano para fazer um balanço de sua gestão. É nesse contexto, avaliam auxiliares do presidente, que Prates poderia acabar mal e eventualmente demitido em uma reforma no ano que vem.

Nos últimos dias, o discurso público de Prates e do ministro Silveira, com quem vem tendo embates públicos, foi amenizado. Após a primeira reunião no Planalto, na terça, o presidente da empresa disse a jornalistas no Palácio do Planalto que não tratou sobre preço de combustíveis. Ele afirmou, inclusive, que nem poderiam ser mudados os valores praticados a "pedido".

"Essa coisa não funciona assim, não é pedido. Não existe esse pedido efetivo. Estamos praticando, seguramos um tempo com estabilidade ao longo do período de muita oscilação", afirmou.

Jean Paul também disse que é natural ir ao Planalto discutir o plano estratégico da companhia com o presidente.
Já Silveira, ministro que comanda a pasta à qual está ligada a Petrobras, disse nesta quarta que "está tudo bem" e que o objetivo das discussões é fazer o Brasil crescer e gerar emprego e renda.

Antes disso, Silveira fez críticas públicas e foi respondido por Prates pelo X, antigo Twitter, em uma sequência de cinco postagens.

"Para que o MME, órgão da União, possa orientar a Petrobras a baixar os preços de combustíveis diretamente, será necessário seguir a Lei 13.303/16 [Lei das Estatais] e o Estatuto Social", afirmou Prates.

Ele chegou a citar pontos como, por exemplo, que a União deve orientar a Petrobras por um ato normativo, e que a proposta deve ser submetida ao Comitê de Investimentos e ao Comitê de Minoritários, que vai avaliar se as condições a serem assumidas pela companhia requerem que a União compense pela diferença.

"A Petrobras merece uma gestão verdadeiramente preocupada com seu futuro e com o futuro do Brasil e do planeta, e todos os dias agradeço pela confiança depositada em mim e na diretoria que me acompanha nesta jornada desafiadora", disse o presidente da empresa no X.
 

transparência

'Dark Horse' gastou R$ 10 mil com peruca e R$ 700 mil com hotel de luxo

Dados fazem parte da prestação de contas feita pela produtora do filme, a Go Up Entertainment, durante as investigações sobre suspeita de desvio de dinheiro público

12/09/2026 07h29

Gastos com hotel foram para o ator principal do filme, Jim Caviezel, seu agente e segurança

Gastos com hotel foram para o ator principal do filme, Jim Caviezel, seu agente e segurança

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A Go Up Entertainment, produtora de "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro, gastou R$ 10 mil com o aluguel de uma peruca para Jim Caviezel, intérprete do ex-presidente, e teve ao menos R$ 700 mil em despesas de hospedagem dele, de seu agente e de seguranças no hotel Unique, em São Paulo.

Os valores constam de comprovantes bancários e notas fiscais apresentados pela defesa da empresa e de sua representante legal, Karina Ferreira da Gama, à PF (Polícia Federal). O material integra a documentação do inquérito que apura o financiamento do longa no âmbito do caso Banco Master.

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), retirou o sigilo da investigação sobre o filme na sexta-feira (11), ao ampliar a divulgação de processos do caso Master. A abertura começou na véspera, após determinação do presidente da corte, Edson Fachin. A PGR (Procuradoria-Geral da República) havia pedido que todos os inquéritos do caso fossem tornados públicos.

A transferência pela peruca foi feita em 5 de dezembro de 2025. O comprovante identifica a Go Up como pagadora e traz a descrição "Locação Peruca Jim".

Seis notas fiscais do Unique somam R$ 663.165,50 e identificam James Patrick Caviezel, nome completo do ator, Nathon Lewis, seu agente, e Richard Dobrich. Outras duas notas, no total de R$ 68.835,60, se referem à hospedagem de Keith Billiot, identificado nos comprovantes como segurança de Jim.

A documentação também registra uma transferência de R$ 298.350,49 ao hotel, feita em 30 de dezembro de 2025, sob a descrição "Hospedagem + gorjetas e massagens Jim". Não foi localizada nota fiscal correspondente a esse pagamento nem a discriminação de quanto foi destinado a cada serviço. Os documentos consultados não esclarecem a relação desse pagamento com os valores das notas fiscais.

Uma fatura registra ainda R$ 54.332,46 pela passagem de Caviezel, incluindo tarifa, taxa de embarque e extras. O documento indica o período de 1º de novembro a 8 de dezembro de 2025. Esse valor não integra o total pago ao hotel.

