O PSDB e o Democratas vão apelar à Procuradoria Geral da República para tentar derrubar a obstrução dos governistas, que são maioria na CPI dos Cartões Corporativos, e fazer a investigação avançar. A oposição quer acrescentar à representação que o PSDB já entregou ao procurador-geral Antonio Fernando de Souza as declarações da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, assumindo a responsabilidade pela tarefa de reunir informações para o banco de dados do Planalto sobre os gastos corporativos dos governos Lula e FHC.
"Quando o procurador examinar a sistemática deste levantamento, vai ficar claro que informações e pessoas foram pinçadas, o que não se caracteriza como banco de dados, e sim como um dossiê," aposta o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), com a experiência de duas CPIs - a dos Correios e das Sanguessugas - e de 21 anos de Ministério Público.
Sampaio quer que o PSDB leve segunda-feira à Procuradoria um pedido de instauração de inquérito para apurar eventual prática de crimes de violação de sigilo e de segredo profissional (com a divulgação de nomes de pessoas envolvidas). Os tucanos devem pedir também que se apure a prática de ato de improbidade por parte da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e da secretária Erenice.
Para reforçar a ação dos tucanos, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) também vai entrar com uma nova representação no Ministério Público (MP), questionando o comportamento da ministra Dilma e de Erenice na montagem do banco de dados que a oposição classifica como dossiê contra o casal Fernando Henrique Cardoso.