Quatro despesas com manicures somaram R$ 2.045, em atendimentos às atrizes Lynn Collins e Camille Guaty. Foram R$ 995 para Collins e R$ 1.050 para Guaty, que interpreta Michelle Bolsonaro.

A Go Up também pagou R$ 3.000 pela locação de um conjunto de apliques para a personagem de Michelle. Outros R$ 5.500 foram destinados, em conjunto, a uma peruca para um dublê e a um kit de dreadlocks para outra personagem. O contrato não informa preços separados para os dois itens.

Os comprovantes integram uma mesma entrega documental da defesa à PF, feita em 4 de setembro. O envio respondeu a um ofício no qual a PF pediu documentos para esclarecer as finanças do filme. A solicitação incluía a origem dos recursos, contratos com profissionais estrangeiros, entre eles Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, e comprovantes de despesas com fornecedores, transporte, locações e hospedagem.

Karina encaminhou o ofício ao produtor Michael Davis, que se apresenta como sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC, nos Estados Unidos, e pediu apoio para preparar a resposta à PF.

Davis respondeu no mesmo dia que, por orientação de seus advogados, não autorizava o envio às autoridades brasileiras de documentos da empresa mantidos nos EUA. Afirmou que as requisições deveriam seguir os canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional e que a entrega dependeria de ordem de um juiz americano.

Dirigido por Nowrasteh, "Dark Horse" retrata Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 e o episódio da facada em Juiz de Fora (MG). A história tem origem em um texto do deputado federal Mario Frias (PL-SP), chamado "Capitão do Povo". Parte das filmagens ocorreu em São Paulo. Caviezel ficou conhecido por interpretar Jesus em "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, mais recentemente, pelo papel em "O Som da Liberdade".

O financiamento entrou na investigação do Master após negociações do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, com o então banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo documentos da PF relatados pela Folha, Flávio era interlocutor direto de Vorcaro para os investimentos, e Eduardo Bolsonaro atuava na gestão dos recursos. A polícia investiga a suspeita de que parte do dinheiro tenha custeado despesas de Eduardo nos Estados Unidos. Flávio e Eduardo negam irregularidades.

Em junho, a defesa da Go Up afirmou que a produção havia sido financiada com recursos privados. Um laudo contratado por seus advogados, noticiado pela Folha naquele mês, declarou custo de US$ 13,4 milhões e afirmou não ter identificado dinheiro público nos documentos examinados. A conclusão da perícia privada se limitava ao material apresentado para análise.

transparência

Zanin reforça pedido de acesso a todos os dados do celular de Vorcaro

O pedido surge após manifestação do relator do processo, André Mendonça, que informou que o aparelho celular não se encontra em seu gabinete

12/09/2026 07h23

Cristiano Zanin alega que André Mendonça liberou somente parte dos arquivos, uma vez que estaria tentando proteger determinado grupo político

Cristiano Zanin alega que André Mendonça liberou somente parte dos arquivos, uma vez que estaria tentando proteger determinado grupo político

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O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), reiterou formalmente a solicitação para que seja disponibilizada aos ministros da Corte a mídia que contém a íntegra do material extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, e relacionado à Petição 15.556, pautada para julgamento no dia 15 de setembro. O ofício foi encaminhado ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin. 

O pedido surge após manifestação do relator do processo, ministro André Mendonça, que informou que o aparelho celular não se encontra em seu gabinete. Ele confirmou, entretanto, ter recebido da autoridade policial, em envelope lacrado, uma cópia de segurança dos dados extraídos da mídia original.

Em seu documento, Zanin argumenta que a mídia contendo os dados está sob posse do gabinete do relator e deve ser compartilhada para garantir a igualdade de análise entre os membros do colegiado. O ministro pontua que o fato de o material ter sido entregue lacrado pela Polícia Federal não afasta a necessidade de compartilhamento, uma vez que se trata de um cópia e que a preservação da cadeia de custódia deve ser feita em relação ao material original.

Zanin ressalta que a regra em julgamentos colegiados, inclusive no STF, é que todos os magistrados tenham acesso à integralidade dos elementos colocados à disposição do relator, independentemente da análise do próprio relator.

Além disso, o ministro afirma que os advogados de defesa do investigado Daniel Vorcaro já receberam cópia do material direto da Polícia Federal e possuem acesso integral ao material. "A não disponibilização aos membros desta Corte configuraria evidente incongruência e geraria severas dificuldades no julgamento", destaca Zanin no ofício. 

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